Os padrões de beleza ao longo da história.
Fala-se muito sobre corpo, estética e beleza nos dias atuais. Por mais que reflitam, toda mulher, em algum momento da vida, foi influenciada pelo que chamamos de “padrão de beleza”. Mais que isso, a mulher é vítima de um padrão de beleza enrijecido e praticamente inalcançável, que funciona como uma forma de controle sobre seu corpo, seu psicológico e suas vontades.
Mas os padrões de beleza são um dos muitos elementos fluídos da história:
Na Pré-história o corpo era uma “arma” para sobrevivência. Nas pinturas rupestres e esculturas, as cenas do cotidiano eram retratadas: caça, domesticação de animais, e as mulheres eram retratadas com quadris, barriga e seios fartos, que demonstravam fertilidade e disponibilidade de alimentos, tão necessários para a época e tão escassos e difíceis de obter.
Na Idade Média a Igreja era a detentora do conhecimento e explicava o mundo. O corpo, especialmente o feminino, era visto como algo impuro e pecador capaz de gerar luxúria e desejo até mesmo aos santificados membros do clero. As mulheres eram retratadas muito mais relacionadas a temas religiosos, ou em pinturas com expressões brandas, vestuário vasto sem marcar as curvas do corpo, associadas a Virgem Maria, como sinônimo de castidade.
Com o Renascimento há grandes questionamentos sobre a vida humana, e este, o “homem”, foi colocado no centro do conhecimento, em gradual detrimento da Igreja. As figuras femininas começaram a serem retratadas nuas, com curvas corporais acentuadas, quadris, braços, barriga e coxas volumosas, remetendo aos tão admirado e valorizados corpos explorados na realidade greco-romana, que agora era resgatado e que, antes atacados pela Igreja.
Entre os séculos XVIII e Século XIX com as revoluções burguesas, vagarosamente passavam a ao menos lembrar da mulher na história, e a revolução industrial, escancarando a divisão de classes na sociedade fez com que as mulheres retratadas da época, fossem as burguesas, representando fartura e riqueza. Sempre de corpos volumosos, espartilhos, com roupas volumosas e muitos adereços. Às mulheres proletárias restavam as longas jornadas de trabalho com menos da metade dos salários e pouca representação artística.
Com o Século XX tivemos os anos da chamada “emancipação feminina”. São nítidas as diferenças entre, por exemplo, os anos 50 e 90. Nos 50 a mulher retratada era a atriz de Hollywood, o corpo curvilíneo com cintura fina, quadril largo e seios fartos. A mulher ideal era sinônimo da liberdade sexual. Já os anos 90 foram o início das supermodelos de passarela: altas, magras, com a chamada “beleza andrógena”. Foi quando os transtornos alimentares (que já existiam) tiveram o ápice.
É nítido que os “padrões” de beleza, dessa forma, são o que chamamos de “contra hegemônicos”, ou seja, aquilo que é difícil ser e alcançado para a maioria das mulheres. Representam o que uma minoria tem acesso e é em seu contexto social. Representam o histórico “controle” sobre a vida da mulher comum, que vive numa busca incessante por eles. E isso continua...
Atualmente, o padrão de beleza da mulher é o corpo magro, porém curvilíneo, malhado e bronzeado e, se pensarmos sobre ele, poucas mulheres que conhecemos o atingem 100%.
Sejamos mais críticos com relação ao que vemos por aí. Nem sempre queremos de fato e genuinamente mudar nossa aparência. Quando acontece, é valido e justo. Cada um pode e deve fazer o que quer com seu corpo. Mas é sempre bom pensar o porquê.