tô falando de um dia cheio. talvez não exatamente cheio, mas lotado de nuances e sei lá exatamente pelo quê, mas minha cabeça rodou um pouco. rodou, rodou e olhou pra dentro. uma espécie de combustão de todos os pensamemtos que ficaram flutuantes nos últimos tempos me invadiram. emotiva, acho que não restaram tantas muitas opções a não ser derreter. deixar lavar o que tinha pra ser lavado e constatar que eu já não me encontro mais em mim tem um tempo. essa coisa de mudança nunca foi muito o meu forte, mas eu realmente pedi pra que tudo fosse diferente. com o meu pedido, tudo foi tomando o seu novo devido lugar — um lugar que muitas vezes eu desconhecia ou só não pensava muito sobre. mas abri um portal aparentemente mágico das transformações relâmpago: e descobri que cada milésimo de segundo conta quando o que gente mais quer é contar uma outra história. mas tem que querer com gosto, com sabor de exagero. me fez lembrar que Clarice Lispector dizia que se errasse, que fosse por muito, por amar demais, por se entregar demais, por ter tentado ser feliz demais.. e eu quando lia essas coisas achava linda essa vontade latente e permanente de SER com vontade o que a gente SENTE que ainda pode ser — sendo pelo que é certo, errado, inocente ou culpado, frágil ou perigoso. ser para todos os efeitos e de todas as formas mas ser. e encarar os muitos riscos em torno disso: em ser mal vista, mal encarada, mal educada, mal interpretada.. afinal, não se pode ter tudo. mas ser tudo que der pra ser, isso pode.
mas perceber esse universo novo, esse querer e essa certeza de poder ser tanto, tem me feito ficar emotiva com o quanto essa mesma vida já deixou de ser ela há segundos atrás. o quanto lidar com tudo que não era eu, dentro do meu eu é um desafio que me coloca à prova todos os dias. e quebrar, o tempo inteiro, o vício de voltar a ser o que já não consigo mais.















