que bom seria, encontrar em cada rua, uma livraria.
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que bom seria, encontrar em cada rua, uma livraria.

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Às portas dos elevadores do shopping, algumas pessoas aguardavam observando os números dos andares. Um casal reteu brevemente minha atenção enquanto tentavam adivinhar qual dos elevadores subiria primeiro. Quando as portas finalmente se abriram, os mais jovens entraram primeiro. Modo silencioso ativado. O que parece quase um combinado tácito entre a juventude, como se dividir o mesmo espaço não significasse necessariamente perceber a presença do outro. Esse casal entrou logo depois. E bastou um simples cumprimento para desmontar aquela barreira invisível. A senhora, muito educadamente, desejou boa noite com a naturalidade de quem ainda vê a humanidade que reside nos encontros cotidianos. Imediatamente, todos responderam. Como é fácil esquecer que as bolhas só existem na nossa cabeça... Então ela conferiu o painel para garantir que o segundo andar já havia sido selecionado. Estava. Abriu a bolsa em busca de alguma coisa e em um movimento distraído, bateu o cotovelo no painel. Fez barulho, mas foi rápido. Um acidente daqueles que costumam passar despercebidos. Mas não para o esposo. Antes mesmo que o desconforto se dissolvesse, ele pegou gentilmente o braço dela entre as mãos e massageou. Sem exagero ou alarde desmedido. Existia apenas um momento genuíno de cuidado. Foi maravilhoso presenciar, não o toque em si, mas o olhar atento que veio junto dele. A necessidade imediata de aliviar o incômodo ou mesmo o susto repentino revelava, quem sabe, o hábito de observar aquela mulher há muitos anos. Por alguns segundos, o elevador deixou de existir ao redor deles. Não havia mais ninguém naquele espaço além dos dois e da intimidade construída com o passar dos anos, em pequenos gestos repetidos ao longo do tempo. Voltei para casa pensando que talvez o amor mais verdadeiro seja aquele que continua atento mesmo depois que o mundo já se acostumou com a existência dele.
O tempo não para, estamos cansados de saber. Mas parece que nos confundimos com ele e passamos a exigir de nós o mesmo ritmo. Tentamos ser imparáveis. Mas um corpo exausto, pede calma. E quando chega ao limite, desacelera bruscamente. Tela azul. Não somos feitos da matéria do tempo. Somos de carne e osso. Barro e sopro do Onipotente. Que saibamos ocupar nosso lugar na criação sem tentar tomar o d’Ele.
Eu estou aqui. Mas também não estou aqui. Porque visito o passado tantas vezes… E, quando não, visito o futuro. Ainda assim, permaneço parada enquanto a mente viaja. Esqueço-me de mim estando dentro de mim mesma. Uma vida apática vista de fora, expondo pecados que cometi sem sequer estar no presente. Pecados ora de ausência, ora de afastamento. Ora de medo das opiniões, ora de tentar ser invisível. Voltar a mim e ver, em silêncio, tudo isso virar um tiro no próprio pé. Viver doente e sentir, com muita dúvida, que talvez não haja cura. Dúvida que nasce da consciência do meu estado, afinal, pode muito bem ser só mais uma artimanha dessa mente que insiste em se quebrar.
Quando ela se acomodou em meu ombro, entendi que certos instantes carregam mais significado do que mil palavras. Ela parecia cansada de tudo e em busca de abrigo. Eu não estava diferente, mas apesar disso, eu queria ser esse lugar para ela. [Às vezes duas almas cansadas, trazem alívio mutuamente.]
Caio Araújo.

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Qual será a sensação de ser, sem dúvidas, aquilo que você nasceu para ser? Alguém apaixonado pelo que é e faz, que não espera apenas retorno nem validação dos outros e simplesmente vive o propósito da própria existência do mundo. Encontrar essa resposta... esse é o meu sonho, caro amigo.
Você se engana e se deixa enganar pela aparência dos próprios desejos. Mascara sinais, esconde a exaustão para não “pesar o clima”. Pensa coisas como: “é só um ano dormindo cinco horas por dia”, ignorando completamente o fato de que essa escolha permite ao corpo cobrar caro por cada uma dessas noites; e ao tempo, fazer você remoer amargamente a renúncia de um sono que deveria ser saudável e tranquilo. E se acha que acaba por aí, sinto muito, mas está enganado... Quando mostramos só a parte bonita, o mundo reage à beleza como se ela fosse tudo. Se você sorrir, presumirão que sua vida é fácil. Se você esconder, acreditarão que você não sente. Ninguém cogita o preço que você paga, eles só se importam com o que eles mesmos pagam. No fim, você sofre pelas dores e cicatrizes que não mostra e pela imagem distorcida que faz com que os outros enxerguem apenas o lado bom da sua vida.
sou as palavras que me escapam, duras, erradas, ou desconsoladas e desesperadas. racionalmente aprendi a engolir partidas, mas emocionalmente nunca digeri bem as ausências. porque naquela lacuna que ficou, cabe um baú cheio de “e ses”. percebeu que não falo coisa com coisa, não é? também desassocio fácil. e esse é meu segredo... não escrevo para que me entendam, escrevo para lembrar que existo.
me disseram que escrevo como quem sussurra segredos para quem tiver sensibilidade se escutar. já eu, escrevo como quem aprecia as próprias palavras enquanto estão no secreto da mente. e ao partilhá-las, sinto que perdem uma parte de sua essência. porque não são mais minhas. agora, são suas também.
não tem nada pior do que perceber o tempo passando. "hora disso", "hora daquilo", "acabou o tempo". o tempo não acaba, nós é que acabamos passando desta para outra sem volta e sem dar a devida importância às coisas que queremos realmente fazer. eu, por exemplo, só queria sair e catar pedrinhas na estrada da serra, ou conchinhas na areia da praia para adornar o chão. assim, de graça e sem tempo para voltar, para terminar.

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desculpa, eu não sei consolar e nem sequer sou capaz de lembrar palavras de alento quando me contam suas queixas, seus segredos, seus medos, ou suas fraquezas. mas se meu silêncio não te basta ou te incomoda, gostaria de contar que ele carrega um desejo singelo de oferecer abrigo. um lugar onde a dor não precise ser bonita, onde o peso não precise se justificar. e eis que nasce a minha próxima oração.
Sou completamente apaixonado em tudo que é profundo, em tudo que é feito com a alma.
Staub
eu fui ao céu diversas vezes e ele tinha a cor dos teus olhos.
eu te namoro com os olhos. te namoro tanto
o olhar também toca.

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e ainda é segunda.
o tempo todo correndo, mas o primeiro lugar não será meu.