te fazer perceber que antes de nós você nunca tinha conhecido o amor.

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te fazer perceber que antes de nós você nunca tinha conhecido o amor.

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Quando os comprimidos perdem seu efeito e o álcool já não te parece mais tão interessante, o que te sobra pra aliviar a existencialidade?
Minefields
Eu me iludo com a ideia. Repito vez após vez que você me quebrou, que você me iludiu e mentiu pra mim. Repriso aquele dia na minha cabeça como mantra pra não esquecer de como eu fiquei após suas palavras. Quando me dizem que eu ainda te amo, eu rio como desdém, "como eu poderia amar a pessoa que me matou?". Eu me iludo com a ideia.
talvez, eu seja apenas um tolo
Mas bastou um vislumbre de você pra que voltasse a morar em meus pensamentos. "Eu realmente te odeio o suficiente?"
Eu nem mesmo precisava ter te visto. Porque eu fui buscar aquele livro? Uma desculpa esfarrapada pra te ver mais uma vez? Foi uma desculpa sua também?
talvez, eu seja apenas um tolo e ainda pertença a você
Você sequer é a mesma pessoa, se é que um dia foi aquilo tudo que eu vi. Mesmo assim parece que a ideia que passei todos esses anos repetindo pra mim, fazendo crescer camada por cima de camada de defesa, se rachou com 10 minutos de você.
Arrisquei muito nesse campo minado pra estar perto de você?
talvez, eu seja apenas um tolo.
Mas esses sonhos que tenho tido com você
nunca serão reais.
cicatriz
corro até você e te toco o braço. agora é sua vez de correr atrás de mim. nós circulamos a sala como um cachorro faz perseguindo o próprio rabo. sempre assim, nesse compasso, eu e você frente a frente, lado a lado. vejo flashs daquele momento, lampejos daquele dia. nós éramos tão jovens, inocentes, obstinados, invencíveis... nada estava acima de nós, assim como não havia problemas capazes de nos tocar. inseparáveis até. eu ia até a sua casa, você até a minha, na escola sentávamos juntos, comíamos juntos. depois da aula, corríamos até a locadora para jogar algum jogo do momento. nessa lembrança, sinto que o futuro planejava uma bela história pra gente. aquele sentimento, companheirismo, o furor da aventura, a paixão do riso, aquilo era uma bela amizade.
mas do dia para a noite, tudo mudou, o céu fechou, o brilho sumiu. eu não podia mais te ver, nós não sentávamos mais juntos, não corríamos, não jogávamos, não nos visitávamos, não estávamos mais um na vida do outro. e nós não tínhamos culpa disso, nem controle da situação. não havia nada que pudéssemos fazer. a vida é assim, afinal, pessoas vem e vão. mas e as histórias, onde ficam? para onde vão?
sinto que eu não teria tido uma vida tão solitária se tivesse você por perto. sempre tive dificuldade para fazer amigos, mas com você tudo era simples, você parecia me entender, me acolher e não ligava muito para o que os outros achavam de mim. você nunca riu de mim, você só ria comigo, e eu estava ali sempre com você. eu não lembro qual foi o dia ou a hora em que te perdi. não lembro o mês ou qual foi o ano. só me recordo da sua falta, dos dias cinzentos. e nunca mais tive um amigo assim, inseparável. sorte minha que toda vez que eu olho pro braço eu vejo você, pois você deixou ali uma marca cravada na pele, a prova de que um dia nos conhecemos e fomos amigos. uma cicatriz de mais de cinco centímetros, causada pelo seu relógio que raspou meu braço em uma das vezes em que corríamos um atrás do outro.
quase vinte anos se passaram, e hoje eu decidi te procurar nas redes sociais. você cresceu, criou barba, ficou bonito, está noivo! quanta coisa cabe em nossas vidas quando os outros se vão... quanta coisa fica de lado, é deixada pra trás quando os outros se vão. quantas coisas sinto que perdi em uma partida, quanta coisa eu vejo agora que ficou preso no acaso, eternizado na intempérie do tempo, onde está guardado tudo que nunca foi, tudo que um dia poderia vir a ser...
tô com saudade até da sua pressa.

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essa é a última palavra que te escrevo
hoje me despeço com os olhos marejados e o coração apertado
porque sinto que chegamos ao final da linha e nenhuma palavra mais que eu escreva vai fazer sentido
nada te tocou, a alma, o coração, a pele
mas te digo adeus sabendo que amei e que te amar foi meu ato de coragem
o caos lá fora não se compara com o caos que tu me deixou
adeus, se cuida
E mesmo nos dias mais vazios, tristes e solitários. A minha mente permanece cheia e agitada, tal qual um festival de música, sem fim!
O desespero, a necessidade e a angústia andam lado a lado quando me encontro longe de você. Psicólogos diriam que estou com dependência emocional, mas existe algum amor real que não crie algum tipo de dependência? O amor é cientificamente comprovado como uma droga, o que sentimos quando estamos perto de quem amamos ativa áreas em nosso cérebro que quando estamos distantes entramos, literalmente, em algum tipo de abstinência. É doloroso saber que não quer me responder, não me quer por perto, mas é mais doloroso ainda não conseguir aceitar, é absurdo como eu consigo ser tão egoísta e pensar como eu preciso de você, sem ao menos tentar entender se você precisa de mim. Eu diria que além de dependente eu sou algo mais, mas erraria comigo em me rotular de forma tão absurda e petulante, pois, apesar de tudo, jamais, inventei qualquer coisa que me disse ou sentimentos que demonstrou. Jamais inventaria um amor só pra não ter que ir embora, reconheço suas, minhas, nossas falhas e afirmo de peito aberto que elas nos tornam cada vez mais humanos, cada vez mais parecidos, elas nos tornam especiais.
Bianca Autran