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O menino e o homem
O menino exalava uma euforia leve e acolhedora â quase contagiando o homem. Entre uma mordida e outra, ele contava as Ășltimas aventuras empinando pipa e andando de bicicleta na rua de terra em frente Ă casa da avĂł. Mal sabia ele o quanto o homem lembrava de todas aquelas histĂłrias de tempos atrĂĄs e o tamanho da saudade que este eu mais velho carrega no peito. Saudade de sentir leveza e satisfação no divertimento casual. Uma saudade que pesava quase que como um aviso, uma sentença que tentava convencĂȘ-lo que aquilo jĂĄ nĂŁo o pertencia mais.
â A gente vai⊠Eu vou ser feliz? O que eu vou ser quando crescer? VocĂȘ ainda tem o cubo mĂĄgico grande que eu ganhei do tio? â perguntou o menino. O homem sentiu o desconforto frio de um gume afiadĂssimo o atravessando de um lado a outro, tamanho choque a pergunta causara. âEra Ăłbvio que ele perguntaria issoâ, sussurrou na mente. âEu perguntaria issoâ, riu para si mesmo. Ainda que soubesse que a conversa chegaria nesse ponto, o homem nĂŁo estava preparado para esta pergunta. Digo, o homem nĂŁo estava preparado para a resposta. âO que eu falo pra esse menino?â. Ele nĂŁo foi tomado por medo: hĂĄ algum tempo ele jĂĄ nĂŁo sabia o que era sentir isso. As vielas e becos escuros dentro da mente do homem o colocaram em situaçÔes tĂŁo crĂticas por incontĂĄveis momentos a ponto de ele achar natural esse constante estado de aflição e angĂșstia presente ao redor. O clima sombrio, a neblina densa, o frio e a visĂŁo turva e acinzentada que pairavam sorrateiras em sua cabeça jĂĄ o haviam preparado bem para enfrentar. Enfrentar a morte, se necessĂĄrio fosse. Ele nĂŁo ficou desesperado. Na verdade, um desespero sereno destacava um pouco mais a cor que faltava em seus olhos. Ainda era desespero, mas esse se tornara conhecido de casa, hĂĄ tempos. Tomavam uma xĂcara de cafĂ© juntos toda manhĂŁ.
Por alguns momentos ele tentou entender o que era aquilo que estava sentindo. E aĂ estĂĄ algo que jĂĄ nĂŁo fazia hĂĄ muito tempo: compreender ou explicar o que sentia, ou porque sentia isso ou aquilo. âEu travei? Por que eu nĂŁo consigo falar nada pra ele? Eu preciso responder esse meninoâ, instigou-se. âMinta, invente, ou mude de assunto, mas fale algo!â, gritou sem que ninguĂ©m pudesse ouvir.
â O meu cabelo vai ficar preto igual ao seu? VocĂȘ tem uma barba bonita â disse o menino, quebrando o silĂȘncio.
â Na adolescĂȘncia vocĂȘ vai pintar o cabelo de colorido e vai usar penteados que nem imagina. JĂĄ se prepare porque a mĂŁe nĂŁo vai gostar â os dois gargalharam juntos.
O menino tinha um misto de admiração e expectativa brilhando nos olhos.
O homem lembrou-se que naquela idade não via chegar a hora de crescer e aproveitar a vida de adulto. Lembrou também do quanto se arrependia no tempo presente por ter desejado isso quando menino.
â O que vocĂȘ achou do cabelo e da barba? â o homem tentou engatar no assunto com medo de ter que voltar para a pergunta sem resposta.
â Bom, se vocĂȘ sou eu e se vocĂȘ gosta, quer dizer que eu gosto â falou o menino enquanto pegava algo mais pra comer.
O homem ficou assustado com o raciocĂnio do menino e em seguida travou novamente. âSe vocĂȘ sou eu⊠Se vocĂȘ sou euâŠâ. Num lapso de entendimento, começou a compreender porque tanta dificuldade em responder a primeira pergunta do menino. O homem lembrou de todos os filmes e sĂ©ries sobre viagem no tempo que havia assistido e se viu analisando o roteiro de um deles. âEu nĂŁo passei por esse momento quando tinha a idade dele. Eu nunca soube como seria o futuro, eu nunca imaginei tudo o que daria errado, nem quais seriam os acertosâ.
Entendeu rapidamente porque não queria responder aquela pergunta. Viu nos olhos do menino a pureza antiga que um dia foi dele. Admirou a satisfação do menino nas coisas simples da vida. Talvez até tenha invejado o menino porque em determinados momentos o homem nem lembrava mais o que era sentir todas essas coisas boas.
â Ă verdade, vocĂȘ sou eu, de certa forma. Mas por outro lado, nĂŁo somos a mesma pessoa â afirmou o homem. O menino olhou atento, com os olhos um pouco esbugalhados. O homem continuou:
â Eu jĂĄ sei tudo o que vai acontecer na sua vida, meu pequeno. NĂŁo consegui contar quantos sorrisos vocĂȘ jĂĄ deu atĂ© onde eu cheguei e muito menos sei a quantia de lĂĄgrimas que jĂĄ escorreram desses seus grandes olhos castanhos. Mas a verdade Ă© que vocĂȘ vai aprender muita coisa, conhecer muita gente, crescer, amadurecer, errar, aprender, cair e levantar. E tudo o que acontecer vai mudar a forma como vocĂȘ vĂȘ o mundo. Vai mudar vocĂȘ. E nĂŁo se assuste, isso Ă© viver.
â ⊠é aprender, hakuna matata â completou o menino.
Eles riram.
O homem voltou a tagarelar:
â NĂŁo se preocupe com o que vai acontecer, com o que vocĂȘ vai ser ou o com o que te espera. Tem algo que aprendi nos Ășltimos anos, criança: viva hoje. SĂł por hoje. NĂŁo peça pro tempo passar mais rĂĄpido. NĂŁo deseje tanto crescer enquanto a vida passa na sua frente e vocĂȘ nĂŁo aproveita como deveria. Sorria bastante, se divirta o mĂĄximo que puder. E principalmente, meu menino, nĂŁo seja tĂŁo duro consigo mesmo. Se perdoe, tente melhorar e siga em frente sempre.
â AĂ onde vocĂȘ estĂĄ, parece tudo tĂŁo sombrio, quase nĂŁo tem muita cor â disse o menino, numa sinceridade simpĂĄtica.
â Com o passar dos anos vocĂȘ vai gostar bastante da cor preta, menino, mais do que gostaria. E isso Ă© Ăłtimo, preto combina com qualquer outra cor.
O homem deu o Ășltimo gole no cafĂ©, levantou-se devagar enquanto o menino escutava os gritos do seu irmĂŁo do meio e do primo que brincavam no quintal. Entregou um beijo terno na testa do menino enquanto escorriam lĂĄgrimas pesadas dos seus olhos. O menino devolveu um abraço forte e carinhoso, o que pegou o homem de surpresa. Sem conseguir esconder o lado sensĂvel e demasiadamente piegas de sempre, o homem deixou o choro sair sem impedimentos. Enquanto se abraçavam, o menino jurou ver alguns feixes de raios coloridos cintilando no lado do cĂŽmodo onde o homem estava, em meio a penumbra densa e lĂșgubre que pesava sobre os ombros do eu mais velho.
Foi uma despedida bonita, tenho que confessar.
Enquanto saia do cĂŽmodo, o homem pensava preocupado em tudo que o menino viveria, ou seja, em tudo o que ele mesmo viveu. Mas se sentiu aliviado ao pensar que conseguiu nĂŁo assustĂĄ-lo ou preocupĂĄ-lo com os dias sombrios que viriam.
O menino correu brincar, animado com a visita que recebera.
O homem? O homem anda por aĂ, âse distraindo o mĂĄximo que dĂĄâ, como ele mesmo diz sempre. O tal homem vive âandando como um exĂ©rcito de um homem sĂł, lutando com as sombras na sua cabeçaâ. Decifrando aquelas vielas e becos da prĂłpria mente, na intenção de aprender, ao mĂnimo, a conviver bem enquanto passa por eles.
Ultimamente ele enxerga o mundo por uma lente feia que dĂłi na alma â literalmente â, nĂŁo tem muita cor atravessando suas pobres retinas. Mas apesar disso, lĂĄ no fundo, pelo menos durante alguns raros momentos, ele ainda tem a esperança de que a despedida nĂŁo tenha sido pra sempre. Ele espera encontrar a doce alma do eu menino aqui, onde ela sempre pertenceu, dentro do peito deste mĂsero homem carregado de sentimentos incompreendidos.
Willian Garbin.
Learn how to use a semicolon correctly with simple rules, examples, and mistakes to avoid. Improve clarity, connect ideas smoothly, and writ
This practical guide explains the proper use of semicolons in professional and creative writing. Learn when to connect related independent clauses, separate complex list items, and improve sentence flow for clearer and more polished communication.
I HATE SEMICOLONS THEYRE SO CONFUSING WHY NOT JUST USE A COMMA OR PERIOD ;Ă;Ă;Ă;Ă;Ă;Ă;đ«đ«đ«đ«đ« THEY'RE ONLY GOOD FOR EMOTICONS
Great for emoticons true, but theyâre also good delimiters when you need commas in your list and when you have a really long run on and donât want to use more commas or periods

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may i ask kindly
what did semi-colons did to you?
Went places they didnât belong
Why is this a SAS inline comment?
*comment here;
Why does it need a semicolon?
What's your rhetoric regarding semicolons?
My despise for genAI has driven me to figure out how they work, and now Iâm a somewhat better writer
what my first Tatoo is gonna be btw