eu consegui vencer a maioria das coisas que eu pensei que não venceria
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eu consegui vencer a maioria das coisas que eu pensei que não venceria
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Mas acabei sem fé, no fundo do poço, esperando que você acorde e perceba que fomos feitos um para o outro.
Call Me When You Break Up (Selena Gomez, Benny Blanco & Gracie Abrams)
Sinto como se a cada dia eu vivesse uma despedida envolta em um adeus incerto.
- soulins
me mataria em março
se te assemelhasses
às cousas perecíveis.
Mas não. Foste quase exato:
doura, mansidão, amor, amigo.
Me mataria em março
se não fosse a saudade de ti
e a incerteza de descanso.
Se só eu sobrevivesse quase nula,
inerte como o silêncio:
o verdadeiro silêncio de catedral vazia,
sem santo, sem altar. Só eu mesma.
E se não fosse verão,
e se não fosse o medo da sombra,
e o medo da campa na escuridão,
o medo de que por sobre mim
surgissem plantas e enterrassem
suas raízes nos meus dedos.
Me mataria em março
se o medo fosse amor.
Se março, junho.
- Hilda Hilst

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De tantas incertezas na vida, você era a minha única certeza. Mas parece que eu só era mais umas de muitas incertezas que você tinha aí dentro...
- Ninguém merece ser a "incerteza" de alguém
Um texto sobre rosas, cactos e elementos da natureza. Esse não é um texto sobre rosas, cactos e elementos da natureza.
Não foi fácil, né. Você sabe que não foi. Mas digo que não foi totalmente culpa de terceiros, mas a maior parte foi sua. Você se permitiu passar por coisas perigosas, e danosas. Em quanto você cuidava, despejava água, cuidava com carinho daquela rosa que parecia tão chamativa e vibrante, sem perceber estava se enroscando nos seus espinhos. E quando ela decidiu simplesmente morrer, de uma hora para outra sem motivo aparente, suas mãos sangraram. Aquele sangue pingava, e não parou de pingar por um bom tempo. Digo que as cicatrizes ainda doem, e se tivesse sido apenas uma vez, mas você já tinha grandes ferimentos de outras situações.
Você já cuidou muito bem de um cacto, ele não precisava de muita coisa, bastava a sua presença e seu amor e tudo estava incrível, uma água de vez em quando e para você também estava ótimo. Mas ele parecia tão parado, e tão calado. Eram ótimos momentos, mas você no fundo já sabia que faltava algo. Ele poderia ter gerado água, ele poderia ter gerado flores em sua extensão mesmo tão complicada e espinhosa, porque o apoio necessário não faltava. Mas ele se recusava. E ele começou a te machucar, criou ferimentos tão graves que não se curaram totalmente até hoje. Algumas vezes, de propósito. Mas claro que não, como um ser vivo como ele poderia querer algo do tipo? porém o fez. Você cuida dele a um bom tempo, e isso cria um grande vínculo e apego. Mas quando tu olhas para a janela e vê a liberdade que é ser você, sem precisar de grandes responsabilidades e se machucar para cuidar de algum cacto, você poderia encontrar uma imensidão de plantas, diversas. Não posso lhe prometer que não irá se ferir de novo, porque se relacionar é se arriscar, é como jogar numa loteria. Você só sabe tentando, e tentando.
E depois de tantas experiências de fato dolorosas, você se depara em um dilema, o medo de cuidar e se ferir novamente é grande. O seu coração pela metade está congelado, e na outra vibra e bate intensamente. A água e o fogo em uma eterna dança de valsa, onde um predomina sobre o outro em alguns momentos, mas só a música pode ditar do que será feito desta dança. A água jura não querer nada, se fechar pra tudo isso e desistir por hora. Focar em projetos, planos, em coisas que estejam sobre o seu autocontrole. Se colocar em primeiro lugar, e ela pode também ser tão gelada e congelante, que assusta aqueles que já a viram como chama viva. Já o fogo, ele é ansioso, ele é impaciente e extremamente animado e apaixonado pelas situações.novas, ele quer se arriscar. Ele quer queimar, mesmo que doa. Ele quer ser alimentado com mais lenha. Ele quer se sentir aconchegado e confortável ao mesmo tempo. Ele pode ser tão intenso, que poderá até mesmo assustar pelo seu grande entusiasmo e amor, que outrora foi guardado a sete chaves pela água.
E agora, você percebe que dentro dois há um pouco de cada. O equilíbrio seria perfeito, mas quem irá ditar isso será a música, eu já lhe disse, mocinha. Sem exageros.
Queria que tivéssemos sido alguma coisa além de incertezas. Teu coração machucado não reconheceu no meu coração machucado um ponto de "paz". Nós fomos a junção de tudo que poderia dar errado, e mesmo assim eu não me arrependo de nada. Ríamos enquanto tudo ao nosso redor desabava, a gente sabia que aquilo era o fim, mas fingiamos que não. Te quis pra sempre, sabendo que acabaria no dia seguinte, e tu me mostrou um futuro que sabia que não iria se cumprir. Dançamos em cima do nosso próprio caos, abraçamos nossa despedida mesmo antes de saber. Te desejei até minha última respiração mesmo sabendo que teu último suspiro seria com outro alguém. Antes do nosso "nós" tropeçamos em braços demais que não souberam nos segurar. O nosso "nós" seria épico se não estivéssemos explodido e estilhaçado por dentro. Dissemos um “até logo” porque "Adeus" pesaria demais. Adeus são definitivos! Teremos outras vidas. Só não foi nessa, que pena!