Sete Noites (Antologia): inscrições abertas até 20-09-2026. Participe com contos!
Chamada para publicação de contos em antologia, organizada por Chacal Edições. "O objetivo do edital é reunir autores interessados em reinterpretar o folclore e as lendas populares por meio do folk horror, explorando o medo presente nas tradições, crenças e histórias transmitidas entre gerações. A antologia busca valorizar o imaginário popular brasileiro, tendo o lobisomem como figura central, mas abrindo espaço para outras criaturas, assombrações, maldições e elementos sobrenaturais ligados à cultura e ao território, resultando em narrativas que misturem identidade cultural, atmosfera sombria e horror." #contos #concurso_de_contos #horror #historiasdeterror #escritor #autora
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Faca de Dois Gumes, O Grande Mentecapto e O Menino no Espelho: um guia de leitura para descobrir o escritor mineiro
Mineiro de Belo Horizonte, cronista, romancista, jornalista, amigo de Drummond, Clarice Lispector e Paulo Mendes Campos, ele construiu ao longo de mais de sessenta anos de carreira uma obra que atravessa gerações sem perder a leveza nem a inteligência. E, no entanto, quem nunca leu Sabino costuma travar diante da pergunta mais simples: por onde começar?
A resposta não é única, mas existe um caminho possível — e generoso — para quem quer conhecer as várias faces desse autor de uma só vez: começar por três livros que, juntos, mostram o Sabino contista de tramas urbanas e sombrias, o Sabino romancista de humor picaresco e o Sabino cronista da própria infância. São eles: "Faca de Dois Gumes", "O Grande Mentecapto" e "O Menino no Espelho". Três portas distintas para a mesma casa.
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"Faca de Dois Gumes": o Sabino que investiga o lado sombrio das paixões
Se a imagem que se tem de Fernando Sabino é a de um escritor essencialmente bem-humorado, "Faca de Dois Gumes" é o livro que desfaz esse engano — ou, ao menos, o complica. A obra reúne três novelas curtas, todas girando em torno de crimes, traições e da forma como um único ato impulsivo pode se voltar contra quem o cometeu. A mais célebre delas, que dá título ao volume e que chegou a ganhar adaptação para o cinema, acompanha Aldo Tolentino, um advogado de meia-idade que descobre a traição da esposa com seu sócio e amigo. Movido por ciúme e humilhação, Aldo arquiteta um plano de vingança meticuloso — mas o destino, como costuma acontecer nas boas tragédias, reserva uma reviravolta que faz o próprio personagem provar do gosto amargo daquilo que planejou.
O que torna essa novela — e as outras duas que compõem o livro — tão eficazes é a economia narrativa de Sabino. Formado na tradição da crônica, ele sabe cortar o excesso e manter o leitor preso ao fio da ação, construindo tensão psicológica com poucos elementos: um olhar, um gesto, uma frase dita no momento errado. Há também, por trás da trama policial, uma reflexão mais funda sobre culpa, vingança e sobre como a violência — inclusive a violência íntima, doméstica, disfarçada de razão — nunca fica restrita a quem a inicia. É literatura de gênero com ambição literária, e por isso funciona tão bem como porta de entrada: prende pela trama e só depois revela a densidade.
Começar por aqui é uma escolha para quem gosta de tramas bem amarradas e quer sentir, já nas primeiras páginas, do que Sabino é capaz quando decide explorar o lado mais tenso da natureza humana.
"O Grande Mentecapto": o Dom Quixote mineiro
Se "Faca de Dois Gumes" mostra o Sabino sombrio, "O Grande Mentecapto" é a prova de que ele também sabia — e talvez sobretudo soubesse — fazer rir enquanto comovia. Publicado em 1979, depois de décadas de gestação (o autor começou a escrevê-lo ainda jovem e só o retomou e concluiu muitos anos depois), o romance é considerado por muitos leitores e críticos o auge da obra ficcional de Sabino, tendo recebido o Prêmio Jabuti.
A história acompanha Geraldo Boaventura, apelidado Viramundo, um rapaz simples nascido na pequena Rio Acima, interior de Minas Gerais. Filho caçula de treze irmãos, ele ganha fama na cidade natal ao apostar que conseguiria fazer parar um trem que nunca parava ali — façanha que consegue, mas que custa a vida de um amigo mais novo que tenta repetir o feito. Marcado pela culpa, Viramundo passa a vagar por Minas Gerais em busca de redenção: tenta o seminário, passa pelo Exército, envolve-se em política, apaixona-se, sempre movido por um idealismo ingênuo que o coloca em rota de colisão com o mundo real. A comparação com Dom Quixote não é gratuita — como o fidalgo de Cervantes, Viramundo enxerga grandeza onde os outros veem apenas mais um desajustado, e é justamente esse contraste entre a pureza de suas intenções e a dureza da realidade que produz o efeito cômico e, ao mesmo tempo, profundamente melancólico do livro.
Sabino usa e abusa do humor mineiro — irônico, contido, cheio de subentendidos — para narrar as peripécias do protagonista, mas nunca perde de vista a crítica social por trás da comédia: a pobreza, a hipocrisia institucional, o abismo entre os que mandam e os que sonham. É um romance de formação às avessas, em que o herói não amadurece rumo à conformidade, mas segue fiel, até o fim trágico, a um ideal que o mundo insiste em não compreender.
Ler "O Grande Mentecapto" depois de "Faca de Dois Gumes" é como trocar de clima sem trocar de autor: a mesma precisão de linguagem, o mesmo domínio da narrativa, mas agora a serviço de uma épica cômica e triste sobre a bondade que não encontra lugar no mundo.
"O Menino no Espelho": a infância revisitada com ternura
Se os dois primeiros livros mostram Sabino observando personagens de fora, "O Menino no Espelho", publicado em 1982, é o momento em que ele volta o olhar para dentro — para a própria infância em Belo Horizonte, nas décadas de 1930. Trata-se de uma obra semiautobiográfica, construída como uma sequência de contos independentes que, juntos, formam um retrato afetivo e ao mesmo tempo lúcido do que é ser criança: a imaginação que transborda para dentro do real, os medos noturnos, as primeiras traquinagens, a descoberta da linguagem e do mundo.
O recurso do espelho — que dá nome ao livro — funciona como símbolo central: o menino Fernando cria, diante do espelho de seu quarto, uma espécie de duplo imaginário, um reflexo que ganha vida própria e o acompanha nas travessuras cotidianas transformadas em pequenas aventuras extraordinárias. É por meio dessa fantasia que Sabino consegue narrar a infância sem cair no sentimentalismo fácil nem na nostalgia vazia: cada capítulo equilibra humor, ingenuidade e uma percepção surpreendentemente madura sobre família, amizade, medo e crescimento. No prólogo e no epílogo — "O menino e o homem" e "O homem e o menino" —, o autor adulto dialoga com o menino que foi, criando um espelhamento entre as duas idades que dá ao livro sua estrutura mais sofisticada, por trás da aparente simplicidade dos episódios.
É, talvez, o livro mais entranhado no coração dos leitores brasileiros que cresceram com Sabino nas listas escolares — e não por acaso: fala de uma experiência universal, a de ser criança, sem jamais soar didático ou piegas. Fechar o tripé de leitura com essa obra permite entender por que Sabino é, além de romancista e contista, um dos grandes cronistas da experiência íntima na literatura brasileira.
Por que começar por esses três
A escolha desses três títulos não é arbitrária: eles funcionam como um mapa em miniatura da obra de Fernando Sabino. "Faca de Dois Gumes" mostra sua mão firme na construção de tramas tensas e psicologicamente afiadas. "O Grande Mentecapto" revela o fôlego do romancista, capaz de sustentar uma épica cômico-trágica ao longo de centenas de páginas sem perder o ritmo. E "O Menino no Espelho" expõe a raiz mais pessoal de tudo isso: o cronista que sabia transformar a própria memória em literatura acessível a qualquer leitor, de qualquer idade.
Juntos, esses livros não esgotam Sabino — ele escreveu dezenas de outras obras, entre romances, contos, crônicas e correspondências, como a famosa troca de cartas com Clarice Lispector. Mas formam um começo generoso, capaz de mostrar por que ele continua sendo, décadas depois de seus primeiros livros, uma presença tão viva nas estantes e na memória afetiva de quem cresceu na literatura brasileira. Quem começa por aqui dificilmente para por aqui: o mais provável é sair à procura do próximo título, e do próximo, até descobrir que Sabino, como poucos, sabe ser ao mesmo tempo leve e definitivo.
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22, abr, 14.
"Sigo pensando que hay días que duelen más que otros. Quiero decir, que pesan, como si lleváramos algo encima. Y otros, donde la vida es tan ligera, que uno agradece esos días".
La carga que llevamos, Joseph Kapone
(Cuaderno de notas, 1996 - 2014)
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Mundos Impossíveis – Revista de Literatura Fantástica 2ª edição: inscrições abertas até 31-12-2026. Participe com contos!
Chamada para publicação de contos em revista, organizada por Forja Selvagem - Selo Editorial. "A Forja Selvagem - Selo Editorial torna pública a chamada para seleção de contos destinados à 2ª edição de Mundos Impossíveis - Revista de Literatura Fantástica, publicação digital de distribuição gratuita voltada à fantasia, ficção científica, horror, espada & feitiçaria, pulp, aventura e demais vertentes da literatura fantástica. A proposta da revista é abrir espaço para diferentes vozes da literatura fantástica, reunindo autores iniciantes e experientes. A participação é inteiramente gratuita: não haverá cobrança de taxa de inscrição, seleção, publicação ou participação dos autores escolhidos." #chamada_para_contos #concurso_de_contos #ficcaoespeculativa #fantasia #escritor #livrosnacionais
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