Quarta-feira muda VII

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Quarta-feira muda VII

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Quarta-feira muda VI
A vida de uma pessoa está repleta de complicadas decisões que definem quem nós somos, como por exemplo: que cuecas vou vestir hoje? o que é que vou fazer para o pequeno-almoço? que prenda de casamento é que vou dar aos meus amigos?
Nunca tinha dedicado muito tempo a pensar neste assunto, mas assim que houve essa necessidade cheguei muito rapidamente a um beco sem saída: não faço put* de ideia do que posso oferecer que tenha algum significado acrescido. Claro que existem as listas de casamento, que nos ajudam a resolver esse problema de forma rápida e eficaz. Não querendo elaborar muito em justificações, pareceu-nos mais adequada no contexto em questão preparar uma prenda de cariz mais experiencial e partilhada do que uma prenda material. Foi assim que surgiu a ideia de oferecer ao casal um jantar com 10 amigos na nossa casa.
Para além de se tratar de um enorme desafio para nós, era também mais uma ocasião para juntar alguns amigos que não puderam estar na cerimónia de casamento e para conhecer melhor o noivo.
Ao longo de dois meses fomos conceptualizando o menu através de um processo bastante experimental, tanto no que diz respeito aos pratos como ao emparelhamento com os vinhos.
Aquilo que vos mostro a seguir é o jantar, que representa o resultado final deste presente “out of the box”.
Tomate Cereja
Metade tomate, metade cereja! Criado em 2010 com LAE.
Cosmopolitan
Cointreau, sumo de arandos e marshmallow de lima.
Azeitona
Uma azeitona sem caroço, e não só. Este clássico de Ferran Adria, replicado nos quatro cantos do mundo, simboliza de certo modo o ex-libris da técnica da esferificação. Apesar do resultado aparentar uma enorme simplicidade – uma esfera – o processo é demorado e trabalhoso. O descaroçar da azeitona, passar a líquido e filtrar num pano até obter o néctar mais puro possível, sem óleos.
A acompanhar as azeitonas, um bom pão rico em azeite: focaccia.
Processo de esferificação demonstrado por Ferran Adria. https://www.youtube.com/watch?v=gKWgmx0kc1A
Holy Guacamole
Foi por uma conversa de Domingo à tarde na praia de Carcavelos que surgiu a ideia de explorar os sorvetes salgados. Nos primeiros meses de calor, as tendências são óbvias – coisas frescas e picantes. É este mesmo calor que os abacates precisam atingir o auge da maturação. Portanto, é tradição cá em casa começar o Verão com um bom guacamole, mas que desta vez foi servido em modo sorvete “ultra fresco” num cone de tortilla.
Os abacates são um fruto extraordinário. São tão versáteis que possibilitam uma utilização tanto no campeonato dos doces como dos salgados. O sorvete que fizemos parte de uma mousse de abacate muito simples de executar, em que para 4 abacates, juntamos o sumo de 2 limas e duas colheres de sopa de açúcar em pó. Para quem tiver a vocação para fazer tortillas caseiras, nem se dêm ao trabalho de o fazer com farinha de trigo. Comprem mesmo Maiz, a farinha de milho tradicional mexicana. Fará toda a diferença na textura e no sabor. A tortilla mexicana é um de muitos “flatbreads” que marcam fortemente as origens culinárias de diversas culturas em todo o mundo, sendo a sua confecção de grande simplicidade: à farinha apenas juntamos sal, óleo vegetal e água. Amassa, repousa, estica, chapa. Feito. Para conferir a forma de cone, corta-se uma tortilla em três partes iguais, enrola-se num molde de cone e frita-se por uns segundos em óleo bem quente: 180º será a temperatura ideal. Para finalizar este Holy Guacamole, recheia-se o fundo do cone com um picadinho de tomate e chalotas à imagem do clássico Corneto da Olá, depois preenche-se com o sorvete de abacate e lima e rega-se tudo com umas gotas de tabasco, tomate picado e espuma de coentros.
Marguerita
A mistura da marguerita é normalmente mal feita, com maus ingredientes, nunca está à temperatura certa e desculpem, mas o sal é agressivo à brava. Uma boa marguerita deve ter uma boa proporção entre tequilla, cointreau e sumo de lima fresco e deve estar mesmo muito fresca, pelo que nos pareceu interessante apresentá-la em formato de granizado. Para manter a textura e temperatura do granizado, o ideal será servir num copo de gelo. Processo relativamente simples de executar: https://www.youtube.com/watch?v=NGlk_rCfTfU Já o sal, é o componente mais difícil de integrar, pois só pode estar presente da forma mais delicada possível! Neste caso, uma leve espuma de sal elaborada com lecitina de soja, que desaparece na boca e se dilui harmoniosamente com a marguerita.
Salada da Horta
À nossa horta de varanda acrescentámos um conjunto de pequenos vasos que por entre os petiscos iniciais, incentivámos os convidados a tomá-los e a provar o seu conteúdo do princípio ao fim, incluindo a terra.
Estes vasos eram compostos à superfície por um conjunto de vegetais: espargos salteados em manteiga, brócolos cozidos em vapor de limão e rabanetes crus acabados de colher.
A camada de terra era uma pasta de cogumelos coberta por pão torrado com tinta de choco. Nas camadas mais subterrâneas do vaso, estavam escondidas umas tortillas e pequenas tostas para ajudar a devorar o substrato.
Para acompanhar esta sala da horta, servimos um Moscatel do Douro, da Real Companhia Velha.
Trufa de Alheira + Caviar em DVD + Bolacha Marie Antoinette
O segundo acto deste menu teve início já na mesa de jantar com uma implacável trilogia: trufas, caviar e foie gras, acompanhados de um espumante Montes Claros da Adega de Borba.
As trufas são raladas e misturadas com pão frito, envolvendo uma almôndega de alheira; o caviar entra em brilhante combinação com o chocolate branco (ver Heston Blumenthal); e o foie gras (mi-cuit) recheia um macaron salgado de beterraba.
Ervilha
Aproveitámos as últimas ervilhas da estação para elaborar uma reinterpretação do clássico português de ervilhas com chouriço. A base deste prato é um maravilhoso creme feito a partir das vagens da ervilha, que são bringidas e reduzidas a líquido numa centrifugadora.
O prato final é composto por ervilhas cruas (as mais pequenas), ervilhas salteadas em manteiga, ovo escalfado a 65ºC, morangos verdes e azeite de chouriço.
Para enfatizar as notas de verdura e frescura, acompanhámos este prato com um Vinho Verde da Aveleda.
Polvo à Galega
Aqui tentámos novamente executar uma reinterpretação de um clássico: o polvo à galega, que na sua versão mais tradicional é composto por polvo, alho, azeite e pimentão doce.
A nossa interpretação foi composta por um tentáculo de polvo cozido acompanhado por um sorvete de pimentos vermelhos, essência de pimento com alho e alface-chicória.
Mais uma vez, o vinho foi escolhido para acentuar elementos presentes no prato. Neste caso os tons vermelhos e o forte carácter picante e aromático dos pimentos com um Rosé Premium da Adega de Borba.
Cavala e tomate
A cavala é um excelente peixe, que infelizmente é menosprezado por muito boa gente. Pensam que a culpa é do peixe, mas a culpa é de quem não o soube confeccionar. É uma falta de respeito para com o animal e reparem que não falo simplesmente em cozinhar mas sim confeccionar, pois um dos passos mais importantes é a preparação base dos filetes.
Após filetar a cavala com o cuidado de remover o veio central de espinhas e a película de micro-escamas que cobre a pele, fumamos os filetes em madeira de faia e acabamos com uma cozedura em vácuo a baixa temperatura, preservando o sabor e textura do peixe. O prato termina com uma festa de tomate em várias texturas: tomate cherry fresco da nossa horta, gomos de sementes de tomate, espuma de tomate e pele de tomate desidratada. Tempera-se com umas gotas de azeite, redução de vinagre balsâmico, rodelas de chalotas e uma juliana fina de casca de limão em pickle.
Do Prado para o Prato
No Golf existe toda uma ciência em torno do pedaço de relva que é levantado após uma boa tacada – o divot. No entanto, na gíria do golfista amador denomina-se de bife, tal qual uma bela posta mirandesa coberta de relva a voar delicadamente sobre o farway.
Este prato resulta um pouco desta brincadeira em torno dos divots, mas também de uma ideia mais romântica da origem das coisas e o meio que as envolve, neste caso a carne da vaca açoriana e os pastos em que esta se foi alimentando.
Tendo por base um azulejo branco muito bonito da Viúva Lamego, que é vidrado em todas as faces, construímos este bife tártaro com carne do lombo picada à faca com uma maionese de estragão, rabanetes, chalotas, pimenta preta e rebentos de rabanete a simular a relva.
Para emparelhar com o tártaro escolhemos um tinto jovem e frutado do Douro: Charamba da Quinta da Aveleda.
Peposo Notturno
Gosto muito de contar esta história do Peposo Notturno e da sua relevância na história da arquitectura, mas desta vez não há tempo. Hei de publicar um post dedicado a este assunto.
Aqui o peposo foi confeccionado na sua matriz mais original: carne da perna de novilho, vinho chianti e pimenta preta. Tudo colocado dentro de um grande recipiente cerâmico e cozinhado lentamente num forno a baixa temperatura – cerca de 8 horas.
A acompanhar o peposo introduzimos um bolo de arroz salgado, beterraba em três texturas (crua, em pickle e cozida em sumo de beterraba), amoras e molho de redução de amoras.
Tal como manda a tradição, os pratos de carne guisada em vinho devem ser acompanhados pelo próprio vinho utilizado na sua confecção, aqui um Chianti Ruffino.
Framboesa
Um clássico do Ferran Adriá: framboesa glazeada com açúcar e wasabi, servida num azulejo biselado da Viúva Lamego.
Carvão
Como os nossos convidados se portaram muito mal, decidimos oferecer-lhes carvão.
A base é um praline de sementes de sésamo preto, sobre a qual se constrói esta composição com um carácter bastante telúrico: um torrão de sésamo preto, mousse de chocolate, iogurte grego, sorvete de limão e um bolo de sésamo preto que aparenta ser rocha basáltica.
Acompanhámos o carvão com um Colheita Tardia da Companhia das Lezírias.
Morangos em camomila
Sobremesa de morangos recheados com gelatina de morango, parfait de lúcia lima, mangericão e essência de morango, acompanhado por uma Ginja caseira.
Crunchie
Petit-four de crunchie caseiro com chocolate 70% e um copo de vinho do porto LBV da Graham’s.
Bistro Archestratus :: Menu Maria e Francisco A vida de uma pessoa está repleta de complicadas decisões que definem quem nós somos, como por exemplo: que cuecas vou vestir hoje?
Depois de um prolongado período sabático, a nossa cozinha parece um autêntico campo de batalha na preparação do jantar de Halloween. A vida nas trincheiras não é fácil, especialmente quando se lutam 4 guerras em simultâneo e ainda com tanto para vos contar daquilo que se passou ao longo destes últimos meses, especialmente em Junho.
Logo que ocorra o cessar fogo e que se assinem os tratados de paz, volto aqui para vos contar tudo.
Fica aqui uma curta reportagem do jantar de halloween do ano passado.
Sidra de Maçã e Vinho Quente
Gluhwein
GIN and TOXIC – Gin Hendrick’s, 1724 e caviar de Maçã
GIN and TOXIC – Gin Hendrick’s, 1724 e caviar de Maçã
GIN and TOXIC – Gin Hendrick’s, 1724 e caviar de Maçã
GIN and TOXIC – Gin Hendrick’s, 1724 e caviar de Maçã
GIN and TOXIC – Gin Hendrick’s, Fever Tree e esparguete de pepino
Sidra de Maçã Caseira
Snake and spider bread (beterraba e tinta de choco)
Snake and spider bread (beterraba e tinta de choco)
Pickle de Couve-flor
Ogre Brains and their scalp (pickle de couve-flor com presunto)
Pumpkin Puke – Guacamole com beterraba frita
Salada Macabrese – Tomate, mozzarella, mangericão e vinagre balsâmico.
Salada Macabrese – Tomate, mozzarella, mangericão e vinagre balsâmico.
SWAMP SNAILS (couve bruxelas, kumato, bacon e parmesão)
THE EGGS OF MORDOR (scotch eggs)
THE EGGS OF MORDOR (scotch eggs)
Caril Thai de Frango e risotto de abóbora
Falsas pernas de frango, com carne de vaca e chouriço
Falsas pernas de frango, com carne de vaca e chouriço. Risotto de espelta com beterraba.
Bolo de chocolate e maracujá
Bolo de chocolate e maracujá
Suspiro, mousse de chocolate e framboesa
WITCHES WARTS (chocolate, mirtilo, flor de sal e pimenta rosa)
Halloween 2013 Depois de um prolongado período sabático, a nossa cozinha parece um autêntico campo de batalha na preparação do jantar de Halloween.
Quarta-feira muda V
Vieja friendo huevos, Diego Velázquez, 1618 @ National Gallery of Scotland, Edimburgo
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Estamos no ano 2014 depois de Cristo. Toda a região da Gare du Nord foi ocupada por restaurantes medíocres e presunçosos… Toda? Não! Um largo povoado por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para o viajante acampado nas imediações.
Eram duas da tarde de domingo. De tanto dormir parecia termos acordado em 2028. Mas não. Ainda estávamos em 2014, esfaimados e sem a mínima referência de encantos gastronómicos nos arredores da Gare du Nord. Nem sequer de um bom tasco para um pequeno-almoço tardio. Brunch, como gostam de o chamar.
Já de dentes afiados e papilas gustativas a dançar o “La La La” da Shakira, nada nos restava senão sondar os conselhos dos indígenas, o que implica sempre um delicado processo de tradução e interpretação – quase ao nível de um estudo antropológico – podendo tornar-se tão perigoso quanto consultar o Guia Michelin. A diferença é que com o Guia Michelin, para além de ser pior que as cartas de Tarot para ler a sina, podemos acabar na falência (a única parte claramente previsível) sem necessariamente ter comido bem. Os conselhos e sabedoria de um nativo, bem descodificados, podem oferecer pistas muito mais úteis do que a porcaria dos “Duchemins” ou até mesmo das manhosas opiniões do Bob e da Virgínia no ‘tripadvisor’. Se pudesse falar com eles cara a cara, a história era diferente.
Cara a cara, aceitámos de imediato a sugestão do nosso simpático anfitrião, de que numa rua mais adiante, depois de cruzar a rua principal – assim como quem quebra o cabo das tormentas – atravessaríamos uma estreita ruela até desembocar num pequeno largo das traseiras de uma Igreja – da qual nem sabia o nome – onde haveríamos de encontrar dois ou três restaurantes honestos.
Ali não havia carros. Não havia turistas nem ruído. Os passeios solitários eram apenas pisados por um ou dois parisienses nas suas tarefas domingueiras, enquanto um casal se passeava sob a copa das árvores da igreja. Com a excepção de algumas lojas, fechadas ao domingo, todos os atarracados edifícios eram casas. Casas empilhadas com as portadas abertas e espichadas nas paredes de tijolo, cobertas de aparatosas trepadeiras. Neste pequeno largo, feito de duas esquinas e de uma das nádegas da igreja, encontrava-se apenas um restaurante aberto. Por entre as indomesticadas folhas lia-se: “Chez Casimir”. Modesto e informal, estava discretamente camuflado de heras mas aberto e convidativo, dando a sensação de estar a entrar num sítio inesperadamente familiar.
Se em algum momento idealizei o que seria uma tasca nos anos sessenta em Paris, essa ideia materializou-se ao atravessar a ombreira da porta.
A sala pouco iluminada reflecte ainda aquele que seria o estado original da bistro que outrora existiu. Um fóssil vivo, com o bar de espelhos de um dos lados, pesadas cadeiras e mesas de madeira, pavimento castanho-escuro, paredes ocres e outras em tijolo à vista, guardanapos de velhos farrapos em xadrez. Ao que parecia, nenhum elemento decorativo naquele espaço teria sido transformado desde que ali foi posto. Tal era o realismo daquela atmosfera, que a qualquer momento podia sair disparado da cozinha o Louis de Funés com uma peruca loira e casaco de tweed, a gritar em cadeia com todos os empregados de mesa.
O brunch do Casimir está mesmo no limiar do casual e trata-se de uma operação de self-service, ao contrário da maioria dos brunchs parisienses que conhecemos. Aqui, tudo começa com a escolha do vinho. Atravessamos a barulhenta sala até um dos extremos, onde se encontra um pequeno compartimento refrigerado com prateleiras de madeira – que serve de adega – para escolhermos o vinho por nós próprios. Como se estivéssemos a vasculhar a cave de um amigo, não há pressa e podemos tocar nas garrafas, apreciar as cores, ler os rótulos com calma, espreitar as relíquias escondidas, trocar impressões com outros comensais que por lá passem e por fim, tomar uma decisão, que na minha ignorância enófila é como atirar um dardo para um globo em órbita. Felizmente tive a ajuda do Marcel, que apareceu ali como peixe na água. Ou diga-se antes: francês no meio do vinho.
Domaine Les Bastides, 2012 – Coteaux d’Aix-en-Provence
Assim que temos o vinho escolhido, um dos empregados em rodopio pela sala abre-nos a garrafa e começa o banquete. Aviso-vos já que este não é o brunch típico de café-croissant-manteiga-ovos mexidos- e compota. Preparado por genuínos bretões, este é um banquete gaulês tal e qual aos que vemos ilustrados por Uderzo no culminar de cada aventura de Asterix e Obelix. Quem não estiver preparado é melhor fechar esta janela antes que algo corra mal.
A ideia de servir generosamente é levada ao extremo, o que neste caso não se aproxima nem de perto à experiencia de um brunch à Americana. O chef Thierry Breton oferece-nos ‘le Traou Mad’ (‘coisas boas’ em Bretão) em serviço contínuo das 10 às 19 horas. Podemos encher o nosso prato com deliciosas iguarias da Bretanha, preparadas com a sabedoria milenar dos ingredientes e estações, bem como a técnica e criatividade contemporâneas.
Começamos numa viagem à redonda mesa de madeira de dois andares no centro da sala, carregadíssima de petiscos e gloriosamente coroada por um colossal naco de manteiga. Uma verdadeira árvore de natal gastronómica onde a estrela, obviamente, é a manteiga. Podemos encontrar aqui de quase tudo: charcutaria, diversas saladas (cenoura, beterraba, quinoa, lentilha, batatas dauphinoise, uma excelente salada de infinitas variedades de tomate), marisco, escargots, búzios, carnes e peixes marinados, queijos, as clássicas terrinas de Campagne, quiche de legumes, pepinos em iogurte, boudin, tapenade, cornichons (bem picantes), salmão fumado, uma rolada de queijo do tamanho de um pneu, etc. Ao lado da grande mesa temos um balde do mais crocante e saboroso pão rústico.
Cornichons
Pot-au-feu
E isto foi só o que passou por nós enquanto lá estivemos. Só faltavam os javalis assados no espeto, mas a mesa nunca está igual. Vai-se transformando e variando de conteúdo ao longo do dia, o que apenas é possível acompanhar com os olhos, pois o estômago de um miserável ibero não se compara ao de um machucho gaulês.
Como se não bastasse, começam a aterrar na nossa mesa uma série de pratos vindos da cozinha. Não há escolhas, nem menus. Comemos o que houver. Aterram primeiro uns radiantes lagostins com maionese e um creme de marisco, seguidos de ovos mexidos com parmesão. Por fim, encalha – vinda não sei de onde – uma cocotte com ‘pot-au-feu’ da mais tenra e suculenta vitela com legumes.
Ainda com fome?
Caso não tenha ficado satisfeito pode sempre voltar ao buffet de saladas e comer até à morte. Ou então se preferir morrer com um travo doce na língua, pode dirigir-se ao decadente buffet de queijos e sobremesas, mesmo ao estilo “casa-da-avó”. Aqui não poderiam faltar os clássicos crepes bretões, que de facto são muito mais saborosos do que qualquer outro crepe vendido nas ruas de Paris. Amontoam-se neste canto da sala tábuas de madeira com os queijos, tarte rainha sofia, bolo de ameixas, financiers, madeleines, bolachas de chocolate, iogurtes caseiros e fruta fresca da época, como os morangos ou os fabulosos abricots.
O repasto prolongou-se, naturalmente, pela tarde adentro. Na mesa central tudo continuava fresco, vibrante e reluzente. Uma vergonhosa, mas gloriosa quantidade de comida, mesmo ao espírito gaulês. Como um casamento onde ninguém tem teve de se casar.
Para quem não sabe, os franceses já tiveram a triste ideia de criar mais um conceito: o “slunch”. Trata-se da contracção de ‘supper’ com ‘lunch’. Mas pode ser que destes banquetes gauleses possa nascer ainda mais um modelo de refeição: o Brunupp! (breakfast + lunch + supper). Sem dúvida que a nós foi assim que aconteceu.
Venha o próximo.
PARIS 2014 :: Chez Casimir Estamos no ano 2014 depois de Cristo. Toda a região da Gare du Nord foi ocupada por restaurantes medíocres e presunçosos… Toda?
PARIS 2014 :: uma odisseia gastronómica
PARIS 2014 :: uma odisseia gastronómica
Ali estávamos, na vila dos cowboys, sentados ao balcão do Lucky Nugget Saloon. Enquanto o barman de pala no olho servia uma cerveja, Molly Brown atracava junto à entrada do Thunder Mountain Canyon, onde se cruzavam numa corrida veloz os carrinhos de mão com pepitas de ouro do rio Mississípi. Um velho perneta sentado na varanda dormitava a sua sesta enquanto o xerife, com toda a pausa do mundo,…
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Quarta-feira muda IV
Quarta-feira muda III summer (2), Giuseppe Arcimboldo 1573 @ Louvre
Quarta-feira muda II

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Era UMA vez um arroz de marisco
Era UMA vez um arroz de marisco
Um cliente imbecil num mundo ideal:
- Boa tarde. Será que me podia arranjar uma dose de frango grelhado por favor?
- Desculpe, mas só servimos arroz de marisco.
- Hmm. Então e um bitoque, não se arranja? Com batata frita e ovo?
- Desculpe, mas só servimos arroz de marisco.
- Ah! Peixe! Então pode ser um robalo grelhado com legumes por favor.
- Desculpe, mas só servimos arroz de marisco.
- Então…
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