♡ everyday was enjoyable, the starlight that poured late at night, our beautiful time, all right. after time passes later, we look back, that time, that moment, & i hope you laugh like you always do, we are with you. you that is us, lay on the ground, took off our shoes, do nothing, the warmth we felt when we stretched our feet to the sky, with you, with you, it’s only you.
a testa franzida encarava a tela do celular, lendo e relendo aquela postagem um trilhão de vezes antes de abaixar o aparelho. encarou o nada, demorando mais do que o necessário para absorver a informação. kyungho não fedia. não, não fedia, que isso? fedia? levantou um dos braços e cheirou a axila, virando-se para quem estava ao seu lado. “porra, eu não tenho cc não.” comentou, cheirando de novo o local. “eu to fedendo?”
“ ... gege, eh, é meio indelicado você perguntar isso. eu não vou... simplesmente... cheirar você! é estranho. havia lido os posts naquele dia, mas não costumava dar muita bola a eles. afinal, eles nunca eram sobre ele e não havia nada realmente ruim por lá. certo, dizer que kyungho fede era... diferenciado, mas não renderia nada além de uns olhares estranhos e narizes se metendo onde não foram chamados (literalmente!). mas, olha, se você tiver mesmo inseguro com isso, eu posso sempre... sabe... te dar um dos meus perfumes.
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“ Ah… eu não estava falando isso para você! ” Gesticulou afobadamente, as pontas das orelhas tomando uma coloração avermelhada. “ Era o trecho da música! Eu me empolguei cantando! ”
“ ... oh, ainda bem. eu me assustei um pouco com essas suas músicas aí, gege... você deveria ouvir algo menos agressivo, eu acho. eu teria ficado bem assustado se alguém cantasse isso diretamente pra mim, tipo, de verdade.
“ o que você pretende fazer com isso? ” ela levanta a sobrancelha esquerda, suspeita mas também achando um pouco engraçado, a voz quase desafia. não é todo dia que se vê alguém com isso em mãos. “ vai jogar em mim? ”
“ ... você está falando comigo? indagou, um pouco confuso, afinal, havia avisado a um dos funcionários no centro de pesquisa que estaria levando algo para eles. iria respondê-la sobre, porém, a pergunta o pegou de surpresa, o fazendo rir um pouco da situação. ahra-ji, eu não tenho nem força o suficiente para jogar isso em você. é um pepino-melancia... um pepancia, ao que parece. eu não sei explicar bem. eu tentei fazer uma melancia crescer mais rápido, mas quando abri... boom, PEPINO! eu vou levar para o centro de pesquisa, para eles verem se estou desenvolvendo alguma habilidade nova e esquisita... ou se só é um pepino gigante, mesmo.
° · “ Olha… ” Começou, deixando um suspiro escapulir dos lábios. “ … posso ler sua sorte, mas não garanto que ouvirá coisas boas. ” As palavras eram pronunciadas gentilmente, mas as pupilas brilhavam com malícia. Ainda no monastério, um dos deveres dos monges eram as leituras astrológicas; fosse através dos pilares do destino ou analisando a fisionomia de alguém, Zhi Lan aprendera todos. Não podia ser considerado nenhum mestre na arte, afinal, deixara o monastério antes que pudesse ter aprofundado seus estudos. Mas sabia o suficiente para ganhar uma graninha extra e assustar os desavisados com baboseiras ditas com confiança. “ Topa? ” · °
junkai observou as cartas na mão do outro, um pouco confuso com como aquilo funcionaria, e pensava se não era melhor sair correndo e fingir que eles nem tiveram aquela conversa. o problema, porém, era que seus pensamentos tinham vida própria e adoravam lhe darem facadas pelas costas. se ficasse, pensaria no que ouviu pelo resto do mês, se fosse embora, ficaria pensando no que poderia ter ouvido o resto do ano. respirou fundo, resolvendo arriscar-se um pouco. “ certo. como... como você vai fazer isso? vai ler minha mão, minha mente, meus olhos?!
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o queixo outrora erguido do rapaz que portava o tapa olho, agora jazia abaixado. as pálpebras eram preguiçosas enquanto ouvia as palavras de junkai, permitindo-se naquele curto período de tempo se imaginar tendo um descanso total; acreditava e sabia que de nada adiantaria tirar um tempo para si se não parasse de viver dentro de sua própria cabeça, tão imerso que sequer reconhecia mais as falhas entre sua real personalidade e a que havia criado para se proteger e trabalhar. acordou daqueles devaneios (por vezes tão constantes) quando o garoto sentou ao seu lado, apoiando gentilmente o cotovelo por sobre o material geladinho da mesa para que pudesse observá-lo com atenção; não costumava falar sempre com junkai, mas vê-lo soltar pensamentos assim, tão gratuito e aleatório, acendeu um quentinho no peito de nuri que o ruivo não foi capaz de ignorar. ainda que movesse a cabeça em concordância com o que outro dizia, o sorriso não lhe deixava os lábios. “eu concordo. não que todo mundo fosse realmente descansar, tipo… cama e sopa, mas acho que seria legal uma semana de descanso pra gente, porque honestamente? essa semana aí foi só pros humanos que vieram ver nossa desgraça” deu de ombros, meio risonho; era irritante precisar rir daquilo porque não era uma boa ideia expressar seus reais sentimentos acerca da situação. o pensamento se dissipou outra vez, agora se espalhando pela sala junto de sua gargalhada. “meu deus, como você chegou nesse ponto…” fingiu estar incrédulo, mas na verdade era divertido e até confortável estar com alguém que pensa em coisas tão confusas quanto ele. “cair não caiu, né, mas…” enquanto falava, ia movendo o tapa olho de lugar. “ó, não se assusta, tá estranhão mesmo…” finalmente o retirou, piscando algumas vezes ao que revelava o olho machucado. “não regenerou direito ainda, aí tá assim… faltando umas partes, tipo a pupila que ‘tá meio na metade ainda…” tocou a região das próprias olheiras, fazendo um beicinho desanimado. “você não lutou?” tornou a cobrir a parte que faltava enquanto prosseguia com a conversa, agora por temer deixá-lo desconfortável com a visão.
“ não esperaria isso, também. eu... eu não faria isso, também. suas bochechas coraram pensando que realmente iria colocar o que desejava fazer para fora — não costumava falar sobre com seus amigos, e não podia dizer que conhecia nuri perfeitamente, ou que o conhecia o suficiente para compartilhar esse tipo de coisa, mas, por algum motivo, sentia-se mais a vontade para conversar sobre aquilo. eu gostaria de ir pro parque e passar uma semana deitado lá. não literalmente, mas, sabe, dias inteirinhos fora de treinamentos e aproveitando a luz do sol e não precisando me preocupar em acabar esquecendo dos treinos, ou ficar sujo demais e ter que trocar de roupa pra treinar, nem nada disso. jogou o corpo para trás, as costas tocando a parede fria e dura e lhe lembrando que não haveria uma folga para ele na próxima semana. suspirou, o olhar se tornando perdido, novamente, em algum lugar entre o teto, o piso e as paredes. era em momentos como aquele que se via obrigado a pensar no que dizer, não tendo pessoas o suficiente para que alguém começasse um novo assunto e fizesse o resto das pessoas ignorarem totalmente as coisas que junkai dizia. optou por deixar os humanos fora disso... dessa vez. olhou a ferida de nuri, o choque lhe tomando com como ela estava, e fazendo sua expressão decair, pensando no quão doloroso foi para que ela chegasse ali. eu me assustei, desculpa. mas olha isso! como assim? o que... o que houve com a sua pupila? não tem chances disso aí te cegar, né? perguntou, as pernas deixando o chão e se cruzando embaixo de seu corpo enquanto olhava o outro com certa curiosidade. arqueou as sobrancelhas diante da questão, porém. eu lutei. foi só... uma luta. deu uns cortes e muito cansaço, bastante humilhação, também, mas só. se pensar direitinho, eu meio que não lutei... não no nível de vocês, ao menos. mesmo que fosse a verdade, era bastante humilhante de admitir, e deixava-o, infelizmente, pensativo de novo. respirou fundo, esperando esvaziar a mente de toda aquela bagunça de inseguranças e medos.
“você me odeia sim! eu posso provar. eu já fiz uma apresentação no powerpoint mostrando que você me odeia mais do que tudo nesse mundo. eu até filmei você falando enquanto dormia: NARCISSA EU TE ODEIO e convenci o uisoo e da misun a prestarem testemunho confirmando que você simplesmente me odeia. e é claro que eu quero te expor, olha pra minha cara de quem ama expor você por aí. NADA DISSO, JUNKAI!!! você solta essa bomba em mim dizendo que já se apaixonou e não me conta como foi?! eu quero de-ta-lhes. vou pedir verdade ‘pra combinar com você, mas antes quero detalhes dessa paixão. foi por quem, quando, foi por mim?!”
“ ah, foi? e que fatos você colocou nessa apresentação que realmente provam que eu odeio você? dizer que eu te neguei comida ou disse que sua roupa pra alguma coisa era feia não contam, ok. o primeiro é amor a mim mesmo e o segundo é amor a você, porque um bom amigo nunca deixaria sua amiga sair com uma roupa feia. a misun tem poderes de sonhos, como você não vai saber se na verdade ela me fez falar isso enquanto eu dormia, diz?! cissa, você diz como se apaixonar fosse alguma novidade. tem gente que se apaixona 5 vezes no mesmo dia, não é nada demais! eu quero que você me diga se você já odiou alguém. mas um ódio daqueles de ódio mesmo, não o “uma menina roubou minha luva e não devolveu mais” de ódio.
o ruivo suspirou mais leve quando percebeu que sua nova companhia era junkai, escorregando os lábios em um sorriso largo, quase como se houvesse encarnado o gato risonho de alice no país das maravilhas bem ali. “um pouquinho, não tinha muito o que fazer hoje…” sacudiu os ombros despretensiosamente. já ia comentar que além do tédio, todo mundo que ele via o perguntava sobre o olho, mas junkai logo fez o mesmo. na verdade, ele fez de um jeito tão awkward que nuri precisou rir novamente, tentando ser discreto para não piorar a situação. era quase como se conseguisse ver na expressão que ele queria sumir dali — e não tinha certeza se aquela mudança repentina de direção de olhar significava que ele estava o fazendo metaforicamente. “só um pouquinho” respondeu tardio, repetindo as palavras da frase anterior. estalou os dedos no alto para que junkai o olhasse novamente, tentando chamar a atenção ao que finalmente decidiu puxar algum assunto. “quer ver como ‘tá? é meio estranho, mas ‘tá voltando ‘pro lugar aos poucos…” não era como se estivesse se importando em mostrar, inclusive já estava até largando o ventilador para se preparar para erguer o tapa olho caso ele aceitasse. muito solícito, dando algo que ninguém pediu como sempre, nuri!
“ bom... eu imagino que não. eu me pergunto porque eles não dão um tempo pros mutantes depois dessa... coisa, sabia que eles não ligavam de verdade para como estava a saúde de cada um deles, assim como sabia que alguns dos mutantes até preferiam continuar, mesmo sem estarem totalmente recuperados, a ter que passar dias sem fazer nada — eram dois pensamentos que preferia ignorar, porém, o conforto da mentira de que estariam ali sempre que os mutantes precisarem ajudando-o a continuar seus dias sem ter um ataque. tipo... a maioria de nós fica cansado demais para continuar normalmente, de qualquer jeito. por que não tornar uma semana de descanso oficial? talvez fosse um pensamento bobo, burro e meio preguiçoso, especialmente porque junkai nem havia feito muito na exibição e já estava em condição de continuar treinando, mas, bem... mesmo quando estava bem, tudo que queria era ir ao parque, sentar na grama e ler um livro, por que seria diferente quando estava mal? — se convencer que não havia nada de errado em pensar assim não o fez ficar menos envergonhado ao perceber que, talvez, tenha se animado demais com a possibilidade, e talvez nuri o achasse um fraco por sequer pensar naquilo. parou de super analisar o que fazia somente ao ouvir o estalar de dedos ao seu lado, surpreendendo-se com o que o outro ofereceu, mas, mesmo assim, assentiu, sentando ao lado dele para ver o machucado. pareceu bem sério no dia da luta... e me deixou pensando se não tem como o olho cair por coisas assim. ia ser... doido, né? imagina o redor do seu olho sair do lugar e o seu olho cair por causa disso.
“jun… por que você me odeia tanto?! eu sou literalmente a pessoa mais confiável desse lugar, especialmente com você…ok, vamos lá, let’s get personal. você já se apaixonou?”
“ eu não odeio você! eu só acho que você está tentando me expor ou algo assim... seria algo bem a sua cara de fazer. hm, bom... sim. sim, já me apaixonei. agora seria a minha vez? você quer verdade ou desafio, narcissa? ”
26: are you happy with the person you’ve become? + 28: what’s your biggest “what if”?
26: are you happy with the person you’ve become?
uh... bem, veja. eu... acho que sim, é. quer dizer, eu não acho que teria como ser uma pessoa melhor do que eu sou agora, pensando na minha vida. o que eu mudaria... infelizmente não está tão ‘dentro de mim’ assim, você entende?
28: what’s your biggest “what if”?
infelizmente eu tenho vários, dizer qual o maior é quase impossível... mas... eu acho que dá pra resumir em, “e se não acabar tudo bem?”, ou “e se eu não terminar isso tudo estando feliz?”. é, eu acho que isso é o mais simples que posso te dizer...
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the persistence of memory: what is the most vivid dream that you can recall?
teve vários quando pequeno, os anos passados sozinho e sem ninguém para permitir que colocasse para fora lhe deixando cada vez mais amedrontado da própria sombra. faz de tudo para esquecer cada um deles, mas talvez seja a intensidade desse desejo que faça com que eles nunca deixem sua mente.
aos dez anos, junkai sonhou consigo mesmo acordando no próprio quarto, de volta na sua casa em shanghai. parecia que dormiu abraçando a mãe, e acordou porque ela se moveu para o chão durante a noite — junkai nunca dormiu quieto, era a reclamação que ouvia desde bebê. o sonho era normal, havia saído do quarto no meio da noite e ido até a cozinha, beber água, olhar como estava a noite do lado de fora... a maior diferença da sua casa real era apenas alguns cômodos que não estavam no lugar que realmente ficavam. era um sonho inofensivo, mas gostaria de esquecê-lo devido à sensação que deixou em si — estava longe de casa. ou melhor, longe de seus pais, porque, agora, aquela não era mais a sua casa. eles o deixaram ali porque não o queriam mais, porque ele não faria falta, mas nem sequer pensarem que ele sentiria a falta deles.
pensou, depois de acordar e se recuperar do quanto estava chorando, que procuraria seus pais de novo quando estivesse livre dali, mas ao mesmo tempo, gostaria de ser capaz de deixá-los para trás (não está conseguindo, claramente, já que esse é provavelmente o sonho do qual melhor se lembra até quando comparado aos não-vívidos, mesmo sendo um tão simples e curto).
do they have a short temper? what’s most likely to set it off?
não, definitivamente não. na verdade, junkai tem paciência até demais, que chega a ser frustrante. geralmente, quando mentem algo grande para ele ou quando agem como se ele fosse uma criança na tentativa de menosprezá-lo. não tem reações agressivas para nenhum dos dois, é medroso demais para tal, mas é quando mais deseja que não fosse.
“eu, você e essa garrafa vazia aqui. sabe o quê isso significa? significa que a gente vai jogar aqueeeeele jogo dos humanos. e garanto que vai ser super divertido fazer isso pelo instituto. então, qual vai ser, verdade ou desafio?”
“ narcissa... eu honestamente acho que eu não deveria confiar em você pra isso... mas só, não me faça fazer nada ilegal depois, tá? vamos começar de leve... eu quero verdade. ”
estava 𝖘𝖔𝖟𝖎𝖓𝖍𝖔 no local, já que havia chegado antes dos outros mutantes que treinariam ali naquela tarde; os pés balançavam para lá e para cá enquanto ele se refrescava, ainda com um dos olhos feridos. estava com um daqueles ventiladores portáteis na mão, e a cabeça de nuri funcionava de maneiras inexplicáveis; quando viu, já estava com as hélices apontadas para dentro da boca e o aparelho no último… foi só aí que percebeu que não estava mais sozinho. desligou o ventilador em câmera lenta, como quem tenta disfarçar. olhou para baixo… e então para muse. “faz quanto tempo que ‘cê tá aí?” questionou, mas não demorou muito para escapar uma gargalhada envergonhada, porém divertida. não é como se ele se importasse com esse tipo de coisa, de todo modo.
assim que o outro percebeu sua presença, não pôde evitar o riso divertido e que estava contendo de ser livre, preenchendo o ambiente um pouco estranho que se formou entre o silêncio dos dois — ou talvez aquele tipo de ambiente existisse só para si... eu acabei de chegar, na verdade. quis começar mais cedo hoje, nuri-ge? questionou, sorrindo, enquanto se apoiava na parede próxima ao outro, sem saber exatamente aonde colocar suas mãos, ou seus pés, ou... bem, não sabia bem o que fazer. era só ele e nuri, e junkai nunca sabia o que fazer quando estava a sós com alguém. era apenas... tão... desconfortável. e nada estava acontecendo. então... se machucou muito na exibição? quer dizer, é óbvio que se machucou, eu só, hm... eh... é. finalizou, barra cortou a si mesmo antes de acabar de vez com outra interação social que deveria ser simples, e apenas olhou diretamente para a parede oposta, esperando que um buraco surgisse no chão e o engolisse.
mesmo que não estivesse em gamsiin desde jovem, haviam certas coisas que estavam acostumado a, que pareciam se repetir dentro da cultura mutante — como se referia às atividades anuais que presenciou em ambas as instituições, fosse para torná-las mais normais e menos desumanas, ou apenas para ter como se referir a elas, tal sendo ambíguo até dentro dos pensamentos do wang. a semana de exibição mutante não foi estranha a si, ao menos, não os básicos dela: humanos vendo mutantes usarem seus poderes como se eles fossem algum tipo de atração, embora tenha ouvido alguns os chamarem de circo.
a diferença, o que fazia gamsiin tanto mais confortável quanto mais aterrorizante, era que aquele evento parecia tão mais... festivo. um ambiente que pais levariam suas crianças sem problema algum, e eles se divertiriam e ririam e acabariam com uma foto no álbum de família. não era promovido como um evento que o Wang Junkai pequeno e amedrontado não poderia participar de e nem ver, que só poderia ouvir sobre e torcer para nunca participar de.
de certa forma, ambos lhe davam o mesmo sentimento — um apertado no estômago e a sensação de que deveria sair correndo, não olhar para trás e fugir de tudo que tentasse lhe parar. e novamente, não havia diferença: não tinha aonde ir antes e não tem aonde ir agora. o que lhe restava era olhar para frente e torcer pelo melhor.
seria o que pensaria se fosse como os outros — se fosse poderoso e determinado e forte e ambicioso, se aquela batalha tivesse algum sentido para si, uma função para o seu futuro, significasse alguma coisa para seus poderes. do contrário, torcia pelo menos pior, porque não havia função alguma ali. não tinha intenção ou capacidade alguma para virar um guerreiro, muitas vezes questionando para quê, exatamente, estava treinando em gamsiin. para que lhe considerassem inofensivo ao sair? — era inofensivo desde o dia em que nasceu, desde quando era só uma criança sem noção alguma do que a vida lhe havia reservado, desde que foi abandonado, jogado fora por não ser normal, desde todas as vezes em que fugiu de todos que lhe pareciam malvados, desde que viu os eventos da exibição e pensou que seria muito melhor se dedicar a mostrar flores e pássaros a criancinhas do que ir a uma batalha que estava nítido que perderia.
se pensasse bem sobre, não houve um dia que não sentiu-se inofensivo. inofensivo diante dos mutantes, inofensivo diante dos humanos, inofensivo diante de seus próprios problemas, desde os pequenos até os mais catastróficos.
de qualquer jeito, lá estava. terceira batalha do dia. wang junkai contra um nome que ficou como um ruído por seus ouvidos.
pouco se lembra da batalha senão dos gritos ensurdecedores e do medo que sentiu ao adentrar o local da batalha — do que ele faria, do que seu oponente poderia fazer, e do que diriam ao perceberem que não podia machucar uma mosca sequer nem que fosse num acidente. “tudo ficará bem. olhe para onde ele olhar e lembre-se de não fugir.” murmurou a si mesmo, num tom reconfortante que mal chegou ao seus ouvidos, os gritos dos humanos permanecendo no caminho de suas palavras — quando menos percebeu, era a sua vez de lutar por nada.
e nada lutou, ao final — tentou parar seu oponente, segurá-lo no lugar e manter suas mãos longe de seu corpo — não fugiu usando as pernas, mas os braços. fugiu dos ataques do outro, e lembra-se bem de ver o quão confuso esse parecia diante da falta de ataques de junkai. até o meio da batalha, parecia pegar leve, permiti-lo levantar e tentar de novo toda vez que caía; até, é óbvio, os humanos se tornarem impacientes demais. se levantou, mais uma vez, as pernas já desistindo de mantê-lo no lugar, e apenas balançou a cabeça diante do outro. se viu, em segundos, derrubado ao chão, uma dor zunindo em sua cabeça junto de insetos que, de alguma forma, chegarem até si ao sentirem que estava em perigo; os assegurou que nem ele pôde fazer algo sobre tal, quem dirá os pequeninos.
foi retirado do campo carregado, acompanhado de gritos e xingamentos de humanos, que consideraram a batalha inútil, já que o resultado estava claro desde o início. percebeu, somente horas depois, ao ouvir da batalha seguinte a sua, que seu oponente não usou nada de seus poderes contra ele. ao sentar-se, no final da tarde, no parque próximo a gamsiin, se sentiu imensamente grato a ele enquanto relaxava no gramado, ouvindo um burburinho dos animais que se encostaram próximos às suas feridas — comentavam consolações, zombarias, brigavam consigo e questionavam por quê não havia lutado de volta. respondeu, simplesmente, “porque eu não tinha como”. os comentários entre eles cessaram, voltando pouco tempo depois, com mais consolos, alguns menos vazios do que aqueles que recebeu de alguns colegas.
e ali, se sentiu tão achado e perdido ao mesmo tempo. pensava sobre o que seria dali para frente, e pensava no que poderia ter sido — não fossem seus poderes, seus defeitos, quem seria wang junkai? e, com todos estes, quem ele será? entre realidades alternativas e hipóteses que nunca serão exploradas, concluiu e contou às borboletas que gostaria de ser feliz, algum dia. gostaria de sentir o alívio daquele momento pelo resto de sua vida, sentir que, não importa quão difícil foi seu dia, poderia deitar ao chão e sorrir.
mas junkai sorria só ao pensar nisso. sorria ao pensar que, um dia, poderia ser feliz e estar contente com sua vida. sorria, mas por aquilo que talvez nunca viria, ao invés de sorrir pelo que tem ou pelo que já teve. afinal, não havia pelo que sorrir diante destes.
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“Eu, sinceramente, não sei o que os treinadores têm contra mim ou se isso é geral. Só sei que eles parecem querer me torturar de maneira pessoal, entende? Será que eu sou irritante?”
“ eu apostaria mais em geral. ou talvez nós dois que sejamos irritantes... mas eles parecem bem rígidos e irritados com todos nós, eu simplesmente não entendo... quer dizer, eu tenho vontade de dizer pra eles assim: que culpa eu tenho de ser ruim em tudo? é o seu trabalho me deixar bom! você entende? ”