Tem uma coisa no teu beijo que eu não sei o que é. Não por não conseguir definir, mas porque é difícil explicar. Enrolado, eu sei. Se fosse começar a tecer teorias, diria que ele tem um mel que prende e uma provocação que me atrai. Me acende. Sou fã da tua boca. Às vezes, penso até que ela é uma espécie de máquina do tempo. E que eu fico só de olhos fechados lembrando do gosto e, não importa onde estejamos, parece que ficamos sempre perto um do outro. E como um abraço na chuva, molhado de saliva e cerrado como os dentes que mordem os lábios. Talvez tenha um quê de convite, com o sorriso sendo anfitrião e a língua a armadilha. Daqui você não sai, ninguém te tira, pareço ouvir. E nem quero. Minha vontade é pendurar uma rede, balançar no teu ritmo e ficar ali. Fazer morada. É isso: sinto uma vontade danada de fixar residência nos teus beijos. Cama, mesa e banho. Café, almoço e janta. Tapioca, açaí e halls preta. Abrigo, varanda e lar. Tudo junto e misturado, como o encontro dos rostos que, pertinho, sentem a respiração ficar ofegante, o coração acelerar e o beijo sair. Beijo onde quero ficar. Até que os olhos se revirem. Até o corpo arrefecer. Até que a falta de fôlego nos separe.
( Gustavo Lacombe )















