nichwlas:
“ei, não venha colocando palavras na minha boca não, senhorita astley. não fiz nada além de falar que você é encantadora, pode ir parando de me olhar com essa cara.” nicholas fez uma careta para a amiga, ainda que estivesse estampado o divertimento em seu rosto. porém, a expressão em seu rosto acabou aliviando conforme pensava em sua fala seguinte. possuía uma certa opinião por aquele assunto, e esperava que clary não se sentisse ofendida de compartilhá-la. “esses idiotas que só estão interessados em coisas assim não merecem um minuto do seu tempo sequer, falando um pouco mais sério agora. duvido que eu realmente precise a falar isso pra saber, mas… você realmente merece mil vezes melhor que isso.” assegurou - repleto de certeza em cada palavra que pronunciava. os pretendentes somente interessados em questões monetárias como aquela, sempre tão gananciosos, certamente não mereciam estar na companhia da amiga e fazê-la perder seu tempo. “vai acreditar se eu te falar que a minha tia, esses dias, veio perguntar se eu não ia te mandar flores também?” comentou, a mente sem demoras tratando de relembrá-lo da conversa com a tia - madrasta, na verdade - após a astley o comentar sobre as flores. tornou então a manter sua atenção nos livros expostos sobre a mesa - notas mentais sendo feitas para aqueles que deveria buscar nas livrarias da cidade -, lembrando de ter ouvido comentários positivos sobre alguns. “poderia saber em quais a madame ficou de olho? assim já me ajuda com os seus futuros presentes, também. sabe, cortar alguns da lista.” acabou soltando uma risada baixa após a fala, já esticando o braço para pegar a garrafa que lhe era oferecida e se apoiando de costas na parede ao lado da mesa. “ah, agora você me pegou no pulo mesmo. não tem a menor condição de eu conseguir resistir a eles, por que acha que ficamos amigos? o meu pobre coração não podia resistir a isso.” colocou a mão livre sobre o peito, em uma falsa dor no coração apenas para complementar sua brincadeira. não tardando a rir e tomar um bom gole da garrafa de vinho. a pergunta seguinte da astley certamente chamou a sua atenção, como era bem longe do que estava esperando. e, para falar a verdade, até tocava em um ponto que ele já sentira um pouco de curiosidade sobre: o motivo dela ter desejado casar, tão de repente. “ei, eu tenho certeza que sim…” murmurou, resolvendo por colocar a garrafa sobre a mesa e apoiar a mão destra no ombro feminino de maneira carinhosa. “primeiramente por não ter nem dúvida de que você vai escolher alguém que tenha respeito pelos seus sonhos. segundo, porque você é a clarissa! nunca vi nada te parar na vida. e, pelo amor de deus, clary, nem caso se esforçasse você poderia ser entediante.”
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ apesar de ter estreitado o olhar na direção do amigo, não demorou muito para romper a expressão com uma risada baixa, desviando o olhar enquanto negava com a cabeça para si mesma. clarissa não sabia muito bem lidar com elogios, e tinha uma dificuldade em especial para reagir quando estes partiam de nick. ali, pelo menos, podia usar o livro em seu colo como desculpa para não encará-lo diante daquela sequência de palavras. “continue afagando meu ego desse jeito para ver onde vamos chegar.” a advertência partiu em um tom de brincadeira, sendo o melhor que ela conseguia oferecer e achando que era uma boa maneira de tentar deixar aquela conversa de lado. e mesmo que o esforço tivesse sido válido, a atenção logo fora captada novamente com a menção sobre a situação com a tia do rapaz, o que fez com que a loira soltasse uma risada. “é sério isso? eu não acredito!” franziu o cenho, embora tivesse realmente achado graça. “ela gosta de mim, então? caramba, eu pensei que ela me achava uma bela de uma má influência pra você.” não seria a primeira pessoa que temia a aproximação dos entes queridos de clary, afinal, embora tal caso tivesse se repetido mais durante sua infância. “e aí, nicholas seymour, qual é a sua resposta para isso? onde estão as minhas flores, hein?!” levou uma das mãos até a cintura para sustentar sua pose, mas não conseguiu perpetuá-la por muito mais do que alguns segundos. nem era seguro brincar com aquilo, na verdade, por temer os caminhos que as piadas poderiam levar, então, logo desfez a postura com outro negar de cabeça. “qualquer coisa que você achar da olympe de gouges já vai te contar muitos pontos comigo.” sugeriu, com um meio sorriso. antes de continuar falando, porém, a próxima sentença do mais velho desbancou um pouco clarissa, que engoliu em seco antes de tratar de expelir outro riso rápido. “foram os meus olhos, então? achei que tinha mais a ver com a minha incrível personalidade...” replicou, sendo um avanço que conseguisse pensar em algo a altura para responder. e enquanto estavam ali, com uma boa distância os separando e apenas soltando pequenas piadas um para o outro, ainda era fácil de lidar. difícil mesmo era quando nicholas se aproximava daquela forma, o repousar da mão em seu ombro parecendo ter um peso muito maior do que os dígitos realmente tinham. erguendo os olhos para o rosto do amigo, fitou-o enquanto ouvia suas palavras, sentindo o coração apertar-se um pouco e xingando-se mentalmente por ainda ter respingos das reações que portava para com o outro nos primeiros meses de dinâmica, quando seus sentimentos ainda eram confusos. piscando algumas vezes, clary fechou o livro que tinha sobre sobre o colo e jogou-o de lado, usando uma das mãos para afastar a dele de si enquanto um sorriso impertinente lhe era lançado. “você deve falar isso para todas.” provocou, voltando a usar as brincadeiras como uma defensiva. esticou a mão para apanhar a garrafa de vinho ao mesmo tempo em que pulava da mesa para o chão. “mas é divertido de escutar. vamos lá, o que mais você acha sobre mim?” arqueou uma das sobrancelhas, tomando da garrafa um gole maior enquanto caminhava até uma das prateleiras de livros mais próxima. precisaria beber mesmo se fosse com aquilo que ela iria lidar naquela noite.













