segunda task. — avaliação periódica. sonho compartilhado.
sala de simulações 142, 20h59min. / com @gmszhilan.
—— ‧ ₊ pessoas sussurram e encaram da sacada do andar de cima, removidas da cúpula de vidro que cerca com certa folga as macas dispostas lado a lado no centro exato da sala. yunseong devolve o olhar por alguns instantes, e então aperta os dedos no metal frio da borda onde está sentado e encara os pés. é um experimento — eles são os ratos, consegue ver no olhar analítico dos que observam de longe. sua náusea, o pânico que consegue sentir subindo a garganta, a claustrofobia daquele ambiente, nada pertence a ele. no momento em que apagar, suas reações pertencerão a todas as pessoas naquela sala, graças ao pequeno círculo branco fixo em sua têmpora direita e aos fios que o manterão conectado ao equipamento de medição de frequência cardíaca. faz parte do espetáculo, ele supõe. no fundo da mente, ouve stevie nicks repetir it’s only a dream, maybe it’s only a dream exatamente da forma que soava quando sua mãe tocava o cd, mas dessa vez parece um loop infinito. arrisca um olhar para a maca ao lado, mas não tenta procurar respostas nas feições de zhi lan; os dois receberam as mesmas instruções, no mesmo monótono técnico. é instruído a se deitar e o faz, com as mãos tremendo e os olhos fixos na luz distante do teto. o peito sobe e desce, irregular. naquele conjunto de segundos, seus pulmões novos parecem assustadoramente os velhos.
⊱ ▬ os espectadores fora da cúpula de vidro os observam, e zhi lan encara fixamente. as írises negras onustas em repta, resistência à subordinação imposta pela conjuntura. os cantos dos lábios se curvam em malícia quando imagina o contrário; eles dentro dum vidro à mercê da habilidade, assombrados por horrores invisíveis & se contorcendo em frenesi.
a postura indócil disfarça o ombros tensos, a respiração descompassada. os dedos formigam ansiando arrancar os fios presos ao corpo, as regiões da pele onde estão anexados coçando. em pouco usariam máquinas para dissecar sua mente e analisar seu subconsciente — o único lugar onde era incapaz de mascarar os trincos de seu hun; onde ainda era a criança de dezesseis anos suplicando em preces no escuro que não havia nada de errado consigo, engodando a própria mente ao imaginar que a mãe ainda o fitaria com afeto em vez de tremer em repúdio pela criatura que era. cada pedaço obscuro estaria exposto, e o próprio gene serviria como bisturi. travava uma disputa infindável com a habilidade. haviam semanas que a sentia consumi-lo até medo tornar-se uma dor que queimava-lhe as entranhas; quando a usava, era como uma droga que pulsava em suas veias & o deixava sedento por outra dose. no inconsciente, entretanto, o controle era nulo; suas prévias experiências com a habilidade nos sonhos haviam reaberto feridas que ainda não fora capaz de suturar. não conseguia prever como seria dessa vez, e abominava a ideia que estariam assistindo enquanto debatia-se. dão as instruções para deitar e, inconscientemente, prende a respiração. hesita por um momento, os olhos ainda fixos além do vidro. respira fundo & por fim, deita-se. instruem que fechem os olhos e os reabram ao fim da contagem. zhi lan os fecha com força. ouve a contagem & sente as pálpebras pesando, aperta os punhos até os nós dos dedos empalidecerem; uma pressão se forma em seu peito, e antes que possa protestar ou exclamar, perde a consciência.
não sabe por quanto tempo permanece inconsciente, mas acorda tremendo. abre os olhos com lentidão, encarando uma imensidão enevoada e esbranquiçada. ao inspirar, o ar álgido adentra as narinas causando ardência, e não resiste um espirro. a cabeça lateja, o uniforme de treinamento pesa em seu corpo; apoia as mãos no chão ao levantar, a neve úmida e ‘crocante’ entre seus dedos, o contato prolongado queimando as palmas. esfrega as mãos na calça, checando os arredores. está numa floresta de abetos, os troncos soturnos são vultos no nevoeiro; gravetos, pedras e árvores secas cobertos de neve formam o solo, que é feito em declives e aclives. mas nenhum sinal de yunseong. zhi lan se apoia num tronco para levantar-se, e uma lufada congelante raspa-lhe o rosto como milhões de lâminas, usando o antebraço para proteger o rosto. é difícil de respirar, e os olhos parecem ressecados e, ao mesmo tempo, úmidos demais. tenta chamar o nome do outro, mas os ouvidos apenas captam o barulho do vento, violento e alto. se move com dificuldade, a neve debaixo dos pés afundando com um ‘crac’. dá apenas dez passos, mas precisa parar para recuperar o fôlego, as narinas ressecadas e ardendo. sente-se de volta nas montanhas, quando as temperaturas atingiam os dez graus negativos, ameaçando sufocá-lo com a nevasca. se morrerem falham. as instruções que recebera antes ressoam em sua mente — então essas eram as circunstâncias. imaginou-os balançando a cabeça sobre a tela conforme a pele tornava-se azulada, falhando miseravelmente antes de sequer alcançar o outro, decidindo que iriam refazer o teste. imaginou-se dormindo novamente, somente para acordar naquele mesmo lugar, sufocando novamente. experienciando a mesma dolorosa sensação repetidamente, até os satisfazer. os arrepios que sobem-lhe a espinha também causam tremores nas pernas, e zhi lan engole seco. precisa encontrar yunseong. ▬ ⊰
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com o susto que recebeu do outro, ao mesmo tempo agradeceu que não havia nenhuma arma de plástico consigo, afinal, teria imediatamente a atirado no rosto de zhilan — mas pensou que seria bom estar com uma pelo exato mesmo motivo. “aprecio você querendo entrar nos personagens, mas eu tenho quase certeza que ninguém diz isso em toy story. não era uma resposta muito boa, mas já era o esperado de si mesmo quando se tratava de responder o abusado que é zhilan, que fazia chan ter de admitir ficar nervoso perto de (quem não ficaria? a diferença, somente, é que outros achariam legal, ou algo assim, mas ele só tinha vontade de sair correndo). não é um convite pra nada, só pra receber doces com as crianças, e não tem nenhuma lei me impedindo de ser fofo em feriados assombrosos. é pra ser divertido e eu estava me divertindo muito assim, fez uma pausa proposital, cruzando os braços e sorrindo pra si mesmo, até você parecer, é óbvio. e o que é que você quer, afinal?
⊱ ▬ riu com a resposta de outrem, concordando com um gesto de cabeça. “ hm, e é por isso que é um filme entediante. ” levantou as sobrancelhas com um sorriso divertido. se refreou de rir com as palavras que se seguiram, tomando um longo gole de sua bebida. ao fim da frase de outrem, colocou a destra sobre o peito, comprimindo as sobrancelhas numa (claramente) fingida mágoa. “ assim você me machuca, camarada chan. eu somente queria socializar um pouco com meu similar em personagens da disney. viu? eu sou o li shang. ” apontou para a própria fantasia; não era uma réplica da versão animada, sendo mais elaborada nos detalhes, se aproximando mais duma versão pomposa de dorama do personagem. “ além disso… você está tão bonitinho nessa fantasia, ” se permitiu o checar de cima a baixo, mordendo o lábio inferior ao retornar a encará-lo. “ … se eu não me aproximasse seria um sacrilégio. ” sorriu com o canto dos lábios, malícia por todo o semblante. balançou fracamente o copo em mãos, se aproximando mais um pouco de chan. “ eu estava pensando, que tal se nós nos divertíssemos um pouquinho, uh? digo, eu sou a melhor companhia que encontrará para uma noite de halloween… ” ▬ ⊰
a presença de zhi lan era constante e ominosa ; felizmente, suas agendas não se misturavam com muita frequência, ele tinha seus próprios compromissos & quanto a outrem ? pouco importava onde passava as noites ou o que andava fazendo contanto que fosse longe de si. contudo, ainda dividiam o dormitório e desde que desistiu de ser amigável com o rapaz, percebeu sua necessidade de sempre se fazer notável, especialmente em seus mais frágeis momentos ; ainda desconfiava que muitos de seus pesadelos tinham haver com o indutor ( corria para as pílulas, corria de uma vez, ameaçava correr apenas um dia mais ) ; em partes fingia preocupar-se, e era a única mentira que contava, mas em outras sentia pena do outro - às vezes, sentia horror & não podia evitar. portanto, o evitava, mas como sempre lá estava ele quando separou-se do grupo de treino. ❛ ― você ‘tá bêbado ? ❜ indagou, arqueando uma das sobrancelhas, o cheiro do álcool invadindo seus sentidos, porém não pode pensar em mais nada quando sentiu a mão do outro repousar sobre seu ombro, um pequeno movimento da cabeça registrando a estranha ação. ❛ ― não me importo de ser sem graça, o objetivo - ❜ descontinuou as palavras, o pulso acelerando, piscando os olhos rapidamente como se tentasse agarrar-se ao momento e apenas então a iluminação começou a incomodá-lo. ’ porão, porão, porão, porão, o porão ’ , uma voz serpenteava, impiedosa & alta como um veredito de uma nação. a respiração alterou-se e por um momento, ele se perdeu - os olhos tornando-se vidrosos, antes de balançar a cabeça com violência. pegou no pulso do mutante, o afastando do ombro mas não quebrando contato tolamente. ❛ ― eu quebro sete ossos na sua mão com um bom aperto. quer me tentar ? ❜ disse as palavras de maneira quase monótona, como se não estivesse ali, o medo ainda agarrando-se ao peito e o transformando em algo - faminto, irregular, apático, caindo de um penhasco de psicose. era outro lado de si, aquele fora os sorrisos bobos e fáceis, aquele que o assustava tanto quanto os poderes alheios.
⊱ ▬ outrora, um monge o contara que sua existência era precita, que estava fadado a disseminar infortúnio. na ignorância da adolescência encarara aquilo com escárnio, usando como incentivo para sua conduta marota; adulto, concordava com a afirmação com ambos amargura e ludíbrio. próximo, vendo wooyoung naquela vestimenta, recordava-se o porquê não o suportava: aquela faceta de bondade e gentileza lhe causava reviradas no estômago. pessoas como ele eram como pragas para zhi lan. toda vez que fitava aquele sorriso ou maneirismos afáveis sentia a primordialidade de corrompê-lo, expor suas piores faces. “ infelizmente, não. mas estou trabalhando nisso, cheers! ” pendeu o copo na direção do outro antes de tomar um gole, o sorriso nunca deixando o semblante. há muito fizera pazes com o fato que não continha um pingo de humanidade em suas veias — encontrava deleite em incitar angústia em outros (quiçá como forma de esquecer as próprias?), como naquele momento, onde sentia precisamente quando wooyoung era tomado pelo medo que semeara em sua mente. as próprias veias pareciam pulsar com o aquela sensação, a pressão no peito se apaziguando ao fluir de seu corpo para o outro, o colocando num temporário estado de paz. os cantos dos lábios estenderam com malícia enquanto assistia a postura dele mudar. a cabeça caiu para trás com uma risada satisfeita ao ouvir as palavras do colega de quarto. “ o que aconteceu com o prince charming? ” retornou a encará-lo por um breve momento. “ você pode quebrar meu braço inteiro se desejar, não me importo. ” encolheu os ombros, saboreando novamente sua bebida. ossos quebrados eram apenas ossos quebrados, se curariam em duas semanas ou um mês — sabia, melhor que ninguém, que as piores dores aconteciam na mente. aflições físicas eram supérfluas em comparação a um coração angustiado ou uma mente deteriorada. “ mas… será que você consegue nesse estado? ” o encarou com o canto dos olhos. no mesmo instante, uma onda elétrica carmesim circulou a região do pulso onde a mão de wooyoung estava; era o rastro de sua habilidade conforme a usava para intensificar, somente um pouco, o medo que o outro experienciava. “ quem você acha que vai estar pior ao fim da noite? ” ▬ ⊰
era o sexto copo e zhi lan ainda não estava satisfeito com sua noite. a instabilidade interna se intensificava, o tornando mais rabugento conforme os minutos passavam; precisava estragar a noite de alguém. fora por acaso que encontrara @gmswooyoung num canto qualquer, embora soasse planejado — afinal, quem melhor que o querido companheiro de quarto para sofrer em suas mãos? não lembrava-se porquê a disputa entre eles começara, mas não era importante; naquele momento somente queria tirar uma ou duas lágrimas daqueles olhinhos. “ wooyoung, me explique como posso vê-lo todos os dias e ainda sentir tanto a sua falta? ” o cumprimentou com escárnio, apoiando a destra sobre o ombro de outrem com um sorriso; tudo o que precisava era um toque. balançou o copo em mãos, o encarando de cima a baixo por um momento. “ tenho que dizer, sua fantasia combina perfeitamente com você. extremamente sem graça. ” sorriu, o oferecendo um sorriso de canto. no mesmo momento, emanava a sensação tenebrosa em direção ao outro de maneira imperceptível, induzindo-lhe uma fração de medo. “ mas diga-me… por que parece que há algo… diferente em você? ”
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passeava pelo salão com uma bebida em mãos, a mente em algum lugar entre bêbado e muito bêbado, mas não o suficiente para apaziguar-lhe o espírito traiçoeiro; assim, procurava sua próxima vítima entre a imensidão de mutantes. quando encontrou, os cantos dos lábios se levantaram num sorriso maroto. fez o melhor para aproximar-se em silêncio, parando alguns passos atrás do garoto, inclinando o corpo para frente. “ if i’m naughty, will you arrest me sheriff? ” murmurou próximo do ouvido de @changms com uma risada melódica. chan estava em sua lista de pessoas que adorava importunar; as reações dele o traziam imenso deleite. ainda com um riso nos lábios, o circulou parando em sua frente, tomando um gole da bebida e o oferecendo. “ diga-me chan, quem lhe deu permissão para estar tão adorável nessa noite? parece até um convite para eu te encher. ”
revirou os olhos com a quantidade considerável de pombinhos se juntando para uma dança; disgusting. o quão engraçado seria se, sob aquelas luzes fracas, causasse um pouquinho de pânico? uma festa não era uma festa sem um bom susto, afinal. olhou ao redor, procurando alguém para lhe auxiliar naquela tarefa — sorriu maliciosamente ao ver @narcissagms, murmurando um perfeito. se aproximou da menina, fazendo uma exagerada reverência digna dum príncipe num filme, a oferecendo a mão com um enorme sorriso. “ cissa, minha belíssima, você me concederia a honra de ser minha parceira de dança e causar um pouquinho de pânico nessa pista? ”
halloween era sobre medo e, por isso, era sua comemoração favorita. a instabilidade emocional que os recentes eventos o haviam causado era perfeita para aquela noite e, consequentemente, perambulava os arredores com um copo em mãos, há muito tendo recitado o mantra que ativava sua sensação mórbida enquanto buscava algum pedacinho para assombrar. achou uma região onde a decoração de terror estava particularmente caprichada e, também, onde alguém estava parado sozinhe. murmurou novamente o mantra baixinho, se concentrando na área em sua volta; qualquer um que estivesse próximo seria afetado pela irracional sensação de medo, inicialmente fraca (mas aumentaria conforme mais tempo exposto). não percebera quem estava ali até estar próximo o suficiente para ver-lhe o rosto, assim, fora uma mera coincidência @gmsyunseong ser sua vítima. não recordava-se de ter, em nenhum momento, atazanado o outro e, por isso, instantaneamente tornou-se interessado em dar-lhe um sustinho. “ yunseong, meu amigo. ” o chamou ao alcançá-lo. não importava muito o que diria, com sua habilidade ativada, até mesmo um ursinho de pelúcia se tornava tenebroso — mas, mesmo assim, esforçou-se para botar uma expressão de preocupação e um tom de urgência, escolhendo as palavras com cuidado. “ você vai mesmo tocar nisso? ” sentia a habilidade emanando, o próprio corpo se arrepiando com o medo que produzia. “ eu… não acho que é uma boa ideia… ”
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I. 醉梦前尘 drunk dreams from the past.
▋▋▋▋⚠️ trigger warning: menção de sangue / morte, face horror / non-graphic horror, descrição (moderada) de ataque de pânico / estresse pós-traumático.
Mesmo distante, a explosão tamborilou em seus tímpanos, ressoando em sua mente e deturpando-lhe a visão. Zonzo, num minuto estava no refeitório, noutro estava caído sobre a terra escura, as palmas raladas ardendo sobre pedregulhos, esperando que a labareda o consumisse.
Imerso naquelas memórias, o corpo era tomado por um intenso tremor. Ambas as mãos se fecharam em punhos sobre o móvel, os nós dos dedos tornando-se avermelhados. A pele outrora bronzeada adquiria uma coloração esquálida enquanto as narinas eram preenchidas pelo odor de carbono, entrecortando-lhe a respiração e causando-o uma intensa dor de cabeça — lanternas de papel se enroscando nos galhos das árvores, as chamas dançando pelos troncos das magnólias para os pilares de madeira que sustentavam os toldos de barracas. O barulho ensurdecedor de explosões irrompiam ao seu redor, mandando detritos de madeira para os ares; a região da coxa onde carregava a cicatriz deformada parecia esquentar, ardendo como naquela madrugada de primavera.
Zhi Lan cerrou as pálpebras com força. The naturally-just-so of Heaven and Earth, disperses all filthy vapors eithin the grotto of the Mysterious Void. Em sua mente, a própria voz recitando o mantra da Terra e do Celestial — para afastar hostilidades e purificar a terra — era abafada pelos gritos esganiçados, a confusão de nomes e pedidos de socorro. The Supreme Origin is dazzlingly bright. A arritmia de seu coração o sufocava. Conseguia ouvir sua mãe o chamar, mas as pernas estavam rígidas e as juntas doloridas, o impedindo de correr dali. Courageous spirits of the eight directions, bring to pass the naturally-just-so, and the talismanic decrees of the Numinous Treasury. Trêmulo, forçou os dedos da destra a se abrirem, gesticulando os selos milenares que acompanhavam a recitação. Qian Luo Ta Na, in the Pole Star’s Grotto of the Ultimate Mystery, he executes evil beings and binds up demons. Arrepios desceram por sua espinha, a familiar pressão em seu peito aparecendo; eram os próprios poderes se alimentando de sua agonia; precisava controlar suas emoções antes que as coisas fugissem de seu controle. Crossing over tens of millions of people, chanting to the spirits on Central Mountain. The Jade Writings of the Primordial Causation, Hold onto and recite it once and it will prevent disease and prolong life. Com esforço, levou a canhota até a bolsinha que escondia dentro da camisa, robustamente puxando-a para fora e a segurando próxima do rosto. Juntamente do talismã, haviam pedaços ressecados de ervas e flores que, outrora, colhera no monastério; a fragrância nostálgica o auxiliava a focar na meditação. He travels over the Five Mountains and is heard over the Eight Seas. Bound are the hands of the Demon King. Attending to and guarding my carriage, eliminating and dispersing malevolent filth. Uma espessa fumaça esbranquiçada se manifestava do chão, afastando a imensidão avermelhada que o cercava. O alvoroço em seu entorno era abafado pelos melódicos sons de sinos. The Qi of Tao will merge and exist eternally, these mandates I will expediently follow.
Recitou o mantra em sua mente novamente, e outra vez — e mais outras cem ou duzentas vezes, eventualmente recitando outros dos Oito Mantras Sagrados. A cada sentença cantada as memórias retrocediam, o carbono o sufocando se transformando na fragrância de orquídeas; o coração se acalentava com a melodia dum andorinhão-mongol. Somente deixou aquele estado de meditação quando um dos funcionários o chocalhou, rispidamente o mandando retirar-se para os dormitórios juntamente dos outros. Murmúrios sobre símbolos e os acontecimentos daquela noite o cercava enquanto retornava a passos pesados e silenciosos ao dormitório, mas falhava em interessar-se por qualquer assunto — somente queria enfiar-se debaixo de suas cobertas, pregar os olhos e ignorar a dor de cabeça que martelava-lhe o crânio.
Alcançando o dormitório, trocou as roupas pelo confortável pijama antes de enfiar os fones de ouvido e esconder-se debaixo da espessa coberta. Mas não importava o quão suave eram as músicas ou o quão exausto sentia-se; no escuro, sentia como se houvesse alguma coisa se espreitando pelos cantos de sua mente, uma sensação desconfortável em seu peito. A dor de cabeça começava a causar pressão atrás de seus olhos, mas forçou-se a manter-se de pálpebras abertas, navegando entre vídeos no douyin e no youtube.
Em algum momento próximo das primeiras horas da manhã, porém, Zhi Lan finalmente adormeceu.
As imagens se projetavam como nanquim escorrendo no papel, os traços curvilíneos gradativamente tomando formas e colorações conhecidas — estava parado no meio do pátio do monastério e, mesmo que a espessa neblina o impedisse de inspecionar os arredores, sabia que estava de frente ao templo devido aos buracos sob os pés descalços, onde os tijolos haviam saído pelo desgaste, expondo a terra macia embaixo. A escassez de claridade juntamente do canto das cigarras na distância, indicava que deveria ser algum momento entre a hora do cachorro e do porco, quando os discípulos se retiravam para seus aposentos e os mestres se reuniam uma última vez antes de dormirem. Começou a caminhar pelo local, não precisando de luzes para guiá-lo ali, cada pedaço do chão e cada brisa tão familiar que sabia por onde ir. Trajava seu deluo (得罗) azul-marinho e mesmo com a finura da veste não sentia frio, há muito tendo acostumado com aquele clima após horas e horas de árduo treinamento.
Dera dez ou vinte passos quando pisou em alguma coisa. Os olhos caíram para o chão, captando o pequeno casco de tartaruga virado de cabeça para baixo e, nesse momento, o corpo tornou-se trêmulo. Embora o casco estivesse vazio, seu subconsciente sabia que havia matado aquela tartaruga. Sabia que aquilo era sua culpa. Estava prestes a agachar-se para inspecionar o casco quando ouviu uma voz chamando-lhe. LanLan. Aquele tom aveludado e preenchido de carinho pertencia à sua mãe. “Ma.” Murmurou numa entonação ambas repleta de saudade e chorosa, imediatamente caminhando em direção ao som, os passos tornando-se mais apressados conforme parecia aproximar-se. Faziam quantos anos desde que vira sua mãe pela última vez? Sete? Mesmo antes de fugir do monastério faziam quatro ou seis meses que não a via, tendo a mulher sido hospitalizada por conta de sua doença. A-lan. No meio da neblina, uma forma começava a se materializar com os braços abertos, um risinho afetuoso ecoando pela montanha. No meio da neblina, uma forma começava a se materializar com os braços abertos, um risinho afetuoso ecoando pela montanha. Correu em direção à figura, sentindo os cantos dos olhos marejando. Haviam tantas palavras que ansiava dizer, tantas desculpas que precisava pedir. “Ma.” respondeu ao chamado, agora somente à passos da mulher cujo o corpo se revelava ao que se aproximava, “Eu-” Antes que pudesse começar a sentença, as palavras morreram na garganta — encarava sua mãe, mas a mulher não o encarava de volta. Como poderia? ela não possuía um rosto.
“LanLan.” A voz soou suavemente pela montanha acompanhada dum risinho. Zhi Lan estava petrificado no lugar, incapaz de desviar o olhar. A cabeça estava ali, mas onde deveriam estar olhos, boca… era apenas pele. LanLan. A criatura começou a mover-se em sua direção e, inconscientemente, deu passos para trás. Aquela não era sua mãe, era algum espírito ou criatura que imitava sua voz; Zhi Lan crescera contando histórias sobre espíritos que se escondiam em florestas e montanhas, imitando as vozes de familiares para atrair crianças. Aquela não era sua mãe. Apesar da doença que a envelhecia antes do tempo, sua mãe ainda era jovem, uma mulher cuja a beleza virava cabeças. Ela era… era… e somente então percebeu… não lembrava-se como sua mãe era. A tremedeira tomou o corpo conforme levava ambas as mãos à cabeça, desesperadamente tentando recordar-se da aparência de sua mãe. A voz continuava a chamar-lhe, continuava a rir… se aproximando… mas não conseguia lembrar-se de nenhum detalhe, nenhuma pintinha ou marca de expressão. Uma das mãos da criatura tocou-lhe o braço e Zhi Lan imediatamente a empurrou para longe, virando em seus calcanhares e correndo para longe. LanLan. Ela continuava a chamá-lo naquele mesmo tom, e Zhi Lan continuava a correr murmurando mantras e palavrões.
Tropeçou em alguma coisa, caindo de joelhos no chão, os braços atingindo o solo com força. Ficou alguns minutos naquela posição, recuperando o fôlego da corrida; os arredores estavam silenciosos com exceção do singelo barulho das copas das árvores balançando no vento. Fechou os olhos por alguns momentos, dando tempo para o coração acalmar-se — nesse mesmo instante, as mãos bloquearam um líquido viscoso escorrendo pelo chão, formando pocinhas entre os espaços dos dedos. Abriu os olhos novamente, aproximando o rosto para distinguir aquela cor… era… o semblante tornou-se pálido. Aquilo era… sangue? Instintivamente, os olhos seguiram o caminho trilhado pelo líquido, o rosto se erguendo para encarar o cenário em sua frente. O lago próximo do palácio da harmonia estava pintado em carmim, as flores de lótus que o adornavam estraçalhadas pela terra à sua volta; apenas as írises e orquídeas ao redor permaneciam ali, levemente curvadas sobre… os corpos que boiavam na água. Zhi Lan sentiu o próprio estômago retorcer com a visão dos inúmeros robes como os seus manchados de sangue, e os dez robes brancos no centro.
Uma risada fria ecoou pela montanha, cortando o silêncio e o mandando num estado de tremedeira novamente. Reconhecia aquela voz mas sabia que seu dono não possuía um nome apenas uma forma eletrizante que brilhava em vermelho — aquele era o resquício de seus poderes, aquela era a luz que deixava as próprias mãos quando utilizava sua habilidade. Os braços cederam à fraqueza, caindo de queixo no chão mas a única dor que sentia era a do coração batendo em alta velocidade em seu peito, o deixando sem ar. Somente queria que aquilo terminasse, mas uma voz continuava a sussurrar em seu ouvido. Isso é sua culpa. Ele sabia que era. Sabia que nunca poderia retornar para aquele lugar, que nunca poderia aconchegar-se novamente nos braços de sua mãe. Sabia que vivos ou mortos, o sofrimento que ele os causara nunca poderia ser desfeito e que teria de conviver com a angústia da incerteza de seus destinos.
As írises e orquídeas à sua volta murchavam sob o toque duma borboleta, as cores desbotando até tornarem-se negras; e com uma brisa, o cenário desmanchou-se em poeira.
[…] o caminho de volta à Gamsiin é longo, e zhi lan propositalmente anda próximo de ahra, sua mão ocasionalmente tocando a dela conforme caminham. é no momento que vão atravessar a rua que avista um carro chegando em alta velocidade. rápido mas com delicadeza, coloca um braço frente a mulher, a puxando para trás no momento em que o veículo passa. a verdade é que não havia perigo ali, ainda estavam sobre a calçada, mas não podia perder a oportunidade. “ noona, você tem que tomar cuidado. ” zhi lan toma a liberdade de entrelaçar o braço ao de ahra, delicadamente tomando-lhe a mão e a posicionando sobre o próprio antebraço. “ que tal se andarmos assim? acho que será mais seguro para nós dois. ”
conte um headcanon que você tem sobre o seu personagem em gamsiin. pode ser algo bobo, desde: ”ele se veste de tal maneira e chama atenção” até algo mais sério, como uma motivação escondida para ele estar em gamsiin.
O Zhi Lan vive na Gamsiin como se ainda estivesse no monastério, ou mais ou menos: ele cola talismãs nas paredes em locais que ele determina “com más energias” — também cola nas pessoas aleatoriamente. As vezes ele sai por aí com um incenso aceso na mão para purificar os ambientes. Não é só pela crença, não; é pra ser chato. Especialmente quando ele sai rodeando a pessoa com um incenso afirmando que a pessoa tá cheia de espírito, é só pra encher o saco (embora, as vezes, não porque ele é bem supersticioso). Ele também arruma uns espaços pra meditar e fica fazendo barulho alto de propósito. E mesmo se acaba punido por alguma coisa, ele continua fazendo.
[text] hm… definitivamente o segundo.
[text] a verdade é que você ficará encantadora com qualquer um, noona.
[text] mas o segundo certamente… tem um decote interessante 😏 😏 😏
[text] mas me diga, quando você vai de dar a honra de vê-la num vestido desses pessoalmente? talvez acompanhado de um café?
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“ Lugar favorito no mundo…? ” Só há um lugar no mundo que ama, que o coração ânsia para ver novamente. Um lugar onde a neblina esbranquiçada se mistura à imensidão esverdeada das árvores que adornam as montanhas; onde as nuvens se tornam um mar carmim durante o por do sol, dando a impressão que o palácio da harmonia está flutuando; no amanhecer os raios de sol penetram a neblina, refletindo nos adornos dourados dos telhados dos templos; onde os pátios são preenchidos pela fragrância de incensos e grama molhada todas as horas do dia; dum píer de madeira sobre um lago de lótus cercado por montanhas. Um lugar que parece ter saído de um sonho ou um conto de fadas. — o lugar que chamava de casa. “ Um lugar muito distante daqui. ” Se limita a dizer.