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A maternidade de alguém não transforma a minha liberdade em ofensa
Cara, eu queria muito falar uma coisa aqui sobre esse pessoal que tem filho e fica enchendo o saco de quem não tem. Recentemente eu fui pro shopping e torrei meu dinheiro porque eu estava triste. E assim, eu tinha dinheiro, eu tava no meu direito. Só que chegou uma mulher completamente amarga olhando roupa infantil e começou a me perguntar minha idade, perguntou se eu não tinha vergonha na cara. E eu fiquei sem entender absolutamente nada. Eu literalmente olhei pra ela tentando processar como alguém aborda outra pessoa dessa forma.
Aí ela virou e falou: “curte a vida enquanto você não tem filho”. E sinceramente? Eu não entendi a situação. Desde quando eu ter filho ou não ter filho virou problema de desconhecido? Sinto muito se você tá triste aí com a sua escolha. Sinto muito se você precisa gastar um salário mínimo sustentando uma criança e pensando qual conta vai pagar primeiro no final do mês, mas eu não tenho absolutamente nada a ver com isso.
E eu venho reparando que isso tá acontecendo MUITO na internet também. As pessoas veem alguém feliz, viajando, comprando coisa pra si mesma, vivendo a própria vida e imediatamente aparece alguém nos comentários falando “ah, mas espera ter filho”, “quero ver quando tiver criança”, “depois que vira mãe muda”. Tá, mas quem falou que todo mundo quer essa vida? Porque parece que algumas pessoas ficam irritadas quando veem alguém vivendo uma realidade diferente da delas.
E sinceramente, eu nunca pensei que alguém teria coragem de me abordar desse jeito pessoalmente, mas aparentemente tem gente que realmente se incomoda com felicidade alheia. Porque se eu SAÍ DE UM SHOPPING ELITE COM TRÊS SACOLAS EM CADA MÃO NO MEU SALTO ALTO COMPRANDO ROUPA QUE ME FAZ BEM O PROBLEMA É MEU. Eu trabalhei pra isso, eu quis isso, foi uma escolha minha. Assim como ter filho também é escolha.
Só que parece que algumas pessoas querem transformar maternidade em certificado de superioridade moral, sendo que não é. Você não vira uma entidade evoluída porque reproduziu. E outra coisa que ninguém gosta de admitir: nem toda pessoa que tem filho tá feliz. Porque se estivesse feliz de verdade não sentiria necessidade de descontar frustração em desconhecido dentro de shopping.
E isso vale pra qualquer escolha da vida. Se você realmente tá feliz com a vida que construiu, você não olha pra vida do outro com ressentimento. Você só vive a sua. Porque no final das contas o problema nunca foi minhas sacolas. O problema é que tem gente que olha pra liberdade dos outros e começa a questionar as próprias escolhas.
Nem todo mundo vai gostar de você e isso não é o fim do mundo
Às vezes a gente sofre tentando entender alguém que simplesmente não queria ficar
Eu tive um ficante de São Paulo ano passado, acho que vocês lembram que eu publicava sobre essa viagem. Atualmente eu não converso mais com ele, obviamente, mas ele era uma pessoa que não gostava de pensar demais nas coisas, ele era muito prático. E eu adorei isso nele. Me encantou justamente porque eu sou uma pessoa que tenta racionalizar tudo, tentar entender algo que talvez simplesmente não tenha explicação. Às vezes a pessoa só quis ir embora e pronto, acabou.
A gente ficava tipo umas 8 horas em ligação e acabava entrando em vários assuntos sobre a vida. Eu gostava muito do ponto de vista dele e teve um momento que a conversa entrou em traição. Ele comentou que já tinha passado por isso, quem nunca né? Só é corno quem procura saber. E aí ele falou que a primeira vez doeu muito porque ele gostava demais da menina, só que na última vez ele simplesmente foi embora porque entendeu que você não pode controlar a ação do outro. Você não pode obrigar alguém a gostar de você, você não pode obrigar alguém a ficar com você porque isso acontece naturalmente.
Só que quando a gente gosta de alguém a gente não percebe isso. A gente começa a querer que a pessoa goste da gente a qualquer custo. E assim, eu acho isso normal do ser humano, mas normal não significa saudável. Tem gente que simplesmente não vai querer explicar porque está indo embora e tudo bem, ninguém tem essa obrigação. Eu, por exemplo, sou extremamente comunicativa, então se algo me machuca, muito provavelmente eu vou te ligar pra conversar porque eu acho mensagem de texto muito covarde pra certas situações. Então claramente eu nunca daria certo com alguém que não sabe conversar.
E eu odeio drama. Talvez porque minha mãe seja extremamente dramática, então eu cresci sem paciência nenhuma pra isso porque drama muitas vezes entra em vitimismo, manipulação e outras coisas que eu já vivi demais pra tolerar hoje. Você pode ser a pessoa mais legal do mundo, mas se fizer joguinho emocional comigo a gente vai parar de se falar porque eu realmente não tenho paciência.
Só que ao mesmo tempo eu sou uma pessoa que gosta muito de entender o outro. Então quando alguém fica chateado comigo eu quero entender o motivo. Só que às vezes isso simplesmente não importa. Esse talvez seja o maior dilema que eu demorei anos pra entender. A pessoa só não gostou de você. E acabou.
Quando eu era criança eu sofria muito bullying na escola, eu era extremamente excluída então acabava fazendo muitos amigos online, só que muitos iam embora também. E eu me culpava muito, eu achava que o problema era eu. Até que um dia eu tava contando isso pra esse paulista e ele soltou: “mas e se o problema realmente fosse você? Você iria se diminuir pra eles ficarem? Você iria gostar de se sentir desconfortável só pra alguém continuar na sua vida?” E isso abriu minha mente num nível absurdo.
Porque ninguém precisa gostar da gente. Você pode ser perfeito em tudo e ainda assim alguém não vai gostar de você.
Vamos supor que você seja excelente pintando quadros, sua obra vai pra um museu e tem 10 pessoas olhando pra ela. Eu garanto que 9 não entenderam nada do que você quis transmitir. Talvez uma entenda e mesmo assim não goste.
E tá tudo bem. A gente não nasceu pra agradar todo mundo.
E foi exatamente esse pensamento que mudou muita coisa em mim. Eu sei que nunca daria certo com esse menino de São Paulo, mas eu mudei muito nos seis meses que conversei com ele porque foi aí que eu percebi que às vezes um problema não é tão grande quanto a gente faz parecer. Tipo assim, a pessoa te traiu. Isso é horrível? Claro. Mas sinceramente, você realmente quer discutir uma humilhação dessa?
Porque eu acho terrível quando a mulher descobre uma traição e vai bater boca com amante. Tipo assim, o cara continua sendo um mau caráter, ele só vai aprender a esconder melhor da próxima vez. E às vezes a amante nem sabia da existência da namorada. No final o único confortável nessa situação é o homem. Então sinceramente, se alguém te traiu, eu acho muito mais humilhante você correr atrás querendo entender. Pra quê? A pessoa já provou exatamente quem ela é.
Então simplesmente vai embora. Vai viver sua vida. Você não nasceu grudada em ninguém. E isso é uma coisa que sinto muita falta nas relações atuais porque as pessoas confundem amor com dependência emocional.
Quando eu namoro alguém eu gosto de estar perto da pessoa, mas eu não gosto de viver grudada nela 24 horas por dia. Eu gosto de dividir o mesmo ambiente, cada um fazendo suas coisas, cada um tendo sua individualidade. Porque quando vira grude demais muitas vezes vira carência demais. E quando vira carência você começa a projetar problemas seus na outra pessoa. Aí quando ela vai embora você culpa ela por algo que você mesmo criou na sua cabeça.
Eu lembro que quando eu namorava eu adorava ficar perto dele, só que teve um momento que eu precisei colocar limites. A gente tinha combinado de se ver só nos finais de semana porque ele saía da faculdade e vinha direto pra minha casa todos os dias. Depois de um tempo ele começou a reclamar que as notas estavam ruins e foi aí que eu percebi que o limite precisava existir de verdade.
Outro caso foi de uma pessoa com quem eu estava saindo. Nessa época eu estudava de manhã, trabalhava à tarde e fazia faculdade à noite, então sexta-feira à noite até domingo era meu momento de descansar, assistir série e existir igual uma inútil em paz. Só que essa pessoa começou a passar praticamente o fim de semana inteiro na minha casa. No começo era confortável porque às vezes a gente ficava grudado e às vezes não, só que o problema começou quando ele parou de sair com os amigos pra ficar comigo.
E eu não gosto disso porque eu já passei por relacionamento onde a pessoa me priorizava acima de tudo e eu também já fui a pessoa que priorizou relacionamento acima das amizades. E sinceramente? Isso nunca acaba bem. Porque o problema começa quando você perde sua individualidade por causa do outro.
Eu tenho problemas de confiança? Tenho. Já fui traída? Também. Mas isso não me dá o direito de controlar a vida de ninguém. Se alguém quiser me trair, vai trair. E eu tenho certeza absoluta que ninguém morre de amor. No máximo eu termino, fico triste por um tempo e depois sigo minha vida normalmente.
Então hoje o que eu considero uma relação saudável é justamente isso: dividir a vida sem abandonar quem você é. Eu gosto de dividir espaço, rotina e momentos com alguém, mas eu não quero que a pessoa deixe de viver a vida dela por minha causa porque eu também não vou deixar de viver a minha.
E sinceramente? Acho que foi só depois de entender isso que eu comecei a enxergar relacionamentos de uma forma mais leve.
Você não é centro de reabilitação emocional de ninguém
Tem gente que não quer sair da própria lama, só quer companhia enquanto afunda
Recentemente teve um vídeo no Instagram de um cara contando que ele tava tentando ajudar o amigo e o amigo continuava na merda e isso me fez relembrar uma situação. Basicamente eu estava nesse loop de ficar ajudando quem prefere estar na merda.
Tipo assim: eu conheci um menino muito lindo. Mais velho, voz bonita, daqueles que de vez em quando sabia exatamente o que falar. Só que ele sempre tava desempregado. Sempre. Pegava uns freelas aqui e ali mas claramente não tava construindo nada. E assim… eu sou desempregada no sentido de não trabalhar numa empresa, mas não no sentido de depender dos meus pais pra sobreviver. Pra mim, depois de certa idade, se a pessoa não faz absolutamente nada pra sair do lugar, alguma coisa tá muito errada. Aí um dia esse menino perguntou se podia morar aqui em casa. E eu falei não, porque eu literalmente nunca tinha visto ele na vida. Só pela internet. Depois disso a gente ficou um tempo sem se falar. Só que aí eu vi um pessoal comentando no Twitter sobre emprego na área dele. Falando do que tava dando resultado, o que tava sendo valorizado. E eu fui ajudar. Gravei áudio, expliquei tudo detalhado, mandei vídeo, dei ideia, falei de portfólio, de posicionamento… coisa de uns 10 minutos de áudio. Duas semanas depois o cara não só não tinha melhorado como tava numa situação pior ainda.
E foi aí que eu entendi uma coisa: não adianta você tentar salvar alguém que não quer sair da própria situação. Porque você entra tentando ajudar e sai emocionalmente drenado. E pior: depois ele ainda falou pros amigos que eu era carente de atenção. E sinceramente? Nem julgo tanto. Porque hoje eu olho pra trás e penso “meu Deus, por que eu me coloquei nessa situação?”
Eu sempre fui uma pessoa que colocava os problemas dos outros na frente dos meus. Sempre gostei de ajudar. E todas as vezes eu me ferrava.
Então chegou um momento da minha vida, uns cinco anos atrás, que eu decidi parar.
Parei de carregar dor que não é minha. Parei de tentar salvar gente que nem quer ser salva. E principalmente: parei de romantizar sofrimento alheio.
Porque existe uma diferença muito grande entre uma pessoa passando por uma fase ruim e uma pessoa acomodada na própria destruição.
E isso vale principalmente pra dinheiro.
Minha mãe sempre me ensinou uma coisa: se você for ajudar alguém financeiramente, dê um valor que não vai te fazer falta. Não empreste esperando retorno. Porque dinheiro muda relação. Ou a pessoa fica perto de você pelo benefício, ou se afasta porque se sente desconfortável por dever algo. Na faculdade eu tinha uma amiga que vivia precisando de ajuda financeira. Falava que não tava conseguindo comer direito, que tava sem dinheiro pra tudo. Eu ajudava. Até que um dia encontrei ela no bar, bebendo normalmente com outras pessoas. O dinheiro era dela, ela podia gastar como quisesse, claro. Mas aquilo me fez perceber que eu tava carregando um problema mais do que a própria pessoa. Depois eu parei de ajudar e ela sumiu. Falou mal de mim pros outros e nunca mais apareceu.
Então hoje eu tenho uma regra muito simples: eu não ajudo ninguém financeiramente. Pode ser namorado, amiga, marido, esposa, quem for.
E emocionalmente também não.
Porque eu sou uma pessoa muito aberta espiritualmente. Eu absorvo muito fácil a dor dos outros. Então hoje, pra eu realmente entrar no problema de alguém, essa pessoa precisa ser muito íntima de mim.
Naturalmente, quando você é meu amigo, a gente conversa e eu posso acabar falando alguma coisa que ajuda. Igual acontece aqui no blog. Às vezes eu só compartilho um pensamento, uma situação que vivi, e vocês se identificam.
Mas eu não tenho mais essa necessidade de salvar ninguém.
Até porque eu também não fico esperando os outros me salvarem.
Se eu tenho um problema, eu fico triste? Claro. Às vezes por dias. Mas eu resolvo. Eu não fico parada esperando a vida mudar sozinha.
Uma amiga minha falou uma frase uma vez que ficou na minha cabeça: “a felicidade está no caminho, não no final da estrada.”
E isso mudou muito minha visão.
Desde que comecei minha espiritualidade eu percebi que os momentos ruins não vêm só pra machucar. Muitas vezes vêm pra fortalecer. Porque quando você não aprende algo de primeira, a vida repete a lição. E se você ignora demais, aprende na dor.
E sinceramente? Eu prefiro aprender antes disso.
Teve a questão do meu ex também.
Eu fiquei quase três anos esperando ele voltar. Achando que tudo era sinal. Tarot, coincidência, música, sonho, horário igual… tudo. Enquanto isso ele seguiu a vida normalmente. Se relacionou com outras pessoas e eu aqui, parada no tempo. Até que teve um dia muito específico. Eu tava acendendo uma vela pros meus guias pedindo pra ele voltar. E do nada me bateu um estalo tão grande que eu comecei a rir de mim mesma. Tipo: “meu Deus, eu tô sendo patética.” Apaguei a vela e segui minha vida.
E ironicamente foi exatamente aí que minha vida começou a andar.
Porque enquanto eu tava obcecada tentando “salvar” aquela relação, eu tava abandonando a mim mesma. Depois de muito tempo eu vi ele no ônibus. Nem reconheci na hora, só senti uma energia estranha. Quando cheguei em casa percebi quem era. E sabe o pior? Não doeu.
Eu achava que aquele encontro acabaria comigo emocionalmente. E não fez absolutamente nada. Porque eu já tinha encerrado aquilo dentro de mim.
Às vezes a gente transforma um problema em algo gigantesco enquanto pro outro lado é só… uma segunda-feira comum.
Você pensa: “nossa, faz três anos que a gente terminou.”
E a outra pessoa nem lembra a data.
Então hoje eu tomo muito cuidado pra não transformar problema dos outros em missão de vida. Porque às vezes você tá aí tentando salvar alguém que nem se importa em ser salvo.
E também aprendi outra coisa importante: nem todo desabafo é um pedido de ajuda.
Teve uma vez que eu tava desabafando com uma amiga e ela entrou em desespero querendo resolver tudo pra mim. E eu precisei falar:
“Eu não quero ajuda. Eu só quero desabafar.”
E isso muda tudo.
Nem todo mundo quer conselho. Nem todo mundo quer solução. Às vezes a pessoa só quer ser ouvida. E às vezes você precisa entender quando é hora de ouvir… e quando é hora de ir embora.
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Quando escolher a si mesma vira a decisão mais difícil — e mais libertadora
Quem me acompanha há muito tempo por aqui sabe que o romance sempre foi uma grande pauta neste blog. Muito disso tem a ver com o meu ex: comecei a escrever poucos dias depois do término. Na época, eu estava em um estado emocional tão intenso que eu queria expor aquilo ao mundo. Arquivei as publicações — talvez um dia eu desarquive, mas, por agora, isso não é necessário.
Desde o início deste ano, eu decidi não focar mais no amor. Preferi direcionar minha energia para outras áreas da minha vida. Eu tenho dificuldades em manter atenção e também quero estar mais presente para os meus amigos e para mim mesma, principalmente fora do celular. Tenho priorizado muito a minha vida offline.
Neste ano, três pessoas vieram até mim, mostrando prints e revelando comportamentos do meu ex que eu não conhecia. Houve até uma pessoa que quis me encontrar pessoalmente para conversar sobre isso. E, sinceramente, talvez tenha sido uma das conversas mais esclarecedoras que eu já tive sobre ele.
Apesar de tudo isso me machucar de certa forma, eu não fiquei triste por mais de 24 horas. Eu já tinha passado tanto tempo tentando superar essa relação que, quando essas informações chegaram até mim, eu não senti dor nem pena — apenas entendimento. E segui em frente.
Mesmo sem buscar o amor em outras pessoas, eu encontrei algo muito mais importante: eu mesma. Estou em uma fase em que me envolvo profundamente nos meus projetos, estou bem comigo, tenho amizades que me fazem bem e que, mesmo com a correria da vida, permanecem presentes de um jeito leve e maduro. É quase como se a gente conversasse por cartas — e eu acho isso saudável.
Sobre a minha vida amorosa, eu não posso dizer que não pensei nisso. Às vezes vejo vídeos, converso com amigas e isso acaba me fazendo refletir. Mas eu tenho certeza de que não quero um amor tedioso. Eu gosto de intensidade, gosto de conexão — mas não quero me perder em outra pessoa.
No meu último relacionamento, eu foquei tanto no outro que, quando acabou, senti que ele levou uma parte de mim junto. E eu não quero repetir isso. Hoje, eu finalmente estou gostando de mim de verdade. Estou cuidando da minha saúde, valorizando minhas amizades, buscando equilíbrio espiritual e indo atrás do que é meu.
Isso também é uma forma de amor próprio.
Tenho momentos bons e ruins, mas isso não significa que eu precise de um relacionamento para me completar. Se for para eu ficar sozinha por um tempo ou até por muito mais tempo, tudo bem. Eu sei separar minha vida pessoal, profissional e amorosa.
E, curiosamente, desde que tomei essa decisão de não querer namorar agora, a vida começou a me “testar”. Conheci pessoas que se encaixavam exatamente no meu tipo — e elas vieram até mim. Cheguei a sair com algumas, mas sem intenção de relacionamento, apenas para distrair a cabeça. Duas dessas pessoas acabaram se chateando, dizendo que eu as “usei”, mesmo eu tendo sido clara desde o início. Mas isso não é o ponto principal.
O fato é que existem muitos motivos pelos quais hoje eu não quero namorar. Alguns vêm de experiências pessoais, outros de relatos de pessoas próximas a mim. Isso não significa que eu nunca vá querer um relacionamento, mas, neste momento, o amor não está ocupando espaço de prioridade na minha vida.
Um desabafo sobre identidade, amor e a forma como eu me vejo no mundo
Cara, eu vou entrar em um assunto muito delicado sobre essa questão da minha vida com um relacionamento que eu não tenho coragem de falar pra muita gente, mas eu só não me importo mais. E também eu estou sentimental porque eu estou menstruando, então eu sei que quando eu parar de menstruar eu não vou me importar com isso, mas vamos lá…
Eu sou uma pessoa biologicamente do sexo feminino. A questão é que eu não me identifico com o sexo feminino, muito menos masculino, ou seja, eu sou uma pessoa não binária, e eu tenho plena certeza disso. Tanto é que eu não gosto do meu nome, meu nome é muito feminino, mas eu também não quero um nome masculino. Tanto é que eu deixo muito em aberto pras pessoas me chamarem do que elas quiserem. Inclusive, muitas pessoas me conhecem por Gumball. Eu gosto de Gumball, mas não de o Incrível Mundo de Gumball, e sim de Hora de Aventura, o príncipe Gumball. Uma vez uma menina que eu estava saindo falou que parecia com ele e eu gostei.
Mas essa questão do meu gênero e o fato de eu ser pansexual é algo que influencia muito. Tipo, pra mim não, mas eu sei que pra outra pessoa sim. A maioria dos homens não são pansexuais, eles querem uma mulher feminina. E eu não vou ser esse tipo de pessoa. Se alguém gostar de mim, vai ter que me conhecer de verdade, vir conversar comigo e me conhecer.
Não é que eu seja fechada, eu só não sou mais um livro aberto que fala da minha vida pra qualquer um.
E mesmo que eu conheça alguém, principalmente um homem, eu percebo uma diferença muito grande. Eu nunca vi uma mulher tendo problema em me assumir, mas um homem já vê problema, porque se importa com o que os amigos ou a família vão pensar.
E nisso tudo, como eu já saí com ambos os lados, eu percebo padrões diferentes. Quando eu saio com mulher, ela espera que eu faça tudo. E eu não me importo em fazer coisas, porque quando eu gosto de alguém, eu naturalmente faço coisas pra essa pessoa. Não precisa ser presente comprado, eu sou o tipo de pessoa que faz presente à mão, e eu acho que isso vale muito mais.
Mas quando eu saio com homem, ele quer fazer tudo por mim. E isso é até legal, mas me coloca numa situação chata, onde eu me sinto vulnerável. E eu não quero isso.
Eu não quero um homem que precise ser 100% provedor, e também não quero sair com uma mulher onde eu sinta que tenho que prover tudo. Eu acho que tudo tem que ter equilíbrio.
E também tem a questão da justiça. Eu vejo demais nas redes sociais mulheres querendo ser esposa troféu, ficando em casa e o marido trabalhando, e eu me pergunto se isso realmente faz bem pra cabeça. Porque, tipo, até onde eu sei, na realidade onde a gente vive, se você faz algo que o homem não quer, ele pode te trair, ou em casos piores, te machucar.
Então parece que o pessoal desistiu do amor e ficou só focando no dinheiro.
Eu fui ensinada a não depender do dinheiro de ninguém. Eu passo aperto, mas não dependo de dinheiro de homem. Só que, por ironia, sempre foi um homem que acabou dependendo do meu dinheiro. E isso é chato, porque às vezes você quer fazer algo legal e acaba tendo que bancar duas pessoas.
Porque existe aquela coisa de quando você quer conquistar alguém, você paga no começo. Mas depois de um tempo, cada um divide. Se eu estou namorando e convido meu namorado pra sair, eu não me importo em pagar.
“Ah, mas você não pode ser submissa.” Quem disse que isso é submissão? Eu estou em um relacionamento, eu quero agradar a pessoa que eu gosto. É simples.
Mas isso tudo é só um exemplo, porque eu não sou muito de lugares chiques. Não combina comigo. Eu prefiro ficar em casa vendo filme e comendo pizza doce, ou ir ao cinema e passar na pizzaria antes.
No fim, tudo volta pra isso: eu tenho uma aparência feminina por causa da forma como vivo com meus pais, que são homofóbicos, mas isso vai mudar quando eu morar sozinha. Pode ter certeza.
Entre dores, cobranças e descobertas, eu finalmente encontrei quem eu sou
As pessoas não entendem o porquê eu sou tão devota ao mundo espiritual, e aí entra num assunto que eu adoro explicar.
A minha vida inteira, completamente, eu fui injustiçada. Tipo assim: eu sou adotada e, desde mais nova, eu sempre estive ciente que o meu pai me adotou pra poder casar com a minha mãe. Só que a minha vida, aos 10 anos, sempre foi ter responsabilidade de adulto. Eu que limpava a casa, eu que tinha que dar banho na minha mãe bêbada, porque, por incrível que pareça, o meu pai não fazia nada. Ele chegava do trabalho — e quando trabalhava — ia direto pra cama. Ele não arrumava a cama dele quando saía, eu nunca vi este homem lavando uma louça. Então acabava fazendo tudo.
E eu nunca me importei por validação da minha mãe, porque, sei lá, desde criança eu sempre gostei da organização. Por mais que o meu quarto era bagunçado, parece que eu deixava de me priorizar pra priorizar eles. E aí a minha mãe, ingenuamente, por conta disso, tudo que dava errado na casa era culpa minha. Sério, eu levei a culpa por tudo.
Quando eu fui pro ensino médio, eu realmente comecei a ter colegas que me chamavam pra fazer as coisas. E entrou no momento exato que os meus pais começaram a brigar muito entre eles, então eu passava um tempo fora de casa. Eu ia caminhar pra distrair a mente e teve uma vez, em 2019, que minha mãe até falou do divórcio. E eu sempre deixei claro que eu apoio o que faz ela feliz.
Então aí eu entrei pra faculdade e fui morar sozinha por uns três anos. E foi libertador, de um certo lado, porque eu sempre fui uma filha tão submissa que, quando eu saía pra beber com os meus amigos, eu tinha que ligar pra minha mãe informando isso. E depois eu fui me perguntar o porquê que eu fazia isso. Era só não falar. Porque eu era humilhada quando eu fazia isso, porque minha mãe me chamava de bêbada e tal.
E era muita coisa na faculdade pra aguentar, então eu enchia a cara. Era completamente comum eu estar vomitando por conta de bebida. Tanto é que eu adoeci depois.
Quando eu voltei a morar com os meus pais, eu me senti totalmente presa. Era tudo no tempo deles, sabe? Tipo, eu ia fazer as coisas deles, mas não exatamente no tempo deles, e aí dava briga quando eu fazia fora do tempo deles. E aí que o mundo espiritual começa a ganhar força.
Ano passado, quando eu me conectei mais com a espiritualidade, obviamente aconteceu um despertar espiritual. E aí eu comecei a reparar o quão tóxicos os meus pais eram comigo. Porque, cara, eu fui ganhando autonomia. A minha amiga, que me acompanhou desde o início, viu que eu criei uma certa autonomia. Eu estou mais certa dos meus passos e por aí vai.
E uma coisa que eu venho reparando demais é a maneira que a espiritualidade me tratou. Tipo: quando eu fazia algo errado com os meus pais, era o fim do mundo. Mas pra espiritualidade, quando eu fazia algo errado sem querer — obviamente, eu nunca fiz algo errado por querer, na verdade — desde 2025 a espiritualidade se mostrou mais presente do que meus pais. Eles me consolaram e orientaram mais do que brigaram, e isso pra mim já foi um absurdo.
Então tem outras coisas que eu não vou falar na minha jornada espiritual, mas atualmente eu obedeço e confio na espiritualidade de olhos fechados.
Esqueci de contar que também, quando eu era criança, eu via mortos. Mas não pessoas desconhecidas, eram parentes meus. Na verdade, eu tenho amigos do outro lado, né? Os mortos. Tipo, eu não chamo eles, eles simplesmente vêm, orientam e saem. Até porque não é correto você ficar chamando morto.
Obviamente você não pode virar um escravo dos seus guias, porque pode dar psicose espiritual. Uma coisa muito legal que eu reparei na bruxaria foi que eu fiquei muito independente. Antigamente eu fazia de tudo pra alguém ficar na minha vida. Eu vivia na sombra de outras pessoas. Tipo assim: quando alguém que eu estava saindo parava de falar comigo, eu ficava me sentindo a pior pessoa do mundo. Tipo: “o que eu tenho que a pessoa não quis?”
E atualmente eu estou achando até melhor. Eu estou realmente com uma amizade que me apoia — aliás, duas amizades que me apoiam. A gente não conversa sempre, mas eu sei que elas tão lá.
E a minha melhor amiga eu vejo ela como uma irmã. Ela realmente fica feliz com as minhas conquistas e eu genuinamente fico feliz com as dela. Eu não sou mais o tipo de pessoa que quer ajudar todo mundo, mas ela é específica. Eu sinto um carinho de irmã com ela e ela sempre tenta me ajudar, seja de maneira espiritual ou passando algum sermão. De qualquer forma, eu amo a nossa transparência.
E é aquela coisa: às vezes a nossa família não é família. Às vezes a nossa família é o seu melhor amigo. E tá tudo bem.
Eu acho que é por isso que eu não preciso mais ficar procurando por amor. Eu basicamente já me encontrei. Eu sou suficiente.
Redes sociais e a forma como a gente consome o mundo
Entre informação, ruído e identidade digital: o que cada plataforma revela sobre nós
Faz um tempo que decidi criar Facebook e Snapchat. E, sem ironia nenhuma, comecei a comparar essas redes com Twitter e LinkedIn.
Eu sei que o LinkedIn é visto principalmente como uma plataforma de emprego, mas quando você começa a seguir páginas sobre assuntos que realmente te interessam, percebe uma diferença de nível. As pessoas costumam trazer discussões mais estruturadas, com mais contexto.
Já o Twitter funciona de outro jeito. Ele te entrega notícias — nem sempre falsas, mas muitas vezes distorcidas. Isso acontece porque a plataforma exige poucas palavras, então tudo vira impacto. Quem está ali geralmente não quer ler muito; quer reagir rápido, desabafar, reclamar. E nesse ritmo, notícias são compartilhadas sem muita verificação. Você só descobre se aquilo era verdade se já tiver algum conhecimento prévio do assunto.
No LinkedIn, depois de reorganizar minhas conexões e deixar muita coisa para trás, percebi que as interações ficaram mais filtradas e produtivas. Hoje tenho cerca de 60 e poucas conexões, e isso fez o conteúdo que aparece para mim ficar mais relevante.
O Facebook, por outro lado, me passa uma sensação diferente. Em muitos espaços, especialmente em comentários abertos, a impressão é de pouca profundidade no debate. Claro que isso depende muito do nicho, mas, em geral, em assuntos como tecnologia, notícias e atualidades, o nível costuma ser mais superficial.
O Snapchat foi uma surpresa positiva. A proposta de acompanhar acontecimentos em tempo real, no momento em que eles acontecem, é interessante. Nunca tinha usado antes e achei uma experiência diferente. O Instagram também faz algo parecido, mas lá a experiência está cada vez mais poluída — principalmente com conteúdos que aparecem sem relação com o que eu escolho consumir. Isso me desanima bastante, porque eu não gosto desse tipo de interferência no meu feed.
No Instagram, acabo ficando mais distante, vendo coisas leves, sem muita pretensão. Não é uma rede que eu levo a sério.
O Twitter, por sua vez, ainda é uma ferramenta forte de expressão. Mas ele entrega três possíveis respostas quase sempre: críticas intensas, pouca compreensão ou simplesmente ignorância. Uso o Twitter desde 2012 e dá para perceber claramente como ele mudou ao longo do tempo.
Antes, entre 2012 e 2015, a dinâmica era muito mais voltada para fandoms e acompanhamento de artistas. Era um espaço mais leve, mais específico. Em algum momento, isso mudou e a plataforma passou a ser dominada por opiniões sobre tudo, desabafos constantes e um clima geral mais pesado.
Hoje, muitas vezes, o Twitter parece um espaço de descarga emocional coletiva. E eu não me identifico muito com isso. Quando percebo que estou mal, minha tendência não é me aprofundar nesse estado — é tentar sair dele, agir, mudar.
Se você está buscando notícias, o ideal é assinar uma revista ou acompanhar canais de informação confiáveis. Porque, se a sua expectativa é encontrar informação rápida no Twitter, você pode acabar sendo enganada. A notícia ali muitas vezes não é feita para informar com precisão, mas para chamar atenção e gerar reação. Ou você encontra pessoas que realmente entendem do assunto e trazem análise, ou gente que não entende e simplesmente opina sem base. Até em temas como política isso pode ser perigoso. Além disso, surgiram contas de paródia que imitam páginas de notícias reais, o que aumenta ainda mais a confusão, já que muita gente acaba acreditando e comentando como se fosse verdade.
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Cresci ouvindo uma história de amor tão bonita que talvez tenha mudado a maneira como eu enxergo relacionamentos
Eu acho a história dos meus avós uma história de amor muito linda, que supera qualquer filme de romance. E quando eu era pequena, obviamente, quando eu tinha oito anos, eu não me importava com essa merda. Mas é muito lindo o fato de um cara da Itália sair de lá e escolher morar no Brasil com 18 anos, largando família, largando tudo, por causa de uma mulher. E até o último momento de vida, essa mulher ficou com ele.
Isso é exatamente o que eu busco: companheirismo.
E é tão difícil achar isso atualmente, porque todos os homens agora querem trair, eles acham bonito isso. Ou eles só querem transar com você e ir embora, ou simplesmente só se importam com a droga da sua aparência. Então acaba que eu não me encaixo nesse padrão, porque eu não tento agradar homem, eu não tento ter uma aparência bonita e eu nunca vou tentar fingir que eu gosto de algo pra agradar um homem.
Então eu sou tudo que um homem não quer.
Por isso que eu desisti de procurar um namorado. Mas não quer dizer que eu não quero, eu só não fico indo atrás. Porque, cara, o meu avô, toda vez que ele ia ver minha vó, ele levava o sorvete preferido pra ela. Eles se encontravam em uma sorveteria. O meu avô escrevia cartas pra ela tão românticas, e quando a minha vó contava, tipo, tudo que ele escrevia na carta ele fazia.
E a minha vó não precisava se preocupar com traição, porque todo tempo livre do meu avô ele tava com ela.
O meu avô foi dentista e a minha vó tinha uma casa aqui em Belo Horizonte chamada Palacette Bizzotto. Foi onde ela e o meu avô moraram por muitos anos. Meus tios e minha mãe foram criados lá. E a minha mãe contava que dentro desta casa era cheio de imagens deles juntos, no caso fotos. E tinha uma em específico que foi roubada, mas era lindo de se observar.
E tipo, o meu avô sempre fez tudo pela minha vó e a minha vó segurou a mão dele até a última vez que ele respirou. Minha vó estava lá no hospital com ele.
É exatamente disso que eu estou falando. Eles foram leais um com o outro. Teve bastante coisa nesse relacionamento deles que foi o que fez tudo ficar lindo. E é exatamente isso que eu estou buscando. Só que isso que eu estou buscando só é encontrado em filmes, e a gente sabe que nitidamente filme não é realidade.
Eu sou completamente doente naquele filme The Space Between Us. Naturalmente eu já sou fascinada por filme de romance, mas eu sou doente na Inglaterra desde criança. Eu nunca entendi por quê.
E teve um dia que eu decidi matar aula na casa da minha amiga e a gente viu esse filme, com um ator britânico. E, poxa, esse filme é lindo porque, pra mim, foi muito simbólico: uma pessoa de Marte vindo pra Terra, obviamente pra conhecer o pai, e acabou se apaixonando. E no final essa mulher quis ir pra Marte ficar com ele.
Então acabou que esse filme foi muito simbólico pra mim. Esse filme tem uma grande importância na minha vida. E ele é muito bonito como mostra dois adolescentes que só seguem juntos. Duas pessoas com propósitos diferentes, mas caminhando juntas.
Obviamente, na época eu não sabia disso, porque eu fiquei fascinada no ator até hoje. Mas a questão é que eu não quero entrar sobre eu ser fã dele. Tecnicamente, esse filme é um filme marcante pra mim.
Tem outro filme, A Rainy Day in New York, que todo mundo que me acompanha sabe que eu sou apaixonada. Mas o que eu quero entrar em questão é que o amor que eu quero não existe. E eu cansei de esperar por esse amor. Mas eu ainda amo ler histórias de amor, ouvir histórias de amor.
Eu não sei. Eu também acredito que talvez o meu amor esteja na Inglaterra, porque desde criança eu sou apaixonada pela Inglaterra. E esse ano eu decidi que eu vou pra Inglaterra de todo jeito. Até meus 30 anos eu garanto que eu vou estar na Inglaterra.
E também os meus Guias já falaram que o meu amor não está no Brasil.
Acho que, se um dia eu for pra Inglaterra, eu nem vou conseguir prestar atenção na minha vida amorosa, porque eu vou estar na porra da Inglaterra. Tudo lá me fascina. Eu sou doente na Inglaterra.
Só que eu não sei, todos os caminhos me levam à Inglaterra.
Foi muito engraçado porque eu descobri que esse ator do filme The Space Between Us era britânico porque eu tava com 15 anos assistindo esse filme — eu não sei a idade exata, mas isso não importa — e eu percebi que ele falava estranho. Aí eu mostrei isso pro meu professor na época e questionei. E o meu professor falou assim: “olha, ele provavelmente é britânico”.
E aí, com o tempo, a escola me passou outro filme onde ele estava, que foi The Boy in the Striped Pyjamas. E eu percebi que eu já tinha assistido outros filmes onde ele estava, que era Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, onde eu adoro Tim Burton.
Sei lá, a Inglaterra de um certo modo sempre me chamou. Só que quando eu tentei intercâmbio na época da escola era muito caro um intercâmbio pra Inglaterra. Depois eu fui tentar através da faculdade e eu nunca fui uma aluna com boa nota, ainda mais em uma faculdade capacitista, então também não funcionou.
Tanto é que o meu caderno da faculdade era com a capa da Inglaterra.
Aí eu fui fazer uma outra faculdade e eu até consegui uma oportunidade de intercâmbio pra Coreia do Sul, só que tipo: eu adoro assistir dramas coreanos, mas eu nunca quis ir pra Coreia. E aí eu desisti da faculdade porque eu acho que não conseguir ir pra Inglaterra parece que, tipo, eu quero a Inglaterra, mas a Inglaterra não me quer.
E de fato eles não querem, porque eu não tenho nenhum diploma. Tipo, eu administrava um centro de informação pra esse ídolo britânico, mas não é o suficiente.
Então sei lá, talvez a Inglaterra fique eternamente como um sonho. Talvez o amor que eu esteja sonhando que eu vá achar lá esteja, na verdade, nesse país.
Sei lá. Eu acho que algum dia eu vou chegar na Inglaterra de alguma forma, nem que seja só por cinco dias.
Eu sempre fui apaixonada pela Inglaterra e talvez, não sei, eu acredito que tenha alguma ligação. Eu sou doente por cinema, por filmes, e lá é um lugar muito bom pra isso. E, acredite ou não, eu só tive noção disso esse ano.
Eu tentei entrar pra área do cinema — não como atriz, mas na parte de roteiro, porque eu entendo muito disso — só que, cara, o nicho do cinema é muito fechado, é literalmente só indicação.
Mas sei lá. Eu sei que eu postei um texto que os sonhos às vezes mudam de forma, mas eu acho que talvez tenha uns que só são fora de alcance mesmo. Talvez só pra gente sonhar.
É duro, mas eu não sou rica, então é isso que temos pra hoje.
Tipo, eu fui brincar no LinkedIn de mandar currículo pra alguns lugares do UK e cheguei até a fazer entrevista. E todos falam que eu tenho um inglês excelente, mas eu não sei me expressar. E aí que tá o problema, porque isso impacta muito.
Eu não sei me expressar. Eu nem sei como me comportar numa entrevista de emprego, porque eu nunca fiz isso. Eu nunca precisei, porque eu sempre fui autônoma.
E eu não gosto de alguém mandando em mim, então tenho plena consciência que não daria bem com chefe. Mas eu preciso disso, então tecnicamente é impossível uma sponsorship me ver.
O minimalismo no cinema, quando usado em excesso, acaba tirando justamente o que faz o audiovisual ser vivo: impacto, textura e presença visual. Em muitos casos, ele reduz tudo a uma estética “limpa” demais, quase estéril, onde falta contraste emocional e principalmente identidade visual forte. O resultado pode ser filmes tecnicamente bonitos, mas que não deixam marca, porque tudo parece contido, silencioso demais e visualmente uniforme.
O problema não é o minimalismo em si, mas quando ele vira uma regra estética rígida. Cinema precisa de excesso controlado, de cor, de caos visual quando a narrativa pede isso. A experiência cinematográfica nasce do impacto sensorial, e quando tudo é suavizado demais, a obra perde força dramática e memorabilidade.
Um exemplo disso pode ser visto em O Diabo Veste Prada. O filme já carregava uma expectativa enorme justamente por vir de uma história muito conhecida e com um público antigo bem estabelecido. Era uma chance clara de entregar um universo fashion vibrante, exagerado, cheio de energia visual. Mas muita gente sentiu que a estética acabou indo por um caminho mais contido do que poderia, com uma paleta menos ousada e escolhas visuais que não exploraram todo o potencial de brilho e intensidade que aquele mundo pedia. Isso fez com que parte do público se decepcionasse, porque esperava uma experiência mais viva, mais colorida e mais ousada.
No fim, quando o minimalismo domina tudo, o cinema corre o risco de perder justamente aquilo que o diferencia de outras formas de narrativa: a capacidade de ser sensorial, exagerado e inesquecível.