Geo...
a gente brigou por tΓ£o pouco.
ou talvez nΓ£o tenha sido tΓ£o pouco.
talvez tenham sido dois coraΓ§Γ΅es cansados
tentando sobreviver Γ s prΓ³prias dores.
vocΓͺ falou coisas que atravessaram o lugar mais frΓ‘gil em mim.
e eu fiz o que sempre faΓ§o
quando a dor fica grande demais:
me isolei.
nΓ£o porque eu quisesse ir embora.
mas porque, quando o peito transborda,
o silΓͺncio sempre foi o ΓΊnico lugar onde eu soube me esconder.
e agora parece que quem foi embora
foi vocΓͺ:
eu nΓ£o te sinto mais.
eu ainda tenho todas as nossas fotos.
cada print.
cada momento.
cada pedacinho do nosso mundo.
Γ s vezes eu abro a galeria
como quem visita uma casa abandonada.
fico olhando tudo
na esperanΓ§a absurda
de encontrar um caminho de volta.
mas prints de um mundo irreal nΓ£o respondem.
e saudade nΓ£o sabe desfazer despedidas.
eu procuro vocΓͺ em cada casa.
no jardim floral iluminado pela lua.
na ilha depois do oceano.
em cada lugar que parece ter sido feito para vocΓͺ voltar.
como se, por algum milagre,
vocΓͺ ainda estivesse me esperando do outro lado da tela.
e acho que finalmente entendi
por que eu chorava tanto antes.
nΓ£o era sΓ³ medo.
era despedida.
alguma parte do meu coraΓ§Γ£o
jΓ‘ sabia o que a minha cabeΓ§a
se recusava a acreditar.
eu pensei em mil maneiras de fazer vocΓͺ voltar.
mil palavras.
mil surpresas.
mil formas diferentes.
porque tudo o que eu queria
era que vocΓͺ entendesse
o tamanho da falta que deixou em mim.
eu queria voltar
naquele dia.
naquele trem.
quando vocΓͺ me olhou
e disse que era meu.
eu guardei aquela frase
como quem guarda uma promessa dentro do peito.
e talvez seja por isso que ainda doa tanto.
porque promessas nΓ£o deveriam acabar assim.
eu sei que vocΓͺ tem suas mΓ‘goas.
eu tambΓ©m tenho as minhas.
mas deve existir uma coisa maior
do que desistir de algo bonito
por causa do pior dia que ele jΓ‘ viveu.
eu sinto falta do seu carinho.
sinto falta de ouvir
"eu sou seu e vocΓͺ Γ© minha."
sinto falta de deitar ao seu lado,
mesmo existindo uma tela entre nΓ³s,
e sorrir
como se a distΓ’ncia tivesse esquecido de existir
suspirando baixinho que eu te amo.
nΓ£o se desiste de algo assim.
nΓ£o se desiste de quem fez uma casa dentro da gente.
nΓ£o desiste de mim.
porque eu ainda sonho
com o dia em que toda essa distΓ’ncia
vai deixar de existir.
o dia em que vou poder te abraΓ§ar
sem precisar fechar os olhos antes.
o dia em que vou te beijar
e finalmente acreditar
que vocΓͺ Γ© real.
e, talvez pela primeira vez,
que nΓ³s tambΓ©m seremos.
(...)














