Quando era pequena, aprendi que existiam os deuses gregos do Olimpo e que cada um tinha um âpoderâ: Atena, a deusa da sabedoria; Poseidon, o deus dos mares; Zeus, o deus dos raios e trovĂ”es, pai dos deuses; Ărtemis, a deusa da caça.
Um desses deuses me acompanha hĂĄ anos em tudo e, embora se manifeste pouco na minha escrita de forma literal, aparece intensamente de forma criativa: Apolo.
Apolo, o deus-sol (de forma simplista), o deus da arte, da mĂșsica e da profecia (que ele encaminha de Zeus aos orĂĄculos).
Esta semana, criei arte inspirada em mĂșsica. E ouvi muita mĂșsica. Estou em uma MissĂŁo de Reconhecimento, como eu mesma nomeei, com os ĂĄlbuns do Queen.
O Queen nĂŁo Ă© uma banda que precise de apresentação (e nem vou me prestar a isso), mas eu nĂŁo conheço tudo sobre eles. E, depois de quase perdĂȘ-los por antipatia a uma fĂŁ da banda, decidi que, como essa mĂșsica era importante para mim, uniria o Ăștil ao agradĂĄvel: transformaria minha jornada de retomada do Queen em colagens elaboradas, pensando progressivamente nos elementos das mĂșsicas e no histĂłrico dos membrosâŠ
E nisso⊠Apolo. Ah, Apolo.
Um deus que sempre esteve comigo: no canto, na dança, na mĂșsica, na pintura, no desenho, na colagem, na escrita, na leitura por entretenimento, na profecia⊠Sim, na profecia.
Assim como Florence Welch diz em InĂștil Magia: âCançÔes podem ser incrivelmente profĂ©ticas, como mensagens subconscientes ou avisos para mim mesma, mas, muitas vezes, eu sĂł sei o que estou tentando dizer anos mais tarde. Ou uma previsĂŁo se concretizou e eu nĂŁo pude fazer nada para impedi-la, entĂŁo parece uma espĂ©cie de inĂștil magia.â
Meus poemas dizem muito sobre ciclos tĂłxicos dos quais tenho plena consciĂȘncia de fazer parte. Mas reconhecer sua existĂȘncia nĂŁo significa sair deles.
Ainda assim, discordo veementemente de Florence: nĂŁo Ă© uma inĂștil magia. Muitos continuam vivendo esses ciclos sem saber, repetindo-os ad infinitum. Quando vocĂȘ expĂ”e o que estĂĄ vivendo, vocĂȘ vĂȘ. E, vendo, Ă© possĂvel mudar. NĂŁo quer dizer que vai. Mas Ă© possĂvel. Logo, nĂŁo Ă© inĂștil.
No fim das contas, reverencio vårias figuras divinas femininas e, delas, recebo dons, mas dons obtidos com esforço.
Apolo me ofereceu os seus desde o meu nascimento. Todos eles.
Quando foi a Ășltima vez que fiquei sem escrever? Minha mĂŁe nĂŁo se lembra de mim sem cantar desde que aprendi a falar. Leitura nĂŁo Ă© um hobby; Ă© identidade para mim.
E o dom da profeciaâŠ
NĂŁo posso contar o que sei, mas posso dizer isto: Ă© grande. VĂȘm coisas grandes por aĂ. Se o dom Ă© real, entĂŁo eu tenho dons.
NĂŁo sou nenhum Freddie.
Mas vou mostrar coisas ao mundo.
Sas efharistĂł, Apolo.
Sas efharistĂł.
- 26 de abril de 2026