✱ 𝗳𝗿𝗲𝗲𝘀𝗽𝗶𝗿𝗶𝘁𝘀 . . . blog 𝗺𝘂𝗹𝘁𝗶𝗺𝘂𝘀𝗲 privado vinculado à ao universo de @ 𝗿𝗲𝘄𝗿𝗶𝘁𝘁𝗲𝗻𝗵𝗾 ! escrito por cato, que responde por pronomes femininos, não tem nenhum gatilho e é maior de idade.
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✱ Avistar Nancy a caminho da livraria causou um revirar em seu estômago que foi quase automático, uma reação natural ao receio que carregava dentro do peito em segredo. Acelerando seus passos, chegando a trotar em direção a outra mulher, conteve sua angústia para abordá-la com o mínimo de educação e cautela. Ainda não sabia de que forma a tempestade havia a afetado e não gostaria de causar ainda mais tormento. ❛ Nancy! ❜ Brandou seu nome antes de alcançá-la, oferecendo um sorriso hesitante como cumprimento. ❛ Como é que você está? Está tudo bem em casa? ❜ Realmente se importava com o bem-estar alheio, mas reconhecia que aquele não era o principal motivo de sua preocupação. Mas, novamente, não queria soar indelicada. ❛ Me diz que está tudo bem com a livraria também, por favor. ❜ Oferecia um de seus raros momentos de vulnerabilidade. Primeiro, por confiar em Drew. Segundo, porque a simples possibilidade de ver um de seus maiores refúgios na cidade ameaçado a atingia mais do que gostaria de admitir. ❛ Sem querer parecer dramática, mas não sei o que faria se aquele lugar fosse destruído. ❜ Tentaria reconstruí-lo com as próprias mãos, era a resposta que filtrava para evitar alarmar a outra.
ㅤ 🗡ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀a tempestade havia poupado a região onde yulian morava, o que, considerando o estado em que o restante da cidade acordara, já podia ser considerado um pequeno milagre. a sorte, no entanto, terminava exatamente na porta da the lantern. durante a madrugada, uma das árvores da bridge quarter cedera com a força do vento e despencara na esquina da boate, derrubando parte da marquise lateral e estilhaçando um dos grandes painéis de vidro que davam para a rua. nada que comprometesse a estrutura do prédio, mas o suficiente para deixar a fachada com um aspecto lamentável e obrigá-lo a isolar parte da entrada. desde cedo, yulian passara horas ao telefone, sendo transferido de setor em setor até ouvir, pela quarta vez, que sua solicitação entraria na fila de espera. haviam casas alagadas, postes caídos, gente sem energia e vias interditadas; uma boate com um vidro quebrado definitivamente não ocupava o topo da lista de prioridades. fantástico. depois da última ligação, encerrada com um "tenha um ótimo dia" tão falso quanto a promessa de atendimento rápido, yulian simplesmente largou o celular sobre o balcão e apoiou os cotovelos na madeira escura. passou os minutos seguintes xingando, em voz baixa, metade dos atendentes com quem falara e questionando a capacidade intelectual da outra metade. a irritação não vinha exatamente pelo dano, mas pela completa impotência de depender de pessoas que pareciam funcionar na velocidade de uma tartaruga. com um suspiro impaciente, pegou uma garrafa de whisky na prateleira, serviu um dedo generoso no copo e girou o líquido âmbar antes de levá-lo aos lábios. não eram nem cinco da tarde, mas considerando o dia que tivera, julgou que o relógio também podia abrir uma exceção. o rangido da porta interrompeu seus pensamentos. o sino acima da entrada denunciou a presença de alguém, e yulian ergueu os olhos lentamente na direção da figura que acabava de entrar. ‘ claro, pode entrar. achei que a placa de "fechado" do lado de fora fosse relativamente autoexplicativa, mas aparentemente ela serve só como sugestão. ’ esperou que muse atravessasse o salão antes de inclinar levemente a cabeça na direção da fachada danificada, visível pelas janelas. ‘ me diz uma coisa... caiu árvore, caiu poste, metade da cidade alagou e o seu primeiro pensamento foi "vou ver como está o bar"? ’ arqueou uma sobrancelha, sustentando um sorriso enviesado. ‘ eu admiro esse tipo de comprometimento com o alcoolismo. ’
✱ Um nó havia se formado na boca de seu estômago ao ver os estragos causados pela tempestade por toda a cidade, mas este se constringia ainda mais quando se deparava com fachadas similares ao do teatro de sua família destruídas pelo clima indomável. Foi o sentimento de compadecimento que a guiaram seus passos até a porta da boate parcialmente danificada, disposta a oferecer toda a ajuda que precisassem. Para a sua surpresa, porém, foi recebida com um discurso grosseiro que a fez arquear as sobrancelhas e cruzar os braços diante do corpo. O mirou em silêncio pelos instantes seguintes a recepção calorosa. ❛ Como consegue equilibrar o uísque entre os dedos e ainda apontar o indicador na minha direção para me acusar de ser alcoólatra? ❜ A rispidez reciprocada permeava suas palavras, e nos lábios ela ostentava um sorriso ladino que procurava por motivos para recuperar a suavidade de suas boas intenções. Solícita, estava ali disposta a ajudar outro empreendedor, mas não lesaria o próprio orgulho apenas para auxiliar alguém que insistisse em ser desagradável. Compreendia que aquela era uma situação delicada, mas não era responsabilidade sua. ❛ Diria que foi a experiência que te ajudou a desenvolver esse talento. ❜ Estreitou ligeiramente o olhar, ardilosa com a réplica que oferecia ao rapaz. ❛ Vai mesmo fazer eu me arrepender de ter vindo até aqui oferecer ajuda? Como alguém que administra um estabelecimento parecido, achei que pudesse precisar de uma forcinha. ❜ Oferecia a ele a oportunidade de contornar a péssima impressão que deixava com sua atitude, acreditando na própria capacidade de superar episódios pontuais como aquele. ❛ Se já encontrou suas respostas no copo, dou meia volta e sigo com a minha vida. ❜
✱ a cidade de westbridge dá boas vindas à anna marie pierce, originalmente pertencente ao mundo de x-men! ela tem vinte e nove anos, mora em ashgrove e em sua nova vida trabalha como tatuadora e body piercer em bleeding needles. esperamos que ela esteja se adaptando bem à rotina mundana da terra!
nunca soube explicar por que sente tanta facilidade em criar intimidade com completos desconhecidos e tanta dificuldade em mantê-la com quem permanece. talvez esse seja o fato mais importante sobre ela. cresceu em uma vila minúscula no interior, onde bastava atravessar a rua para alguém comentar sobre sua roupa, seus amigos ou qualquer decisão que fugisse do esperado.
filha de uma família extremamente conservadora, aprendeu cedo que existiam maneiras "certas" de ser mulher, de falar, de vestir e até de sonhar. anna nunca conseguiu se encaixar em nenhuma delas. era curiosa demais, inquieta demais e fazia perguntas demais para um lugar onde quase ninguém parecia interessado em respostas. ainda adolescente, colecionava cadernos cheios de desenhos, pintava o próprio quarto escondida dos pais e sonhava em conhecer cidades onde ninguém soubesse seu sobrenome. durante muito tempo acreditou que havia algo de errado com ela. hoje entende que simplesmente nasceu no lugar errado.
existe uma contradição na forma como vive. apesar de trabalhar como tatuadora e body piercer, profissão que exige contato físico constante e absoluta confiança entre artista e cliente, é uma das pessoas mais difíceis de tocar fora do estúdio. abraços a pegam de surpresa, demonstrações de afeto muito efusivas a deixam visivelmente desconfortável e ela dificilmente toma a iniciativa de encostar em alguém. durante tanto tempo aprendeu a manter distância que a proximidade ainda parece uma linguagem que nunca aprendeu a dominar.
no "bleeding needles", porém, tudo muda. ali ela encontra uma tranquilidade que é quase terapêutica. o barulho da máquina, o cheiro dos materiais esterilizados, a concentração exigida em cada traço e a conversa despretensiosa durante horas fazem com que o restante do mundo desapareça. gosta especialmente de tatuar pessoas que estão encerrando ciclos, cobrindo cicatrizes ou transformando lembranças dolorosas em algo bonito. costuma dizer que a pele tem memória, mas também merece segundas chances.
é absurdamente criteriosa com seu trabalho. recusa desenhos feitos por impulso, insiste para que clientes repensem homenagens recentes e nunca aceita tatuar alguém alcoolizado ou emocionalmente vulnerável. já perdeu dinheiro por mandar pessoas voltarem semanas depois, quando ainda estavam decidindo se realmente queriam aquilo. nunca se arrependeu. sua filosofia é simples: uma tatuagem dura para sempre, um momento de impulso não.
dizem que ela "adota" clientes. lembra do nome de praticamente todo mundo que já passou pela sua cadeira, pergunta como ficou a cicatrização meses depois e quase sempre envia uma mensagem para saber se deu tudo certo. também mantém uma gaveta cheia de balas, chocolates e barrinhas de cereal para quem passa mal durante um procedimento. faz isso parecer parte do protocolo, mas todos sabem que é apenas seu jeito de cuidar das pessoas.
basta perceber alguém sendo tratado com arrogância, preconceito ou injustiça para automaticamente tomar partido, mesmo que isso lhe renda problemas. não suporta ver pessoas sendo julgadas pela aparência, pela forma como se vestem ou pelas escolhas que fizeram com o próprio corpo. talvez porque conheça bem esse tipo de julgamento. durante anos ouviu que tatuagens eram coisa de gente perdida, que piercings arruinavam rostos bonitos e que mulheres "de respeito" não trabalhavam em estúdios como aquele. hoje faz questão de provar exatamente o contrário.
seu apartamento parece pertencer a outra pessoa. quem entra esperando encontrar caveiras, paredes pretas e decoração alternativa descobre uma casa iluminada, cheia de plantas, mantas espalhadas pelo sofá, velas aromáticas e uma estante tomada por romances, livros de botânica e revistas antigas de arte. ela também coleciona canecas, compra flores sempre que passa por alguma banca e conversa com as plantas como se isso realmente ajudasse no crescimento delas. jura que ajuda. vive na companhia de um gato resgatado chamado "ink".
também desenha compulsivamente. carrega um sketchbook para todos os lugares e dificilmente passa um dia sem colocar alguma ideia no papel. quase todas as tatuagens que mais gosta nasceram observando pessoas comuns no café, no ônibus ou caminhando pelas ruas de westbridge. tem fascínio por mãos, olhos e plantas. quando não consegue dormir, desenha até amanhecer.
embora pareça extremamente segura, é uma mulher que convive com uma culpa difícil de explicar. lida com a constante impressão de que, se gostar demais de alguém, alguma coisa inevitavelmente dará errado. por isso costuma sabotar os próprios relacionamentos antes mesmo que fiquem sérios. some por alguns dias, demora para responder mensagens ou inventa desculpas esfarrapadas para cancelar encontros. no fundo, acredita que as pessoas vivem melhor sem ela. é um pensamento irracional, mas profundamente enraizado.
seus amigos costumam dizer que anna tem alma de mãe. é ela quem aparece carregando sopa quando alguém fica doente, quem busca os outros no aeroporto sem reclamar do horário, quem oferece o sofá para quem brigou em casa e quem atende o telefone às três da manhã sem fazer perguntas. curiosamente, é incapaz de pedir ajuda para si mesma. prefere carregar qualquer problema sozinha a correr o risco de parecer um peso para alguém.
ela nunca esquece um rosto. pode demorar semanas para decorar nomes, mas lembra exatamente da conversa que teve com determinado cliente, da música que tocava enquanto fazia aquela tatuagem e até da história por trás de um pequeno desenho escondido no tornozelo. os colegas brincam que anna absorve pequenos pedaços das pessoas toda vez que trabalha. ela ri da teoria, mas às vezes realmente sente como se carregasse lembranças que não são suas.
no amor, anna é o típico desastre bonito de assistir. flerta sem perceber, demonstra carinho através de pequenas ações e parece completamente incapaz de dizer em voz alta o que sente. costuma se apaixonar por pessoas gentis, engraçadas e pacientes, justamente porque precisa de muito tempo para confiar. quando finalmente confia, torna-se ferozmente leal. é o tipo de companheira que aprende o café favorito da outra pessoa, desenha tatuagens inspiradas em detalhes que só ela percebe e transforma qualquer lugar em casa. só ainda não descobriu que merece receber esse mesmo cuidado de volta. talvez, em algum momento, alguém tenha paciência suficiente para convencê-la disso. afinal, por trás da mulher de aparência intimidadora existe alguém que passou a vida inteira querendo acreditar que seu toque pode deixar marcas bonitas nas pessoa e, sem perceber, faz exatamente isso todos os dias.
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✱ a cidade de westbridge dá boas vindas à zatanna rowan zatara, originalmente pertencente ao mundo de dc comics! ela tem trinta e um anos, mora em bridge quarter e em sua nova vida trabalha como ilusionista e proprietária em teatro e boate "zatara". esperamos que ela esteja se adaptando bem à rotina mundana da terra!
nasceu em uma família que respirava espetáculo. seu pai era um ilusionista lendário, desses que faziam teatros lotarem durante semanas, e sua mãe era responsável pelos figurinos, cenários e toda a estética dos shows. cresceu nos bastidores, entre cortinas de veludo, compartimentos secretos, espelhos falsos e caixas impossíveis. enquanto outras crianças aprendiam a andar de bicicleta, ela aprendia a escapar de correntes, decorar rotinas inteiras e nunca, sob hipótese alguma, revelar um segredo profissional. até hoje leva isso extremamente a sério. pode contar praticamente qualquer coisa sobre sua vida... menos como algum truque funciona.
sempre diz que todo truque precisa de três coisas: preparação, distração e um bom final. quem a conhece percebe rapidamente que transformou essa frase em filosofia de vida. raramente revela o que realmente pensa, conduz qualquer conversa para onde quer e parece ter uma resposta espirituosa para absolutamente tudo. carrega um charme hipnótico consigo, uma capacidade impressionante de fazer qualquer pessoa prestar atenção apenas porque ela entrou na sala. alguns chamam de carisma, outros de talento de palco. zatanna prefere deixar a dúvida no ar.
embora seja naturalmente extravagante, existe um lado extremamente metódico por trás da artista. cada apresentação é ensaiada dezenas de vezes, cada iluminação é imaculadamente calculada, cada música entra exatamente no segundo planejado. ela costuma dizer que improviso só funciona quando você ensaiou o suficiente para parecer espontâneo. por isso, fica genuinamente irritada quando alguém chama seu trabalho de "só um truquezinho".
o teatro e boate "zatara" é praticamente uma extensão da própria personalidade. durante o dia funciona como um teatro elegante, com apresentações de ilusionismo, música e eventos culturais. conforme a noite avança, o ambiente muda completamente: cortinas se abrem, luzes diminuem e o lugar se transforma em uma das casas noturnas mais democráticas de westbridge. ela conhece praticamente todos os funcionários pelo nome, faz questão de circular entre os clientes e costuma aparecer no palco sem aviso apenas porque sentiu vontade.
tem um fascínio por objetos antigos. coleciona cartas de baralho vintage, relógios de bolso, cartolas, caixas de música, espelhos ornamentados e qualquer peça que pareça carregar uma história. boa parte da decoração do teatro veio dessas coleções pessoais. dizem que, se alguém elogiar uma dessas peças, ela provavelmente contará uma história completamente diferente sobre sua origem toda vez que perguntarem. ninguém sabe qual delas é verdadeira.
é uma excelente mentirosa. não porque goste de enganar as pessoas por malícia, mas porque aprendeu desde cedo que convencer alguém depende muito mais da forma como você conta uma história do que da história em si. por isso também percebe mentiras com uma facilidade absurda. dificilmente confronta alguém na hora; prefere observar até que a própria pessoa se enrosque nas próprias versões.
por trás de sua confiança existe uma mulher que odeia sentir que perdeu o controle da situação. imprevistos a deixam profundamente desconfortável, ainda que ninguém perceba. ela sorri, faz uma piada, improvisa alguma saída brilhante... e só depois, quando está sozinha, admite para si mesma o quanto aquilo a abalou.
ela flerta como se fosse um esporte que pratica. muitas vezes nem percebe que está fazendo isso. gosta do jogo de olhares, das respostas rápidas, das provocações inteligentes e da tensão antes de um primeiro beijo. raramente se interessa por pessoas previsíveis. seu problema é justamente esse, quando alguém consegue surpreendê-la de verdade, ela costuma ser a primeira a fugir.
é conhecida por desaparecer das próprias festas. organiza eventos impecáveis, recebe convidados, conversa com todo mundo e, em algum momento da noite, simplesmente some. alguns acreditam que existe uma passagem secreta ligando o camarim ao escritório. ela nunca confirma nem desmente.
apesar da imagem sofisticada, adora pequenas excentricidades. sempre carrega um baralho na bolsa, sabe embaralhar cartas enquanto conversa olhando nos olhos de alguém e vive escondendo moedas nos bolsos dos amigos para fingir que "materializou" dinheiro depois. também tem o hábito de deixar flores surgirem dentro de taças, guardanapos ou bolsas durante encontros sociais apenas para observar a reação das pessoas.
é extremamente generosa com artistas iniciantes. lembra perfeitamente como era difícil conseguir espaço quando ninguém conhecia seu nome e faz questão de abrir o palco do "zatara" para músicos, humoristas, dançarinos e outros ilusionistas em começo de carreira. costuma assistir aos ensaios escondida no fundo da plateia e oferece críticas honestas, mas sempre construtivas.
embora viva cercada de gente, valoriza muito o silêncio. seu lugar favorito em todo o teatro não é o palco, mas a última fileira da plateia completamente vazia. gosta de sentar ali depois do expediente, observando o palco apagado, como se pudesse ouvir todos os aplausos que já aconteceram naquele lugar.
acredita profundamente que toda pessoa precisa de um pouco de encanto na vida. talvez por isso nunca corrija crianças que acreditam que sua mágica é real. ao contrário, costuma piscar discretamente e responder que "alguns segredos funcionam melhor quando continuam sendo segredos". para zatanna, a magia nunca esteve nas cartas desaparecendo ou nas cortinas de fumaça. sempre esteve naquele breve instante em que alguém esquece do mundo e decide acreditar no impossível, nem que seja por alguns segundos.
✱ a cidade de westbridge dá boas vindas à katherine "kat" stratford, originalmente pertencente ao mundo de 10 coisas que eu odeio em você! ela tem vinte e oito anos, mora em westmere e em sua nova vida trabalha como professora de literatura e redação em westbridge community school. esperamos que ela esteja se adaptando bem à rotina mundana da terra!
kat nunca se importou muito com rótulos, mas percebeu cedo que as pessoas sempre precisavam encontrar uma palavra para defini-la. difícil. intimidadora. mal-humorada. arrogante. feminista. esquisita. a verdade é que kat nunca teve problema em ser diferente; o problema sempre foi o quanto isso incomodava os outros. cresceu ouvindo que deveria sorrir mais, falar mais baixo, pegar mais leve, ser mais agradável. nunca atendeu a nenhuma dessas sugestões e hoje considera esse um de seus maiores acertos.
ela tem uma necessidade quase patológica de questionar tudo. não importa se é uma regra da escola, uma tradição da cidade ou uma opinião repetida há décadas. se algo não faz sentido para ela, vai perguntar o motivo. e se a resposta for "porque sempre foi assim", pior ainda. seus alunos aprenderam rapidamente que entrar em sua sala significa estar preparado para justificar qualquer argumento. ela não dá respostas prontas e odeia quando alguém apenas repete o que ouviu sem pensar a respeito. sua matéria favorita nunca foi literatura em si, mas a capacidade que ela tem de ensinar pessoas a enxergar o mundo por perspectivas diferentes.
acredita profundamente que inteligência não tem absolutamente nada a ver com notas altas ou diplomas. já viu alunos brilhantes desistirem de si mesmos porque ninguém nunca lhes disse que eram capazes, e outros considerados exemplares reproduzirem preconceitos sem questionar uma única vez. por isso costuma prestar mais atenção em quem permanece calado no fundo da sala do que em quem levanta a mão para responder todas as perguntas. é comum que enxergue potencial justamente nas pessoas que o restante da escola parece ignorar. não admite favoritismos, mas tem um fraco enorme por adolescentes considerados "casos perdidos". talvez porque reconheça neles aquela mesma sensação de nunca caber exatamente onde esperavam que coubessem.
sua sinceridade é quase um problema de saúde pública. kat simplesmente não consegue mentir por educação. se perguntarem sua opinião, ela vai responder. se não quiser ouvir a verdade, melhor nem perguntar. isso faz com que muita gente a considere grossa, quando, na realidade, ela só acredita que honestidade é uma forma de respeito. curiosamente, essa mesma sinceridade faz dela uma das pessoas mais confiáveis da cidade. os amigos sabem que nunca receberão um elogio vazio nem um conselho para agradar. se ela diz que você está errado, provavelmente também será a primeira pessoa a ajudá-lo a consertar a situação.
apesar da fama de antissocial, ela é extremamente observadora. repara quando alguém muda o corte de cabelo, percebe quem muda o comportamento apenas para agradar, memoriza o prato favorito de cada amigo e dificilmente esquece detalhes de conversas antigas. só não comenta. demonstra carinho do jeito mais inconveniente possível: aparecendo com um livro que lembrou a pessoa, enviando um artigo sobre um assunto discutido semanas antes ou simplesmente surgindo na porta de alguém com comida quando percebe que aquela pessoa não anda cuidando de si. ela nunca aprendeu a dizer "eu me importo", então prefere transformar isso em pequenas atitudes.
sua relação com música é quase tão intensa quanto com livros. não existe tarefa doméstica sem uma playlist tocando ao fundo. tem uma preferência enorme por rock alternativo dos anos 90 e início dos anos 2000, bandas independentes e cantoras que escrevem as próprias letras. os alunos descobriram que existe uma conexão direta entre seu humor e a trilha sonora da sala de aula. quando fiona apple começa a tocar antes da aula, provavelmente alguém será desafiado a reescrever completamente uma redação.
é completamente incapaz de fingir interesse por pessoas arrogantes. status, dinheiro, sobrenome importante ou popularidade nunca significaram absolutamente nada para ela. o que realmente chama sua atenção são pessoas curiosas, gentis e capazes de rir de si mesmas. talvez por isso sua vida amorosa seja um verdadeiro desastre. ela não sabe jogar jogos emocionais, detesta indiretas e tem horror à ideia de parecer menos inteligente para não intimidar alguém. já ouviu mais de uma vez que seria muito mais fácil namorar se fosse "menos intensa". nunca cogitou seguir esse conselho. se alguém precisa que ela diminua quem é para permanecer ao lado dela, então essa pessoa simplesmente não merece permanecer.
por trás dessa ironia constante que representa, existe uma mulher absurdamente romântica, embora ela morra antes de admitir isso em voz alta. kat acredita em parcerias construídas sobre admiração, respeito e amizade antes de qualquer paixão avassaladora. não sonha com casamentos extravagantes nem gestos cinematográficos. o que realmente considera romântico é encontrar alguém que leia o mesmo livro que ela apenas para discutir o final, que aceite passar uma tarde inteira em um sebo sem reclamar ou que compreenda seus longos períodos de silêncio sem transformá-los em problema. enquanto essa pessoa não aparece, ela continua perfeitamente satisfeita dividindo o sofá com um romance clássico, uma caneca de café e a falsa impressão de que prefere a companhia dos livros à das pessoas.
manolya já começava a murchar, sendo torturada pela própria obsessão por controle ao perceber que não conseguiria chegar no centro comunitário no horário planejado, quando a voz de raşel chegou aos seus ouvidos. no mesmo segundo, a chef se desencostou da porta do carro e procurou pela melhor amiga, automaticamente abrindo um sorriso aliviado ao vê-la se aproximar. ❝ raş! não acredito que você também ficou parada aqui! está tudo bem? ❞ diminuiu a distância entre as duas para dar um abraço rápido, aproveitando para verificar com os próprios olhos se a amiga realmente estava bem. ainda não tinham conversado pessoalmente desde a tempestade e manolya estava preocupada com raşel e sua casa, já que boa parte de ashgrove ficou alagada. ❝ está horrível! e eu estou me sentindo péssima, porque fui eu quem teve a brilhante ideia de vir de carro até o supermercado para voltar mais rápido com os ingredientes que faltavam para o jantar do centro comunitário. eu fui muito estúpida, raş. era óbvio que as entregas estavam demorando porque bridge quarter estaria um caos! como eu não pensei nisso? damn it. ❞ resmungou consigo mesma, completamente perturbada por não ter considerado aquela variável em seus cálculos de tempo. quando a amiga informou que teriam que ficar no trânsito por muito tempo, manolya levou as mãos ao cabelo e suspirou, derrotada. ❝ então vou precisar mandar mensagem para o pessoal começar sem mim com o que tiver por lá… ❞ a expressão decepcionada não mentia. admitir aquilo não era nada fácil para manolya, pois ela gostava de coordenar absolutamente tudo que estava envolvida. ❝ eu sou um fracasso completo. ❞
✱ Raşel recebeu a amiga em seus braços com um sorriso delicado nos lábios, retribuindo o abraço com o mesmo carinho que recebia. Quando se afastou, revirou ligeiramente os olhos, mesmo que continuasse a transparecer tranquilidade diante daquele problema compartilhado com os demais motoristas. ⠀❛ Parece que toda a cidade ficou parada aqui! Só está tudo bem porque estava voltando para casa e não tinha nenhuma reunião hoje, caso contrário... ❜ Arqueou as sobrancelhas, lançando a outra um olhar cúmplice, pois Manolya bem sabia que aquela calma encontraria um fim no momento em que o caos atrapalhasse seus planos profissionais. Embora estivesse acostumada com o limbo de autocomiseração e dramaticidade onde ambas costumavam cair, não aprovava a maneira excessivamente crítica com que a amiga falava sobre si mesma naquele momento. ⠀❛ Ei, pare de falar assim sobre você e respire fundo. Suas intenções foram as melhores possíveis e não tinha como saber a dimensão dos estragos que essa tempestade causou, então seja mais gentil. ❜ Começou, repousando uma das mãos sobre o ombro da outra.⠀❛ Tenho certeza de que podemos encontrar uma solução para isso e o jantar vai acontecer de alguma forma. É só um imprevisto e podemos contorná-lo. ❜ Se mostrava disponível para ajudá-la no que fosse preciso, mesmo que precisassem carregar aqueles ingrediente com as próprias mãos até o centro. ⠀❛ Que tipo de fracasso é esse que carrega o título de head chef de um restaurante e organiza jantares comunitários? Sério, Mon, pega leve! ❜ Insistiu no discurso de incentivo, carinhosamente acariciando as costas de outrem.
A energia ainda não tinha voltado e, por isso, as tomadas alimentadas pelo gerador haviam se tornado os itens mais valiosos do local. Vincent estava observando à distância, mas foi questão de tempo até precisar entrar na fila gigantesca que havia se formado. "Nunca pensei que fosse passar a madrugada torcendo por uma tomada vazia." Os olhos deslizavam entre as pessoas inquietas e os celulares encarados, como se isso fosse ajudá-los a carregar mais rápido. "A fila termina em você?" Questionou à muse, que havia chegado não muito antes, ainda confuso com toda a aglomeração ao redor da extensão. "Ou em uma daquelas cinco pessoas?"
𝕀𝕀.
Sem energia, sem bateria nos eletrônicos ao redor e sem relógio por perto, o tempo parecia ter deixado de existir. Estava deitado no chão enquanto jogava uma bolinha de borracha para cima, pertencente a um dos cachorros abrigados ali que agora dormia. Assim como ele, Vincent também estava entediado. "Aqui vai uma pergunta importante." Esperou tempo suficiente para chamar a atenção de muse, oferecendo um sorriso de canto brincalhão ao fim da espera. Talvez jogar conversa fora fosse ajudar a se distrair do temporal do lado de fora. "Que horas você acha que são? E não vale tarde. Já descartei todas as respostas óbvias."
✱ Prestes a perder a paciência e jogar tudo para o ar, Raşel se voltou para o rapaz com a insatisfação estampada no semblante até reconhecer a figura com quem sempre compartilhava fatos sobre os moradores da cidade. Embora suavizasse um pouco o olhar, o aborrecimento continuava com ela, latente.⠀❛ Na verdade, acho que a paciência termina em mim. ❜ A resposta dada foi delicadamente seca, evitando insultar o rapaz que não carregava culpa pelo ocorrido. A responsabilidade era inteiramente dela por ter insistido em visitar um ateliê enquanto o mundo desabava. Agora, lidava com um celular descarregado enquanto seu veículo apresentava falhas constantes do lado de fora. ⠀❛ Mas, sim, a fila também. ❜ Enfim, ofereceu a devida resposta para a dúvida. ⠀❛ O que aconteceu nessa cidade para que o clima decidisse que havia chegado o momento de todos pagarem por seus pecados? ❜ Como costumava fazer, exagerava na dramaticidade ao lidar com os próprios problemas. Pendendo a cabeça ligeiramente para o lado, suspirou pesarosamente. ⠀❛ Seja sincero comigo, na sua opinião, qual é a gravidade desse castigo divino? ❜ De sua maneira, pedia por uma previsão para a volta da normalidade.
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manolya imaginou que ir de carro até o supermercado miller's market comprar os ingredientes que ainda faltavam para o jantar do centro comunitário seria muito mais rápido do que esperar por uma entrega. porém, não imaginava que a situação em bridge quarter estivesse tão grave daquela forma. naquele horário da tarde, o trânsito não deveria estar melhorando? impaciente por já estar parada a tanto tempo, a mulher desligou o carro e abriu a porta. ficou na ponta dos pés e tentou dar uma olhada na rua em frente para descobrir o que estava acontecendo, mas a fileira de veículos parecia não ter fim. naquele momento, percebeu que tinha vários outros motoristas fazendo o mesmo. até as pessoas na calçada ao seu lado pareciam curiosas para entender o que estava parando o bairro daquela forma. com um suspiro frustrado, manolya encostou-se na porta do carro, do lado da calçada, cruzando os braços. ❝ ótimo! então parece que é aqui que eu vou ter que passar essa noite... no meio da rua! ❞
✱ Os estalos produzidos pelos saltos contra o asfalto chegavam aos outros motoristas frustrados antes que seus passos e, no semblante, Raşel carregava um enorme sorriso que destoava da energia emanada por cada pessoa cujos planos foram interrompidos pelo trânsito parado. Mas não podia evitar, estava entusiasmada com a feliz coincidência de encontrar a melhor amiga ali. ⠀❛ Mon! ❜ Exclamou, efusivamente acenando com a destra enquanto a alcançava a passos ligeiros. ⠀❛ Olha só quem o trânsito uniu! ❜ Anunciou quando, enfim, parou diante da mulher. ⠀❛ Sabia que reconhecia esse carro de algum lugar. ❜ Com o modelo do veículo e sua placa perfeitamente memorizada, identificaria Manolya até mesmo na cidade mais movimentada do planeta. ⠀❛ Esse trânsito está caótico, não está? Fiquei sabendo que o engarrafamento ainda se estende por um bom caminho. ❜ Abordando o assunto inevitável, deixou que o olhar vagasse pela fileira de carros que se estendia diante delas. ⠀❛ Odeio ser portadora de más notícias, mas não sairemos daqui tão cedo. ❜ Lamentava, mas ao menos poderia desfrutar de uma boa companhia. A melhor delas, se fosse sincera.
✱ a cidade de westbridge dá boas vindas à raşel çinar-green (rachel green), originalmente pertencente ao mundo de friends! ela tem trinta anos, mora em ashgrove e em sua nova vida trabalha como diretora de moda em new rules magazine. esperamos que ela esteja se adaptando bem à rotina mundana da terra!
pouca gente sabe, mas ela foi uma completa "fashion disaster" durante a adolescência. comprava tendências antes de entender o motivo ou se gostava delas, misturava estampas improváveis, cortava o próprio cabelo em impulsos de arrependimento imediato e já foi deixada para trás por trocar de roupa mais de uma vez antes de eventos familiares. talvez tenha sido justamente essa fase desastrosa que fez dela uma excelente diretora de moda. hoje ela consegue identificar uma tendência meses antes de ela surgir porque já experimentou praticamente todos os erros possíveis.
é absurdamente sociável. daquelas pessoas que saem para comprar pão e voltam sabendo o nome do caixa, da senhora da fila e do cachorro que estava amarrado do lado de fora. conversa com absolutamente qualquer pessoa sem perceber que nem todo mundo funciona assim. às vezes chega ao trabalho vinte minutos atrasada porque encontrou alguém conhecido na rua e a conversa "rapidinha" se estendeu por quase meia hora.
seu apartamento em parece uma mistura entre um estúdio fotográfico e uma casa de revista. existe um closet maior do que o quarto de muita gente, mas curiosamente o cômodo favorito dela é a cozinha. não porque cozinhe particularmente bem — na verdade, depende demais de receitas e vídeos na internet — mas porque acredita que ninguém deveria conversar sobre coisas importantes sentado no sofá. toda conversa séria merece café fresco, alguma sobremesa improvisada e uma bancada para apoiar os cotovelos.
apesar de trabalhar em um ambiente conhecido pelo ego inflado de muita gente, raşel é surpreendentemente gentil. lembra o aniversário dos estagiários, elogia quando alguém aparece usando algo diferente, manda mensagens perguntando se os colegas chegaram bem em casa depois de eventos e costuma defender profissionais iniciantes quando percebe injustiças. ela nunca esqueceu como era ser a pessoa menos experiente da sala.
ao contrário da imagem impecável que passa durante sessões de fotos e eventos, sua vida pessoal é um caos organizado. perde chaves semanalmente, vive esquecendo onde estacionou o carro, já apareceu em um almoço usando sapatos de pares diferentes e costuma deixar dezenas de abas abertas no computador porque acredita sinceramente que vai voltar para todas elas depois. nunca volta.
é completamente incapaz de esconder o que está sentindo. seu rosto entrega tudo. quando gosta de alguém, sorri diferente. quando está irritada, fica educada demais. quando está apaixonada, todos descobrem antes dela mesma. seus amigos costumam apostar quanto tempo ela levará para admitir o óbvio.
a carreira na new rules magazine surgiu quase por acidente. ela começou como assistente de produção, fazendo de tudo um pouco, organizando figurinos, carregando araras, servindo café em sessões fotográficas e resolvendo problemas que ninguém mais queria resolver. aos poucos percebeu que tinha um talento raro para entender não apenas roupas, mas pessoas. sabia exatamente qual peça fazia um fotógrafo trabalhar melhor, qual modelo precisava de mais segurança e qual conceito traduzia perfeitamente a identidade de uma marca. antes dos trinta anos já ocupava o cargo de diretora de moda, sendo reconhecida pela capacidade de transformar editoriais em histórias completas.
seu maior defeito talvez seja acreditar demais nas pessoas. raşel sempre parte do princípio de que todo mundo tem boas intenções, o que faz com que seja enganada mais vezes do que gostaria de admitir. ainda assim, se recusa a endurecer completamente. prefere correr o risco de confiar na pessoa errada do que viver desconfiando da pessoa certa.
dinheiro nunca foi exatamente um problema... justamente por isso aprendeu tarde demais a administrá-lo. durante anos gastou valores absurdos em bolsas, sapatos e peças vintage que jurava serem investimentos. hoje continua adorando comprar roupas, mas criou uma regra pessoal: para cada peça nova que entra no guarda-roupa, outra precisa ser doada. descobriu que estilo não tem relação com quantidade.
existe uma diferença enorme entre a mulher confiante que aparece nas semanas de moda e aquela que chega em casa depois de um dia difícil. raşel ainda sente necessidade de ser validada. às vezes um comentário negativo sobre um editorial é suficiente para fazê-la questionar semanas inteiras de trabalho. ela sabe racionalmente que não é possível agradar todo mundo, mas emocionalmente ainda tenta.
tem uma mania curiosa de associar pessoas a perfumes. dificilmente esquece alguém pelo rosto, mas realmente o recorda pelo cheiro. até hoje consegue reconhecer amigos entrando em um ambiente antes mesmo de olhar para eles. também escolhe velas aromáticas conforme seu humor, como se determinados aromas fossem capazes de reorganizar seus pensamentos.
nunca deixou de acreditar no amor, embora tenha acumulado relacionamentos que deram errado pelos mais variados motivos. sempre se envolve por inteiro, faz planos cedo demais e costuma enxergar potencial onde ainda existe apenas interesse. depois de cada decepção promete ficar um tempo sozinha, mas inevitavelmente acaba aceitando outro convite para jantar algumas semanas depois. ela simplesmente gosta da ideia de dividir a vida com alguém.