cantata "Venus and Adonis", HWV 85 (Handel) - soprano Gemma Bertagnolli, 2010
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Venus and Adonis (HWV 85), de Handel, composta em Londres 1711, trata-se de uma cantata secular baseada no cĂ©lebre mito clássico de VĂŞnus e AdĂ´nis, tema amplamente explorado na tradição artĂstica europeia.
A obra foi concebida para voz solista com acompanhamento instrumental. Nela, Handel demonstra grande sensibilidade dramática e refinamento melĂłdico, alternando recitativos expressivos com árias elaboradas. Mesmo sendo uma obra de pequena escala, já se percebem elementos que mais tarde se tornariam caracterĂsticos de seu estilo operĂstico, como a intensa caracterização emocional, o contraste entre afetos e o uso expressivo da linha vocal.
O mito de Adônis, que morre tragicamente e renasce simbolicamente, oferece ao compositor a oportunidade de explorar contrastes entre dor e beleza, lamento e esperança.
Venus, Adonis and Cupid (Annibale Carracci, 1595): cena do primeiro encontro dos amantes. O sangue da flecha de Cupido ainda pode ser visto no peito de VĂŞnus.
Venus and Adonis (Paolo Veronese, 1580): Retrata o caçador AdĂ´nis dormindo no colo de VĂŞnus. Ă€ frente dela está seu filho Cupido, com um cĂŁo de caça. Cupido Ă© retratado tentando saciar o desejo de caça do cĂŁo, pois VĂŞnus havia previsto que AdĂ´nis morreria durante uma caçada.Â
Venus and Adonis (Ticiano, 1554): Uma das representações mais famosas do mito. Mostra Vênus tentando impedir Adônis de sair para a caça - momento anterior à tragédia.
Venus and Adonis (Thomas Phillips, 1808): Mostra Vênus tentando persuadir Adônis a não partir para a caça.
Personagens principais: - Vênus: Deusa do amor e da beleza; expressa dor profunda pela perda de seu amado. - Adônis: Jovem de extraordinária beleza, amado por Vênus; sua morte é o centro dramático da narrativa. - Cupido (Amor): Divindade do amor, frequentemente retratada como caprichosa; simboliza a dualidade entre prazer e sofrimento. - Prosérpina: Rainha do mundo subterrâneo; associada ao ciclo de morte e renascimento de Adônis. - Eco e as ninfas (náiades): Figuras secundárias que ampliam o lamento e a atmosfera poética da obra.
Sinopse: Narra o trágico destino de Adônis, amado da deusa Vênus. A obra se inicia com a descrição do profundo lamento de Vênus, que chora desesperadamente a morte de seu amado. A natureza ao seu redor — colinas, florestas e ninfas — participa desse luto, refletindo a dimensão universal de sua dor.
VĂŞnus relembra a beleza e a importância de AdĂ´nis em sua vida, alternando entre desespero e sĂşplica. Ela implora que ele retorne, expressando a intensidade de seu amor e sua incapacidade de aceitar a perda. Ao mesmo tempo, a figura de Cupido Ă© evocada como sĂmbolo das contradições do amor, capaz de gerar tanto alegria quanto sofrimento.
A narrativa então introduz o elemento mitológico da transformação: por intervenção divina, Adônis não desaparece completamente, mas renasce sob a forma de uma flor. Esse renascimento simboliza a continuidade da beleza e do amor, ainda que de maneira transitória. A alternância entre luz e sombra — associada a Vênus e Prosérpina — sugere o ciclo eterno de vida, morte e renovação.
Assim, a cantata encerra-se não apenas como um lamento, mas como uma meditação poética sobre a natureza do amor e sua ligação inseparável com a perda e a transformação.
VĂŞnus chorando por AdĂ´nis (Poussin, 1627)













