ââ .⊠Um Toque De Calma
‷ marido jungwon à esposa leitora
àȘâ⎠ApĂłs um dia estressante no trabalho, Jungwon chega em casa e, sem querer, desconta sua frustração na esposa grĂĄvida. Percebendo seu erro, ele se desculpa com carinho e encontra consolo ao conversar com o bebĂȘ, que responde com um toque especial, trazendo paz ao coração do jovem casal.
êȘà§ gravidez, estresse pĂŽs trabalho, discussĂ”es, reconciliação, choro (Âż?) fofo , angst (um pouquinho)
đ "Stay" - Rihanna ft. Mikky Ekko , "Yellow" - Coldplay , "Love Me Like You Do" - Ellie Goulding , "Falling" - Harry Styles , "Still With You" - Jungkook
A porta da frente bateu com um pouco mais de força do que o usual, ecoando pela casa silenciosa. O som fez vocĂȘ levantar os olhos do livro que segurava, recostada no sofĂĄ da sala. O relĂłgio marcava quase oito da noite, e a luz suave da luminĂĄria ao seu lado criava um ambiente acolhedor, contrastando com a tensĂŁo que parecia acompanhar Jungwon quando ele entrou.
VocĂȘ ouviu o som dos sapatos dele sendo deixados na entrada, seguido por um suspiro pesado. Jungwon apareceu na sala, os ombros tensos, a gravata frouxa e o cabelo levemente bagunçado, como se ele tivesse passado as mĂŁos por ele vĂĄrias vezes. Seus olhos, normalmente brilhantes e cheios de carinho, estavam opacos, carregados de frustração.
â Oi, amor â vocĂȘ disse suavemente, tentando avaliar o humor dele enquanto acariciava sua barriga de sete meses. O bebĂȘ, sempre ativo Ă noite, deu um leve chute, como se respondesse Ă sua voz.
Jungwon apenas murmurou um âoiâ rĂĄpido, sem olhar diretamente para vocĂȘ. Ele jogou a bolsa no canto da sala e se dirigiu Ă cozinha, abrindo a geladeira com um movimento brusco. VocĂȘ franziu a testa, percebendo que algo estava errado. Ele nĂŁo era assim. NĂŁo com vocĂȘ.
â Tudo bem? â vocĂȘ perguntou, fechando o livro e se endireitando no sofĂĄ.
Ele pegou uma garrafa de ĂĄgua, tomou um gole e respondeu sem se virar:
â SĂł um dia ruim. Nada de mais.
O tom cortante em sua voz fez seu coração apertar. VocĂȘ sabia que Jungwon trabalhava duro como lĂder do grupo, lidando com ensaios interminĂĄveis, reuniĂ”es com a equipe de produção e a pressĂŁo constante de estar Ă altura das expectativas. Mas ele raramente trazia esse peso para casa. Pelo menos, nĂŁo assim.
VocĂȘ se levantou com cuidado, apoiando uma mĂŁo na barriga, e caminhou atĂ© ele.
â Quer conversar sobre isso? â perguntou, tentando manter a voz leve.
Jungwon fechou a porta da geladeira com força, o som fazendo vocĂȘ dar um pequeno salto. Ele se virou, os olhos faiscando com uma irritação que nĂŁo era dirigida a vocĂȘ, mas que, naquele momento, parecia engoli-lo por completo.
â NĂŁo, eu nĂŁo quero conversar! â ele exclamou, a voz mais alta do que o normal. â SerĂĄ que eu nĂŁo posso ter um segundo de paz quando chego em casa? Tudo o que eu quero Ă© descansar, mas parece que atĂ© isso Ă© pedir demais!
As palavras cortaram o ar como uma faca. VocĂȘ piscou, surpresa, sentindo um nĂł se formar na garganta. NĂŁo era comum Jungwon levantar a voz, muito menos com vocĂȘ. A gravidez jĂĄ deixava suas emoçÔes Ă flor da pele, e aquele tom, tĂŁo diferente do marido gentil que vocĂȘ conhecia, fez seus olhos arderem.
â Eu⊠sĂł estava tentando ajudar â vocĂȘ murmurou, a voz tremendo um pouco enquanto dava um passo para trĂĄs.
O silĂȘncio que se seguiu foi pesado. Jungwon passou a mĂŁo pelo rosto, como se estivesse tentando se livrar da nuvem escura que o envolvia. Quando ele olhou para vocĂȘ e viu a mĂĄgoa em seus olhos, algo pareceu estalar dentro dele. A expressĂŁo de raiva desapareceu, substituĂda por uma onda de culpa que o fez cerrar os punhos.
â Meu Deus⊠amor, me desculpa â ele disse, a voz agora suave, quase desesperada. Ele deu alguns passos rĂĄpidos atĂ© vocĂȘ, hesitando antes de tocar suas mĂŁos. â Eu nĂŁo deveria ter falado assim. NĂŁo com vocĂȘ. Nunca com vocĂȘ.
VocĂȘ respirou fundo, tentando afastar as lĂĄgrimas que ameaçavam cair.
â Tudo bem, Jungwon. Eu sei que vocĂȘ tĂĄ estressado. Só⊠me avisa quando precisar de espaço, tĂĄ? â Sua voz saiu baixa, mas firme, embora o aperto no peito ainda estivesse lĂĄ.
â NĂŁo, nĂŁo tĂĄ tudo bem â ele insistiu, segurando suas mĂŁos com cuidado e puxando vocĂȘ gentilmente para mais perto. â Eu fui um idiota. VocĂȘ nĂŁo merece isso, ainda mais agora. â Ele olhou para sua barriga, e seus olhos suavizaram ainda mais. â Nenhum dos dois merece.
VocĂȘ sentiu a sinceridade em suas palavras, e o calor de suas mĂŁos segurando as suas trouxe um pouco de alĂvio. Jungwon sempre fora bom em se desculpar, em consertar as coisas com o mesmo cuidado que colocava em tudo o que fazia por vocĂȘ. Ele se abaixou lentamente, ficando de joelhos diante de vocĂȘ, e colocou as mĂŁos com delicadeza em sua barriga.
â Oi, pequeno â ele disse, a voz agora um sussurro carinhoso, como se temesse assustar o bebĂȘ. â Desculpa se o papai assustou vocĂȘ. NĂŁo foi a intenção. Eu só⊠à s vezes o mundo lĂĄ fora Ă© meio pesado, sabe? Mas vocĂȘ e a mamĂŁe sĂŁo meu porto seguro.
VocĂȘ nĂŁo pĂŽde evitar um leve sorriso ao vĂȘ-lo falar com a barriga, como fazia quase todas as noites. Era um ritual que ele adorava, conversar com o bebĂȘ como se jĂĄ pudesse entender cada palavra. VocĂȘ acariciou o cabelo dele suavemente, sentindo o coração se aquecer.
De repente, como se respondesse ao pai, o bebĂȘ deu um chute forte, bem no lugar onde a mĂŁo de Jungwon descansava. Ele arregalou os olhos, surpreso, e entĂŁo riu, um som leve e cheio de alĂvio.
â Ei, vocĂȘ tĂĄ me ouvindo mesmo, nĂ©? â ele disse, o rosto iluminado por um sorriso genuĂno. â TĂĄ me dizendo pra me comportar, Ă© isso?
VocĂȘ riu tambĂ©m, o peso do momento anterior se dissipando.
â Acho que ele tĂĄ te dando um sermĂŁo â vocĂȘ brincou, relaxando enquanto Jungwon continuava a falar com a barriga.
â TĂĄ bom, tĂĄ bom, eu prometo ser um papai melhor â ele disse, fingindo seriedade, mas com um brilho travesso nos olhos. â Nada de gritar com a mamĂŁe, nunca mais. Prometo.
O bebĂȘ chutou novamente, e Jungwon olhou para vocĂȘ, os olhos brilhando com uma mistura de amor e gratidĂŁo.
â Acho que ele aceitou minhas desculpas â disse, levantando-se e puxando vocĂȘ para um abraço cuidadoso. â E vocĂȘ? Me perdoa?
VocĂȘ suspirou, envolvendo os braços ao redor dele.
â JĂĄ perdoei, bobo. SĂł nĂŁo me assusta assim de novo, tĂĄ?
â Nunca mais â ele prometeu, beijando sua testa com uma ternura que fez seu coração derreter. â Eu te amo. VocĂȘs dois.
VocĂȘs ficaram assim por um tempo, abraçados, com o bebĂȘ dando pequenos chutes esporĂĄdicos, como se quisesse fazer parte da conversa. A tensĂŁo do dia parecia ter desaparecido, substituĂda por um amor que, mesmo nos momentos mais difĂceis, sempre encontrava um jeito de se reafirmar.
â Vamos pedir algo pra jantar? â Jungwon sugeriu, ainda segurando vocĂȘ. â Algo que vocĂȘ e o pequeno queiram.
â Pizza? â vocĂȘ sugeriu, sorrindo.
â Fechado â ele respondeu, dando um beijo rĂĄpido em seus lĂĄbios antes de se abaixar novamente para falar com a barriga. â O que acha, pequeno? Pizza tĂĄ bom pra vocĂȘ?
Outro chute veio, e vocĂȘs dois riram, sabendo que, nĂŁo importa o quĂŁo estressante o dia pudesse ser, momentos como esse tornavam tudo valer a pena.
Fiz um mimo pra vc, ja que vocĂȘ me ajudou đ©”