“por algum motivo eu tinha a impressão de que você diria algo que poderia causas esse desastre.” sorriu. Já era o fim do expediente e felizmente o local não estava tão cheio, o que lhe permitia matar tempo batendo papo, uma vez que não tinha tantos clientes para atender. Ele olhou em volta, arqueando as sobrancelhas, como se analisasse. Enquanto olhava as moças e rapazes presentes, bebeu o que restava em seu copo de soju e levantou a peça do balcão que lhe permitia se misturar aos frequentadores. “Ok, lá vou eu.” deu alguns passos para longe, mas no meio do caminho parou, como se percebesse, riu consigo mesmo, virou-se e fez o caminho de volta até Narcissa, como se aquele não fosse seu plano desde o princípio. “Oi, tudo bem? Sei que a gente não se conhece… Meu nome é Johann, aliás. Eu sou alemão e lá temos o costume de aprender dança clássica, então estou fazendo umas aulas… Meus amigos não acreditam que eu consigo, você acredita?” girou os olhos, apontando displicentemente alguns dos outros garçons e bartenders, que observavam a cena achando certa graça da cena. “Você tem cara de quem talvez possa me ajudar a provar o contrário.” completou, puxando-a pela mão para que ela se levantasse da cadeira onde estava antes mesmo que a jovem pudesse reagir. Normalmente ele jamais seria tão solto com alguém. Mas era ela. E ele sabia que a deixaria ligeiramente constrangida com o destino que o desafio tomara e isso o divertia. “Não é muito difícil, mas tem que chegar mais perto.” completou, a outra mão firmando-se na cintura feminina, trazendo-a para si.
se narcissa dissesse que não esperava que johann fosse entregar alguma resposta como “mas a pessoa que eu acho mais bonita por aqui é você”, ela estaria mentindo para si mesma. havia aquela pontinha de desejo dentro dela em ouvir um elogio desses vindo dele em especial, e o sorriso que antes iluminava as feições delicadas do rosto perdeu um pouco do brilho no segundo em que ele atravessou o balcão, caminhando até o centro do bar. acenou com a cabeça, formando um “boa sorte” sem humor com os lábios porque, lá no fundo, ela esperava que ele não tivesse tanta sorte assim. prestes a voltar-se para a bancada e terminar de beber a garrafa de soju sozinha como quem entende o que sente, narcissa percebeu que o alemão se aproximava mais uma vez. franziu o cenho, mas não teve tempo de questionar o motivo do retorno dele. johann realizava o desafio com ela. a loira precisou de exatos três segundos para esboçar uma reação e mais cinco para se recompor: os cantos da boca se curvaram em um sorriso e as bochechas esquentaram como nunca antes. o coração passou a bater mais rápido, também, e talvez ela tenha sentido uma leve tontura. talvez. “não sei se acredito...” brincou, sendo puxada para longe da cadeira. se fosse qualquer outra pessoa, o organismo de narcissa teria agido em defesa num piscar de olhos, liberando as toxinas no rapaz. mas era johann; e quando estavam juntos, ela conseguia ser normal. “mais perto como?” perguntou sem esperar por uma resposta. a pressão dos dedos dele contra a cintura fina e exposta pelo crop top branco causaram um formigar na região, o corpo inteiro estremecendo quando ele a puxou para perto — tão perto que narcissa sentiu a respiração alheia mesclar-se à própria. não demoraria muito para que o corpo liberasse o veneno, por deus. “y’know, tecnicamente você ‘tá roubando porque o mico ‘tava em puxar algum random pra dançar.” revirou os olhos, subindo uma das mãos até o ombro dele num deslize lento. a outra, entretanto, procurou pelo pequeno borrifador que levava consigo em todas as ocasiões. um presente dos cientistas, por assim dizer: enquanto alguns tinham spray de pimenta, narcissa carregava um spray do próprio veneno para usar em situações de auto-defesa. “não sei se você sabe o que acontece com quem rouba no meu jogo, mas vou te mostrar—” sorrindo como o próprio diabo faria, a australiana arrancou o spray do bolso traseiro da jeans e borrifou uma quantia significante do líquido na direção do rapaz. sabia que em johann o conteúdo traria uma espécie de efeito reverso, ou simplesmente não traria efeito algum, mas a surpresa do gesto infantil lhe deu tempo suficiente para que se desvencilhasse dos braços dele e se afastasse às pressas—como se ninguém mais estivesse presente para vê-la correr como uma criança na direção das escadas que levavam até o terraço do local. ela realmente queria dançar com johann, mas não ali no meio de tantos outros.