ᕬᕬ || Poema sobre conchas
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Para todas as minhas conchinhas esquecidas na beira do mar.
Sinto muito!! (╥﹏╥)
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Para todas as minhas conchinhas esquecidas na beira do mar.
Sinto muito!! (╥﹏╥)

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Dia 31: o vácuo do pensamento
Hoje aconteceu uma coisa estranha. Eu estava atravessando a rua, focado no sinal que ia fechar e na poça de água que eu precisava desviar, e percebi: por exatos dois minutos, eu não pensei nela.
Pode parecer pouco. Dois minutos em um oceano de horas. Mas foi como se eu tivesse subido à superfície para respirar depois de um mês afogado. Eu não pensei no casamento, não pensei no perfume, não pensei no jeito que ela prendia o cabelo para lavar o rosto. Eu só pensei no sinal e na poça.
E sabe o que é mais louco? Quando eu percebi isso, a culpa veio logo em seguida. Como se eu estivesse traindo a nossa história por começar a me curar. É uma doença bizarra essa, meu, onde a gente se sente mal por começar a se sentir bem. A gente se apega ao sofrimento porque ele é o único fio que ainda nos liga à pessoa. Se eu parar de sofrer, ela morre de vez dentro de mim?
O Dia 31 foi o dia em que eu descobri que o meu cérebro está começando a criar anticorpos. Ele está tentando me salvar, mesmo que o meu coração queira continuar doente. O "Teu Compasso" deu uma batida fora do ritmo hoje, uma batida que foi só minha, sem o eco dela por trás.
Foi só um respiro de dois minutos. Mas foi a primeira vez em trinta e um dias que eu vi que existe um mundo lá fora que não tem o nome dela escrito em cada esquina. É assustador e libertador ao mesmo tempo.
O esquecimento não é uma perda, é uma limpeza de espaço. Você não está perdendo o que viveu; está apenas parando de carregar um peso que não te serve mais. O lugar que ele ocupava na sua mente agora precisa ser ocupado por você.
A Prateleira dos Frutos Esquecidos
Há uma expressão de Olinda Beja que me persegue como um fantasma doméstico: histórias “a estragar-se” na cabeça. É uma imagem de uma violência mansa. Imaginamos o pensamento como uma despensa onde, por falta de quem consuma, a memória ganha bolor, fermenta em solidão e acaba por se dissolver num sumo amargo de esquecimento. Culpamos os ecrãs, a luz azul que nos hipnotiza, o ritmo frenético de…
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Foram 10 anos de lembranças vazia sei só o nome, e eu fico será que algum momento fui feliz será que eu tive um livramento ou será que eu sou o livramento, fico vagando no meus pensamentos a onde vc ficou q não me lembro de nada será que Foi tão ruim que Deus teve piedade de mim de não lembrar de nada.
Mais pensando bem vc não fez nem questão então foi bom para os dois lados, eu não lembro e vc finge não lembra enfim pra mim não faz falta mais me dói saber que perdi 10 anos da minha vida numa escuridão vazia e vc como dizem viveu loucamente a vida que bom alguém saiu feliz mais será que sou uma lembrança pra vc? pq querido pra mim foi uma falha no tempo .

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A inspiração veio da imagem acima e do áudio abaixo...
"Sinto tanto medo, medo de ser esquecida, de ser um grande borrão na tua mente, de você não se lembrar de minha voz quando se lembrar de mim, de não lembrar do meu olhar, do meu toque, medo de não se lembrar como eu fiz você se sentir, de não lembrar das sensações que fiz você sentir, dos esforços, das palavras, das ações, dos apelidos, sei que inevitavelmente você iria embora, mas eu não irei embora da sua mente e sei que você também não iria querer isso."
Olivia Alvarez
26/11/25
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𓆝 𓆟 𓆞 𓆝 𓆟𓆝 𓆟 𓆞 𓆝 𓆟𓆝 𓆟 𓆞
Eu odeio esquecer. É como se, de repente, alguma coisa dentro de mim fosse desligada sem aviso, e o mundo continuasse acontecendo enquanto eu fico parada, ausente, como um corpo deixado para trás. Às vezes me pergunto se é isso que as pessoas sentem quando estão em coma: tudo passando rápido demais, e você ali, presa, muda, sem conseguir alcançar nada.
Eu já não lembro como era rir com a minha prima. Não lembro o som das piadas dos meus tios, nem das conversas que me contam há poucos minutos. As memórias evaporam antes mesmo de se tornarem reais. E eu odeio isso odeio esquecer. Mas, ao mesmo tempo, percebo que minha mente anda apagando também as partes ruins, como quem varre um quarto escuro tentando encontrar algum espaço pra respirar.
Só que tem um preço.
Quanto mais eu esqueço, mais vazia eu fico. E quanto mais vazia eu fico, mais eu me pergunto o que exatamente ainda sobra de mim. Quem eu sou quando quase nada dentro de mim permanece?
É curioso como eu quase não me lembro do meu passado. Muitas vezes eu não conseguia lembrar do rosto das pessoas e só via uma imagem escura, como se fossem silhuetas pretas. Acho que isso aconteceu porque sofri bullying por anos na escola e minha mente acabou bloqueando essas lembranças. Hoje acho até estranho perceber isso, porque às vezes saio na rua, encontro alguém da escola e a pessoa me cumprimenta com a maior naturalidade. Eu retribuo, claro, mas sem ter a menor ideia de quem seja. Só descubro quando ela diz que estudou comigo. Nunca conseguiria adivinhar sozinha.