Por alguns minutos, no caminho, quando abro a janela do carro e o vento começa a soprar os fios do meu cabelo. Eu começo a pensar sobre a fragilidade da nossa existência, o quão facilmente o fio da vida pode se arrebentar e o nosso amanhã é roubado do tempo. A morte, parece uma velha dívida que recebemos ao nascer, um limite, prazo. As quantidades de laços que fizemos serão irrelevantes, apenas alguns importaram de verdade. Mas ainda me questiono, no fim, quem vai passar por nossas mentes? Quais momentos vamos lembrar? Do que vamos arrepender? Eu confesso, não acredito que só ações valham, pra mim, as palavras não se perdem, tudo que dizemos fica, importa, porque muitas vezes, falar o que sentimos é a coisa mais difícil no mundo. A lucidez, se desvai calmamente como veio, o tempo passou, o céu azul se misturou com as folhas verdes vibrantes da terra no horizonte, enquanto o carro parava. Talvez a vida só valha a pena quando vivida com o coração.
Janela do carro, Flô.













