who’s loving you?
fui castigada com o maldição de não ser uma boa amante, destinada a tropeçar em meus próprios pés quando o amor aparecesse batendo à porta. quanto mais forte a batida, mais rápida a fuga. meu coração indisponível não foi teu, eu também não me deixei ser. se te consola um pouco, chegamos bem perto, naquele beijo entre a clavícula e a orelha. seus lábios sagrados quase tiraram de mim algo além dos sussurros suaves, além das minhas mãos te trazendo para perto. contive o grito da alma querendo te amar. sei que acordou no outro dia e sentiu ódio do meu bilhete impessoal no canto da mesinha, com o adeus frio depois de uma noite tão quente. é assim que ajo, baby, meu modus operandi é partir antes que o grito escape. antes que seus lábios tirem dos meus as palavras que me assustam. guardo sob camadas pesadas as três palavras que quis tanto ouvir, que talvez até soubesse que eu quis dizer, mas não tive coragem. se te fizer feliz saber, o corte não funcionou bem. me atrasei e deixei parte fugir de meus pulmões. agora quando encontro outros corpos penso em quem encontra o seu, quando nego amores penso em quem está te amando.
quem está te amando? quem ocupa esse lugar que você quis me oferecer?
por vezes penso em fazer meia-volta e te oferecer meus braços afetuosos, sem segundas-intenções, munida somente de olhos atenciosos e três palavras. três palavras. então desisto e termino o cigarro.
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