ㅤ 🗡ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀a tempestade havia poupado a região onde yulian morava, o que, considerando o estado em que o restante da cidade acordara, já podia ser considerado um pequeno milagre. a sorte, no entanto, terminava exatamente na porta da the lantern. durante a madrugada, uma das árvores da bridge quarter cedera com a força do vento e despencara na esquina da boate, derrubando parte da marquise lateral e estilhaçando um dos grandes painéis de vidro que davam para a rua. nada que comprometesse a estrutura do prédio, mas o suficiente para deixar a fachada com um aspecto lamentável e obrigá-lo a isolar parte da entrada. desde cedo, yulian passara horas ao telefone, sendo transferido de setor em setor até ouvir, pela quarta vez, que sua solicitação entraria na fila de espera. haviam casas alagadas, postes caídos, gente sem energia e vias interditadas; uma boate com um vidro quebrado definitivamente não ocupava o topo da lista de prioridades. fantástico. depois da última ligação, encerrada com um "tenha um ótimo dia" tão falso quanto a promessa de atendimento rápido, yulian simplesmente largou o celular sobre o balcão e apoiou os cotovelos na madeira escura. passou os minutos seguintes xingando, em voz baixa, metade dos atendentes com quem falara e questionando a capacidade intelectual da outra metade. a irritação não vinha exatamente pelo dano, mas pela completa impotência de depender de pessoas que pareciam funcionar na velocidade de uma tartaruga. com um suspiro impaciente, pegou uma garrafa de whisky na prateleira, serviu um dedo generoso no copo e girou o líquido âmbar antes de levá-lo aos lábios. não eram nem cinco da tarde, mas considerando o dia que tivera, julgou que o relógio também podia abrir uma exceção. o rangido da porta interrompeu seus pensamentos. o sino acima da entrada denunciou a presença de alguém, e yulian ergueu os olhos lentamente na direção da figura que acabava de entrar. ‘ claro, pode entrar. achei que a placa de "fechado" do lado de fora fosse relativamente autoexplicativa, mas aparentemente ela serve só como sugestão. ’ esperou que muse atravessasse o salão antes de inclinar levemente a cabeça na direção da fachada danificada, visível pelas janelas. ‘ me diz uma coisa... caiu árvore, caiu poste, metade da cidade alagou e o seu primeiro pensamento foi "vou ver como está o bar"? ’ arqueou uma sobrancelha, sustentando um sorriso enviesado. ‘ eu admiro esse tipo de comprometimento com o alcoolismo. ’