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@jeskadutra

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Eu só quero o meio das pernas dela.
Minto, de qualquer uma.
Minto, de alguma que me chame pelo nome.
E não só isso: que me olhe nos olhos.
Que me reconheça na multidão.
De costas, saiba quem sou.
De nada.
Desnudo, sendo dela.
Jéssica Dutra
Alfonso Simonetti. 1840-1892.
acrylic on canvas 60*70 cm “lace over the river” 2022 #river #volkslovers #art #painting #sky skylovers
Todo empieza a cambiar cuando aceptamos que merecemos cosas buenas, buenas amistades, buenos amores, buenos tratos y una buena vida.

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#Eu
Quando será minha chegada?
Esse dia é certo.
Eu chegando e olhando para mim, dizendo:
— Vamos, é sua vez
E eu certamente irei feliz.
Me Tomarei
Ora, o que quero mais? Foi-me dada a oportunidade de um reencontro.
Rezo para que me seja concedida a oportunidade de fazer uma única pergunta, não porque eu deseje saber mais, mas apenas para ouvir de mim:
— Sim
Sempre será sim para mim
Jéssica Dutra
Avenue of Plane Trees near Arles Station (1888) by Vincent van Gogh
“Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza.”
— Clarice Lispector
Nada atrás
Além de tudo que há, só o sorriso do meu bem, nele cabe nosso amor, um par de cocos e conversa.
Em teu sorriso cabe o mar.
Longe, um barquinho vagaroso vazio, sem pesca, sem pressa, pois sempre espera pela boa sorte que o amanhã traz.
Perto, aqui, um beijo.
A água do coco, um abraço.
Na areia, a carne da gente.
Jéssica Dutra
#Líquida
Next!
Ficaremos até que seja útil.
O contrato finda assim que tudo caia na rotina.
Eu te prefiro de longe.
À distância, você é e sempre estará perfeita,
silenciosa e com os olhos mais atentos.
A saudade é tão linda.
Faz a gente ficar mais belo e mais firme, traz paz.
As certezas são tão mais certas quando são apenas palavras.
Pra quê estragar esse sonho
com balelas de hormônios,
com crises dos domingos?
Há chuva quando quero,
e te quero quando a carência vem.
Jéssica Dutra

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#obsessão
Eu sou um cara certinho, bom moço...
Mas fui logo gostar daquela Vanessa. Não, e o pior: me deu um fora.
Logo eu.
Não entendo por que ela me rejeitou. Nem é linda, mas é como dizem: ela se acha mesmo...
Ela não quis meu amor, tão bom, tão gentil que sou...
Vanessa, eu poderia fazer tanto por você, minha flor, minha querida, porém és uma mentirosa e feia.
Disse que não queria relacionamento com ninguém, só para fazer pose de boa moça aos poucos tontos que nem eu
Ahh, Vanessa... Seus olhos eu não acho em nenhum lugar.
Sua vagabunda, me ama. Só me ama, porra!
Chega! Chega !
Você conseguiu despertar em mim o melhor e o pior ao mesmo tempo. Não estou acreditando no que estou sentindo.
Isso é sei lá, isso é péssimo, me sentir um nada...
Não adianta continuar discutindo com a sua ausência, Vadia Vanessa
É loucura dizer o que digo?
Mas que faço?
É bom que saiba: o que você fez comigo é pouco. Por amar uma inútil como você, eu mereço o desprezo.
Quem me desnudarar aqui? Podem chegar!
Tem alguma p#ta para bater em mim e eu f#d ela todinha?
Toda na Deo colônia, não quero, não mereço. Quero me entorpecer, isso sim, com suas partes cheirando quanto mais próximo aos peixes fora do padrão de consumo, melhor
Que sangrem o narizinho da vigilância sanitária!
Hoje, os cento e cinquenta reais já estão contados. O que era para uma pulseirinha fina, para assistir o riso dela, virará lágrimas de tesão nos olhos da prostituta.
Os beijos que poderiam ser os seus...Te imaginei tão doce...
Me nego, minha boca será sabor hortelã com cigarro... E quando te desejar, mordo e engulo mais ainda a saliva dela
A p#ta vai me meter debaixo de uma saia imunda e eu vou gostar.
Espera, que logo, logo eu serei bom para você.
Jéssica Dutra
#Agora
Enquanto ela beijava minha barriga, dizia-me coisas tão interessantes que seus lábios mais pareciam mãos, agarrando meus pensamentos por inteiro, sem deixá-los sair do agora.
— Ana, eu gosto de ficar com você justamente porque amanhã será apenas mais um dia
— Eu sei. E só isso me basta saber. Pra quê mais? Não me importa se daqui a pouco eu já não souber de nada. Só quero sentir você, e mais ninguém.
— É boa essa sensação, né? A de a gente esquecer que "é" alguma coisa.
— Sim. É maravilhosa.
Jéssica Dutra
Os humanos são bons e tenho como provar 🙂
Moulin de la Galette (1886) by Vincent van Gogh
#Naanne
Ela sempre me dizia para eu seguir em frente
Que tudo que eu deveria fazer, era seguir em frente
Não faça drama, mera chôta bachê, consolava-me acariando meus cabelos
( Adorava minha Naanee me chamando assim, de "meu menino pequeno" )
Não esperneie, você já é moço crescido, falava com um olhar de quem já criou mil filhos
Os anos para nós passaram de formas diferentes
Eu jovem inconformado com notas péssimas na faculdade. Logo e claramente, parei num emprego de meio período que mais parecia uma sessão de sangria com sanguessugas
Para ela, o tempo fora gentil. Sempre a primeira da sala, líder e exemplo à seguir. A beleza não a quis deixar, achou graça nela como se fosse uma fruta, uma manga madura rosada no pé, vívida e com viço, assim era ela
Naanne, me conhecia tão bem, sabia que eu tomava a realidade como certa e negativamente imutável
Quando me via saindo, dizia :
Ande com masalas no bolsos
Nos bolsos e bolsas que levar
Nas mangas guarde sal
Lembre-se que a realidade é como uma folha amarga
Nada contra o amargor das folhas, mas, não deixe seu paladar se acostumar ao amargor
Tudo será amargo em um corpo amargo
Os olhos olharão de forma amarga
O sangue que você verá escorrer do corpo do outro, será amargo, sem tato, só mais um líquido morno e sem cor
A realidade quando não preparada com masalas, não pode ser comida
Jéssica Dutra
Inspirado pelo inspirador @delirantesko : texto base

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#Casca
São tão fortes assim ?
Apenas bons atores ?
Melhores que ela, suponho
Antes, ainda menina, Casca era iludida por atuações que via na televisão. Em seus sonhos noturnos, deu-se à papéis angelicais, e criança como era, também à viagens intergalácticas
Casca almejava o céu
No teatro, já mulher, iludiu-se com as asas de plástico e os vestidos de celofane que ganhou
Tola amante das artes !
E ainda mais tola, por não deixar o juízo entrar
Enquanto os diretores iam almoçar na lanchonete da esquina, ficava lá, com o roteiro em mãos
Sua função era soprar
Nenhuma fala
O que uma Casca de olhos curiosos teria a dizer ?
Nenhuma indagação esperava, nela não cabia nada, nem o questionar
E por muito tempo sua boca permanecia silenciosa, trancada e cheia de sins
Lia os roteiros minimalistas e contentava-se em acreditar em sua utilidade atuante
Logo soube que não
Outra, com mãos menores, ganhou o papel, não porque as de Casca eram grandes, mas o pacote tamanho P já estava ali
Foi o primeiro dia que se vi olhando a pouca importância que tinha, ela sentada no canto do palco, olhava pela abertura da cortina, um pouco dela lá sendo feito
Deu-se conta da fragilidade das cordas, dos olhos omissos e das asas de plástico prestes a cair
Ela resolveu chorar
Lembrou-se da maquiagem, levou as mãos à face
Em vão, naquele momento só se podia sentir
Chorou
Casca, agora estava apta a ser outra personagem, e dessa vez seria a principal
Em um papel que ela nunca atuou
Sua vida lhe esperava
Valeu-se das lágrimas
Não quis esquecer o que viu
Sentiu-se inútil
O que poderia fazer?
Silenciosa ouviu os assobios de confirmação do travamento das portas
Recostou-se, piscou e dormiu
O calor da madrugada
O suor no celofane
Às bordas das cortinas vermelhas montavam a cena, o palco abrigava uma criatura miúda abraçada a si, de rosto borrado a dormir
Casca sonhou, e por sua vez, reviveu todo o dia
A falsa alegria e a descoberta não tão discreta da importância que tinha
Era só juntar e ela juntou
Viu-se no alto mais uma vez, sentia o desequilíbrio das asas. Morreu, nesse sonho Casca despencava e morria
O costume da bexiga trocou o enredo do seu sonho, agora estava entre mares e fontes
Acordou
Jéssica Dutra
Não esqueça que
Ela conhece os teus fracassos,
e a resistência dos teus punhos, são, como bem sabes, para teus dias debaixo do sol em vida.
Ela sabe exatamente que artigo de decoração és nesse mundo e por quanto tempo, tu troço de madeira, podes queimar
Recorte: A Amazona da Vaidade
Jéssica Dutra