“Era essa a resposta que eu queria ouvir” Riu animada, depositando um beijo estalada na bochecha da amiga antes de voltar a empurra-la no balanço. A vida era bem mais simples no campo e ela sentia falta daquela paz, mesmo que tivesse passado boa parte de sua adolescência em Londres e tivesse se tornado uma típica dama da alta sociedade, o campo ainda fazia parte de si e de sua história. “Não é fácil encontrar cavalheiros que sejam bons dançarinos, imagina bailarinos! Ao menos Byron é um ótimo dançarino e eu poderei fazer alguns passos de ballet, mesmo que ele não possa por não ser um bailarino”. Garantiu risonha, estava feliz por inúmeros motivos, dançar de novo era com certeza um deles. A rainha queria uma apresentação e ela daria um espetáculo, sentia-se nervosa com a ideia, mas extremamente feliz por poder mostrar uma parte de si. Começava a desejar se tornar coreógrafa e mudar um pouco algumas coisas no ballet que era apresentado, mas tinha certeza que acabaria ficando mal falada por causa disso. “É a primeira vez que a Rainha faz esse experimento também, acho que ela estava achando a temporada de casamentos chata e fez isso para animar um pouco as coisas. No fundo, acho que todas nós estamos meio perdidas, querendo casar ou não, todas sofremos a pressão do casamento, seja pela família ou pela sociedade. Não acho o pareamento tão ruim, mesmo correndo o risco de ser pareada com alguém desagradável, acaba sendo uma forma de conhecer os cavalheiros. Eu não estou acostumada a conversar com eles, então facilita um pouco”. Quando a temporada começou, Donna se sentia deslocada, pouco habituada a conversar com cavalheiros, não se achava capaz de tal feito, aos poucos foi se soltando e percebeu que não era algo tão difícil. Foi através do pareamento que pôde se aproximar mais de Bailey, o pintor acabou se tornando um amigo, um artista que a entendia em seu amor pelo ballet. “Não, ele nunca me faltou com respeito, eu diria que provocações fazem parte da nossa dinâmica, ele foi o primeiro com quem eu consegui ser eu mesma. Ele sempre tem respostas inteligentes, foi o único a me deixar sem fala até hoje”. Riu lembrando-se do baile de máscaras, ainda que a lembrança lhe trouxesse outros sentimentos. “Acho que eu deveria agradecer a rainha dessa vez”. Comentou rindo. “É uma pena que a sociedade não valorize mulheres como você, mas tenho fé que se for do seu desejo casar-se, encontrará algum dia um homem que a aceite, que reconheça o seu valor e que a apoie”. As palavras vieram de seu coração, sabia muito bem que Rosalyn não precisava de um homem, mas a amiga era linda e incrível, mesmo que seu sonho não fosse como o de Mia, ela também merecia alguém que pudesse lhe dar algum tipo de suporte, um companheiro para a vida. “Hum… não o conheço muito, no casamento do meu irmão ele estava de serviço, então não pôde comparecer. Esbarrei com eles poucas vezes, mas o Ben me parece alguém agradável, não é um cavalheiro todo cheio de pompa com a maioria, ele parece ter um estilo de vida simples, mas também parece guardar alguma coisa. Uma dor, um segredo… não sei, ele parece que tem os olhos um pouco tristes ou talvez seja só coisa da minha cabeça”. Respondeu pensativa, lembrando-se dos momentos em que encontrara o homem, ele cuidou de si e a protegeu, algo que não era tão comum assim entre os cavalheiros. “Oh não, não é que ele tenha sido completamente desagradável. Um assustou o outro sem querer e acabamos não sendo exatamente agradáveis um com o outro de início, mas ele me ajudou e se mostrou agradável depois”. Explicou entre risos, lembrando-se que ele tinha apontado a espada para ela e aquilo a irritou bastante, fazendo-a pensar que ele era como o duque escocês e se mostrando completamente diferente depois. “Eu já tentei algumas coisas, até o chutei, mas… não fez muito efeito. Acho que terei uma conversa com o sr. Ligthwood, isso sim. Com certeza será mais efetivo conversar com o pai dele”. Esperava que não precisasse chegar naquele ponto, mas é o que faria se Rowan continuasse com aquela palhaçada. “Hum… não são muitas coisas que ele não sabe ao seu respeito, é? Tem algo que não está me contando, mocinha?” Riu sem conseguir se impedir de provocá-la um pouco. “Como falei antes, ele me trata bem sim. Acho que todos se divertem com ele, Byron é mesmo alguém divertido, eu pelo menos estou sempre rindo quando conversamos”.
📚 O sorriso largo iluminou o rosto de Rosalyn quando sentiu o beijo da amiga, piscando divertida para ela mais uma vez antes de voltar a ser empurrada. A médica adorava a atmosfera de paz que parecia tomar conta do campo, sentia-se bem leve quando estava ali, no entanto, ainda gostava da cidade por ter mais coisas para se fazer além de simplesmente caminhar – Estou mais do que ansiosa para ver o que irão apresentar, embora eu tenha certeza de que será algo perfeito… já que a ideia é sua, Donna. Kayin teve a ideia de me pintar, ele disse que adoraria um quadro meu, em minhas roupas de médica para deixar claro meu orgulho da profissão – disse com um sorriso largo e orgulhoso da ideia do melhor amigo, quanto a Benjamin, ainda não pensara em nada junto dele, mas tinha certeza que conseguiriam apresentar algo divertido e que ambos gostassem. Estava ansiosa para ver a apresentação de Donna e estava mais do que certa de que tudo iria ser magnifico, a amiga era uma excelente bailarina e ainda que Byron não fosse bailarino, acreditava que a dança ficaria linda e claro, a amiga estava feliz com a ideia de se apresentar e aquilo era o que importava na visão da médica. Escutou com atenção a bailarina falar sobre a ideia da rainha e sobre ser a primeira vez que ela fazia uma coisa daquelas… realmente, aquela temporada estava surpreendendo algumas pessoas que já haviam participado – Rosalyn nem tanto, já que ela nunca participou dos debutes antes e aquele fosse seu primeiro ano – Creio que deva ter razão. Eu nunca participei antes das temporadas de casamento, mas pelas cartas que minha irmã, Jane, me escrevia, parecia que realmente eram um tanto tediosas. Também não o acho de todo ruim, no entanto, ainda que esteja participando para me casar… não é algo que eu esteja desesperada para fazer, como vi em algumas jovens, caso não consiga nessa temporada, meus planos de mudar-me para Paris e trabalhar por lá permanecem, ou talvez eu vá para os Estados Unidos, li que lá é um tanto mais livre a sociedade do que aqui em Londres ou Paris. E está gostando de conhecê-los, Don? Acredita que seja como os livros? - indagou curiosa e realmente interessada na resposta da amiga. Ela mesma tinha uma certa visão das relações femininas e masculinas por conta dos livros que havia lido e ainda que não fosse a mais ansiosa das moças para arranjar um marido, era romântica o bastante para acreditar que um dia viveria um romance como os que lia. Mas ela tinha razão, por conta do pareamento havia conhecido rapazes extremamente interessantes de se conversar, como Benjamin ou Byron… até mesmo James mostrava-se simpático e divertido quando se permitia baixar a guarda – Oh sim, agora compreendo melhor o que quis dizer. É boa a sensação de podermos ser nós mesmas com as pessoas não é? Eu sempre me sinto confortável quando não tenho de bancar a dama da alta sociedade, mas cá entre nós, eu não me esforço tanto para ser a mulher dos sonhos de grande parte dos cavalheiros. Uau, agora atiçou minha curiosidade em conhecê-lo, nem mesmo eu consigo deixá-la sem fala, senhorita Arboleda – a última partiu saira carregada de provocação e deboche para a amiga, bem como acabou dando uma risada baixa logo em seguida. As bochechas de Rosalyn novamente coraram diante dos dizeres da morena, acabando por morder o lábio inferior levemente sem graça e pensar alguns segundos antes de respondê-la – Bom, quem sabe um dia isso seja possível e mulheres sejam valorizadas como devem. Espero que esse cavalheiro realmente exista, caso contrário, serei a tia que chegará com presentes para os seus sobrinhos e os estragarei com mimos – brincou a última parte, embora estivesse sendo sincera. Rosalyn sabia que era complicado encontrar um homem que atendesse suas expectativas de apoio com a carreira, estudos e como uma mulher independente… no entanto, se a amiga tinha esperanças, ela também poderia ter – ainda que praticamente nulas – Realmente, também o achei diferente dos outros cavalheiros ou soldados com quem já conversei, ele me parece uma pessoa excelente e fico sinceramente feliz em ter sido pareada com ele. E agora que falou… os olhos dele me parecem diferentes também, então não acho que seja algo de sua cabeça, embora eu não vá abordar qualquer assunto que ele possa se sentir desconfortável. Espero que nós dois possamos amigos, antes de qualquer outra coisa – colocou uma mecha do cabelo com cuidado atrás da orelha, um tanto pensativa com as palavras de Donna. Ela estava certa, ele lhe parecia triste, mas jamais perguntaria algo de cunho extremamente pessoal ou que ele não quisesse lhe revelar, gostava de ter a confiança das pessoas e era isso que as fazia se abrir consigo – Oh sim, agora entendi a situação. Mas fico muito feliz que ele tenha lhe ajudado, Kayin é realmente ótimo em ajudar as pessoas – novamente, um sorriso formou-se nos lábios grossos da médica a menção do príncipe – Se quiser dicas para venenos, é só me pedir. Estive estudando alguns a um tempo atrás para descobrir os efeitos no corpo, já que precisava analisar como salvar a pessoa de uma possível situação – comentou. Mesmo que fosse uma brincadeira de sua parte, ela não gostava nem um pouco da situação que a amiga estava passando e se não fosse por sua ética de que médicos devem salvar vidas e não tirá-las, ela daria um jeito de sumir com o rapaz. A Bailey tinha certeza que seu rosto ficara mais vermelho do que as rosas nos arbustos ao redor das duas, diante da provocação de Donna sobre Kayin – Claro que não! Kayin é como um irmão para mim… me preocupo imensamente com ele. E tenho certeza que da parte dele, não há qualquer outro sentimento que não o fraterno – diz rapidamente, sentindo-se um tanto triste depois daquelas palavras, mas disfarçaria, ela estava imaginando coisas. Eram melhores amigos a anos, não havia nada que um não soubesse sobre o outro e ela devia estar confundindo os sentimentos, talvez fosse aquela ideia de casamento que a estava deixando maluca – É mesmo. Eu conversei um pouco com ele e foi o bastante para perceber que é divertido e uma companhia muito boa de se ter ao lado. Você tirou a sorte grande, Donna. Além é claro, que ele é muito bonito.