Hoje eu pensei sobre como eu funciono quando algo me tira a paz.
Eu não sou de explodir. Mas eu sinto tudo muito forte por dentro. Quando me pressionam, quando insistem pra resolver algo na hora, eu sinto uma invasão. É como se atravessassem um espaço interno que eu preciso para me organizar. E quando isso acontece, eu fecho. Não porque eu não me importo, mas porque eu me importo demais e sei que, se eu falar com o sangue quente, posso ser injusta.
Tempo para sentir a raiva passar pelo corpo.
Tempo para entender se aquilo realmente me feriu ou se foi só um incômodo pequeno.
Tempo para transformar emoção em palavra.
Eu percebi que faço uma conversa comigo mesma antes de qualquer conversa com o outro. Primeiro vem a versão ainda chateada, depois uma versão mais morna, e só então eu chego no ponto em que estou bem de verdade para falar. Quando eu volto, eu volto clara, não vingativa. Volto querendo resolver, não ganhar.
Também percebo que guardo coisas pequenas. Não porque eu não vejo, mas porque eu escolho não transformar tudo em conflito. Esquecer de responder, rir alto, falar demais. São traços. Não são feridas. Eu escolho preservar o carinho.
O que realmente me machuca não é o erro em si, é não respeitarem meu tempo de processar. Eu não sou imediata. Eu sou profunda. E profundidade precisa de silêncio.
No fundo, eu só quero que entendam que meu afastamento momentâneo não é abandono. É cuidado. É a forma que encontrei de continuar sendo justa, comigo e com o outro.