a gente brigou por tão pouco.
ou talvez não tenha sido tão pouco.
talvez tenham sido dois corações cansados
tentando sobreviver às próprias dores.
você falou coisas que atravessaram o lugar mais frágil em mim.
e eu fiz o que sempre faço
quando a dor fica grande demais:
não porque eu quisesse ir embora.
mas porque, quando o peito transborda,
o silêncio sempre foi o único lugar onde eu soube me esconder.
e agora parece que quem foi embora
eu ainda tenho todas as nossas fotos.
cada pedacinho do nosso mundo.
às vezes eu abro a galeria
como quem visita uma casa abandonada.
de encontrar um caminho de volta.
mas prints de um mundo irreal não respondem.
e saudade não sabe desfazer despedidas.
eu procuro você em cada casa.
no jardim floral iluminado pela lua.
na ilha depois do oceano.
em cada lugar que parece ter sido feito para você voltar.
como se, por algum milagre,
você ainda estivesse me esperando do outro lado da tela.
e acho que finalmente entendi
por que eu chorava tanto antes.
alguma parte do meu coração
já sabia o que a minha cabeça
eu pensei em mil maneiras de fazer você voltar.
porque tudo o que eu queria
o tamanho da falta que deixou em mim.
como quem guarda uma promessa dentro do peito.
e talvez seja por isso que ainda doa tanto.
porque promessas não deveriam acabar assim.
eu sei que você tem suas mágoas.
eu também tenho as minhas.
mas deve existir uma coisa maior
do que desistir de algo bonito
por causa do pior dia que ele já viveu.
eu sinto falta do seu carinho.
"eu sou seu e você é minha."
sinto falta de deitar ao seu lado,
mesmo existindo uma tela entre nós,
como se a distância tivesse esquecido de existir
suspirando baixinho que eu te amo.
não se desiste de algo assim.
não se desiste de quem fez uma casa dentro da gente.
com o dia em que toda essa distância
o dia em que vou poder te abraçar
sem precisar fechar os olhos antes.
o dia em que vou te beijar
e, talvez pela primeira vez,