Decidi procurar o Nathaniel e os outros pra contar o que eu havia descoberto a respeito do Neuralyzer.
De fato eu não conseguia tirar da cabeça o pensamento de que eu precisava descobrir mais a respeito da "ruivice" do Lysandre.
. . . Castiel pareceu irritado. Será que é segredo essa ruivice dele ?
De qualquer forma, eu fui em busca do pessoal.
Nathaniel me puxou pelo braço pra um canto do corredor, ele estava com a Rosa.
Já vieram perguntar como me saí.
Expliquei a situação toda pra eles, que o Castiel havia perdido o Neuralyzer, que ele parecia sincero quanto a isso, e expliquei também a origem do Neuralyzer do Castiel.
Rosa na mesma hora ligou pro namorado explicando a situação toda.
Enquanto isso eu decidi falar com o Nathaniel sobre minhas dúvidas . . .
"Nath, você sabe algo sobre o Lysandre ter tido cabelos ruivos ?"
Ele pareceu espantado ao ouvir isso vindo de mim e logo perguntou como eu sabia, aparentemente o Lysandre esconde esse passado dele com todas as forças . . .
Falei que o Castiel quem me contou e que ele mandou eu perguntar para o Lysandre.
Mas a resposta do Nathaniel foi irritante. "Eu prefiro não me meter nessas coisas, mas concordo, pergunte diretamente ao Lysandre se quer tanto saber sobre. Se o Castiel sendo amigo do Lysandre não quis comentar sobre, por que eu teria que falar sobre o assunto ?"
AHH como eles me irritam !!
Quer dizer, eles brincam de pingue-pong comigo !
Castiel me manda falar com Nathaniel que me manda falar com Lysandre, e o Lysandre vai me mandar falar com o Ken ?? Pelo menos o Ken não faz isso comigo . . .
Eu explodi falando isso e em seguida lembrei sobre o ritual que o Castiel me mandou perguntar pro Nathaniel.
"Eu realmente não entendo o que você tem a ver com isso . . . Mas o Castiel falou que se eu quisesse saber sobre o ritual dele, teria que falar contigo . . . Não vi sentido mas, cá estou, perguntando. Me conte mais sobre o ritual . . . Aliás, por que diabos eu devo perguntar pra você ?"
O Nathaniel respirou fundo e me olhou gentilmente enquanto acariciava meu cabelo e se retirava.
O QUE . . . ???!
POR QUÊ???
Eu não pude acreditar ! Ele desviou totalmente o assunto !!! Fui atrás dele puxando e exigindo respostas, foi quando a Rosa voltou falando que o namorado dela estava à caminho.
Nathaniel sorriu de forma triunfante.
Nunca pensei que um dia eu diria isso depois de ter adquirido tanto respeito e apego pelo Nathaniel, mas me deu vontade de bater nele.
Aquele tipo de atitude foi tão . . . Castiel.
Em pouco tempo Ken e Debrah nos encontraram.
Ficamos conversando por um tempo. De acordo com a Rosa e o Nathaniel eles queriam a presença do Leigh no local pra entender melhor como foi o roubo do Neuralyzer.
Pelo que o Ken falou isso é motivo de punição na organização.
Compreensível, afinal, estamos falando de uma máquina que apaga memórias.
Eu ainda estava muito irritada com o Nathaniel me passando a perna, mas continuamos a falar normalmente.
Até que puxei o Ken pro canto pra falar com ele em particular.
Rosa como sempre, demonstrou felicidade, acho que o maior sonho dela é me ver "desencalhar".
"Ken, sei que é repentino mas . . . Você é um bom espião, não é ? " perguntei pra ele por ele ser bem discreto e, bem, ele é um ótimo stalker e faz tudo que peço . . . Por que não me aproveitar um pouco disso né ?
Ele não confirmou nem nada, só perguntou o porquê da minha curiosidade. Eu contei pra ele que estava com uma pulga atrás da orelha a respeito do Nathaniel, expliquei a situação toda.
Ele pareceu estar curioso também e logo topou me ajudar em descobrir se o Nathaniel estava escondendo algo.
Não acho que ele vai me trair . . .
Em seguida perguntei se ele poderia descobrir algo sobre o Lysandre, expliquei a situação toda, minha curiosidade, que o Castiel me contou mas não completou e o mesmo valia pro Nathaniel . . . Ele pareceu muito incomodado.
"Por que todo esse interesse no cabelo do Lysandre ? E daí que ele foi ruivo ?" ele dizia.
Eu estava muito curiosa, porque eles não podem só entender isso ?
"Eu até te ajudaria . . . Mas eu . . . Me desculpe." ele pareceu hesitar . . . Qual o problema deles ?? Porque não querem me ajudar a descobrir mais sobre o cabelo dele !? Que ódio !
Eu na raiva gritei um deixa pra lá pro Ken e voltei pra perto dos outros.
Ele pareceu chateado, não tiro sua razão, afinal, gritei com ele.
Estávamos todos esperando o Leigh.
Nathaniel teve que resolver coisas no grêmio, disse que voltaria logo.
Ken havia se afastado também, falando algo sobre buscar coisas na sala de aula.
Até que a Rosa falou que o Leigh havia chego. Estava somente Debrah, Rosa e eu naquele momento.
assim que ela falou isso . . . a expressão da Debrah mudou MUITO.
Ela parecia outra pessoa, estava com um olhar de transe.
Seria o Leigh tão sinistro assim que causou algum efeito nela, sei lá . . . ?
Eu cochichei em seu ouvido perguntando se estava tudo bem, ela respondeu cegamente e pausadamente que tinha captado ondas neurais que ela nunca tinha sentido na vida.
Que estranho . . .
Foi quando o Leigh entrou pelo corredor.
Ela começou a caminhar na direção dele falando algo como "os genes dele são perfeitos pra procriar".
Assim que ela falou isso eu fiquei morta de medo de olhar pra trás . . . Afinal, Rosalya estava ali e ela com certeza não gostou nada do que ouviu.
Dito e feito, ela estava uma arara !
Eu estava em pânico ! Eu tentava segurar ela mas eu sou muito fraca ! Dava em nada.
Foi quando vi o Armin passando na hora e gritei "SEGURA A ROSALYA ARMIN !!!!"
Ele sem perguntar nada ou questionar segurou ela com força.
Rosalya parecia um touro, gritava pra soltarem ela, Armin estava quase soltando, principalmente depois de ela unhar o rosto dele.
Ela mordia o próprio braço como se fosse o dele, chegou a sangrar !
Eu tentava pedir pra ela ficar calma enquanto gritava pela Debrah.
Armin estava muito confuso, eu só implorava pra ele não solta-la.
Lá longe eu podia ver de relance (enquanto era esmagada contra parede pelo corpo do Armin segurando nossa tourinha Rosalya) que o Leigh estava sem graça e que de fato a Debrah estava se "jogando" em cima dele.
Primeira coisa que pensei: PORQUE DIABOS ESSA POSTURA ?!
Foi quando o Nathaniel finalmente retornou e viu aquela confusão.
Ele calmamente puxou a Rosa e falou pra ela se acalmar.
Mas Rosa explodia e explodia mais e mais.
Na sala de aula pude ver o Ken saindo de lá. Ele olhava em nossa direção tenso, ao ver a Rosa se debatendo nos braços do Nathaniel e do Armin comigo sendo esmagada ele veio correndo, eu pedia pra ele tirar a Debrah de perto do Leigh a todo custo.
Mas ele me ignorou . . . E veio até mim.
"EU NÃO POSSO TE DEIXAR AÍ SENDO ESMAGADA !" ele gritava enquanto me tirava naquela brigalhada.
Nesse momento eu puxei ele com tudo e pedi pra ele me ajudar a trazer a Debrah de volta.
Nath e Armin tentavam conter a situação. Pobre Armin, não entendia nada.
Foi quando finalmente puxei a Debrah e perguntei qual era o problema dela.
Pude ouvir o grito da Rosa falando algo como "O PROBLEMA DELA É A FALTA DA MINHA MÃO NA CARA DELA !!" eita . . .
Debrah olhou com desprezo pra Rosalya e falou pra mim.
"Ele tem os genes perfeitos pra procriação. É a primeira vez que encontro alguém com genes tão perfeitos."
Quando ela falou isso o Ken parecia não ter entendido bem . . . Olhei pro Ken e provavelmente eu estava corada e falava pra ela que ela não podia fazer uma coisa dessas . . . Foi quando pareceu que o Ken finalmente se tocou do que ela falava . . . Ela queria ter um filho com o Leigh.
A inocência dele é fofa . . .
Mas . . . MEU DEUS, O QUE DIABOS . . . ?
"Debrah ! Você não pode "procriar" com o Leigh !! Ele é namorado da Rosalya !" eu falei, e ela espantada disse.
"Mas eu não quero namorar ele, só quero procriar. Ela pode ficar com ele." ao ouvir isso eu defini que a raça da Debrah é bem . . . "técnica". Eles não são ligados nesses lances de sentimentos ou coisas do tipo.
Isso me fez pensar se a Debrah realmente se preocupava comigo. . . Afinal, se ela não tem esses vínculos na cabeça dela, ela pode querer me ajudar só por intuição, por me querer como aliada, ou qualquer outro motivo mais . . . "Profissional".
"Debrah, não é simples assim. Os Terráqueos não gostam de ter seus parceiros divididos com outros. Existe gente que gosta e aceita, mas não são maioria, e você com certeza sabe disso."
Debrah pareceu triste.
"Sim . . . Eu me esqueci desse detalhe. Fiquei tão deslumbrada pelos genes perfeitos do namorado da Rosalya que me esqueci desse detalhe. DESCULPE, ROSALYA." ela gritava pra Rosa com olhar sincero.
Mas a Rosa estava possessa. Ela só queria arrancar o pescoço da Debrah.
Leigh foi até ela tentar acalma-la, mas ela começou a gritar com ele.
Nossa, ela é muito ciumenta !
O gênio dela está me lembrando o Castiel.
E pensando no Diabo, ele apareceu.
Irônico usar essa frase pro Castiel. Ele de fato é quase o próprio Diabo.
Fui correndo até ele.
"O que você quer agora ? Se for sobre o cabelo do Lysandre, esquece."
Droga, ele sabia.
Eu expliquei que era só um cabelo ! Porque esse mistério todo ??
Ele deu uma resposta certeira e que respondia bem minha pergunta "EXATAMENTE ! É SÓ UM CABELO !!! Porque é tão importante pra você saber sobre a cor do cabelo do Lysandre ? FODA-SE ! É SÓ UM CABELO !! VOCÊ MESMA DISSE ! Quer saber, me irrita você perguntar sobre Lysandre pra cá, Lysandre pra lá. Ele fez tanta merda quanto eu, se não mais, e nem teve a dignidade de te pedir desculpas e mesmo assim você fica querendo saber sobre ele !! ME IRRITA !! ENTÃO SE VEIO ME PERGUNTAR ALGO SOBRE ELE, ESQUECE!! NÃO VOU RESPONDER !! EU TIVE CABELO PRETO NO PASSADO ?? VOCÊ SE IMPORTA COM ISSO??" Ele falava isso tudo alto e bravo.
A briga em poucos segundos se silenciou. Eu estava sem palavras.
Ele deu o Xeque mate. . . Ele tem razão.
Lysandre fez coisas piores e eu ainda quero saber sobre ele, como ele está . . . Enquanto o Castiel que teve a coragem de fazer algo que ele NUNCA fez eu tô tratando mal.
Beleza que ele merece. . . Mas ele tem um ponto: Se é pra tratar ele com grosseria, devia tratar o Lysandre também . . . Tudo bem que eu não cheguei a falar com o Lysandre de fato . . .
Tudo que me restou foi me desculpar com o Castiel pela forma que eu estava tratando ele. . . Foi quando a Debrah surgiu do nada me puxando e fazendo cara feia pro Castiel.
Eu fiquei surpresa e só perguntei o que houve, ela dizia que eu não tinha que falar com ele.
Castiel se irritou bastante e começou a explodir "Porra ! Eu estou falando com ela não com você sua infeliz !" ele gritava.
Ela começou a discutir de volta.
Estava uma baderna o corredor.
Rosa gritando com Leigh, Castiel com Debrah . . . Pobre Armin, não entendia nada.
Nathaniel calmamente se aproximou, colocou a mão sobre o ombro da Debrah e olhando pra ela com um sorriso sereno à acalmou . . . Talvez ele tenha pensado em algo que a acalmasse e ela tenha lido a mente dele . . . Eu não sei.
Sei que eles se afastaram pedindo licença, foram conversar algo.
Admito ter ficado um pouco enciumada com a situação.
Não pelo Nathaniel em sí ou pela Debrah, mas pelos dois.
Eu gosto de me sentir próxima de todos, e ultimamente tenho me sentido distante de todo mundo.
Castiel bufava muito. Quando perguntei o que se passava ele falou irritado "Eu só me irritei de ver a Debrah com o Nathaniel." Aquilo me deu uma pequena pontadinha de ciúme novamente. Mas um ciúme mais parecido com o que tenho com o Lysandre.
"OK, por quê ? Ainda gosta da Debrah . . . ?" eu perguntei como quem não queria nada.
"NÃO, PORRA ! NUNCA !! Mas . . . Me irrita ver eles próximos. Eu odeio o Nathaniel com todas as forças . . .E sempre tive certeza que eles tiveram um caso ou algo assim, vendo eles colados desse jeito só confirmo minha dúvida . . . E isso me irrita, pensar que fui enganado por aquela vadia."
Eu entendo o lado do Castiel, mas eu conheço a Debrah atualmente, e não pude deixar de defende-la
"Eu te entendo Castiel . . . Mas a Debrah é uma ótima pessoa. Acredite . . . Ela me ajuda muito. Inclusive, ter confessado suas intenções mostra que ela é melhor pessoa que você." Eu não resisto . . . Tenho que soltar farpas.
Ele pareceu magoado, mas pouco me importa, eu ainda tô bem chateada com as coisas que ele fez.
E muito mais que aquela vez na praia.
Não vou perdoar ele NUNCA.
Espero que ele não confunda as coisas só porque estou falando com ele . . .
"Lysandre não gosta que as pessoas saibam que ele tinha cabelo ruivo, só isso . . ." Castiel falou sem mais nem menos isso.
"Por que isso do nada ? Não interessa lembra ? Aliás, você e o Nathaniel tem que parar com essa noia de falar do Lysandre pra mim . . . " falei isso fazendo pouco caso . . . Acho que essa foi a pior frase que eu poderia ter mandado, Castiel se irritou muito . . .
"VOCÊ ACHA QUE SOMOS O QUE ?? IDIOTAS ???! Eu posso odiar aquele crentezinho o quanto for, mas uma coisa eu vejo claramente, ele tenta te ajudar o tempo todo, e tudo que você sabe falar é sobre a merda do cabelo do Lysandre, ou da merda da existência dele !! E o Ken ? E EU ?? Ninguém é idiota. Acha que somos cegos ?? Todo mundo consegue ver que você gosta dele, e isso é o que mais irrita ! Mesmo ele sendo meu amigo ele vacilou tanto quanto eu e mesmo assim você não evita de falar sobre ele . . . Você colocou sua curiosidade sobre a merda do cabelo dele acima do seu trauma com estupro !"
Eu entendi seu recado Castiel.
E não te tiro a razão . . .
Ken ficou calado e só desviava o olhar atrás de mim . . . Aquilo pra mim foi como um "ele tem razão" . . .
Eu poderia pedir desculpas . . . Mas ele cavou minha raiva . . .
Eu estava muito irritada com tudo e todos no colégio, porém, as palavras do Castiel acenderam uma chama dentro de mim que me fez ficar com muita raiva do Lysandre.
"Por que você não fala as merdas que falou pra mim pro Lysandre ?? Ele tá envolvido !" foram as últimas coisas que ouvi do Castiel antes de partir ao encontro do Lysandre.
Ele conseguiu o que queria, quero confrontar o Lysandre, saber qual é a dele comigo, com o Castiel, com todos.
Tô cansada . . .
"Sim Castiel, pode deixar que ele vai ouvir coisa muito pior do que você ouviu . . . "
Nesse momento eu pude ver de relance o espanto no olhar de Ken e do Castiel.
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“Mas, e sobre sua vida? Como que anda?” perguntei sem graça. “Então...”, ele respirou fundo outra vez. “Eu sou casado agora com uma garota que estudava na mesma escola que você...”, ele dizia cabisbaixo. “Espera... Quê?”, saiu um pouco mais alto que o necessário, incrédula. “Pois então, ela disse que você a chamava de sorridente, e nós vivemos num condomínio bem perto da sua antiga casa. Vim te dar somente as boas-vindas e desejar que o Brasil seja tão bom de volta para você, quanto foi para mim.” disse levantando da mesa em sinal de que já estava na hora de ir embora. Levantei junto e agarrei seu braço pedindo maiores explicações. “Eu estava brincando sobre o casamento. De fato, eu encontrei essa sua amiga e ficamos todos esses meses esperando você, inclusive meu coração. Talvez o calor brasileiro quebre um pouco da frieza que restou entre nós. Venha!”, e me estendeu a mão.
Fomos até meu apartamento e entre tapas e beijos, continuamos lá, até porque ele nunca ousou sair, nem de lá e nem das profundezas de minha alma.
Daisy havia tido sucesso em conseguir criar uma atmosfera agradável em seu apartamento. Ela estava satisfeita com o resultado ao menos, das luzes que estavam mais fracas e a mesa impecavelmente posta para quatro pessoas, parecia convidativo para qualquer um que chegasse. Sem falar, do cheiro de carne assada que estava no ar.
O barulho da chave e da maçaneta girando, indicou a Daisy que Harry estava em casa enfim.
Em casa, ela repetiu mentalmente, rindo um pouco. Era engraçado como os dois já referiam à casa do outro como ‘estar em casa’. Como quando alguns dias atrás, eles estavam num bar com os amigos e ela encostara a cabeça no ombro dele e dissera ‘vamos pra casa’ ao invés de dizer ‘vamos para sua casa’.
E Daisy gostava. Ela gostava da perspectiva futura que estava caminhando e gostava de se sentir em sua própria casa no apartamento de Harry e definitivamente, não a incomodava que ele tivesse uma cópia da chave de seu apartamento.
- Nossa, eu senti o cheiro da porta. – Escutou-o dizer enquanto entrava atrás de Simon, que como de costume, faria seu checkup.
- Ei Simon, eu acho que esqueci uma bomba na minha gaveta de sutiã... Dá uma olhadinha lá. – Provocou Daisy enquanto sentia os braços de Harry enlaçarem sua cintura e a puxarem na direção dele. Os lábios dele bicaram os seus e ela alisou seu peito, aproveitando para afrouxar a gravata e desfazer os primeiros botões da camisa.
- Você está linda... Eu adoro quando você prende seu cabelo dessa forma. – Harry comentou tocando seu coque.
- Ah obrigada. – Sorriu e deslizou o blazer para fora dos braços de Harry. – Como foi o seu dia?
- Não houve nada de muito interessante pra ser honesto. – Ele respondeu com displicência, acariciando sua cintura. – Eu estou morto, mas felizmente é uma sexta-feira.
- Por que não toma um banho e você relaxa um pouco? – Sugeriu. – Eu ainda estou preparando o molho da carne, estou meio atrasada...
- Não se preocupe com isso. – Harry deu um aperto em seu bumbum, fazendo-a sorrir. – Vem tomar banho comigo...
- Nós dois sabemos que banhos conjuntos, geralmente acabam de outra forma... – Daisy disse suspirando e o beijando no queixo. – Dessa vez não, ok?
Harry fez uma careta, mas acenou com a cabeça e seguiu na direção do corredor que levaria até o quarto de Daisy. Só então, ela reparara que ele tinha uma mochila nas costas. Imediatamente sorriu ao se dar conta de que significava que ele pretendia passar a noite! Com um pouco de sorte, convenceria Nate de que ele devia buscar um rumo e aproveitar o passe livre para a Mahiki.
Enquanto Harry não dava indícios de reaparece, Daisy estava na verdade desdobrando-se na cozinha, sozinha. Estava um pouco aborrecida, porque não tivera tempo de preparar uma sobremesa melhor e simplesmente havia feito pudim e o problema é que o pudim parecia que nunca atingiria o ponto.
- Droga, droga, droga... – Murmurou ao tocar o pudim levemente e se dar conta de que ainda não havia endurecido o bastante. Com uma careta, fechou a porta da geladeira.
O barulho do interfone fez Daisy ranger os dentes e verificar em seu celular o horário. Maldita pontualidade britânica...
- Pronto? – Atendeu.
- A senhora Hamilton, senhorita Cooper. – O porteiro disse.
- Pode mandar subir.
Ela só esperava que sua mãe não ficasse se queixando por ter sido barrada na portaria, porque Daisy já estava aborrecida o bastante com seu pudim e ela ainda precisa reaquecer o molho para o assado e claro, para piorar, dera-se conta de que não havia nem sinal de Nate e do vinho!
- Eu vou matar aquele infeliz... – Resmungou enquanto ia até a porta para abri-la, enquanto digitava uma mensagem de texto para Nate.
Onde você se meteu?!
Assim que abrira a porta, Lily Hamilton estava saindo do elevador, tirando seu casaco e seu lenço, com uma careta desgostosa.
- Quanto paparazzo! Eu estou cega! Como você aguenta isso? – Resmungou Lily enquanto se aproximava, parando para cumprimenta-la com dois beijinhos.
- Oi mãe... Entra. – Disse de forma displicente enquanto dava espaço para Lily e aproveitava para fechar a porta.
Lily colocou sua bolsa, casaco e lenço no cabide que Nate e Daisy nem sequer faziam uso e então caminhara até a filha, fazendo-a perceber pela primeira vez a garrafa de vinho que tinha em mãos
- Carl mandou... É da reserva particular dele, ou seja, nem sequer está no mercado. – Comentou Lily. – Ele acha que você vai gostar muito...
- Oh. – Ficou surpresa com a atitude do marido de sua mãe. – Obrigada... Bem, eu havia mandado Nate ir atrás de vinho e também gim, porque eu sei que você gosta de gim depois do jantar.
- Ah não precisava e até porque, eu já não sou a mesma de antes. Não posso tomar mais que duas taças, sem sentir que está tudo girando ao meu redor. – Lily suspirou e esfregou as mãos dando uma olhada ao redor. – Você não mudou muita coisa...
Daisy encolheu os ombros enquanto ia até a cozinha, deixar a garrafa no balcão para que Harry abrisse quando saísse do banho, já que ela mesma era incapaz de fazer aquilo.
- Não vi razão pela qual. – Disse com honestidade.
- Você mantém os vasos com flores? – Perguntou Lily surpresa ao reparar as peônias num vaso sobre a mesa.
Daisy sorriu nervosamente e negou com a cabeça. Aquele era um hábito apenas de Lily, que sempre estava comprando flores frescas e colocando nos vasos da casa.
- Não. Harry me deu essas flores... – Explicou enquanto ligava o fogão para reaquecer o molho. – Ele está no banho na verdade... Está ansioso para conhece-la.
- Bem, eu admito que estou um pouco ansiosa também. – Lily disse enquanto se juntava a ela na cozinha. – Tem algo que eu posso ajudar?
- Nah... – Negou com a cabeça, enquanto mexia o molho na panela. – Por que você não coloca uma musica? Está meio...
- Mórbido? Eu pensei a mesma coisa. – Lily disse, dando uma leve risada enquanto seguia a aparelhagem de som da sala.
Daisy estava distraidamente provando o tempero de seu molho e havia decidido de última hora preparar uma salada simples – folhas de alface, palmito, azeitona e para deixar mais colorido, picou alguns morangos – quando a voz de Billy Joel preencheu todo o recinto, ergueu os olhos para ver Lily cantarolando baixinho e voltando na direção da cozinha.
Slow down, you crazy child.
You’re so ambitious for a juvenile.
But then if you’re so smart, tell me why are you still so afraid?
- Nossa, fazia tempos que eu não escutava essa musica! – Comentou Lily ao perceber que Daisy estava a reparando. – Você lembra quando fomos de férias para o Sul da França, com seus avós e seu pai e daí seu avô repetia essa musica cerca de umas cinco vezes?
- Ah, vagamente. – Franziu o cenho, sentindo um pouco de desconforto com toda aquela nostalgia momentânea. – Eu me lembro do chalé que ficamos... Foi a primeira vez que eu fui à praia.
Where’s the fire? What’s the hurry about?
You better cool it off before you burn it out.
You got so much to do and only so many hours in a day
- Eu nem me lembro qual foi a última vez que fui a praia. – Lily comentou enquanto acendia a luz do forno e verificava o assado. – Eu não sei olhar isso, mas será que não está bom?
- Sim, já está desligado, eu só queria o manter aquecido. – Explicou Daisy e então tornou a falar. – Como assim faz tempo que você não vai à praia? Você adora praia e também vive viajando...
- Eu viajo com Carl, como esposa. Ele viaja a negócios e não a diversão... A única vez que viajamos a diversão foi para Frankfurt. – Explicou Lily suspirando.
Don’t you know that when the truth is told
That you can get what you want or you can just get old?
You’re gonna kick off before you even get halfway through.
When will you realize? Vienna waits for you
Daisy pela primeira vez se deu conta de que não sabia daquilo. Na verdade, percebeu como sabia pouco sobre Lily...
A convivência das duas, antes do casamento, já era limitada, mas depois se tornou praticamente nula. Daisy raramente conversava com sua mãe, na verdade, geralmente a ligava apenas para fazer um rápido checkup e também informa-la que estava viva. Não que nunca tivesse visto necessidade de mais do que aquilo, mas por algum motivo, a ideia de que ela não conhecia e não sabia nada sobre sua própria mãe, incomodou-a um pouco pela primeira vez.
- Isso que eu estou escutando é Billy Joel? – A voz veio do corredor e Daisy procurou Lily com os olhos, para sorrir e arquear as sobrancelhas significativamente.
Slow down, you’re doing fine.
You can’t be everything you wanna be before your time,
Although it’s so romantic on the borderline tonight, tonight
Lily se levantou da banqueta que havia ocupado e sorriu de volta, enquanto aguardava. Harry então apareceu, usando o suéter que Daisy tricotara para ele de natal, com os cabelos molhados e trajando jeans. Quando os olhos dele recaíram em Lily e depois em Daisy e depois, em Lily de novo, Harry imediatamente sorriu.
Too bad, but it’s the life you lead.
You’re so ahead of yourself that you forgot what you need.
Though you can see when you’re wrong,
You know, you can’t always see when you’re right, you’re right.
Daisy suspirou aliviada e o acompanhou no ato. Ela era tão feliz por tê-lo, ela era tão feliz por ter alguém tão maravilhoso, espontâneo, genuíno e gentil como Harry... Ela quase nem acreditava que alguém tão infinitamente bom como ele, podia estar com alguém como ela.
You’ve got your passion. You’ve got your pride,
But don’t you know that only fools are satisfied?
Dream on, don’t but imagine they’ll all come true.
When will you realize? Vienna Waits for you
- É tão bom finalmente conhecê-la como a mãe da minha namorada... – Disse Harry com sua simpatia e acolhimento, costumeiro. – É um prazer senhora Hamilton, eu sou Harry.
- O prazer é todo meu, Harry. – Lily sorriu, aceitando a mão que Harry oferecia a ela. – Por favor, me trate apenas por Lily. Eu não vejo qualquer razão para manter um comportamento tão formal, entre nós.
- De acordo. – Harry acenou com a cabeça. – E como vai Carl? Trabalhando muito, como de costume?
Slow down, you crazy child.
Take the phone off the hook and disappear for a while.
It’s all right you can afford to lose a day or two.
When will you realize? Vienna waits for you
- Há, e aquele homem vive de outra forma...? – Indagou Lily num suspiro e então acrescentou. – Ainda bem que temos mãos masculinas agora... Harry você faria a gentileza de abrir aquele vinho? Eu vou precisar de uma taça antes de embarcar nesse jantar com meu ex-marido.
Daisy riu e balançou a cabeça negativamente, acompanhada de Harry que estava rindo e caminhando na direção da garrafa de vinho para abri-la.
Don’t you know that when the truth is told
That you can get what you want or you can just get old?
You’re gonna kick off before you even get halfway through.
Why don’t you realize? Vienna waits for you
When will you realize? Vienna waits for you
-x-
Daisy sempre havia o dito que ela era parecida com o pai e de fato, provavelmente era. Nate e ela é claro, levando em conta que os dois eram tão parecidos fisicamente.
Contudo, apesar de Daisy ter fios castanhos cor de chocolate e olhos cristalinos, ela tinha muito de Lily em si. O queixo e o nariz eram exatamente a mesma coisa e elas provavelmente não sabiam, mas a voz lembrava uma da outra... Não o som, mas a entonação, o jeito suave para conversar, lento e baixo.
Sentados num sofá, cada um com uma taça na mão, Harry estava até mesmo assustado de como as duas compartilhavam algumas coisas. O jeito de Lily e Daisy era completamente diferente, mas meros detalhes como a forma de se sentar, a forma como bebericavam o vinho e mexiam com a taça, era idêntico! A risada também, Harry notou, era o único momento em que Lily perdia toda a classe de madame.
- Eu sei, eu sei, eu estou atrasado! – Escutaram o estrondo da porta e por ela passava um apressado Nate, segurando uma garrafa de gim e uma de vinho na mão. – Mas eu estava acertando meu trabalho de TCC e meu robô simplesmente pifou do nada!
Harry viu com diversão Lily e Daisy revirarem os olhos, como se já não estivessem surpresas que Nate estivesse embolado com seu horário.
- Bem, você ao menos está aqui não é mesmo? – Replicou Daisy se colocando de pé. – E acabou que nem será preciso o vinho e o gim...
- Ora, por que não? – Perguntou Nate confuso e parecendo aborrecido. – Eu fiquei vinte minutos numa fila pra nada?
- Porque nossa mãe trouxe um vinho saboroso e suave da reserva pessoal do Carl e bem ela não vai beber o gim, depois do jantar. – Daisy deu de ombros.
- Não faz mal, eu mando isso pra dentro. – Nate deu de ombros.
- Uh, já que seu irmão chegou... – Harry disse. – Por que é que não jantamos hein? Manda uma mensagem pro seu pai, ele deve estar achando que você se esqueceu, por causa do atraso.
- Isso seria ótimo. – Lily concordou. – Eu estou com fome, pra ser honesta...
Harry foi atrás de Daisy que estava indo até a cozinha para pegar as travessas de comida e coloca-las sobre a mesa. Assim que a alcançou, tocou os ombros dela, sentindo-a se arrepiar no mero encostar de seus dedos.
- Assustei você? – Perguntou a ela, alisando os braços, tentando melhorar a situação dos poros que se abriram imediatamente.
- Um pouco. – Daisy admitiu com um sorriso enquanto abria o forno e com o pano de prato, tirou o tabuleiro com o rocambole que estivera assando.
- Eu cuido disso pra você... Fale com seu pai. – Harry falou tentando se mostrar prestativo, porque pelos ombros tensos, pôde perceber o nervosismo de Daisy.
- Será que ele não mudou de ideia? – Perguntou ela baixinho com uma careta.
- Eu acho que não. – Harry disse com confiança e sorriu. – Ele precisa conhecer o marmanjo que vem transado com a garotinha dele...
- Há, nem que eu fosse mesmo a garotinha do papai isso mudaria alguma coisa... – Daisy resmungou e então suspiro. – Ok, você põe a mesa pra mim e eu vou pegar o laptop de Nathaniel e resolver isso.
Harry fez exatamente como ela pedira. Enquanto Daisy havia ido na direção dos quartos, para buscar o celular e o computador de Nate, Harry havia se ocupado em colocar tudo sobre a larga mesa posta para quatro, ciente de que sua namorada arrumaria aquilo tudo do jeito dela, quando retornasse.
- Ela cozinha muito bem né? – Escutou Lily comentar, enquanto pegava alguns guardanapos e talheres nas gavetas.
- Aprendeu com você? – Arriscou, enquanto levava a travessa com a salada, para a mesa.
- Até parece. Isso é gene da avó paterna dela... Eu nunca cozinhei. Sempre almoçamos em restaurantes. – Admitiu Lily parecendo constrangida. – Sabe Harry... Eu não sei se Daisy lhe contou, mas a princípio eu estava meio receosa quanto a vocês dois...
Harry acenou com a cabeça. Daisy havia comentado que as coisas com a mãe dela não haviam sido lá essas coisas, mas nunca o explicara, de fato, o que acontecera.
- Ela só comentou superficialmente...
- Bem típico dela. – Lily murmurou e então disse. – Eu sou uma pessoa bem direta, e eu vou ser com você... Quando Daisy foi a minha casa, dizer que vocês estavam namorando, eu pensei imediatamente ‘pobre coitada...’.
Harry franziu o cenho, mas não interrompeu Lily.
- Eu me coloquei numa posição em que disse ‘ok, você precisa ser mãe dela agora, porque da última vez as coisas acabaram realmente ruins para sua filha’.
Por ruim, Harry tinha certeza que Lily se referia a Sebastian.
- Eu disse a ela o que pensava... Que você é um homem nove anos mais velho do que ela, que já passou e viveu todas as experiências que ela está começando. Que você é, não apenas um homem mais velho, mas também um homem público e que vem de uma das famílias mais importantes do mundo.
Harry engoliu em seco.
- Sabe, ela não gostou nem um pouco do que disse, mas eu precisava ser honesta com ela, porque a partir de agora, Daisy precisa que as pessoas ao redor dela sejam verdadeiras. – Disse Lily. – Eu estava muito temerosa pela minha filha, principalmente com o assédio que vem sofrido, mas sabe... Eu acho que ela está lidando com isso de forma ótima. E mais do que isso, acho que você tem feito um enorme bem a ela...
Harry enfim pôde respirar aliviado e até mesmo sorriu.
- Eu acho que você tem feito exatamente tudo o que eu não esperava que você fizesse. – Acrescentou a mãe de sua namorada. – Você vem cuidado da minha filha, vem a protegendo, vem a ensinando e a amando de uma forma tão devota que me deixa incrivelmente satisfeita e de fato, mais tranquila.
- Eu amo Daisy... – Aproveitou para ressaltar. – Eu realmente a amo Lily. Eu jamais faria qualquer coisa, propositalmente, para machuca-la. Nem sempre é fácil, mas que relacionamento é?
- A diferença é que a maioria dos relacionamentos não é público. – Riu Lily sem humor. – Mas está tudo bem... Eu acho que vocês estão num lugar muito bom do relacionamento de vocês. Tome muito cuidado Harry, tanto por você quanto por ela. Ela é jovem, ela tem vinte anos e está perdidamente apaixonada por você, e apesar de que Daisy parece confiante, matura e uma rocha, ela não é inquebrável, ela é bem coração mole, ela é muito mais sensível do que as pessoas imaginam. Ela chora e se magoa com muita facilidade. Não pense que é a minha hipocrisia materna, falando... Eu já tive a idade dela... De fato, na idade dela eu já estava me tornando mãe.
Harry acenou com a cabeça. Ele conhecia uma história não muito diferente... Sua mãe também não era muito mais velha, quando havia se casado e dado a luz ao seu irmão.
- A diferença é que meu ex-marido, assim como eu, era jovem demais. – Murmurou Lily. – Mas sabe, ele acha que eu me casei com ele porque estava grávida de Nate, mas me casei com ele porque o amava. E acredite quando digo, Daisy também se casaria com você se assim a pedisse...
Aquilo, por motivos óbvios, havia enchido Harry de esperança e ele notara que não passara despercebido por Lily, que sorriu e balançou a cabeça negativamente. Ele encolheu os ombros e ela suspirou fortemente.
- É, pois é... Vê como são as coisas? – Lily disse com displicência. – Amor é perigoso para mulheres... Nos faz cometer algumas loucuras que no nosso real estado de espírito, não faríamos. Sim, eu creio que ela se casaria com você sem pensar duas vezes. Eu só não quero ver minha filha arrependida... Eu não quero nunca vê-la lamentar tudo o que vem passado com a mídia, tudo o que ela tem feito tão bem para o relacionamento de vocês. Eu não quero que ela acabe como eu... Desgostosa e depressiva numa cama, desiludida com o mundo, com o casamento e com os filhos.
Harry engoliu em seco. Ele não pretendia que aquilo viesse a acontecer com Daisy, ele se asseguraria – pessoalmente – de que ela estivesse sempre se sentindo plenamente feliz numa vida a dois com ele. Harry também sabia que não seria fácil, mas também não era impossível cumprir o que Lily queria para sua filha.
Aquelas duas... Simplesmente não podiam se perdoar e esquecer o passado e darem a outra, uma nova chance. A chance de serem verdadeiramente mãe e filha.
- Obrigado Lily. – Tocou o ombro da mulher. – Por ser tão honesta e confiar sua filha a mim... Eu prometo que darei meu melhor e que, contanto que Daisy me queira, eu sempre vou estar do lado dela. E sabe de uma coisa? Eu tenho certeza que ela adoraria ter você também...
-x-
- Será que vocês conseguem me ver agora?
- Uh está meio embaçado ainda...
- Ah sim! Acho que sei qual o problema então...
Aos poucos a visão turva e embaçada, ganhava a forma de nada mais e nada menos que de James Cooper.
Nate ficou um pouco surpreso ao vê-lo, porque de fato seu pai parecia mais velho do que nunca aparentaria nas fotos e também em suas recordações de menino. Em seu lado da mesa, ele optou por permanecer em silêncio enquanto Harry e Daisy tentavam resolver com James, o problema do webcam.
- Uau, que mesa cheia! Olá a todos, já tem certo tempo. – James disse cordialmente. – Vocês estão jantando e eu estou tomando o costumeiro “café da tarde”, aí é chamado de ‘chá das cinco’.
Nate prendeu o riso ao perceber o absoluto silêncio incômodo na mesa. Lily estava mastigando havia meia hora a primeira garfada de seu rocambole e quanto a ele, Nate, não estava se sentindo muito no clima de uma reunião familiar na altura de seus vinte e poucos anos de idade!
- Hm, Harry esse é o meu... – Daisy tomou fôlego, provavelmente exercitando a palavra, porque eles costumavam trata-lo pelo nome, na verdade. – Pai. Hm, James Cooper. E... – Ela tomou fôlego novamente e Nate teve que outra vez prender o riso, aquilo estava sendo engraçado. – Pai, esse é meu namorado, Harry.
Novamente silêncio e novamente, Nate estava pensando no quanto aquela ideia de reunião familiar para Harry ser introduzido aos seus pais, era uma péssima ideia. Tomou um longo gole de água, se perguntando até onde ele iria aguentar aquilo tudo calado.
- Ah é um prazer senhor Cooper... Eu só lamento não poder apertar sua mão. – Harry quebrou o silêncio que havia se instalado.
- O prazer é meu rapaz... Chame-me de James, que tal? – Disse ele com casualidade, apoiando os braços sobre a escrivaninha.
- Pra mim está ótimo. – Harry acenou com a cabeça.
James suspirou e olhou para todos eles, o olhar dele recaiu sobre Daisy e ele, que estavam sentados lado a lado.
- Uh é realmente bom ver a cara de vocês dois sem filtros do Instagram... – Comentou James. – Como vocês estão crianças?
- Crianças... – Nate resmungou.
- Ah, estamos bem. – Daisy apressou-se em dizer, lançando um olhar de soslaio para Nate que deu de ombros, não lamentando nem um pouco. Aliás, lamentava que James não parecesse ter escutado.
- Fico feliz. – James disse e então olhou para Lily. – Eu queria poder aparentar tão bonito, jovem e saudável como você Lils...
- É uma pena que o tempo não seja justo com todos nós.
Nate decidiu que aquele era um ótimo momento para encher sua boca com mais daquele maravilhoso líquido dos deuses... Álcool.
Seria uma noite tumultuada, se dependesse dele...
-x-
O plano era que aquilo fosse uma noite tranquila, a noite que ela teria o prazer de apresentar Harry aos seus pais formalmente. Aquele era o momento que ele, seu namorado, vinha ansiando desde o princípio e que Daisy, de um jeito ou de outro, pusera um monte de expectativa, nos últimos dias...
De fato estava tudo indo muito bem. Harry estava fazendo o possível para incluir James naquela roda de conversas, muito embora Lily e Nate estivessem fazendo um excelente trabalho em fingir que ele não estava à mesa.
Ela realmente estava feliz, porque Harry estava fazendo um excelente trabalho. Ele estava sendo extremamente agradável e James parecia à vontade, muito embora ela mesma, não fizesse questão de garantir a ele aquilo, até porque, não sabia exatamente o que dizer, para que ele se sentisse bem ao redor deles.
Mas é claro que se tratando dos Cooper, as coisas não podiam terminar bem... E tudo começou quando James perdeu uma grande oportunidade de ficar calado.
-... Sabe, na verdade me disseram algo essa tarde que me fez pensar bastante. – James comentou. – Logo após o fim da Copa Mundial, o meu contrato acaba, ou seja, eu tenho a opção de renová-lo ou ir para casa e acho que... Que vou pra casa.
Os olhos de Daisy se arregalaram e mesmo Nate, Lily que estavam levando a sério a missão de ignorar James e fingir que ele não estava presente via Skype, ergueram os olhos de seus pratos, para encararem o laptop.
- O quê? – Daisy murmurou aturdida.
James deu de ombros e soltou um longo suspiro. O que ele proferiu então, Daisy quase não podia acreditar e honestamente, ela desejou que James tivesse ficado calado. Teriam tido uma maravilhosa noite então!
- Eu acho que depois de tantos anos colocando a medicina em primeiro lugar na minha vida, está na hora de eu buscar algo mais pessoal. – Explicou James. – Eu quero ter minha vida agora, eu quero ter meu consultório, ter um trabalho mais tranquilo e voltar para a Inglaterra parece minha chance.
O que gerou toda repercussão, não foi o fato de que James queria voltar para casa, mas sim uma de suas razões...
-... E até porque eu acho que vocês, Daisy e Nate, precisam de mim agora. Eu acho que com toda essa reviravolta que a vida de vocês tem tomado, vocês precisam de um pai.
Daisy escondeu o rosto nas duas mãos, nervosamente, porque ela já estava preparada para o que viria a seguir. Ela, como de costume, não iria surtar, ela não iria fazer uma cena na frente de todos, ela não iria dizer a James o que verdadeiramente queria, após aquela escolha infeliz de palavras.
Havia um monte de coisas que Daisy gostaria de fazer naquele momento – e gritar com James era uma delas – mas não sabia se o motivo pelo qual não conseguia, se tratava de ela ser uma verdadeira idiota, mosca morta ou se porque simplesmente não estava dentro dela gerar um tumulto.
Mas é claro que o mesmo não se podia dizer de Nate.
Primeiro seu irmão riu, chamando a atenção de todos eles – incluindo James – e Daisy logo gemeu baixinho, dando-se conta de que Nathaniel estava bêbado. Ela teria o mandado um olhar, teria o dito para fechar a boca antes de sequer abrir, mas não foi capaz daquilo. Mesmo ela estava indignada demais com o que James dissera...
- Uau... – Comentou Nate enquanto ria. – É uma pena que Daisy e Harry tenham se conhecido apenas no ano passado, uns anos a menos de “atraso” teria nos garantido uma presença paternal ao menos na adolescência.
- Nathaniel... – Lily, ao perceber que Daisy não estava em condição e provavelmente não diria nada, disse em tom de alerta. – Vigie-se.
- Sabe de uma coisa, James? – Nate ignorou completamente o alerta da mãe. – Eu quero um momento de pai e filho agora, vamos lá, eu acho que devemos recuperar o tempo perdido. Eu quero dizer a você agora, o tanto de vezes que eu precisei de um pai e não tive... Ao tanto de vezes que a Daisy precisou do pai e ela, também, não teve.
Daisy balançou a cabeça negativamente, fazendo contagens regressivas em todas as línguas que conhecia e respirou fundo.
- Eu precisei de um pai no dia dos pais durante eu acho que uns doze ou quatorze anos, não tenho certeza. Eu precisei de um pai enquanto minha mãe estava numa cama, se dopando de remédios, calmantes, porque ela não conseguia passar um dia sem surtar e quebrar um vaso na parede! – Nate engoliu em seco e tornou a falar. – Eu precisei de um pai quando eu fui apresentado a provavelmente uns vinte namorados que diziam que iriam se casar com minha mãe. Eu também precisei de um pai quando eu não soube o que fazer, porque estava muito cismado que o tarado do namorado da minha mãe estava olhando pros peitos da minha irmã mais nova! Felizmente, não foi necessário que eu tivesse que fazer alguma coisa! – Acrescentou Nate.
- Nathaniel... Chega ok? – Lily tornou a falar num tom baixo. – Levante-se, vá beber uma água e esfrie a cabeça...
- Calada você também! Porque você sentou a porra da bunda na porra da cadeira pra fingir ser a porra de uma mãe que você não é! Quer bancar a mãezona pro namorado da sua filha, sendo que você não é, porcaria de mãe alguma...!
- Eu sei muito bem que tipo de mãe eu sou! – Lily retrucou alterando o tom de voz. – Não estou falando por mim, eu estou falando por sua irmã... Olha o estado dela!
Daisy não se atreveu a tirar a mão do rosto. Ela podia sentir a mão firme de Harry em sua perna, ele estava em silêncio, segurando-a, mostrando que estava ali e que sempre estaria.
- Ah minha irmã?! Vamos falar de quando a Daisy precisou de um pai, porque eu nem sei por onde, começar. – Nate riu sem humor. – Ela precisou de um pai todas as vezes que Lily simplesmente ignorava-a, porque não podia olhar para Daisy sem se lembrar de você! Ela precisava de um pai no baile de debutantes. Ela precisou de um pai quando começou a fumar maconha, sem parar. Ela precisou de um pai...
Quando o assunto voltou-se para ela, Daisy se negou a ouvir. Ela concentrou-se em qualquer coisa que não fosse à voz de seu irmão que proferia coisas a James sem sequer parar pra respirar. Ela soube, a partir de certo ponto quando o aperto em sua coxa tornara-se mais forte, que James começara a rebater Nate.
À todo tempo a mão dela esteve pousada sobre a de Harry que apertava sua coxa cada vez mais forte. Ela sabia dizer que ele estava tão nervoso quanto ela, porque provavelmente, sabia que Daisy desabaria mais tarde.
Ela sentiu-se envergonhada, tão humilhada, enquanto James e Nate gritavam um com um ao outro. Seria ridículo – e talvez hilário – se aquilo não se tratasse de sua família e ela provavelmente não estaria tão decepcionada, se não tivesse se iludido tanto com a família perfeita de seu namorado...
Aquela era a sua família e ela não era perfeita.
Em Anna Karenina, Tolstói cita: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”.
Naquele momento, a frase não podia fazer mais sentido. Porque Daisy percebeu que nunca conhecera família mais infeliz que a dela...
Nate nunca iria superar o divórcio de seus pais, ele nunca se sentiria menos abandonado por Lily e por James; Lily nunca iria esquecer o primeiro marido e provavelmente nunca se recuperaria totalmente do casamento desastroso que tivera; James, depois daquele dia, com certeza iria renovar o contrato e seguiria a sua missão de ajudar aqueles que não podiam pagar pela medicina.
E quanto a Daisy?
- Amor, você está bem? – Escutou a voz profunda e rouca. A voz de seu anjo.
Tomando coragem para tirar as mãos do rosto pela primeira vez, ela agradeceu por não estar chorando, muito embora soubesse que por pouco.
Ela não olhou para notebook para se certificar de que James estava ainda online; ela não olhou para Lily e nem percebeu seus olhos verdes cheios de apreensão e comovidos com o estado de sua filha caçula e também não percebeu a culpa em Nate, que estava mordendo os próprios lábios e mantendo os punhos cerrados fortemente.
- Harry... – Disse baixinho chamando a atenção dele.
Eu sabia que não teria coragem de bater quando parei na porta da casa dele. Aparentemente, Alden estava lá dentro, eu podia ouvir o som do video-game que ele colocava no último quando estava chateado.
Olhei pra minha mão fechada suspensa no ar, prestes a bater e a vi abaixar mais uma vez, repetindo o mesmo ato de quatro tentativas atrás. Suspirei alto e me virei, desci as escadas e parei para encarar a porta de novo. Podia ver a janela do quarto dele, aberta. Imaginei Alden jogado na cama com os cobertores grandes e macios, um controle na mão e a TV ligada.
Dei as costas a casa e caminhei até a praça perto do mercadinho, me sentei em um banco e fiquei olhando pra minhas próprias pernas. Eu havia tomado um banho, trocando o curativo (usando a caixa de primeiro socorros que eu e Loria havíamos comprado), as roupas e o sapato, vestia agora um short jeans, uma regata preta e um coturno marrom. Me sentia outra pessoa depois de limpa, por isso achei que teria coragem de falar com Alden, mas ali estava eu, sozinha num banco de praça.
A rua estava vazia, no playground, uma criança jogava areia na mãe e ela ria, jogando no garotinho também e em outro banco uma senhora alimentava os pombos, fora isso, mais ninguém.Por mais calor que fizesse nessa época do ano, um vento gelado me alcançou, lançando arrepios pelo meu corpo. Me levantei um pouco tonta, resultado de noites mal dormidas, sacudi a cabeça pra me livrar da sensação vertiginosa.
Caminhei pela calçada totalmente sem rumo, procurando algo para me apoiar, acabei escorregando o corpo pela parede e sentando. Apoiei a cabeça nos joelhos e respirei fundo. Depois de alguns instantes de silêncio pude ouvir passos, não me incomodei, quem quisesse passaria por mim sem problemas, eu ocupava pouco espaço na calçada.
- Ashy? - Os passos pararam na minha frente.
Meu corpo todo gelou e um medo insano me invadiu quando reconheci a voz. Era a voz de Chuck, mas não, não podia ser. Eu esperava não ter que encontrá-lo nunca mais.
Levantei minha cabeça lentamente, aflita, para me deparar com ele, me olhando como se nada de ruim tivesse acontecido entre nós. Meu coração pulou, dando um nó gigante, eu não podia acreditar, era ele, o Chuck que eu conhecia e amava.
No entanto, a desconfiança era demais e tudo que eu pude fazer foi me afastar dele, me espremer contra a parede e fechar os olhos com força, torcendo que tudo fosse um pesadelo estranho.
Chuck: Tá tudo bem, você pode abrir os olhos. - Ele sentou-se do meu lado na calçada, sua voz era doce.
Eu o fiz, mas não consegui dizer nada. Reparei que ele tinha sentado a alguns bons centímetros de mim, e que eu fiquei ansiosa para acabar com aquela pequena distância e abraçá-lo. E então o instinto de correr, fugir daquela situação me invadiu, fazendo com que eu ficasse extremamente confusa. No fim, eu suspirei, me mantendo no lugar, eu sabia que não iria sair dali sem escutar o que ele tinha pra falar.
Chuck: Sei que eu não devia ter voltado, mas em algum momento entre a saída de SP e a chegada aqui eu soube que tinha que te pedir desculpa por tudo. - Ele pousou as mãos nos joelhos.
Ele vestia uma calça jeans velha e uma blusa surrada vermelha, visivelmente amarrotadas.
Eu: Então você pegou o trem mesmo sem saber se me pediria desculpas? - Eu o encarei.
Chuck: Não te assusta mais do que me assusta. - Ele desviou o olhar. Uma calma inacreditável me invadiu, fazendo com que eu tomasse coragem pra perguntar o que havia me perturbado durante toda a ausência de Chuck, depois do que havia acontecido naquele beco.
Eu: Só me diz o porquê. - Eu olhei pra frente e encarei meus pés. - Me diz porque me beijou, porque disse que eu não poderia me apaixonar por você, porque fez aquela cena toda e depois foi embora. - Eu o ouvi suspirar, certamente procurando por onde começar.
Chuck: Eu te beijei porque eu estava afim de você. - Eu não ousei virar para olhá-lo. - Não só aquele dia, eu sempre tive uma paixonite por você, com sua vinda pra cá, só se intensificou. Eu fiquei maluco sem você, perdi o controle, Ben já não me aguentava mais. Foi então que eu arrastei ele até aqui. - Ele suspirou. - Então eu perdi o controle de novo e te beijei. - Pude ver ele se mexendo desconfortavelmente pelo canto dos olhos. - Eu fui covarde, Ashy, tive medo que estivesse ficando comigo por pena, e então fui um completo idiota - Ele parou, tomando um tom triste. - ...e te machuquei. - Ele disse, com nojo. - Eu tive consciência de que tava usando muita força quando te segurei pelos braços, e que fui extremamente cruel por aquele tapa, mas não estava nem aí na hora. Acho que parte da razão pra minha fuga foi isso, eu não me reconheci. Nunca, nunca iria passar pela minha cabeça que eu te machucaria, mas eu o fiz e me arrependo cada dia da minha vida por isso. - Ele suspirou e eu me virei para ele.
O encarei por alguns segundos, procurando alguma falha, algo que me dissesse pra correr, me esconder, mas tudo que eu vi foi um Chuck extremamente cansado e triste. Ele puxou a mochila para o colo, a abriu e tirou um colar lá de dentro. Eu reconhecia aquele colar, era o colar que Ben sempre usava.
Chuck: Eu contei a história toda pro Ben, e ele me chutou da casa dele, só me deixou entrar quando eu mostrei a passagem pra cá e disse que viria me desculpar com você. - Ele deu um sorriso triste. - Ele pediu que eu trouxesse isso pra você. - Ele estendeu o colar até mim, que fiz uma concha com as mãos e o agarrei quando ele soltou.
Eu: Você ainda não tá desculpado. - Eu suspirei. - Achei que nunca diria isso, mas não confio mais em você.
Chuck: Fico feliz pelo simples fato de que você me escutou. - Ele estendeu sua mão na minha direção.
Eu coloquei minha mão em cima da sua, apertando o colar de Ben entre elas como um símbolo de que nossa amizade pudesse ser salva.
*Narração Melissa* Júlia não estava entendendo nada do que estava acontecendo, então prometi a ela que depois eu iria explicar pra ela. - Vai embora na minha frente, e não deixa ele te ver. Te ligo depois, amiga. - abracei-a e dei um beijo em seu rosto. Esperei Júlia sair na minha frente, e então segui no corredor até onde Anderson estava. - Oi, amor. Estou me sentindo melhor. - sorri e abracei-o. - Oi, Mel. Como está nosso filho? Você iria fazer alguns exames... - Anderson começou a questionar. - Sim, eu fiz e os resultados estão aqui dentro do envelope, Andy. - sorri ao entregar o mesmo para ele. - O resultado oficial, o ultrassom... Parece que nosso filho está bem, amor. - Andy sorriu e me abraçou forte. - Sim, está tudo bem com ele, meu amor. - forcei um sorriso. - Eu não sei bem, mas essas coisas pretas aqui, seria nosso filho? - Andy olhava o ultrassom. - Sim, amor. Isso mesmo. - eu continuava forçando para sorrir. - Mas Mel, porque não me deixou entrar no consultório? Eu sou o pai, queria que o médico conversasse comigo. - Anderson questionava. - Andy, está tudo bem.. O médico disse que você está fazendo tudo certo, não se preocupe. - menti. - Tudo bem, tudo bem. Vamos embora então. - ele beijou minha testa e me levou até meu carro. Parece que depois do que houve comigo, Anderson estava mais animado com minha suposta gravidez. Eu não queria enganá-lo, mas se eu não o prendesse, Giovana com certeza iria roubá-lo mim. Depois de alguns minutos, chegamos em casa. Já havia amanhecido, e eu nem percebi. - Amor, eu vou pro meu quarto tomar banho, ligar pra uma amiga e depois fico com você aqui na sala, tudo bem? - disse num tom calmo à Anderson. - Tudo bem, Mel. Eu vou fazer nosso café da manhã. - ele disse me mandando beijos. Sorri para ele, e então subi para ligar para Júlia e me explicar. Pra ela continuar me ajudando, eu precisava me justificar e convencê-la de que o que estou fazendo é necessário. *Narração Giovana* Depois de passar 2 dias na casa de Felipe, disse a ele que iria para casa cuidar de Melissa, e do meu sobrinho, ou minha sobrinha. Eu estava sem noticias nenhuma, então resolvi ir para casa passar um tempo com ela. Entrei na minha casa e vi Anderson na cozinha usando o liquidificador, provavelmente, para fazer vitamina. Nem o comprimentei, apenas subi as escadas para ir para o meu quarto. Como Melissa não estava no andar debaixo, deduzi que estava em seu quarto então fui até lá. A porta estava semiaberta e então a ouvi conversando com alguém. - Eu sei, Júlia. De qualquer forma, muito obrigada. Já pensou se o Anderson descobre? - Melissa cochichava ao celular. Quando ouvi aquilo, pensei em entrar no quarto, porém, continuei ali. Na escuta. - É tudo uma questão de tempo, Júlia. Você não confia em mim? Eu o amo. E com o tempo, isso vai se tornar real. Por enquanto, preciso de sua ajuda. - Mel fazia uma voz de carência. - Espere, Júlia, tem alguém aqui. - Melissa veio em direção a porta e me flagrou ouvindo-a. - O.. Oi Mel. Vim ver como está. - tentei disfarçar. - Júlia, depois te ligo. - Mel desligou o celular. - Giovana, eu sei do seu joguinho, tudo bem? Não sei o que você ouviu, mas fique LONGE da minha vida e do meu namorado. O Anderson nunca vai te amar, adivinha porque? Por causa disso aqui. - Mel gritava e passava sua mão em sua barriga. - Mel, não seja injusta comigo. Eu não quero, nem tenho nada com o Anderson. - eu tremia. - Eu estava preocupada com você. - Ô tadinha, ela estava preocupada comigo. - Melissa me ironizava. - Eu já tenho 20 anos, e você tem que parar de se meter na minha vida, que saco. - ela continuava a aumentar o volume da voz. Anderson subiu as escadas e nos viu discutindo. - Mel, eu preparei café da manhã especial pra você. Não vai descer, não? - Anderson nos interrompeu. - Eu já estou indo, Andy. Não tenho mais nada para conversar com essa aqui. - ela me olhou desprezadamente de cima abaixo enquanto descia as escadas com Anderson. Engoli o choro e a raiva juntos, e pensei em fazer algo para descobrir o que Melissa tanto inventava. Então liguei para Daniel, pois não tinha o número de Elidio. - Alô? - Dani perguntava. - Daniel, é a Giovana. Eu preciso conversar sério com Elidio. - eu exigia. - Tudo bem. Aconteceu alguma coisa? Porque eu não posso saber? - Daniel me enchia de perguntas. - Daniel, depois te explico. Passa pro Elidio! - continuei a exigir. - Oi, Gio. Sou eu. - Elidio dizia. - Elidio, você me disse que qualquer coisa estranha que acontecesse em meio à essa gravidez de Melissa eu podia te procurar, e aconteceu. Precisamos conversar! - eu dizia tremendo. - Acalme-se, Gio. Me encontre daqui a 20 minutos na sorveteria perto de sua casa. - Elidio disse e então desligou a ligação. *Narração Elidio* Eu não sabia o que Giovana iria me dizer, mas já sabia que era algo que confirmava minhas suspeitas. Meu desafio era sair, sem o Daniel desconfiar do assunto. - Onde você vai sem mim? - Daniel me perguntou. - Não é nada, DanDan. É sério. Ela só quer conversar comigo a sós, quando ela me contar você saberá. - tentei convencê-lo. - Hm... - Daniel resmungou. Troquei de roupa rapidamente e dei um beijo na testa de Daniel dizendo que o amava e então sai para a sorveteria. Cheguei na mesma, em 15 minutos, e Gio já estava lá. - O que aconteceu, Giovana? Eu não posso ficar saindo. Daniel vai desconfiar. - eu dizia ansiosamente. - Eu ouvi uma conversa da Melissa com a amiga dela de anos, Júlia. Essa Júlia está grávida tem 3 meses, mas só ficamos sabendo porque ela postou no facebook. Ela e Melissa não conversavam há 3 anos, e de repente... Estavam se falando. Enfim, essa Júlia é uma cobra mentirosa, e Melissa dizia algo sobre "o Anderson não pode saber", "obrigada por me ajudar", eu tento ligar os fatos, mas estou confusa. - Então, essa Júlia está grávida? E Melissa diz estar também? E de repente voltaram a se falar? E tem algo que Anderson não pode saber? Isso só confirma o que eu já sabia. - expliquei à Gio. - Elidio, do que está falando? Melissa está grávida, 4 testes de gravidez, todos positivos. - retruquei. - Giovana, você viu esses testes? Você os viu na mão de Melissa assim que ela o fez? O que te garante que ela não mentiu sobre isso? - eu a questionava. - Elidio, a Melissa não seria capaz... - Gio dizia confusa. - Giovana, liguemos os fatos. Antes de ontem, eu e Daniel discutimos, então ele foi para sua casa. Ele disse que Melissa já sente os chutes do bebê. Eu não sei como um bebê recém-gerado pode chutar. - eu a alertava. - Isso eu também acho suspeito, Elidio. Você acha que ela está mentindo? E porque mentiria, Lico? O Anderson está com ela! - Giovana tentava achar uma razão. - Giovana, Giovana... Anderson está com ela porque você não o quer. Ele é louco por você. Quando vocês eram apenas pessoas que se "trombavam" na praia, ele só falava de você. - Elidio sorria de lado. - Sim, ele sempre falava com ódio sobre mim. Só ódio. Ele só sabia discutir comigo. - eu explicava. - Ele apenas disfarça esse amor que ele sente, para não sofrer. Pois você não o quer. É lógico, que Melissa deve ter visto, percebido algo e quer prendê-lo à ela. - Lico disse piscando de lado. - Elidio, se isso for verdade... Ainda dá tempo de eu ser feliz com o Anderson? - eu me animava. - Giovana, não entendi. Você mesma deixou claro pra ele que não tem a menor chance de ficarem juntos... - Lico perguntava surpreso. - Elidio... Eu não queria me envolver a distância. Eu ia me machucar, e machucá-lo, mas desde que essa gravidez surgiu... E eu vejo os dois juntos, eu morro por dentro cada dia mais. Eu o amo de verdade. - eu desabafava. Elidio pegou meu rosto em suas mãos e fez algumas caricias no mesmo. - Se você quer que a máscara da sua irmã caia, temos que "bolar" um plano. Que prove ao Anderson que esse filho não existe. - Elidio sugeria. - Tudo bem. Mas antes, tenho que alertar ao Anderson... Vou mandar uma mensagem. - eu prossegui. - Deixa que eu mando. Irei avisá-lo para não ter relações sexuais com ela. - Elidio completou. - Melhor não, Elidio. Melissa vai ver essa mensagem e irá surtar. Melhor agirmos. Rápido. - respondi. - Tudo bem, Giovana. Você tem alguma ideia? - Lico perguntou. - Tenho. Precisamos agir em conjunto. Eu irei arrumar um jeito de cobrar a ida de Melissa ao médico, e ela provavelmente, irá prometer que vai. Te darei um toque, e você irá segui-la. Você precisa de um carro emprestado, pois se ela ver o meu carro, ou o de Felipe, irá desconfiar. - eu sugeria. - Pra quem eu peço, Gio? Não conheço ninguém. - Lico se lamentava. - Eu irei conversar com a mãe de Felipe, e você pega o carro dela. - completei. - Tudo bem, Gio. Muito bom saber que tem alguém inteligente nessa história, junto comigo. Não conte nada ao Daniel, nada! - Lico me alertava. - Ok, Lico. Não se preocupe. Não deixarei nada atrapalhar o relacionamento de vocês. - eu sorri. Elidio me passou seu número para qualquer problema que desse, e então me abraçou e nos despedimos, pois ficamos conversando ali por 1 hora, e Daniel iria enchê-lo de perguntas. Então, mandei uma mensagem para Elidio: "Irei mandar uma mensagem à Daniel, que você veio me ajudar com uma matéria em Física pois hoje à noite eu tenho prova na faculdade, e não sabia de nada. Boa sorte, querido." Assim que enviei para Elidio, mandei para Daniel: "Dani, desculpa ter tomado seu namorado de você. Tenho prova hoje à noite na faculdade e cairá várias coisas de Física das quais eu não sabia, então viemos estudar perto daqui de casa. Eu briguei com Melissa, por isso não foi na minha casa. Beijos." Eu só torcia para que Daniel acreditasse e não discutisse com Elidio.
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O celular de Melanie vibrou. Mensagem da Babi no grupo das meninas no whatsapp:
' Eu e o Edu estamos indo, venham aqui pro café pra
agente se despedir. Amo vocês! '
Melanie pegou a bolsa e os óculos, entrou no carro e passou na casa de Bia e de Anabel pra dar carona.
-Não queria que estivesse sido assim - Bia falou com uma lágrima querendo sair de seus olhos.
-Eu também não! A gente tava tão bem - Anabel completou.
-Eu sei.. Queria que tudo voltasse a ser como antes de eu ter ido pra Londres - Mel falou.
-Acho que antes não tinha tanto problema quanto tem agora..
O carro parou e elas desceram e foram em direção ao café, onde Babi, Edu, Ricardo, Lucas, Caio, Leticia, Vini, o Fê, a Emma, Logan e a Isa estavam sentados.
-Até que enfim, gatas - Babi falou e elas perceberam os olhos claros de Barbara inchados e vermelhos.
-Eu vou sentir tan..tanto a sua falta - Leticia abraçou Babi e começou a chorar.
-Eu também - Barbara respondeu e enxugou os olhos - Mas, o Matheus, quer dizer, o bebê vai querer visitas de vez enquanto na nova casa dele.
-E a gente vem visitar vocês também, quando a gente puder - Eduardo completou.
-É bom mesmo - Isabela falou entre os soluços.
-Agora chega de choro - Leticia falou - Porque a gente tem que aproveitar o pouco tempo juntinhos!
-Também acho, agora abraço em grupooooooooooo! - Logan brincou e todos riram.
-Vou sentir falta de vocês doi..três! - Vinicius falou.
-Ei, pensem pelo lado bom - Fernando tentou acalmar todo mundo - A gente vai viajar em grupo pra ir visitar eles, e eles vão vir aqui sempre, né?
-É.
-Ei, eu comprei uma coisa - Bia falou e tirou da bolsa um presentinho - Presente meu e do Ric!
Babi pegou o embrulho e abriu.
-Awwwwwwwn, obrigada, seus lindos - Ela cheirou os sapatinhos brancos de tricô de neném - A primeira peça de roupa dele.. Obrigada mesmo - Ela sorriu.
-O titio Caio e os outros titios e titas também compraram uma coisa - Caio falou e colocou as mãos no bolso enquanto eles riam da expressão 'titio e titias' - Aqui!
Ele entregou um embrulho pequeno.
-Gente, não precisava. Valeu, mesmo! - Eduardo falou enquanto Babi observava uma correntinha dourada com a escrita: 'Nosso neném'.
-Eu acho a coisa mais fofa do mundo isso que vocês fizeram - Babi falou e ficou de pé. Bia chegou perto e deu um beijo na barriga dela e todas as meninas fizeram o mesmo - Agora a gente tem que ir!
-Ah, mas.. - Lucas começou e as meninas interromperam com choros.
Todos abraçaram a Babi e o Edu e falaram algo do tipo como 'Vou sentir saudades' ou 'Vem nos visitar sempre, ok?'.
Eles acompanharam os dois (ops!), os três até o carro e ficaram parados olhando Eduardo dar a partida no carro e ir embora.
-Quando a gente vai ver eles? - Bia perguntou pra Ricardo.
-Não sei.. Eles vão ficar muito longe.. - Ric respondeu.
-Vou sentir tanta falta - Leticia encostou o rosto no peito de Fernando, que a apertou em um abraço.
-Eu acho que eles não querem que ficamos assim - Logan falou.
-Isso.. Bola pra cima - Caio falou.
-Concordo - Vinicius completou - Claro que vamos sentir saudade e tals, mas não podemos ficar desanimados.
-É - Lucas falou - Que tal esse fim de semana irmos pra minha casa de praia?
-Isso - Mel concordou.
-A gente aproveita o feriadão de segunda, terça e quarta e emenda a semana toda! - Anabel falou e eles assentiram.
-Incrivel como tudo entre vocês termina em festa - Emma falou e riu.
-Eu sei.. Somos o máximo - Caio falou, fez um gesto gay e saiu rebolando, o que fez todos cairem na gargalhada.
Uma menina que passava na rua viu e riu junto com a galera.
-Ei, gata, qual seu nome? - Caio ainda imitava uma voz de gay.
-Por que quer saber? - Ela sorriu.
-Ui, gata e marrenta, adoro! - Caio voltou a voz normal e deu um beijo na bochecha dela, e ela se afastou - Quer ver um filminho?
Ela fez um gesto como o de quem está pensando e ele colocou a mão em sua cintura e foram andando em direção ao cinema.
-Esse Caio é figura - Ricardo riu e se virou pra Bia.
-Esse meu irmão - Ela riu - To a fim de uma pizza, vamos? - Bia perguntou e todos concordaram e foram entrando em seus carros.
-Vem comigo - Ricardo falou e puxou Bia pra dentro do carro dele.
Eu fiquei em choque, a Alice gravida? Logo a mais certinha de nós? - Você tem certeza absoluta? - Tenho. Ela me mostrou dois testes de farmácia e um papelzinho, que acho que era um exame médico. - E o que você pretende fazer quanto a isso? - Eu vou abortar, o Jason não vai mais querer namorar comigo se eu tiver um bebê. - Ali, ele não vai parar de te amar por causa desse bebê, eu conheço ele desde sempre, eu só acho que você deveria contar pra ele e vocês dois decidirem o que vão fazer. - Eu tentei, mil e uma vezes, mas nunca sai. - O que nunca sai, meu amor?- O Jason apareceu de repente na porta.- Pera aí, você tava chorando? Ele foi até ela e a abraçou. - Jay, você não vai mais me amar depois disso. - Disso o que, Alice? - Promete que vai continuar me amando? - Prometo. - Eu tô gravida. Ele ficou sem foco. - Viu! Eu disse que você ia parar de me amar! - Não diz uma coisa dessas, Lice. Eu nunca vou parar de te amar. Eu só preciso de um tempo... pra pensar. - Tudo bem. Ele deu um beijo na testa dela e saiu, me sentei de perna de indio na cama dela e abri os braços num gesto pra ela vir comigo, ela deitou com a cabeça nas minhas pernas e eu fiquei fazendo carinho no seu cabelo. - Quer dormir comigo hoje, Ali? - Mas e os meninos? - Eles liberam a minha cama e dormem num colchão no chão. - Se não for muito incomodo... - Nem um pouco! Vem, vamos lá. Puxei ela pela mão e a guiei até meu quarto, os meninos já estavam "felizes". - Fala Lice!- O Vinicius disse dando um abraço de urso nela. Ela riu e por um momento esqueceu dos seus problemas. Fui até a cozinha e enchi dois copos iguais àquele de antes, um normal e levei pro quarto, entreguei o menor pra Alice. - Vira! Ela olhou indecisa e todo mundo começou "vira, vira, vira!". Ela virou o copo e foi dando várias golada, até que bateu com força o copo vazio na mesa, nós comemoramos e fomos passando os dois outros copos. Quando eu já estava bêbada o Thiago tirou um pacotinho com um conteúdo que eu conhecia tanto... Mas os meninos não podiam ver. - Shiiii! Os meninos não podem saber que eu fumo maconha!- Gritei atropelando as palavras. Eu tava meio lerda e percebi que todos me olhavam. - Tu fuma maconha?! Desde quando? - O Renan me olhou surpreso e com um sorriso bêbado. Dei de ombros. - Só quando me dão, desde sempre, culpa do Thiago. - Culpa minha!- Ele deu um grito alto demais. - Foi, agora enrola esse caralho e vamo fumar logo. Ele fez o que eu pedi e eu fui a primeira, traguei bem fundo e aproveitei a sensação, o baseado foi passando de mão em mão e até me assustei quando a Alice tragou sem nem reclamar. Tudo começou a ficar ainda mais alegre, agarrei o Renan que estava brilhando e beijei com uma pegada incrível, depois me afastei. - Vamos pra praia! - Mas eu tô de roupa!- A Alice disse rindo e olhando para seus seios com a blusa puxada. - Resolvo esse problema agora! Beijei ela e ela se assustou por um momento, ma depois ela estava indo com mais ferocidade ainda. Tiramos as roupas e os meninos também, saímos do apartamento pelados mesmo e corremos pra praia do outro lado da rua. Assim que entrei na água minhas pernas viraram calda e eu me senti uma sereia, tava muito afim de transar com alguém na água. - Eu quero transar!- Gritei. O Igor me olhou assustado. - Cê ta nadando na lava, Alaska! - Eu sou uma sereia! A Alice olhou pra baixo, fez uma cara surpresa e caiu quase de cara na areia. - Droga, eu sou uma sereia também! - Eba! Vamos fazer uma transa de sereias! - Eba! Ela se levantou e veio pulando com os dois pés juntos, aos poucos foram se transformando em cauda. Ela pôs os braços envolta do meu pescoço e me beijou, fui massageando seus seios, ela tirou seus braços e enfiou dois dedos dentro de mim, eu soltei um gemido abafado pelos nossos beijos. Enfiei dois nela também e ficamos naquela posição de tira e bota o dedo por um bom tempo, os meninos ficavam dando estrela e correndo pela areia, depois entrou todo mundo na água, rolou mó guerrinha de água e ainda briga de galo, quando estava amanhecendo voltamos pra casa, tomamos banho e fomos dormir, acabamos todos dormindo na mesma cama. Acordei e os malandros ainda estavam todos dormindo, joguei meu cabelo pro lado pra não ficar tão bagunçado, me espreguicei e fui pra cozinha. Pus sucrilhos numa tigela, encostei na bancada e fiquei comendo, o Thiago apareceu só de cueca e veio até mim. - Ontem foi daora. - E os meninos descobriram sobre a maconha, eu tava meio bêbada. - Meio?! Tu pegou a Alice! Arregalei os olhos e busquei na mente, demorei um pouco mas lembrei. - Puta merda! - Acho que ela gostou pra caralho, me da um pouco? Colou sua virilha com a minha e eu dei o cereal na sua boca. - Acho que vou dormir mais um pouco, tô cansadão. - Ok, a gente se vê mais tarde então. Ele me deu um beijo, fui até o quarto com ele, botei um biquíni, peguei minha toalha, meus óculos escuros, meu celular e fui pra praia. Logo que cheguei um grupinho de garotos veio falar comigo. - Você que é a garota da foto?- Um deles falou sorrindo. - Que foto? - Essa? Ele pegou o celular, pus os óculos no alto da cabeça pra ver melhor, era uma foto minha e da Marina com a virilha e os seios encostados, estávamos completamente peladas, mas nada aparecia demais, nos beijávamos, eu lembro dessa foto, tiramos no verão passado antes da viagem. - Onde vocês conseguiram essa foto? - Uma mina postou no facebook dela, mas com certeza não é ela, ela te conhece, é você não é? - Infelizmente é. - Porque infelizmente? Tem uma raça de caras babando pela sua foto. - Quem postou? - Uma tal de Nicole, ela disse que tem muito mais de onde essa veio. - Eu vou matar aquela vadia! - Tira uma foto com a gente? - Pra que?- Fiquei confusa. - Você é famosa! - Só se você me passar essa foto depois, eu preciso dela. - Fechado. Fiquei no meio deles sorrindo e todos me abraçando, tiramos a foto. - Ta agora me passa. - Qual teu numero? Passei pra ele e logo ela chegou. - Fechou? Vou vazar, falou caras! O que estava conversando comigo me segurou pelo braço. - Tira uma foto só comigo? - A última? - A última. Nessa foto eu tive que dar um selinho nele, fiquei meio receosa mais dei. - Aparece mais vezes, ....? - Alaska. - Ah, ok, eu sou Andrew. - Falou então, Andrew vou lá pra casa. - Tchau! Voltei para o apartamento, corri para o quarto da Marina e ela estava transando com o Logan, ri, empurrei ele de cima dela e ela me olhou feio. - O que que você quer porra? - Olha o pressentinho que a vadia nos deu.- Mostrei o celular. O Logan me xingou de tudo o quanto é nome. - Cala boca, amor, é importante!- Ela se virou pra mim novamente.- Como tu achou isso? - Uns garotos pediram pra tirar foto comigo me perguntando se eu era a garota da foto, foi a Nicole que postou. - E tu ainda tem dúvidas? - Alaska ta famosa, hein? Pedindo até...- Interrompi ele quase botando o celular na sua cara.- Que porra é essa? - Nossa foto do verão passado, onde ela consegui isso, Alaska? - Tu ainda tem aquele pen drive? - Tenho. Ela foi mexendo nas bolsas e encontrou, pôs no computador e tava cheio de foto da gente pelada. - Acho que ela copiou tudo, pelo o que eu soube tem "muito mais da onde veio". - Como ela conseguiu entrar aqui? Nós três nos olhamos e dissemos juntos: - Travis! - Eu vou matar aquela vagabunda! - A gente vai ter uma conversinha. - Como que a gente vai conseguir o endereço dela? Eu e a Mari nos viramos pra ele. - Nem olhem pra mim, eu já nem tenho mais, mas sei alguém que tem e esse alguém é o Travis. - Alaska, lamento, mas você vai ter que fazer seus joguinhos sujos e eu tenho a coisa perfeita. Ela foi até uma das gavetas e pegou uma algema daquelas que se compram no sex shop. - Eu vou ter que usar isso? - Não em ti, nele! - Me da isso antes que eu desista. Peguei e fui direto para o seu quarto, ele estava dormindo, mas parecia que ia acordar daqui a pouco, prendi seu braço na cabeceira da cama e comecei a cavalgar em cima dele, ele foi logo acordando. Assim que abriu os olhos sorriu. - O que você ta fazendo aqui? - Pedindo desculpas, afinal você tava certo, eu tava namorando e você tem toda a liberdade do mundo. - Que bom que olhou pelo meu lado.- Olhou para seu braço.- Pra que isso? - Pra ficar mais interessante, oras! Por falar nisso eu preciso do endereço da Nick, preciso pedir desculpas pra ela, já que xinguei ela sem motivos. - Ela deixou pra mim num papel em cima da escrivaninha. - ta, só um minuto. Fui até a escrivaninha, peguei o tal papel e voltei pra cama, fiquei passando meus lábios pelos dele sem beija-lo, depois sai da cama. - Onde você vai? - Ter uma conversinha com uma vadia qualquer, quem mandou ser otário? Peguei um vestido no meu quarto, pus e encontrei os dois na sala. - Vamos?- Disse mostrando o papel. Pegamos um taxi até o endereço, batemos na porta e ela mesma atendeu. - Alaska? - Precisamos conversar!