⠀ ⠀ ⠀ ⠀ manteve-se em silêncio diante das palavras da loira, embora já tivesse uma ideia permeando sua mente de antemão. as sobrancelhas arquearam-se levemente diante da sugestão alheia, em uma surpresa que não lhe era nenhum pouco devida, vendo que era justamente alguma brecha como aquela que esperava. “talvez possamos marcar de nos encontrarmos no kew garden daqui a… três semanas? parece um tempo bom para você?” sugeriu, acompanhando suas reações para saber se a ideia lhe agradava. “acho que é tempo suficiente para eu conseguir ler o que você me sugeriu.” complementou, com um meio sorriso. “e para nos acharmos, podemos combinar um sinal singelo, mas que ambos reconheceríamos com facilidade…” olhou em volta rapidamente, tentando pescar alguma ideia de última hora, e achou-a há pouco centímetros, ao que a atenção recaiu sobre as mãos de ambos juntas. aumentou alguns centímetros do sorriso, deixando que um dos dedos longos escorregasse por uma das pétalas que adornavam o pulso da jovem. “como uma flor.” completou, encarando-a mais uma vez. “acha que estaríamos trapaceando no pareamento?” a pergunta veio com bom humor, sendo até mesmo acompanhada por uma risadinha baixa, porque, de fato, não se importaria se estivessem. calou-se para se atentar a suas próximas palavras, abrandando o sorriso contido na expressão aos poucos e assentindo de tempos em tempos, para demonstrar que prestava atenção e concordava com muitas das queixas que a menor compartilhava. “se me permite a pergunta… foi por isso que debutou? por conta da sua mãe, da sua família?” era uma curiosidade genuína, apesar de temer acabar sendo invasivo demais. sabia que muitas das damas tinham realmente o sonho do casamento, mas também havia a parcela que só se colocavam naquela situação por serem compelidas pela tradição. a preocupação com a interpretação da própria pergunta, porém, logo se esvaiu e ele voltara a relaxar diante daquela sequência de palavras da loira, que teve uma facilidade ímpar em arrancar do dankworth outro sorriso contido — que ficava cada vez menos contido, se fosse ser sincero. “bem, talvez isso seja motivado pelo fato de que as suas outras companhias foram desagradáveis demais e acabaram deixando as coisas mais fáceis para mim…” murmurou, com um tom divertido enquanto involuntariamente escorregava a mão alocada na cintura da jovem, movendo-a poucos centímetros até que se acostasse mais a base de suas costas. “mas eu vou aceitar o elogio, de qualquer forma.” complementou, deixando escapar uma risadinha. “eu não pisei nos seus pés ainda, o que eu considero uma vitória pessoal, principalmente se formos considerar que eu mal consigo prestar atenção em qualquer outra coisa que não sejam os seus olhos.” o elogio escapou com tanta naturalidade que ele mal teve tempo de analisar se ele era totalmente apropriado, mas conteve o instinto de se desculpar por aquilo. não queria se desculpar por tal fala, realmente. “você acha que nos conhecemos? sabe… no mundo real.” resolveu perguntar, ainda com toques de diversão ao escolher as palavras, embora a curiosidade fosse real.
“desconfio que três semanas seja tempo o suficiente para o senhor me esquecer.” falou, o tom mantendo-se com certo humor ainda que aquele fosse um medo realista de sua parte. “vou concordar, porém, porque não quero apressar a sua leitura. deve ter outros afazeres mais importantes, também. eu gosto bastante da ideia do kew garden, especialmente porque já faz um tempo desde que fui lá.” o sorriso marcava a boca feminina ao concluir a fala, feliz que estavam conseguindo transformar aquela ideia em realidade. especialmente porque realmente o queria ver de novo, mesmo que a curiosidade para o que aconteceria provavelmente poderia lhe correr até lá. com a continuação da sugestão alheia, moveu o olhar até a pulseira florida que em seu pulso estava, parecendo simplesmente impossível não aumentar o próprio sorriso também - céus, que diabos estava acontecendo consigo ali? “talvez a rainha acabe sentindo um pouco de raiva por roubarmos a ideia dela, mas eu gostei. vai me levar um buquê, por acaso?” o questionamento saiu mais como uma brincadeira, voltando a focar no rosto dele. “eu não diria que o que a gente está fazendo é trapaça. pense mais como um adiantamento do que ela poderia criar em algum momento, além de quê, continuamos estando em um baile dela.” apontou, rindo, o mais perto de um dar de ombros que poderia dar em meio a uma dança sendo realizado. meg não poderia dizer que estava surpresa pela pergunta, após tocar diretamente no assunto, portanto, começou a pensar em como respondê-lo. “mais ou menos isso... por conta da minha família.” começou, com calma. “digamos que nunca foi o meu sonho participar disso, embora eu goste da ideia de romances. só... bom, como falei antes, não gosto da fórmula. então, acabei enrolando um pouco, dois anos, e meus pais meio que me deram um ultimato e explicaram que já estava na hora.” simplificou sem muita prática, como não costumava contar a história havia um bom tempo. “não me entenda mal, eles só querem o melhor para mim.” concluiu, franzindo o cenho de leve. “e você? por que está participando?” devolveu para ele a pergunta. a expressão que estava em seu rosto se aliviou quase de imediato tanto pela fala do homem, quanto por seu sorriso.. “será mesmo? talvez eu esteja com um parâmetro pior que eu imagino, mas não acho que seja o seu caso. não menospreze o valor da sua companhia.” afirmou, espelhando o sorriso alheio nos próprios lábios. reação esta que pareceu apenas se intensificar com a mão alheia em sua cintura, ocasionando uma leve aproximação durante a dança. “então os meus olhos te conquistaram tanto assim? não fazia ideia que era possível.” meg achou melhor responder com um pouco de humor, como simplesmente não sabia como responder algo como aquilo. era um zero à esquerda nessas questões. “hm... seria engraçado se a resposta fosse positiva, mas eu iria me sentir uma idiota por não ter percebido. uma grande idiota, na verdade.”