Estava lá há seis anos e Jiyoon ainda não estava acostumada com a “Semana de exibição de mutante”; óbvio, devia ser interessante para quem realmente participava das atrações tão circenses daquele evento. Jiyoon? Sua habilidade era inútil para aquela exibição; seria como colocar um humano contra um mutante. O que ela faria? Pegaria suas armas de paintball e usaria a estratégia para derrotar seus oponentes? Isso é algo que qualquer humano pode fazer. O que a academia desejava era alguém com poderes que realmente pudesse fazer a diferença, e infelizmente, Jiyoon não era uma dessas pessoas.
Neste ano, a garota estava encarregada como ajudante da enfermaria para atender os diversos mutantes que pudessem se acidentar, ou apenas adoecer durante a semana mais movimentada do ano. Novamente, sentia-se inútil; suas habilidades de cura eram mínimas, cuidando apenas de limpar os ferimentos e ataduras. Com tantas enfermeiras ao seu redor com habilidades esplendidas, não era para menos que estava com tédio e continuaria assim, em sua sala, até o final da semana. Escutar alguém batendo em sua porta e abrindo despertou sua atenção, virando-se quase de imediato. “Hana, por que não me avisou que eu iria atender um paciente?” pensou para si mesma, antes de murmurar as palavras tão clichês automáticas. — Olá, posso a… — Ao avistar o garoto na porta, Jiyoon não pode controlar o sorriso que formou em seu rosto. Não imaginava que Kyungho conseguiria escapar para encontra-la naquele tédio; não queria admitir, mas estava feliz.
A garota se recompôs o mais rápido possível, fingindo um tom sério. — Olá, Kyungho.— Levantou-se, caminhando diretamente até a porta, a fechando e trancando. Precisava calcular minuciosamente o tempo que usaria de “consulta” com o rapaz, com um cuidado extremo.— Quais são seus sintomas? Deite-se na maca para que eu lhe examine.— Não podia negar o sorriso malicioso que formou-se em seus lábios, direcionando o garoto até a maca com o indicador e sentando ao lado do garoto, observando diretamente seu rosto.
não importava muito o quanto jiyoon tentasse fingir alguma seriedade com kyungho, não mesmo. podia ser burro - tipo pra caralho -, mas não quando se tratava da garota, ah não. haviam compartilhado momentos demais juntos e conversas demais para que de repente, pensasse que ela havia apenas deixado tudo de lado para agir como se fossem apenas colegas. não tinha confiança o bastante também para que pedisse para que avançassem daquela fase perigosa da relação, mas tinha o bastante para arriscar a pele dos dois em uma sala de enfermaria.
entrou, o sorriso travesso nos lábios entregando quais eram suas intenções ali. gostava de conversar com ela, só conversar, mas não podia negar que passar mais de um dia sem outro tipo de contato com jiyoon parecia, no minimo, uma tortura. ok, parece um pouco dramático, mas não era nenhuma novidade para ele mesmo que o que sentia por ela era muito diferente do que sentia por qualquer outra pessoa com quem já havia ficado. ele nem pensou duas vezes ao fazer o que lhe foi mandado, se aproximando de deitando-se na maca como se fosse sua própria casa - ou dormitório.
"sabe, doutora, eu andei sentindo uma dor bem aqui." seus olhos seguiram a própria mão que seguira até o peito, apontando para o coração para enfatizar o quanto aquela cantada era ridícula pra caralho. e mesmo assim sorriu mais uma vez, daquela vez, voltando o olhar para a han. "começou a doer depois que não recebi uma mensagem sequer sua hoje, sabe? até pensei em te denunciar pra alguém, mas achei que aqui o tratamento podia ser melhor." brincou, deixando que uma das mãos fosse até a alheia, segurando-a. "quanto tempo a gente tem?"