Voltando da roça no final de semana, depois de amados dias em famÃlia no interior, observei aquela paisagem rústica e me questionei se conseguiria encontrar algum porquinho pelo caminho. Algum amiguinho com quem eu poderia saltar do carro e brincar, fazer um carinho, roncar. Porém, o gênio da lâmpada que me ouvia distorceu o meu apelo - encontrei vários, contudo, todos confinados na carcaça de um caminhão. Eles, com seu puro coraçãozinho, não sabiam o que os aguardava, enquanto eu sofria em silêncio. Com muita angústia e tristeza no coração, me pus no lugar deles e escrevi um poema. Infelizmente, era tudo o que minhas curtas patas poderiam fazer diante dessa situação... "A visão do mundo por aquela gaiola amedrontava Mesmo ao ar livre cada partÃcula me sufocava Sem direção, noção de rumo Fecho os olhos para fingir que sumo Me refaço no meu ninho Se desfaço, estou sozinho Mesmo em volta de semelhantes Todos presos, sem semblante Palha, lascas de madeira Se piso em falso, armadilha certeira Sem espaço, mesmo para cair Privilégio seria poder desistir Razão antagônica ao poder Imaginação sem força para crer Lutando contra a véspera do abate Imagino-me amado, próprio resgate Esperança, reflexo do desespero Cega, manipula, berra em apelo E de tanto tentar, somente assistiu Ser guiado por uma estrada que nunca existiu" Um oinc de silêncio para todos os nossos amigos que se machucam e não conseguimos ajudá-los...














