A primeira aula de Jiu-Jitsu e a vontade de fugir.
Minha vida toda eu quis aprender a lutar. Nunca entendi bem se curtia de fato a luta ou se era sĂł uma vontade infantil associada aos muitos filmes Hollywoodianos. A verdade Ă© que e eu meu irmĂŁo passĂĄvamos horas brincando de luta e machucando um ao outro. Quando eu finalmente disse a minha mĂŁe que queria aprender oficialmente ela disse nĂŁo. E o motivo era a possĂvel morte do meu irmĂŁo quando eu me tornasse boa o suficiente.
Mas velha eu tinha a vontade esporĂĄdica, mas nĂŁo a coragem. Sempre fui muito tĂmida - Ou talvez muito arrogante - No fim das contas, seja lĂĄ o que for que comande minha cabeça, me impediu todos esses anos de tentar ativamente aprender o que quer que eu tivesse interesse sob a premissa do erro.
Sim! Eu tinha medo de aprender por nĂŁo querer errar. Chega a ser ridĂculo escrever ou dizer isso em voz alta. Eu queria ser natural. Um prodĂgio. AlguĂ©m que todo mundo admira. Eu queria ver sendo feito uma vez e jĂĄ dominar a arte. Osmose, eu queria absorver todas as coisas por osmose. E eu nĂŁo poderia aceitar menos que isso.Â
Quem foi mesmo que disse que nĂŁo dĂĄ pra ser mestre se antes vocĂȘ nĂŁo for um idiota?
Seja quem for estĂĄ certo. E, ah, como eu anseio pela liberdade de errar sem sentir vergonha. Rir do erro. Me entregar completamente a alguma coisa, dando o melhor de mim e aceitar serenamente as cagadas que cometerei eventualmente.
Hoje eu fiz minha primeira aula de Jiu-Jitsu. Fiquei numa turma de meninos muito novos, mas jĂĄ muito bons. Eu dura feito uma porta de madeira, estava extremamente intimidada por eles. Contava os minutos para a aula acabar e fiquei extremamente aliviada quando, apĂłs o drill, o professor me poupou do roll.
Vim pra casa decidida a me matricular permanentemente. Mas agora, algumas horas depois, veio muito forte a vontade de fugir. Enquanto assistia os jovens se agarrando no roll nĂŁo pude deixar de me perguntar se realmente conseguiria aprender tudo aquilo. Ter aquela sagacidade. Saber quando aplicar os golpes. O roll, pra mim, pareceu um xadrez vigoroso em que vocĂȘ deve se movimentar da forma certa de acordo com a posição do adversĂĄrio e levando tambĂ©m em consideração seus pontos fortes.
Eu quero tentar, mas tenho medo. Um medo que racionalmente nĂŁo faz qualquer sentido. Eu preciso fazer de todo o coração, mente e entendimento. Seria a primeira coisa na vida a qual me dedicaria 100%. NĂŁo hĂĄ nada que me previna de cair dentro agora. SĂŁo pessoas desconhecidas, num lugar desconhecido. NinguĂ©m pra rir de mim.Â
E como diria aquele trecho das CrĂŽnicas de NĂĄrnia, se eu fugir agora terei medo para sempre.