Na verdade, vamos ser sinceros, eu nunca tenho nada esclarecido na minha cabeça, as coisas pra mim são tão claras quanto neblina.
Sabino, Gabriela.
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Na verdade, vamos ser sinceros, eu nunca tenho nada esclarecido na minha cabeça, as coisas pra mim são tão claras quanto neblina.
Sabino, Gabriela.

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Acabou de ir, quase chorei, ele estava triste também, eu percebi. Quis me dar um susto ontem a noite, hoje mal queria funcionar cedinho, quando vim trabalhar, passei o caminho todo conversando com ele, veio rateando o trajeto todo, disse que era a gasolina, que não estava acostumado… desculpinha, sei que não era nada disso, viemos relembrando histórias. Tudo começou em 2005, lembro direitinho do dia que nos vimos, haviam outros lá, até melhores mais baratos, mas um detalhe me chamou atenção, parecia uma viatura de polícia, não tive dúvidas na hora pensei: “é você!” ele riu…. nunca havia contado isso a ele desse dia até hoje. Foram milhares quilômetros fartos de causos e histórias, para ser mais exato 230.000km, lugares que só eu e ele sabemos que fomos, estrada ou cidade, asfalto ou lama, ele nunca achou nada ruim, nunca teve medo ,era sempre pela diversão, ousou até alcançar Ferrari na estrada certa vez, era abusado o baixinho… Prometi para ele que ia escrever algumas dessas histórias de repente viram um conto, um livro, quem sabe um filme, o Herbie nasceu assim, oras! Ele se empolgou, curtiu a ideia, até se animou. Chegamos ao estacionamento do Shopping ele perguntou: “aqui? não vou ficar na rua?” hoje não cara, você vai ficar com os ricos descanse aí, pois mais tarde você tem uma viagem longa. Ele não gostou “ ‘eu’ tenho uma viagem? e porquê não ‘nós’? não quero ir!” retrucou, fingi que não entendi e fui saindo. Mesmo eu tentando, ele não queria nem fechar os vidros, acho que foi só para eu não sair de perto, voltarei mais tarde, disse-lhe. E voltei, só que com os novos donos, foi de partir o coração ,como deixar um filho ir embora com um estranho? Prometi que o visitaria mas no fundo sei que foi a última vez, ele me cobrou uma outra promessa, feita anos atrás de que eu o usaria até seu ultimo dia cara, desculpe-me sei que eles vão cuidar melhor de você do que eu, não tive coragem de lhe dar as costas, esperei ele sair para voltar ao escritório, malandrão, vou ter saudades de você, seja feliz!
ENTREGANDO MEU CARRO VENDIDO , Raphael Calafange
“As vezes me pergunto, onde foi que eu me perdi. Em que ano, dia, hora ou momento. Eu não saberia dizer, mas parece impossível achar o caminho de volta, ou de ida. Onde será que perdi a alegria de um sorriso? Quando virei uma menina arrogante, irônica, presa dentro da própria cabeça? E parece que quanto mais você se perde mais as pessoas querem pisar na sua cabeça, te furando com lanças de aço dizendo como você deve ou deveria ser e fazer. Sinceramente sempre guardei tudo, engolia a dor pra dentro mas não deixava ninguém ver, foi sempre assim, eu não saberia explicar, talvez nunca me achei, talvez agora o buraco esteja fundo demais, escuro demais, só consigo tatear a vida como quem procura uma saída, quando na verdade deveria procurar uma entrada. Minha mãe sempre dizia “Não gosto de menina que chora sem motivo, vai apanhar pra chorar com motivo.”, ela tem razão, e estar perdido não é razão concreta, é historia pra boi dormir, é dor interna, e as pessoas são muito “Eu só acredito vendo.”.
GABRIELA
“É triste ver que dia pós dia você fica presa em casa e não faz nada para que isso mude. Quando sua tia, sua avó, periquito e papagaio estão tentando de todo jeito te colocarem pra fora de casa mas você não tem vontade, nem forças pra tentar, e ninguém percebe que não é culpa sua, que da missa eles não sabem nem o terço, que você pode parecer intacta por fora mas que por dentro está quebrando pouco a pouco em pedaços. Que seu sorriso é irônico, que seu olhar é arrogante, que você fica calada pra não ser grossa, mas a noite seu travesseiro vira um mar de lágrimas, lágrimas silenciosas que você guarda bem longe dos ouvidos alheios.”
GABRIELA
Pensar em nada. É nisto que venho me empenhando dia pós dia, mas de repente me pego pensando em um monte de coisas ao mesmo tempo. Por que a gente não consegue ficar quietinha num canto por algumas horas, alguns dias? Sem que ninguém nos incomode, sem que ninguém nos importune. Olhar pela janela, fixar o nada, e não ter nada pra fazer a não ser sentir nada, pensar em nada, nada. Parar o tempo por alguns anos, pra que se possa descansar, a mente, o coração e a alma, pra se livrar dos pesos e das bagagens, mas é isso que se faz quando se morre, e por acaso respirar é estar vivo?
Gabriela, Sossego.

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Eu só queria ser o motivo de seu melhor sorriso.
Gabriela
As vezes penso que devo sim me jogar em uma aventura, tentar, ousar, pular de cabeça. Em outras, sei que não sou esse tipo de pessoa, penso nas mil e uma consequências que podem atingir a mim e aos mais próximos, não me pergunte se já consegui muitas coisas pensando demais, pode ser até que tenha conseguido algumas, mas a maioria saiu de um jeito errado de qualquer forma, como se fosse possível tudo dar certo né? Essa coisa de querer controlar o que vai acontecer me faz perder toda a diversão, tudo bem, eu nem sou tão animada assim. As vezes é difícil perceber que você perdeu um monte de coisas por fazer escolhas, não erradas, mas que não te levaram onde você queria, talvez onde você deveria estar, mas longe do que queria. Nunca me arrependi inteiramente de algo que fiz, mas sim, parte de mim já desejou que tivesse sido diferente.
Gabriela, Sobre Escolhas.
O tempo começou a melhorar por aqui, e meu humor veio junto com ele. O que era cinza pouco a pouco é transformado em azul e a folhas caídas renovam-se. E com estas renovações gostaria que meus amores se renovassem também, mas parece que não adianta. Disseram-me "concentre-se no que está fazendo agora, e foque nisso, o resto o tempo leva" mas não está levando, ando me prendendo em casa dia-pós-dia, faça sol ou faça chuva. Hoje mais que nunca, não sei o que quero, o que sinto. As coisas andam meio confusas por aqui. Tanto aconteceu, e ao mesmo tempo nada. Nada de novo pra adoçar a vida, nada de novo para se pensar. Só o passado que resolveu se hospedar em mim. A dias você não me sai da cabeça, então eu fico tentando imaginar se você ainda pensa em mim ou se esqueceu, porque eu estou confusa e ando pensando tanto em você. Tento me conter, repetindo a mim mesma que não posso atrapalhar sua vida, e nem vou. Mas fica difícil parar de pensar quando você anda invadindo meus sonhos quase todos os dias. Por que faço isso comigo? Fico me torturando pelo passado, pelo que está perdido, pelo que deixei escapar, pelas promessas que não cumpri? Por que você tem que voltar assim, do nada, entrar na minha cabeça e fazer esse estrago enorme sem ao menos estar presente? Quando me dei conta eu já estava ouvindo todas as música que você gosta, revirando seu repertorio de artistas, procurando os livros que você já leu, para te conhecer melhor, tentando sempre estar próxima mesmo que longe. E eu fico tentando entender se estou me apaixonando por você ou se é só meu estado de carência dando efeitos colaterais. Prefiro pensar na segunda opção para que meu coração não morra de desgosto de mim porque eu tenho medo de ter encontrado a pessoa certa e ter deixado-a escapar. Sempre achamos que deveríamos querer outra coisa e quando vê já é tarde demais, ele já te superou. Ou talvez não era esse tempo, nem essa vida. Por enquanto continuarei aqui engolindo a seco a vontade que estou de você, sem cruzar seu caminho.
Gabriela, (Psiu você, é você, olha pra cá.)
As coisas pararam de acontecer, então me fechei pro mundo, pra vida. Por mais que a vontade prevaleça, já não é de mim ceder a vontades, a carne faz o que quer e a alma já nem tem forças para comandar, ela obedece calada, cansada. A verdade é que sempre me senti assim, mas a coisa nunca foi tão forte. Me diziam coisas do tipo : "acredita, foco, um dia passa, não é nada...", mas nunca passou, não completamente pelo menos, o coração apertando o peito sempre foi o mesmo, a falta de ar sempre foi significativa, e acredito que venha piorando nesse caso, mas hoje nem se preocupam mais com as mentiras que venho contando diariamente, nem sei se meus olhos ainda sabem contar a verdade, talvez de tanto encenar uma mentira a alma tenha se convencido de que é isso mesmo a vida. Que os raros momentos em que não sentiu o aperto no peito eram para ser bem guardados, mas as vezes nem foi dado o valor necessário e esquecidos. As vezes repito pra mim mil vezes "eu tenho tudo", mas a verdade é que eu não tenho nada. E nunca ouvi ninguém dizer ter coisas desse tipo, acho que não tem cura, nenhum irmão, nenhum amigo, nenhum amor tem esse poder, acho que venho carregando tristeza de outras vidas, de outros eu. Agora é esperar o fim dos longos e solitários dias, acho até que é melhor mesmo que eles sejam solitários, assim não tem a possibilidade de um contagio, um contagio de desespero interno, e esperar... esperar por uma eternidade de paz na alma.
Gabriela S.

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— Mas, aonde você vai? — Se der sorte, em frente.
Ratatouille
Me agoniava olhar a monotonia do domingo pela janela da sala-de-estar, era extremamente tedioso e sem vida. O tipico manto cinza que tecia o céu nesses dias de inverno não mudara. Preparei um café e acabei queimando a língua por não saber esperar que esfriasse. Recostei-me no sofá, fechei os olhos e o pensamento voou pra longe. Senti seus longos cabelos espalharem-se pelo meu peito, sua respiração falha, o sorriso preguiçoso que surgia em seus lábios, o olhar vago, os longos cílios que se curvavam numa imensidão negra, suas mãos tão macias vagavam pela minha nuca e subiam até o cabelo. Como eu adorava aquela voz que soava pela casa, aquele cheiro da comida dela, o cheiro melhor ainda de quando ela saía toda molhada do banho, adorava quando ela ficava na ponta do pé para me beijar, adorava quando ela sentia frio, quando ela trassava linhas invisíveis pelo meu corpo, quando mesmo adormecida no sofá resmungava para não ir para cama. Como eu adorava atrasar-la pro trabalho, … Parecia real, eu queria acreditar, por um momento até cheguei a pensar que estivesse acontecendo. Sabe aqueles sonhos, que você sabe que é sonho, mas não quer acordar? Aquele sonho que você escuta mas não te escutam, sente mas não é sentido, vê as coisas acontecerem mas parece que você simplesmente não está lá. Mas é tão bom que não se quer acordar. Até abrir os olhos por algum tipo de impulso e ver que não estava acontecendo. Até ver que ela não está realmente ali. Ela havia partido a quanto tempo? Duas semanas, talvez dois meses, talvez até dois anos. Aqui o tempo parece nunca passar.
Gabriela
Tenho medo, tenho medo de machucar as pessoas, mas principalmente você, acho lindo o contorno da sua boca mas ainda assim fujo por não saber o que sentir, por pensar em outra pessoa para que eu não precise de você, para que eu não me apaixone por você, porque mesmo que o sorriso me apareça quando falam teu nome, ainda fico confusa achando que deveria ser apaixonada por outra pessoa, então fico procurando pelos cantos, mas meu coração não bate mais forte pelo garoto loirinho do outro lado da rua, é por você, é por você.
Gabriela
Carta 1 Cara vida, esta coisa de tempo não está dando muito certo, sempre disseram que ele resolveria tudo, mas não está resolvendo, eu continuo sonhando com ele, é ele que aparece frequentemente nos meus pensamentos e ainda é por ele que meus olhos brilham, desde o dia em que eu o vi, ou re-vi, encostado no muro daquela escola, aquela na qual conheci seus olhos e seu sobrenome pela primeira vez, eu não conseguia parar de pensar em nele naquele dia, daquele dia em diante pra dizer a verdade. Depois de tantos anos como eu podia estar apaixonada? Logo por ele, por quem nunca percebeu que eu estava alí, mas mesmo depois de tantos anos só em ver-lo meu coração virava bomba-relógio, minha respiração desregulava só em ouvir falar seu nome. Por que tanta coisa deu errado pra gente? Um, dois, três desencontros, até hoje, e por mais quanto tempo? Estou cansada de estar perdida, estou cansada de não encontrar-lo, de não conseguir me apaixonar por outra pessoa por só pensar nele. Hoje eu sonhei com ele, de novo, e não foi fácil, não foi fácil ver-lo me rejeitando daquela maneira, talvez seja esse o motivo pelo qual eu tenho guardado tão bem este segredo, por medo, por certeza que não será reciproco, ta aí porque eu vivo lutando comigo mesma, nadando conta a correnteza para deixar o amor soterrado a sete-chaves, mesmo que as vezes alguém tenha que saber para que eu não morra afogada em meus próprios segredos, mesmo que apesar disso tudo ele tenha uma ideia, uma miníma faísca, ele nunca vai entender o quanto eu o gosto, quanto o quero bem, ou simplesmente como o quero. Os dias andam cinza, e não consigo admirar outros olhos.
Gabriela

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É só cansaço...
Só porque na frente dos outros eu sempre pareço bem, não quer dizer que eu esteja. Só porque nunca me vêem chorar, não quer dizer que eu não chore. Só porque eu prefiro ficar trancada em casa, não quer dizer que eu não tenha pra onde ir. Só porque eu sou calada, não quer dizer que eu não tenho nada a dizer. Pelo contrario meu caro, eu fico mal sim, bem frequentemente pra dizer a verdade, eu sofro sim, eu choro sim, eu sinto sim e tenho vontade de gritar aos quatro-ventos minhas dores, meus amores. Quero colo, mas não serve qualquer um não. Quero me divertir, quero sim, mas não serve qualquer lugar não. Estou cansada de futilidades, cansada de diversão ser sinônimo de ficar bêbado, cansada de beijar sem sentir, cansada de maria-vai-com-as-outras, de tempo nublado, de cara-feia, cansada do frio, cansada de relacionamentos que duram menos que bateria de celular, de me trancar no quarto, de chorar em silêncio, cansada de tudo. É só cansaço...
A solidão voltou, e me deixou jogada no sofá por dias, semanas até. Eu tinha sofrido um trauma, algum tipo de trauma que fazia a cabeça rodar, que me fazia cair no chão e ficar lá esparramada, sem força suficiente para levantar, eu ficava ali por algum tempo, até que alguém entrasse no quarto e perguntasse o que eu estava fazendo; depois sentava na janela, tentava apreciar o céu, em vão, era escuro demais, sem lua, sem estrelas, só o negro da noite ou o cinza durante o dia; tentava levar um vento frio na cara, o ar gélido penetrava nos pulmões e entrava em choque com minha pele quente, a sensação era ótima, fazia arrepiar cada milimetro do meu corpo, me fazendo estremecer mas também me fazendo fechar a janela por estar frio demais. Então abraçada a uma almofada, ficava indo e vindo pelos corredores da casa, acho que até eles já se cansaram de mim, acariciando as paredes, ansiando um amigo que me fizesse companhia, mas aí eu lembrava que não tinha amigos. Conhecia algumas pessoas, no máximo colegas com quem saia de vez em quando, pessoas que mal olhavam nos meus olhos, e eu mal olhava nos olhos deles também, é algum tipo de código que diz "eu não confio em você", não sou uma pessoa desconfiada não, só nunca me deram motivos para confiar em tal, sumo por duas semanas e nenhuma mensagem para saber se estou viva, nenhuma ligação, posso ter certa culpa sim, porque sempre quis que corressem atrás de mim e nunca o contrario, mas do momento em que tal pessoa demonstre algum interesse em saber como estou, retribuo muito bem esse carinho, e não gosto de conhecer pessoas que tenho certeza que não vou me dar bem, aquela que o espirito não bate sabe? Acho perda de tempo.
Gabriela