O Parafuso Mágico
Às 22:15 de uma terça-feira,
meias trocadas, sorvete derretido,
o mundo escorregava silenciosamente pela janela.
E ali, na beira da mesa,
um parafuso esquecido brilhava,
não por reflexo,
mas por ser.
Não apertava nada,
não unia,
não sustentava.
Apenas existia.
E nessa existência simples,
escapava das engrenagens,
rompia as expectativas,
dançava entre os dedos da realidade.
Era mágico.
Não pelo que fazia,
mas por lembrar
que ser já é suficiente.
Ah, como eu queria ser apenas um parafuso.








