El contacto cero estĂĄ bien, pero no desearle feliz navidad ya es el fin de todo
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El contacto cero estĂĄ bien, pero no desearle feliz navidad ya es el fin de todo

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â⏠AMOR DE MORTE LENTA
Porque matar Ă© amar em demasia
â Original Character âą WC 755 âą Soft horror(?), tĂ©rmino, drama âą
ââ Encontrei um desafio de escrita onde tinha que começar com a frase "Ele ainda nĂŁo estava morto", e saiu isso aĂ! Que de alguma forma gostei mt, espero que vocĂȘs gostem tbmâ
Ele ainda nĂŁo estava morto.
Maria sentia o peito dele subir e descer sob sua bochecha, num compasso que nĂŁo combinava com o silĂȘncio do quarto â um silĂȘncio de velĂłrio nĂŁo anunciado. Ajeitou a cabeça em seu tĂłrax, como quem repousa sobre o tĂșmulo do que ainda nĂŁo morreu.
Fernando dormia. E, no fundo, isso a enfurecia.
Ela bufou, impaciente, perguntando-se por que ele ainda continuava vivo. Por que era ela quem morria, dia apĂłs dia, deitada ao lado dele?
Seus dedos caminharam pelo peito nu do homem com a delicadeza de um carrasco. Observou os pelos finos, as marcas da pele, e pensou em como seria arrancå-la em tiras. O amor também faz isso: destrincha a carne até o osso.
As coisas seriam bem mais fåceis se ele simplesmente morresse. Sempre fora mais fåcil lidar com a despedida da morte do que com a despedida de alguém que nunca partia de fato.
Talvez devesse envenenar sua bebida preferida â aquela que ele tomava religiosamente, e lhe fazia ficar com o sorriso estupidamente fofo no rosto.
Ou coloca-lo em um ĂŽnibus e fazĂȘ-lo colidir de frente com um poste â sĂł para ver se ele acordaria do torpor em que vivia. Como o filme que haviam visto.
Ou sufocĂĄ-lo com o prĂłprio travesseiro â o objeto jĂĄ nĂŁo lhe era tĂŁo Ăștil, de qualquer forma; sempre preferiu se aconchegar no corpo quente do rapaz.
Mas o melhor, talvez, fosse usar uma faca. Simples. Profunda. Repetidas vezes. No coração. Nos olhos. No queixo. No amor. Só para que ele sentisse ao menos metade da dor que ela carregava.
Ela o amava. Amava de forma grotesca.
Amava como quem aperta demais um animal pequeno.
Amava atĂ© o limite do insuportĂĄvel â e odiava a si mesma por nĂŁo saber atĂ© onde ele acharia isso belo, ele ao menos amava ela de alguma forma?
Porque Fernando conseguia ser doce, calmo, gentil.
E tambĂ©m uma tempestade, faca, vĂscera exposta.
E ela? Ela possuĂa algum adjetivo?
Ela tinha que matå-lo, pois jamais conseguiria se despedir de alguém que a tratava tão bem, mesmo sentindo tão pouco.
Precisava assassinĂĄ-lo, nĂŁo por crueldade â mas por autopreservação.
Porque nĂŁo saber o quanto ele a amava era pior do que saber que ele a odiava.
Porque o silĂȘncio dele a comia viva.
Porque ela nĂŁo sabia lidar com meias-intensidades.
Se ela o comesse, talvez entendesse.
Se abrisse seu crùnio, grelhasse seu cérebro, tragasse sua memória, talvez descobrisse onde ela se encaixava naquela mente indecifråvel.
Talvez descobrisse por que diabos ele ainda nĂŁo havia ido embora, ou a mandado ir.
E entĂŁo Fernando se mexeu.
â Hm.
Um grunhido, quase um ronronar de bicho ferido, escapou de sua garganta. Ainda de olhos fechados, ele se inclinou para frente e a envolveu num abraço leve, torto, como quem segura uma criança que não quer dormir.
Aquele gesto a rasgou.
Como ele podia ser tão bom para alguém que estava prestes a matå-lo?
Ele abriu os olhos, para a infelicidade da mulher â que ainda alimentava a esperança de que ele tivesse tido uma morte silenciosa e estivesse apenas nos espasmos finais. Em vez disso, sorriu. Um sorriso bobo, quase idiota. E selou os lĂĄbios nos dela com a leveza de quem nĂŁo carrega peso algum no coração.
Maria tentou resistir. Mas seus lĂĄbios sorriram antes que pudesse impedir.
Como sempre.
Fernando se ajeitou novamente, murmurou algo incompreensĂvel e, num piscar de olhos, voltou a dormir. Quase como se tudo tivesse sido uma alucinação da madrugada.
Voltou a dormir.
Como se o amor nĂŁo fosse um campo de batalha.
Como se ela nĂŁo estivesse em frangalhos.
Como se a presença dele nĂŁo a despedaçasse, mesmo no silĂȘncio.
Maria se acomodou outra vez. Passou uma perna por cima do corpo dele, entrelaçou os braços em sua cintura como quem se agarra Ă prĂłpria salvação â ou um ursinho de pelĂșcia.
E entĂŁo os pensamentos voltaram. Sempre voltavam.
Ela podia apertå-lo até os ossos cederem.
Podia sufocĂĄ-lo de tanto amor.
Nunca soube medir seus sentimentos de qualquer forma: sempre amou demais, ou de menos.
Esse era o verdadeiro problema. Talvez o assassinato de Fernando estivesse agendado por pura incompetĂȘncia emocional. Talvez, se ela sentisse da mesma forma que ele, se vivesse o agora sem pensar no amanhĂŁ â sem querer saber onde estariam daqui cinco, dez anos â as coisas funcionassem.
Talvez ela o matasse, sim.
NĂŁo por Ăłdio. Mas porque amava com fome de faca.
Porque, no fundo, sabia: não havia como amar alguém como ela.
. : Merece seu like & reblog?
à patético perceber o quanto a gente implora pra ser amada do jeito certo. Implora por atenção, por cuidado, por respeito. Implora por coisas que nunca deveriam ser pedidas.
à patético ter que ensinar alguém a não machucar, a te ouvir, a ficar.
Enquanto isso, em algum lugar bem perto, existe alguĂ©m que faria por vocĂȘ coisas que ninguĂ©m nunca fez. Sem vocĂȘ pedir. Sem negociação. Sem cobrança.
AlguĂ©m que nĂŁo precisaria ser convencido de que vocĂȘ merece amor. AlguĂ©m que nĂŁo trataria o bĂĄsico como um favor.
E talvez o mais doloroso nĂŁo seja amar quem nĂŁo sabe amar direito, mas insistir quando na verdade o amor certo nunca exigiu sĂșplica.
-JM
AmĂĄ-lo foi como estender as mĂŁos ao pĂŽr do sol: eu sabia que jamais o tocaria por completo, mas ainda assim me aquecia na esperança. SĂł nĂŁo previ que, ao me doar tanto, ficaria Ă sombra da ausĂȘncia dele, esperando que um coração indeciso aprendesse a me escolher.
Havia algo de sagrado na maneira como meu coração se inclinava ao dele, como se pressentisse que ali poderia habitar um amor sereno e profundo. Eu não precisava que ele dissesse muito, bastava a presença, o olhar meio desviado, o quase, para que meu peito se enchesse de promessas que ele nunca chegou a fazer.
E por isso a dor foi tĂŁo silenciosa: porque nĂŁo houve mentira, sĂł ausĂȘncia de certeza. NĂŁo houve rejeição, sĂł a falta de um gesto que dissesse âsimâ. E esse quase-amor, essa esperança que me alimentava sem nunca me nutrir de fato, foi se tornando o lugar onde me perdi de mim.
Cada vez que ele sorria e depois partia, levava um pedaço da minha coragem. Cada silĂȘncio dele me fazia duvidar da minha intuição, como se o erro fosse amar demais, querer demais, esperar por algo que talvez sĂł existisse dentro de mim.
Mas não se ama menos por precaução, e eu não soube amar com freios. Fui inteira. Me entreguei com a delicadeza de quem cuida de um jardim, mesmo sem saber se haveria primavera. E esperei. Esperei que um coração hesitante despertasse, que meus gestos fossem suficientes, que minha constùncia o tocasse.
SĂł que hĂĄ coraçÔes que vivem na penumbra, por escolha ou por medo. E amar alguĂ©m assim Ă© como tentar aquecer-se num sol que se pĂ”e: bonito, mas efĂȘmero. Intenso, mas inalcançåvel. E, no fim, fui eu quem ardeu, nĂŁo de amor, mas de ausĂȘncia.
Hoje entendo: o amor não deveria me deixar nesse lugar de quase. Porque quem sente de verdade não hesita, não foge, não responde com metades. E por mais que parte de mim ainda deseje que ele me veja com outros olhos, a outra parte, a que aprendeu a se amar, sabe que mereço ser escolha, não esperança.
â G.C.S. numa tarde em que o pĂŽr do sol jĂĄ nĂŁo doĂa mais.
Para ele, que ficou.
Dançamos no escuro, depois no nosso fim, com Put Your Head On My Shoulder ecoando por cada canto desse apartamento minĂșsculo que sempre foi tĂŁo nosso.
As memĂłrias me perseguem como sombras.
Elas ainda moram aĂ, entre as paredes que agora sĂŁo sĂł suas. No reflexo da janela da quarto, na cama que um dia foi comprada para dois, no cheiro do cafĂ© que vocĂȘ ainda deve fazer todas as manhĂŁs. Eu as deixei para trĂĄs junto com vocĂȘ, nĂŁo porque quis, mas porque nĂŁo consegui carregĂĄ-las sem que doessem.
Me pergunto se, Ă s vezes, vocĂȘ as percebe. Se escuta a minha risada misturada com a sua enquanto abre uma lata de cerveja, se sente minha presença no silĂȘncio que se espalha depois de um dia longo. Me pergunto se alguma coisa mudou desde que fui embora ou se tudo segue igual, como se eu nunca tivesse estado aĂ.
Ă estranho saber que o nosso lar virou sĂł seu. Que as mesmas paredes que nos abrigaram agora guardam apenas um de nĂłs. VocĂȘ foi quem ficou, e eu fui quem aprendeu a existir sem esse lugar, sem esse cotidiano que um dia me pareceu definitivo. Mas, honestamente? Ainda nĂŁo sei onde guardar tudo isso. O que se faz com um amor que nĂŁo cabe mais na vida da gente?
Eu saĂ com uma mala pequena. NĂŁo levei as cortinas que escolhemos juntos, nem os pratos que combinavam com as xĂcaras que um dia achei bonitas demais para usar. Levei o que coube e deixei o que ainda tinha forma de nĂłs dois. NĂŁo porque nĂŁo queria, mas porque nĂŁo conseguia olhar para nada sem sentir o peso do quase.
Quase casamento.
Quase para sempre.
Ainda tento entender em que momento o que tĂnhamos se tornou um erro que nĂŁo soubemos evitar. Se foi no acĂșmulo dos pequenos desencontros, nos jantares em silĂȘncio, nas desculpas murmuradas antes de dormir. Ou se foi quando percebemos que jĂĄ nĂŁo sabĂamos mais como voltar um para o outro.
O amor estava ali, mas jĂĄ nĂŁo era suficiente.
E agora vocĂȘ estĂĄ aĂ e eu estou aqui. O que antes era um lar virou um ponto de partida. Para mim, para vocĂȘ, para tudo o que ainda nĂŁo entendemos. Eu queria que fosse diferente. Eu queria que soubĂ©ssemos como continuar sem precisar recomeçar.
Mas algumas histĂłrias terminam mesmo sem um final.
E talvez essa seja a parte mais difĂcil: aceitar que, Ă s vezes, o amor nĂŁo acaba, sĂł se torna impossĂvel.

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umpontofinal
hoje eu escrevo esta Ășltima carta, estou escrevendo para libertar vocĂȘ ou melhor para me libertar do sentimento que tenho por vocĂȘ. hoje eu escrevo para conseguir seguir minha vida, como naquela mensagem que mandei para vocĂȘ "eu quero que vocĂȘ seja feliz, que encontre alguĂ©m que o faça feliz". eu espero que ela esteja fazendo vocĂȘ muito feliz, que tudo na sua vida esteja fazendo sentindo hoje e que em nenhum momento da sua vida vocĂȘ olhe para trĂĄs para me procurar, igual eu estou olhando hoje tentando achar vocĂȘ. hoje Ă© o dia que apago vocĂȘ de todas as coisas da minha vida, hoje eu vou enterrar tudo aquilo que vocĂȘ me deu e tentar deixar vocĂȘ no seu devido lugar que Ă© o passado e espero que vocĂȘ fique por lĂĄ atĂ© o resto da minha vida. o que deveriamos fazer um na vida outro jĂĄ foi feito, nosso tempo jĂĄ passou e ao inves de aceitar isso, sĂł fizemos piorar tudo com erros e mais erros. agora Ă© oficial, desejo tudo de bom para vocĂȘ, mas nĂŁo posso continuar seguindo essa merda de vida que estou levando por esperar vocĂȘ voltar.
Hoje vou naquele lugar que gostĂĄvamos de ir; mas com outra pessoa. E eu sei que as lembranças vĂŁo me atravessar como uma flecha, porque eu estou chorando sĂł de pensar ( e ainda nem sai de casa) Mas vou lidar bem com isso, vou sorrir e fingir que nĂŁo lembro de vocĂȘ quando chegar aquele açaĂ com chocolate e aquele nosso lanche que vocĂȘ odiava dividir. NĂŁo vou lembrar de vocĂȘ em nenhuma mĂșsica, nem quando olhar pra parede decorada com aquela frase que eu amavaâŠ
Os lugares âda genteâ vocĂȘ frequenta com outras pessoas e nem lembra de mim⊠E tudo bem, eu ainda vou aprender a esquecer vocĂȘ tambĂ©m.
- Rabisquei sentimento
Talvez nĂŁo seja nada, seja sĂł o destino. Era simplesmente a hora de tudo acabar.