Olá, Gustavo. Sei que tens apenas 14 anos e queres terminar de escrever este livro de 100 capítulos antes de chegar aos 16 anos. Já o tens todo planeado e achas que vai ficar como está. Que a história está pronta. Venho só dizer que vai demorar um bocadinho mais, mas não desanimes. Não vai ser antes dos 18, e muito menos antes dos 30, mas não vais sentir de todo que foi tarde. Tudo o que é bom tem o seu tempo para amadurecer.
Também não estranhes que já não são 100 os capítulos. Eram muitos. Agora são mais. Contigo cresceram também as personagens e a riqueza das suas histórias. Mas hás de achar um equilíbrio. Aponta as ideias todas para que nada se perca. Não confies na memória do amanhã mesmo que já estejas na cama e com o sono pesado.
Desta saga vão ser três volumes, e os outros que não esqueci estão na gaveta à espera da sua vez.
Por isso continua. Seja a escrever no caderno de capa preta A4 de português, seja no computador em ficheiros triplicados para não perder nada. Continua a escrever nas aulas enquanto ignoras o terceiro exercício repetido de matemática que já fizeste em casa, e sentado ao sol contra o pavilhão nos intervalos a ouvir música no MP3. Escreve na sala de espera das consultas no hospital quando fores fazer companhia à mamã, e mais tarde como aluno enquanto seguras paredes à porta do gabinete. Escreve na praia, abrigado do vento do Norte ou das areias finas do Algarve, e escreve nas férias, nem que sejam no telemóvel só as ideias, dois diálogos, três palavras que eventualmente hás de encaixar de alguma forma.
E mesmo que poucos saibam ainda deste teu gosto, continua. Mesmo que ainda sintas vergonha pela qualidade incerta do que fazes, escreve. Aos poucos vais ganhando coragem de o partilhar, e um dia vais ter a certeza de que os escolheste bem, mesmo que não saibas reagir à festa de lançamento surpresa que te vão preparar. Seja com aqueles que te descobrem numa fase mais certa e segura de ti, seja aqueles que te aturaram desde os primeiros traços mirabolantes, nomes impronunciáveis, e frases tão longas como as pausas que não dás a falar. Tudo porque tens infinitas histórias para contar.
Continua, Gustavo.
Uma já está.