Uma Carta Aberta pra J...
J... Sonhei com você essa noite.
Às vezes, durante a noite, eu sinto sua falta...
V diz que é irracional, Uzi diz pra eu deixar pra lá, mas isso não tem sido algo que eu consigo fazer.
Você não me odeia, ou pelo menos não me odiava antes.
Talvez dizer que isso tudo foi você tentando nos proteger seja só a minha maneira de lidar com... Bem, tudo isso, mas eu me conforto o suficiente com essa ideia pra não me preocupar em desmentir.
Você me mostrava todas as canetas que ganhou de Tessa, e eu hoje me pergunto se você realmente acreditava que era Tessa ali.
Você gostava de brincar de pegar com a V, rolando na neve e jogando a cabeça de um operário como se fosse uma bola.
Você desenhava em papéis que achava pela biblioteca, e eu adorava encontrar seus desenhos perdidos em livros aleatórios.
É... Estranho pensar em como tudo isso se perdeu.
As "bolas" se tornaram só mais uma parte da proteção da nave.
Nós nos tornamos só números.
Você se tornou só um número.
Você me ensinava a ser eficiente, mesmo que do seu jeito agressivo.
Você me deu o chapéu de piloto, dizendo a V que tudo ia ficar bem por que nós éramos astronautas em uma missão parecida com o jogo de pegar pragas pelos corredores abandonados da mansão.
Você dizia que iríamos voltar pra casa assim que terminarmos, e hoje eu me pergunto se você realmente acreditava nisso.
Eu sinto falta da J. Não dá J que você se tornou, mas a que você escondeu atrás da máscara que tudo isso te forçou a usar.
Até que um dia, você parou de brincar de astronauta com a gente.
E transformou nossa missão em uma missão de verdade.
Você queria que eu te esquecesse, J.
E as vezes... Eu queria te esquecer da mesma forma que você se esqueceu.