em outro universo existia um amor inteiro…
e neste, talvez tenha restado apenas um aperto de mão.
Se nunca aconteceu,
por que existe tão perfeitamente dentro de mim?
Há noites em que penso
que a imaginação não cria — apenas recorda.
Como se em algum ponto perdido do infinito
eu tivesse realmente segurado tua mão
naquele evento iluminado,
enquanto o mundo nos olhava
como quem assiste duas metades finalmente se encontrando.
Talvez exista um universo
onde teu sorriso era meu endereço.
Onde teu empoderamento não era muralha,
mas apenas luz,
e atrás daquela força toda
existia um carinho silencioso
que desmontava minhas defesas sem esforço algum.
Nesse outro mundo,
éramos insuportavelmente felizes.
Passávamos pelas pessoas
arrancando suspiros involuntários,
não por sermos perfeitos,
mas porque havia encaixe.
Havia verdade.
Havia amor.
E eu, que neste universo caminho como quem procura alguma coisa perdida,
lá era apenas um homem simples
com aliança marcada no tempo
e paz no coração.
Às vezes penso no multiverso
como quem pensa em saudade.
Loki talvez sorrisse da minha esperança.
Kang diria que todas as possibilidades existem.
Doutor Estranho talvez abaixasse os olhos,
porque até ele aprendeu
que alguns amores sobrevivem apenas como ferida cósmica.
Mas ainda assim eu pergunto:
Se a imagem parece tão real,
se o sentimento atravessa meu peito como verdade,
por que fui deixado exatamente neste universo
onde nada aconteceu?
Talvez viver seja isso:
carregar mundos inteiros
que nunca existiram fora de nós.
E ainda assim…
amá-los.
Porque há sonhos que doem mais do que a própria realidade.
E há realidades tão vazias
que sonhar se torna uma forma de permanecer vivo.
Não quero deixar minha vida.
Só queria, por alguns instantes,
abrir a porta certa do multiverso
e encontrar você me esperando do outro lado.
Nem que fosse apenas para finalmente
te abraçar...como nunca pude.