📚 O sorriso largo iluminou o rosto de Rosalyn quando sentiu o beijo da amiga, piscando divertida para ela mais uma vez antes de voltar a ser empurrada. A médica adorava a atmosfera de paz que parecia tomar conta do campo, sentia-se bem leve quando estava ali, no entanto, ainda gostava da cidade por ter mais coisas para se fazer além de simplesmente caminhar – Estou mais do que ansiosa para ver o que irão apresentar, embora eu tenha certeza de que será algo perfeito… já que a ideia é sua, Donna. Kayin teve a ideia de me pintar, ele disse que adoraria um quadro meu, em minhas roupas de médica para deixar claro meu orgulho da profissão – disse com um sorriso largo e orgulhoso da ideia do melhor amigo, quanto a Benjamin, ainda não pensara em nada junto dele, mas tinha certeza que conseguiriam apresentar algo divertido e que ambos gostassem. Estava ansiosa para ver a apresentação de Donna e estava mais do que certa de que tudo iria ser magnifico, a amiga era uma excelente bailarina e ainda que Byron não fosse bailarino, acreditava que a dança ficaria linda e claro, a amiga estava feliz com a ideia de se apresentar e aquilo era o que importava na visão da médica. Escutou com atenção a bailarina falar sobre a ideia da rainha e sobre ser a primeira vez que ela fazia uma coisa daquelas… realmente, aquela temporada estava surpreendendo algumas pessoas que já haviam participado – Rosalyn nem tanto, já que ela nunca participou dos debutes antes e aquele fosse seu primeiro ano – Creio que deva ter razão. Eu nunca participei antes das temporadas de casamento, mas pelas cartas que minha irmã, Jane, me escrevia, parecia que realmente eram um tanto tediosas. Também não o acho de todo ruim, no entanto, ainda que esteja participando para me casar… não é algo que eu esteja desesperada para fazer, como vi em algumas jovens, caso não consiga nessa temporada, meus planos de mudar-me para Paris e trabalhar por lá permanecem, ou talvez eu vá para os Estados Unidos, li que lá é um tanto mais livre a sociedade do que aqui em Londres ou Paris. E está gostando de conhecê-los, Don? Acredita que seja como os livros? - indagou curiosa e realmente interessada na resposta da amiga. Ela mesma tinha uma certa visão das relações femininas e masculinas por conta dos livros que havia lido e ainda que não fosse a mais ansiosa das moças para arranjar um marido, era romântica o bastante para acreditar que um dia viveria um romance como os que lia. Mas ela tinha razão, por conta do pareamento havia conhecido rapazes extremamente interessantes de se conversar, como Benjamin ou Byron… até mesmo James mostrava-se simpático e divertido quando se permitia baixar a guarda – Oh sim, agora compreendo melhor o que quis dizer. É boa a sensação de podermos ser nós mesmas com as pessoas não é? Eu sempre me sinto confortável quando não tenho de bancar a dama da alta sociedade, mas cá entre nós, eu não me esforço tanto para ser a mulher dos sonhos de grande parte dos cavalheiros. Uau, agora atiçou minha curiosidade em conhecê-lo, nem mesmo eu consigo deixá-la sem fala, senhorita Arboleda – a última partiu saira carregada de provocação e deboche para a amiga, bem como acabou dando uma risada baixa logo em seguida. As bochechas de Rosalyn novamente coraram diante dos dizeres da morena, acabando por morder o lábio inferior levemente sem graça e pensar alguns segundos antes de respondê-la – Bom, quem sabe um dia isso seja possível e mulheres sejam valorizadas como devem. Espero que esse cavalheiro realmente exista, caso contrário, serei a tia que chegará com presentes para os seus sobrinhos e os estragarei com mimos – brincou a última parte, embora estivesse sendo sincera. Rosalyn sabia que era complicado encontrar um homem que atendesse suas expectativas de apoio com a carreira, estudos e como uma mulher independente… no entanto, se a amiga tinha esperanças, ela também poderia ter – ainda que praticamente nulas – Realmente, também o achei diferente dos outros cavalheiros ou soldados com quem já conversei, ele me parece uma pessoa excelente e fico sinceramente feliz em ter sido pareada com ele. E agora que falou… os olhos dele me parecem diferentes também, então não acho que seja algo de sua cabeça, embora eu não vá abordar qualquer assunto que ele possa se sentir desconfortável. Espero que nós dois possamos amigos, antes de qualquer outra coisa – colocou uma mecha do cabelo com cuidado atrás da orelha, um tanto pensativa com as palavras de Donna. Ela estava certa, ele lhe parecia triste, mas jamais perguntaria algo de cunho extremamente pessoal ou que ele não quisesse lhe revelar, gostava de ter a confiança das pessoas e era isso que as fazia se abrir consigo – Oh sim, agora entendi a situação. Mas fico muito feliz que ele tenha lhe ajudado, Kayin é realmente ótimo em ajudar as pessoas – novamente, um sorriso formou-se nos lábios grossos da médica a menção do príncipe – Se quiser dicas para venenos, é só me pedir. Estive estudando alguns a um tempo atrás para descobrir os efeitos no corpo, já que precisava analisar como salvar a pessoa de uma possível situação – comentou. Mesmo que fosse uma brincadeira de sua parte, ela não gostava nem um pouco da situação que a amiga estava passando e se não fosse por sua ética de que médicos devem salvar vidas e não tirá-las, ela daria um jeito de sumir com o rapaz. A Bailey tinha certeza que seu rosto ficara mais vermelho do que as rosas nos arbustos ao redor das duas, diante da provocação de Donna sobre Kayin – Claro que não! Kayin é como um irmão para mim… me preocupo imensamente com ele. E tenho certeza que da parte dele, não há qualquer outro sentimento que não o fraterno – diz rapidamente, sentindo-se um tanto triste depois daquelas palavras, mas disfarçaria, ela estava imaginando coisas. Eram melhores amigos a anos, não havia nada que um não soubesse sobre o outro e ela devia estar confundindo os sentimentos, talvez fosse aquela ideia de casamento que a estava deixando maluca – É mesmo. Eu conversei um pouco com ele e foi o bastante para perceber que é divertido e uma companhia muito boa de se ter ao lado. Você tirou a sorte grande, Donna. Além é claro, que ele é muito bonito.
“A ideia principal é minha, mas não quer dizer que Byron não tenha dado algum palpite, ele é muito criativo quando quer”. Sentiu a necessidade de defender um pouco o barão ali, mantendo o tom leve e voltando a empurrar a amiga no balanço. “Um quadro? Ele pinta bem? Aposto que o orgulho dele também, por ter uma amiga tão maravilhosa e médica” A curiosidade se fez presente sem esforço, como também uma perspicácia, acreditava que todos os amigos de Rosalyn tinham orgulho dela, assim como Donna tinha. Não conhecia o talento artístico do homem, mas acreditava que sua pintura seria feita com muito carinho e para ela isso bastava, principalmente quando sua amiga parecia um pouco mais do que feliz com a ideia, talvez… emocionada? “Também nunca tinha participado e bom… acho que a diversão é algo de cada um, não vejo nada muito emocionante nos bailes, apesar do de máscaras ter sido um caso a parte, acredito que muitas moças devem ter se divertido. Não pretendo me casar nesse temporada, sinceramente… mas convenhamos, o desespero para casar é normal, infelizmente uma mulher é considerada um verdadeiro nada em nossa sociedade sem um casamento. Nem todas tem o sonho de trilhar um caminho diferente ou querem ter uma profissão como eu e você, para elas é mais fácil. Não julgo aquelas que querem casar, só… não combina comigo, eu quero muito mais do que um casamento e quero ser bem mais do que uma mulher casada. Tenho ouvido falar muito sobre os EUA ultimamente, seguir carreira de bailarina por lá seria incrível” Declarou um pouco sonhadora, mesmo sentindo que seus sonhos aos poucos perdiam a força e se transformavam em outra coisa, sonhos menores para caber em uma nova possibilidade que não tinha visto até então. “Não sei Rosa… não leio livros de romance, pelo que as meninas dizem, acho que é diferente para cada uma de nós, podendo ser parecido como nos livros em alguns casos. De maneira geral, tenho gostado de conhecer os cavalheiros, fiz algumas amizades que jamais esperei, tenho até um grande incentivador artístico”. Se gabou sorridente ao lembrar-se de Bailey. “Você é a mulher dos sonhos do cavalheiro certo, nem eu e nem você nos contentaríamos com os cavalheiros padrões” Se assim fosse, ela jamais teria se interessado por Byron, ele era completamente fora da curva, nada parecido com o padrão de cavalheiros chatos e conservadores que conhecia, e era exatamente isso que apreciava tanto nele. Deu a volta, saindo de trás da amiga e indo para sua frente, abaixando-se com graça para segurar-lhe a mão. “Tenho certeza de que esse cavalheiro existe, você merece toda felicidade do mundo e acima de tudo, alguém que a respeite e lhe dê valor, que a apoie em sua carreira profissional. Eu não conseguiria aceitar menos que isso” Murmurou em tom de confissão antes de se afastar um pouco e sentar-se na grama, de modo que pudesse olha-la sentada no balanço. “Dicas para venenos? Meu bom Deus, vou me tornar uma viúva negra daqui a pouco” Riu, mas a ideia lhe pareceu sedutora, não que pretendesse sair matando pessoas por aí, só que… homens como visconde Crane não fariam falta naquele mundo, definitivamente. “Sabe o que dizem? Que o melhor marido para uma mulher é o seu melhor amigo, então não seria algo tão ruim para nenhum dos dois. Não são irmãos de verdade, não vejo porque o sentimento não poderia se transformar em outra coisa… o meu se transformou e só me dei conta a pouco tempo”. A última parte não era para ter saído alta, mas foi o que aconteceu, colocando os pensamentos em palavras sem querer. “Bonito? Sim, ele é bonito, eu só… sempre associei outros adjetivos a ele” Declarou sem graça.