Eu odeio falar de você. Eu odeio explicar como não deu certo. Eu odeio ter que dizer a minha psicóloga, aos meus amigos e a mim mesma. Eu sei que lacunas existem para serem preenchidas, mas você é a única lacuna da minha vida que nunca será. Será, para sempre, um espaço vazio. Uma parte do texto faltando, a palavra que daria sentido ao titulo que eu fiz tanta questão de existir. Eu encaro o papel, imaginando tantas coisas boas poderiam ter sido facilitadas, se você fosse a única palavra que falta. Inconscientemente, posso dizer que você é a representação de todas as coisas boas que eu, infelizmente, acredito que nunca terei. Talvez o conforto de ser amada sem dúvida, a gratidão de ser aceita sem medo, a paz de ter alguém para me segurar ou a felicidade de não ser inadequada. Eu não sei como posso me recordar tão bem da sensação única de ter você por perto. Foram poucas vezes, mas o sentimento é tão real que me convence de ser suficiente e viver sem você. Digo que você é o relacionamento perfeito que eu tento encontrar, a validação que eu tento entender porque persigo e o esforço de não me sentir deslocada por onde eu vá. Quando digo, em voz alta, todas as coisas ruins que você foi, me parece que estou sendo ingrata. Me sinto idiota por me invalidar pensando em todas as coisas boas que teriam sido, mesmo que nunca tivessem acontecido. Mesmo que, de alguma forma, você tenha sido ruim sem remorso. Eu coloco a culpa nas vidas passadas, em mim, em você, mas confesso que é difícil culpar as suas atitudes. Quando digo, em voz baixa, o quanto eu te amava, não parece o suficiente. Eu imagino como tudo seria normal, não extraordinário, se você estivesse por perto. Eu ainda continuo no mesmo posto de inválida que você me colocou. E por mais que eu não queira ser a vitima, eu nunca quis ser inválida, pois antes mesmo de você pensar me dilacerar, eu tinha a certeza que eu apenas queria ser amada de volta. Mesmo que eu duvide de mim mesma, eu tenho essa certeza em mim. Eu não fiz nada para merecer seu desamor. Digo em voz alta, tudo de ruim que você me causou e me sinto uma tola. Porque parece tão normal, mesmo que tenha sangrado. E talvez seja. A única diferença era que eu realmente te amava, como nunca amei ninguém. Deve ser por isso que doeu o dobro. Eu não soube traduzir a sua maneira de amar.
Eu encaro essa lacuna. Vez ou outra, escrevo com lápis. Se não dei certo com você, com quem eu daria?