O Pessimismo que Virou Realismo — Parte 2
Acordei e o mundo riu da minha cara O café esfria, a mente dispara Não é falta de vontade, é natureza bruta O corpo reage antes da razão, e a mente luta
O desejo não é só do coração É do sangue, do suor, da pulsação E quando toca, não tem filosofia Só o caos em forma de biologia
Pensei que rezar mudaria a maré Que o mundo curvaria pra minha fé Mas Schopenhauer sussurra rindo no canto O mundo é duro, e a vida, um manto
Então deixo o pessimismo tomar forma Não é derrota, é norma A realidade é dura, mas é minha amiga Me ensina a rir da própria fadiga
O amor? O desejo? O tempo que escapa Nada muda, mas nada me tapa A ironia é que quanto mais quero controlar Mais o corpo, a mente, me vêm derrubar
E assim sigo, consciente e sagaz Não é esperança, nem medo voraz É realismo com gosto de verdade É rir do mundo, mesmo na calamidade










