O Taumaturgo Contam uma história trazida por ventos, como um sussurro, sobre um pobre vilarejo, onde seus moradores humildes plantavam e colhiam seu sustento. Era tempo das secas e para piorar, uma praga de gafanhotos atingiu as lavouras, levando peste, fome e morte. Quando a probabilidade de nomadismo se tornou eminente, eis que em suas terras surge um homem velho, de roupas simples, porém de um estranho porte majestoso que emanava paz aos olhos de quem quer que fosse. O homem pediu água, e do pouco que tinha lhe deram. Pediu um pouco de pão e assim o fizeram. Em retribuição o homem revelou ser um taumaturgo, dos grandes sábios cujo sangue milagroso corria as veias e magicamente expurgava a dor. Primeiro ele curou as crianças, depois os idosos. Os moradores maravilhados trataram de lhe dar uma casa, desde que os ajudasse a cuidar do vilarejo com ou sem seus poderes, pois logo se afeiçoaram ao homem. E assim ele viveu, tirou-lhes a praga, a fome, a sede. Agradecido por tamanha bondade vinda de tão humilde povo. Mas após dias, semanas, meses, um ano, a seca voltou enfrentando uma população ainda maior, cujo sangue do taumaturgo tornou-se insuficiente para conter. Em uma medida desesperada, o primeiro morador agiu ávido de livrar seu povo de tamanha situação, pensando ele mesmo usar dos poderes do taumaturgo. Do golpe de foice verteu uma gota do sangue do taumaturgo em sua boca. os outros moradores se chegaram atraídos pela monstruosa cena, mas o cheiro da carne era doce e refrescante e tão logo se juntaram a um banquete. Nuvens negras se formaram e da esperança da chuva, sangue ferroso e denso caiu e banhou aquele lugar agora mais maldito do que nunca. Ao se darem conta do que fizeram, os moradores caíram em lamúrias sufocantes, que até hoje ecoam por entre as paredes das casas agora abandonadas, repletas de ossos e corpos putrefatos. Do vilarejo vazio só restam agora almas amaldiçoadas em busca de redenção.
















