Dia 48: A linha do horizonte
Hoje eu recebi um e-mail de um cara com quem fiz faculdade. Ele tava todo empolgado falando sobre planos, especialização, mercado de trabalho, o custo de vida em outras cidades... aquela conversa cheia de futuro, sabe? Ele me perguntou quais eram os meus planos pro segundo semestre. E eu fiquei ali, olhando pro cursor piscando na tela, sem saber o que digitar.
A verdade, meu, é que os meus planos tinham o tamanho do sorriso dela. Quando ela resolveu mudar de rumo e arrumar as malas pra esse casamento, ela levou junto o meu mapa. Hoje, se me perguntam o que eu vou fazer daqui a seis meses, a única resposta honesta seria: "Eu vou tentar sobreviver ao Dia 228". O meu futuro virou uma contagem regressiva de dias sem ela, e isso é assustador pra caramba.
Enquanto os meus amigos tão discutindo carreira, investimentos e o preço dos aluguéis por aí, eu tô aqui, investindo o meu tempo em escrever num blog do Tumblr pra quatro pessoas e gastando os meus neurônios pra não ter um troço cada vez que o nome dela passa perto do meu pensamento. Eu me sinto um passageiro clandestino no trem da maturidade. Todo mundo parece saber pra onde tá indo, e eu só tô torcendo pra próxima estação não ser tão dolorosa quanto a última.
O Dia 48 me deu esse sacolejo. O mundo não parou de cobrar metas, prazos e decisões só porque o meu coração tá em frangalhos. Eu preciso achar um rumo pra mim que não dependa do compasso dela. O problema é que, toda vez que eu tento desenhar uma linha reta pra frente, a minha mão ainda treme e acaba desenhando um círculo que volta pro mesmo lugar de sempre.
Desce mais uma bem gelada, cara. Hoje o futuro bateu na minha porta e eu fingi que não tinha ninguém em casa.
















