E era aquele raiozinho de sol da primavera, que acordara Daisy naquela manhã. Suspirando, ela se viu deitada sobre o peito de Harry e com um sorriso, percebeu que ele roncava alto e gostoso. Se eles não tivessem que pegar estrada em alguns minutos, ela provavelmente morreria por ter que acordá-lo.
- Psiu, dorminhoco... – Murmurou no ouvido dele, passando a mão na barriga nua delicadamente. – Vamos levantar.
- Hm... – Ele resmungou, mas sem abrir os olhos, contudo, como de costume, ele já estava acordado no primeiro chamado.
Daisy sorriu e não o chamou mais, na verdade, permaneceu abraçada a Harry passando seus pés pelas pernas dele e deixando que aos poucos, ele recuperasse os sentidos e a sonolência passasse.
Mordendo os lábios, não acreditou no que estava para acontecer. Ela iria a uma viagem com Harry, mas aquele não era o inacreditável da história, e sim que eles iriam para Highgrove e Daisy estaria passando um final de semana inteiro na companhia do pai de Harry, sua madrasta, sua cunhada, seu irmão e seu sobrinho.
- Bom dia. – Escutou-o dizer com a voz rouca e oferecer os lábios, querendo o costumeiro beijo que eles trocavam ainda na cama.
- Bom dia, roncador. – Disse com um sorriso de lado, antes de depositar o selinho. – O despertador vai tocar em um minuto...
- Ugh, você podia ter esperado o despertador tocar. – Choramingou Harry escondendo o rosto em seu pescoço e respirando profundamente. – Eu estou com tanta preguiça de dirigir a essa hora...
- Bem, eles estão nos esperando para o almoço. – Murmurou Daisy. – E eu peguei folga do serviço, justamente porque o senhor disse que fazia questão que eu aproveitasse três dias inteirinhos!
- Eu sei, eu sei... – Resmungou Harry e beijou a pele de seu pescoço. – Hm... Vamos ficar assim só mais um pouquinho? Só até o despertador tocar...
Sorrindo, sabendo exatamente o que ele queria dizer com ‘vamos ficar assim’, Daisy silenciou-se e permitiu a Harry aqueles segundos de carinho e preguiça. Seus dedos cavaram o couro cabeludo dele, arranhando de leve a região e suspirando ao sentir os leves beijos em seu pescoço. Ainda abraçados, eles simplesmente não tinham malícia no ato – apesar da vida sexual bastante ativa – porque algumas vezes, eles apenas queriam o carinho e não a paixão, o fervor, o tesão... Às vezes carinho era o suficiente.
Mesmo que não durasse o tanto que eles gostariam...
- Maldito despertador. – Escutou Harry resmungar.
Harry se deu conta naquela manhã que havia muito, muito tempo desde que Daisy estivera em seu apartamento. Ele percebeu aquilo quando ela o perguntou por que haviam mudado as coisas de lugar na cozinha.
‘Para facilitar para a governanta...’ Ele respondeu automaticamente, enquanto a via preparar seu café da manhã.
A ironia da coisa é que a última vez que ela estivera ali, também estava cozinhando pra ele. Naquela época, ela parecia mais a vontade na sua cozinha, isso porque Daisy pra frente como era, havia simplesmente organizado as coisas da forma que ela queria, na forma que ela saberia usar e Harry, como o belo namorado babão que era, achava aquilo a coisa mais linda do mundo e não poderia se importar menos se a sua criadagem havia achado ruim ou não.
- Eu amo você nesse pijama... – Harry comentou baixo, admirando-a com o pijama que ele havia a dado de natal e as pantufas de mínions nos pés.
- Há, eu amo quem me deu esse pijama.
- Veja só, ela está romântica hoje!
- Eu sempre sou romântica. – Daisy defendeu-se enquanto levava a frigideira com ovos mexidos até a mesa que Harry estava sentado e colocava um pouco para ela e virava o resto para ele. Ela levou de volta a pia e aproveitou para trazer as torradas, e então, tomou um assento ao lado de Harry. – Agora, vamos comer isso rápido... Eu não quero errar com minha pontualidade britânica, logo no dia que eu vou conhecer seu pai.
Harry sorriu e enfiou os ovos na boca ao ver como ela, apesar de estar ansiosa, parecia a vontade com a ideia de econhe-lo. Novamente, a imaginação dele estava vagando num futuro promissor com Daisy e provavelmente Harry estava sorrindo sozinho, porque ela o perguntou.
- Você está rindo de quê? – Perguntou Daisy com o cenho franzido.
- Nada querida. Vamos, eu não quero manchar sua pontualidade britânica. – Apressou-a a voltar a comer.
Não que Highgrove fosse longe, mas dava cerca de umas três horas de viagem. Já no carro, Harry estava se sentindo extremamente ansioso.
A única namorada que chegara a introduzir formalmente a seu pai, havia sido Chelsy e agora, ele estava levando Daisy para conhecê-lo. Havia demorado, reconhecia... Ele realmente levara a sério o lance de dá-la um tempo, de fazê-la se adaptar ao seu meio e também conhecer seus amigos, antes de avançarem para a coisa importante daquilo tudo.
Ao refletir sobre aquilo se perguntou se algum dia ele seria formalmente apresentado a Lily ou a James. Harry havia cumprimentado Lily em seu casamento, mas havia sido como convidado de Carl e não como o namorado de sua filha... Pelo que Daisy dizia, sua mãe não daria a mínima, mas ainda assim parecia uma boa coisa, Harry ao menos demonstrar interesse em conhecer a família de Daisy.
- Querido, você deletou o acústico do Kings of Leon? – Daisy reclamou, sem tirar os olhos do iPod, após cerca de vinte minutos de estrada.
Eles optaram por ir no carro privado de Harry e deixaram Simon na Land Rover, seguindo-os logo atrás.
- Eu não escutava. – Explicou com um sorriso de quem pede desculpas e dando seta para indicar ao carro da frente que iria cortá-lo.
- Mas eu escutava! – Daisy replicou, enquanto colocava a lista de musicas no aleatório.
- Ugh, eu posso colocar de novo, depois... – Harry revirou os olhos e então sorriu. – Você não está nem um pouco nervosa?
- Pelo quê? – Perguntou Daisy, com a voz mansa.
- Por conhecer meu pai e Camilla.
- Não. – Daisy sorriu e deu de ombros. – É o pai e a madrasta do meu namorado... Ou ao menos é isso que eu estou dizendo a mim mesma.
- É o quê você definitivamente deveria dizer a si mesma. – Harry assegurou com um sorriso satisfeito. – E antes que eu me esqueça, você não precisa ficar se reverenciando e...
- Eu quero. – Daisy cortou-o. – É claro que eu vou me reverenciar.
- Isso é ridículo... Como você mesma disse está indo conhecer meu pai e não o Príncipe Wales.
- Bem, ele ainda é o Príncipe Wales, apesar de ser seu pai. – Daisy disse lentamente e dando-o um olhar sério. – Ao menos nas apresentações, eu não quero que ele me ache abusada.
- Ele não acharia. Digo, eu não fico me reverenciando a ele. Em eventos sim, mas em casa? Não mesmo.
- É diferente... Você é filho dele. – Daisy suspirou e então disse. – Eu já tomei uma decisão Henry, você não tem que se preocupar em tentar mudá-la porque não vai conseguir.
Ele bem sabia que Daisy quando tomava uma decisão era bem difícil fazê-la repensar sobre o assunto. Acenando com a cabeça, manteve foco na estrada que os levava até Gloucester, que era onde Highgrove se localizava.
Provavelmente ele estava bem mais ansioso que ela. Harry queria muito que seu pai a aprovasse. Apesar de que mesmo que o Príncipe Wales fizesse pouco gosto de Daisy, aquilo não mudaria nada para Harry, mas olhando-a de relance, algo dentro dele dizia que talvez, Daisy fosse ser tão bem aceita quanto Kate havia sido. Talvez até mais!
Ela tinha postura, Harry reconhecia. Daisy sabia conversar sobre tudo e estava sempre surpreendendo outras pessoas ao seu redor. Ele mesmo teve uma surpresa ao chegar no apartamento dela um dia qualquer e pagá-la cantando uma música em espanhol fluente, sendo que Harry nem sequer sabia que ela falava espanhol! Quando a perguntou sobre isso, Daisy balbuciou algo como ‘minha avó vivia resmungando em espanhol aqui e eu ficava irritada de não saber o que ela estava dizendo’.
O que o levou de volta à questão da família de Daisy. Como ela podia não achar importante que ele os conhecesse, que ele soubesse como eles eram, era um completo mistério. Harry realmente gostaria de saber mais sobre aquilo... Ele podia conhecer todos os gostos e só pelo olho, sabia dizer que tamanho ela usava e o que ficaria bonito nela e o que não ficaria. Ele sabia que ela não gostava de abóbora. Sabia também que ela tinha complexo de celulite, mas ainda assim se empanturrava de pizza... Mas ele não sabia nada sobre a família dela! E era frustrante.
- Você tem tios? – Indagou, não querendo tocar em Lily e James ou os avós.
- Meu pai é filho único e que eu saiba, minha mãe tem uma irmã gêmea.
- Você não conhece essa sua tia...?
- Não, mas minha mãe vivia dizendo quando eu era pequena, que eu era topetuda que nem a tal Poppy. – Daisy franziu o cenho e riu.
- Poppy hm? – Harry repetiu tentando registrar aquele nome em sua cabeça. – E os pais da sua mãe?
- Parece que a minha avó materna se casou de novo, porque o meu avô morreu em guerra... Ele era um soldado, como você. – Daisy sorriu e Harry retribuiu o ato, adorando aquele pequeno detalhe compartilhado. – E quando eu perguntei, Lily disse que era um alemão e que ele não queria cuidar das filhas de outro homem. Então, a mãe dela, as deu para a avó de Lily, que é a minha bisavó e já morreu há muito tempo. Eu acho que, inclusive, minha mãe que cuidou dela.
- E o que sua mãe disse sobre a Poppy?
- Lily não tem muito a dizer sobre Poppy eu acho... Parece que a Poppy sempre foi aventureira. Ela saiu pelo mundo a fora. Lily disse que Poppy costumava ligar, mas que depois parou. Oh! Houve uma vez e disso eu me lembro, porque eu tinha uns dez anos, mas Lily recebeu um convite de casamento da Poppy, mas era na França e ela não tinha como nos levar e nem com quem nos deixar, então acabou apenas enviando um presente.
- França? – Harry empolgou-se e sorriu para Daisy. – Não é tão longe... Você não gostaria de conhece-la? Lily talvez saiba de algo.
- Pra quê? Ela nem deve saber que eu existo. – Daisy riu e franziu o cenho, logo então balançando a cabeça negativamente.
- O que foi? – Indagou Harry, se sentindo um pouco incomodado com o fato de que ela estava rindo. – O que eu fiz?
Harry sabia a resposta, mas queria escutar da boca de Daisy. Ela felizmente não estava irritada, como ficava quando o assunto era Lily, James e os avós.
- Você não vai desistir vai? Você quer saber tudo sobre minha família, quer entender porque é todo mundo tão desligado e porque eu não conheço minha tia, porque meus avós são ladrões, porque a minha avó materna é tão parecida com Lily, porque Lily e eu somos desse jeito, porque Nate sente tanta falta do meu pai, porque meu pai nunca deu as caras. – Daisy respirou profundamente e então o olhou, uma calma em seus olhos que realmente o surpreendera, mas mais do que isso, surpreendeu-se de como ela podia lê-lo bem. Ou talvez, de como Daisy podia ler qualquer pessoa, bem.
- Eu só quero seu bem. – Disse com honestidade. – E às vezes eu me preocupo com você... Eu me preocupo com a hostilidade que há entre você e sua família. E então eu vejo como você e Nate são com o outro, como você é com Helen e Walt, comigo... Pelo amor de Deus, o jeito que você foi aberta para meus amigos, como você conversa com Skippy como se conhecessem há dez anos! Eu acho perturbador que você não tenha isso que tem com seus amigos, com as pessoas que são, sangue do seu sangue e às vezes acho que você precisa de mais pessoas para se apoiar.
Daisy acenou com a cabeça. Pela primeira vez, ela estava o escutando e não empurrando o assunto para longe. Harry não queria que ela pensasse que não poderia conversar com ele, que não poderia conversar com os amigos dele, porque eram amigos dela agora. Aqueles meses juntos havia realmente a aproximado de seu grupo... E a aproximado o grupo dela ao seu grupo, mas ainda assim, Daisy precisaria de uma base mais forte. Uma base chamada família.
Harry bem estava ciente de que se não tivesse uma família tão incrivelmente unida e amorosa dentro de casa – não que sempre tenha sido dessa forma – e mesmo que cada um demonstrasse seu amor de um jeito – uns mais explicitamente ou no caso de seu avô, de forma alguma – eles podiam compreender o outro, eles apoiavam o outro.
- Minha mãe tinha essa melhor amiga do colégio... – Daisy começou lentamente. – O nome dela é Barbara Strauss. Ela é minha madrinha. Babi, que é como nós a chamamos, costumava ser bastante presente no nosso cotidiano, até que então, minha mãe entrou em depressão com o divórcio e toda essa coisa... Ela ficou ao redor por mais um ou dois anos, mas então quando minha mãe se recuperou da coisa toda e Blanca voltou para Bristol, a Babi não voltou mais a nossa casa. Mandava sempre um presente de aniversário para Nate e para mim, e quando me formei no ensino médio, ela me deu uns brincos de pérola que eu vivo usando. Bem, eu a visitei há alguns meses, fui na casa dela em York agradecer pelos brincos e acabou que fiquei lá por uma semana... Mas não é como se desse para liga-la todos os dias, até porque eu não quero parecer uma doida e desesperada.
- Mas vocês ainda se falam? – Harry perguntou ansioso, indagando para si mesmo se um dia conheceria Babi, pelo menos.
- Ah claro! Por webcam às vezes conversamos... Ela tem três filhas e eu sou meio que a musa delas. – Daisy revirou os olhos, mas o sorriso não passou despercebido por Harry. – Enfim, elas gostam de brincar de pique-esconde pelo webcam.
- Eu nem sabia que isso era possível...
- Nem eu. – Assegurou Daisy e encostou a cabeça no vidro.
Harry aumentou o som, deixando que Kings of Leon enchesse os ouvidos deles no carro. Não havia mais o que falar, ele não queria pressioná-la mais do que já pressionara. Só de saber que havia, de fato, essa tal de Babi, o deixava mais tranquilo. Apesar de que não tanto, mas deixava-o.
Highgrove era provavelmente um dos lugares mais incríveis que Daisy já vira na vida. Harry dizia que era a ‘casa de campo’ da família, e provavelmente era, mas a casa de campo de um Príncipe era muito mais incrível do que a casa de campo de um dos seus amigos.
Não sabia se era a casa majestosa, com videiras subindo pelas paredes, ou se era o belíssimo jardim que era maior parte obra de Charles. Quando Harry a dissera que seu pai tinha um enorme gosto por jardinagem e que podia se preparar para escutar sobre aquilo, Daisy não imaginou que fosse ser aquilo.
Ela, obviamente, britânica já havia visto fotos de Highgrove, já havia escutado aquilo sobre Charles e inclusive, também sabia que havia um livro sobre todo o trabalho que ele tivera restaurando aquele jardim.
- Maior parte das pessoas pensa que foi equipe e tudo, e é claro que houve uma equipe ajudando, mas meu pai tem muito orgulho de dizer que o trabalho duro foi quase todo dele. – Explicou Harry.
Assim como no Kensington, havia a entrada para visitantes e a entrada particular, e Harry contornou a propriedade, logo parou de frente para portões imponentes e abaixou o vidro do carro.
- Sua Alteza Real. – Disse um dos muitos seguranças, que faziam o mesmo trabalho no Kensington, enquanto fazia uma reverência. – Fez uma boa viagem, senhor?
- Felizmente, Roger. – Harry respondeu com simpatia. – Eles já chegaram?
- Estão o aguardando para o almoço senhor. Qual o nome da senhorita, por favor? E a identificação.
Harry sorriu sem graça, mas Daisy já estando um pouco habituada a aquilo, não viu qualquer problema em esticar a identidade, para o homem que logo acenou com a cabeça e a registrou no sistema.
- Sejam bem vindos, boa estadia senhor. – Desejou o segurança.
Os portões se abriram e rapidamente, Daisy identificou dois Land Rover estacionados na garagem e na porta, surpreendentemente estavam o Príncipe Wales e sua esposa, a Duquesa da Cornualha. Ou no caso – ao menos naquele dia – a família de seu namorado.
De repente um frio na barriga, uma sensação que Daisy não imaginou que fosse sentir, especialmente considerando que ela não estava, exatamente temerosa com aquele encontro, mas que aos poucos se apossava dela.
- Ei, relaxa ok? Está tudo bem. – Harry tocou sua mão e a levou aos lábios, colocando um singelo beijo. – Se eu não soubesse que você iria se sair muito bem e que eles não iriam amá-la, não teria trago você até aqui...
- Há, apenas tentando melhorar às coisas, querida. – Harry piscou. – Agora, mostre ao meu pai a garota que eu me apaixonei, certo?
Foi reconfortante, ela teve que admitir. Ele a lembrou o motivo de que ela estava ali... Harry a amava e aquilo significava alguma coisa provavelmente
Ela abriu a porta lentamente e respirou fundo para o que vinha a seguir. Como será que eles eram? Calorosos? Formas? Hostis?
Será que eles pediriam Daisy para trata-los pelos nomes? E se pedissem, será que Daisy deveria o fazer?
E será que deveria trata-los por ‘senhor e senhora’ ou ‘Sua Alteza Real’?
- Harry! – Exclamou Charles, contidamente e com um enorme sorriso.
- Ei pai... Tem um tempo, uh? – Harry disse enquanto ia um pouco mais a frente.
Não houve qualquer formalidade. Harry abraçou o pai brevemente e o e deu dois beijos no rosto, para então se voltar para sua madrasta e com o mesmo carinho, repetiu o ato.
- Pois é, você tem andado bastante ocupado. – Disse Charles com visível orgulho.
- Ah querido, você tem que aparecer mais vezes. Não pode só trabalhar. – Camilla disse afagando o ombro de Harry.
- Bem, eu duvido que ele esteja só trabalhando, Camilla... – Charles apontou com significância em suas palavras, enquanto seus olhos tranquilos repousavam sobre Daisy. – Você não vai nos apresentar à senhorita, Harry?
Harry revirou os olhos e sorriu, para então caminhar brevemente até ela, que estava a alguns passos, distante, querendo dar um pouco de privacidade a família, e então ela sentiu o braço de Harry em sua cintura e ele a conduziu em direção ao pai e a madrasta.
Daisy engoliu em seco quando se posicionou na frente do Futuro Rei e de sua Princesa consorte. Eles provavelmente deveriam estar rindo interiormente do fato de que ela estava extremamente vermelha e sem jeito.
- Pai, esta é Daisy Cooper, minha namorada e Daisy, este é meu pai. – Harry disse.
- É um prazer senhorita Cooper. – Disse Charles amistoso e sorrindo, oferecendo-a a mão.
- O prazer é meu, senhor. – Daisy disse fazendo uma reverência que saíra até melhor do que imaginava.
- E hm, essa é a minha madrasta. – Harry prosseguiu, prendendo o riso. Por que ele estava rindo, Daisy não queria sequer imaginar.
- É um prazer conhece-la. – Camilla falou, apertando a mão de Daisy e ela, mais do que imediatamente, repetiu a reverência.
- Obrigada, senhora. O prazer é todo meu.
- Por que é que não entram? Depois podem esvaziar o porta malas... Vamos almoçar! Will e Kate estão lá dentro com o pequeno George. – Disse Charles sinalizando com a cabeça para a casa.
A pior parte havia passado e quando Harry enlaçara os dedos dos dois, Daisy se sentiu extremamente mais calma. Os dois deixaram que Camilla e Charles entrassem primeiro, para então segui-los.
Assim como no Kensington, eles entravam pela cozinha e quando eles passaram, os funcionários imediatamente pararam o que estavam fazendo respeitosamente, para cumprimentarem Harry.
- Bom dia Sua Alteza Real, seja bem vindo.
- Seja bem vindo, senhor.
- Obrigado, é sempre um prazer rever vocês. – Disse Harry cordialmente e com aquele impecável sorriso.
Daisy nunca havia visto-o daquela forma. Ali, ele estava como Príncipe e ela notara como Harry parecia escolher sempre bem as palavras, mas à honestidade e simpatia simplesmente exalava de cada uma delas.
Ele era perfeito para aquilo, Daisy percebeu. Não sabia se era porque os anos o deram prática ou se realmente estava dentro de alguém que pertencia a Família Real, ser daquela forma. Porque ao menos, das pessoas que Daisy até agora havia tido o prazer de conhecer, todos eles haviam sido acolhedores, gentis e muito agradáveis.
Eles haviam então chegado a uma sala, uma sala que Daisy conhecia bem porque havia sido ali que Harry e William, sete anos atrás, haviam feito uma entrevista juntos, para promoverem o Concerto para Diana, que era uma homenagem a mãe deles, que além de mãe, havia sido a inspiração de tantas pessoas. Ao invés de chorarem a morte dela, eles queriam celebrar a vida, o tanto que ela havia dado para todos, eles, através do concerto, queriam retribuí-la.
- Olhe só quem chegou, Georgie pode acabar com a agonia dele. – Charles anunciou enquanto adentravam o recinto.
Kate e William, que estavam abraçados e com o filho no colo, imediatamente se colocaram de pé, para cumprimenta-los.
- Ah Daisy, eu estava me perguntando se iria revê-la qualquer dia. – William disse enquanto ia até ela, e a surpreendeu com o costumeiro beijinho no rosto.
- Estou tão feliz que você veio. – Kate disse afagando suas costas, enquanto a dava o costumeiro dois beijinhos. – Harry, pegue seu sobrinho, meus braços doem.
- Quem é o melhor tio do mundo? Uh? Quem é o melhor sobrinho do mundo? É claro que é você, sim é você. – Disse Harry agarrando George mais do que imediatamente e o erguendo no alto, fazendo o bebê gargalhar. – Seus pais não tem pique nenhum, têm Georgie?
Daisy sorriu mais do que imediatamente enquanto via Harry brincar com o bebê e então ele, se voltou para ela, ainda tendo George no colo.
- Ei, George... Você não foi apresentado a Daisy, foi? Veja como ela é bonita, veja que cabelão bonito pra você puxar.
- Você gosta de puxar o cabelo das pessoas George? – Daisy brincou segurando a mãozinha do bebê e sorrindo mais que imediatamente quando ele balbuciou algo. – Olha só, que dentões! Você já está comendo seus vegetais e suas frutinhas?
- Há, com muito custo. – Will disse sorrindo. – Papai cismou que conseguiria convencê-lo a comer maçã, mas não tem jeito, ele odeia maçãs. Ele é o único bebê que odeia maçãs.
- Ei, você costumava adorar maçã, eu pensei que Georgie não seria diferente. – Disse Charles com simpatia, enquanto tomava um lugar no sofá com sua esposa.
Harry e Daisy imediatamente fizeram o mesmo. Não que seu namorado tivesse soltado George, ele havia o levado junto para o sofá que William e Kate ocupavam e agora dividiam, com eles.
- Sei que estamos todos com fome, mas a carne atrasou um pouco por um problema no forno. – Charles disse. – Então, enquanto esperamos por nossa refeição, por que não conhecemos a senhorita Cooper, um pouco melhor?
Daisy sorriu e sentiu que estavam todos a olhando. É, era hora de agir.
- Por favor, senhor, me chame de Daisy. – Corrigiu-o delicadamente.
- Bem, eu adoraria! É um belo nome! Eu tenho um monte de daisies no meu jardim... – Charles sorriu. – Ouvi dizer que você trabalha minha querida?
- Ah sim, eu trabalho como secretária num Centro de Repouso, que eu costumava ser voluntária. – Disse imediatamente.
- Isso é ótimo! Eu vejo que você é bastante jovem, está na faculdade? – Charles perguntou cruzando as pernas e parecendo interessado.
- Eu na verdade, tirei um ano livre e mandei minha inscrição para as faculdades há pouco tempo. – Daisy respondeu. – Se tudo correr bem, nesse outono estarei de volta aos estudos.
- Isso é ótimo! Quais faculdades você se candidatou?
- Universidade de Londres, Oxford e Cambridge. – Recitou. – Eu na verdade, fui aceita em Oxford e Cambridge, ano passado, mas eu não fui porque eu preferi tirar um ano para fazer coisas por mim... Eu queria viajar, trabalhar e conhecer pessoas.
- Acho que estou feliz por você não ter ido para nenhuma das duas, apesar de que são excelentes faculdades. Vai que você encontrava alguém mais bonito que o Harry... – Charles brincou.
- Pai... – Harry revirou os olhos, incomodado com o fato de que estavam todos rindo dele, inclusive ela.
- Isso não é difícil meu filho... Vai que ela encontrava um cara mais forte, mais bonito...
- Menos ruivo. – William implicou.
- Ah calado... Kate também devia ter encontrado um menos careca. – Harry resmungou.
- Harry, você também está com umas entradas na cabeça, vamos ser honestos. – Daisy piscou e tocou o joelho dele, amigavelmente.
- Eu te disse! – Will bradou. – Eu te disse!
- Daisy, você pode, por favor, ficar do meu lado e não do meu irmão? Obrigado! – Harry fez-se de bravo, mas viu que ele sorria.
A família de Harry era dotada de modos impecáveis, literalmente. Eles fizeram perguntas discretas e não levaram o assunto completamente ao redor dela. Charles e Camilla falavam de outras coisas, contavam-na sobre travessuras de Harry e William, sobre as brigas dos dois durante a adolescência e fizeram com que realmente ela se sentisse confortável. Provavelmente haviam notado que ela estava um pouco fora de seu ambiente – um pouco não, totalmente.
- E como está Lily e Carl, Daisy? – Perguntou Charles, quando todos eles estavam à mesa, já almoçando.
- Oh, eu imagino que muito bem, senhor. Da última vez que soube, Lily e ele estavam tirando sua Lua de Mel atrasada. Foram para Frankfurt. – Respondeu educadamente, com o pouco que ficava sabendo da vida dos dois, pelo Facebook.
- Não se preocupe com ela, minha querida. Ela está em boas mãos. – Assegurou Charles, enquanto bebericava seu copo de água. – Meu amigo Carl é um bom homem. Ele a ama, devotadamente.
- Ah eu imaginei que sim senhor... Principalmente considerando que ele a chama de Lily-Linda. – Daisy disse com uma pontinha de sarcasmo, na fala, fazendo a mesa rir.
O assunto que prosseguiu dali rendeu sobre os apelidos que Harry e William eram chamados quando mais novos, e então foi para o fato de que até hoje Will chamava Kate de ‘babykins’ e que Charles e Camilla, tinham codinomes.
- E vocês? Quais são seus apelidos? – Perguntou Kate, simpaticamente, enquanto limpava a boquinha de George. – Ah querido, não cuspa a comida...
- Nós realmente não temos um, eu acho... – Daisy trocou um olhar com Harry. – Não um que seja carinhoso, pelo menos.
- Harry, eu não te criei para ser rude, com a moça. – Charles disse seriamente.
- Se você visse como ela come uma pizza, não diria isso. – Harry assegurou, fazendo Daisy ficar extremamente corada.
Daisy quis cavar um buraco, enquanto Harry contava sobre seu complexo de celulite, mas que ainda assim, ela nunca dispensava uma boa rodada de pizza.
-... E ela cozinha tão, tão bem. Eu não entendo como pode comer tanta pizza, cozinhando bem como ela cozinha. – Harry sorriu e colocou a mão sobre a coxa dela, fazendo um carinho.
- Você é suspeito pra falar sobre isso Harry, qualquer coisa que eu faço, você acha que é digno de uma chef. – Daisy revirou os olhos.
- Isso porque ele não sabe sequer preparar macarrão instantâneo. – Will implicou.
- Você não pode falar muita coisa William. – Charles apontou o garfo enquanto mastigava seu almoço, fazendo o patriarca dos Cambridge, dar de ombros. – Harry tem péssimas habilidades no fogão, mas ele sabe usar uma churrasqueira muito bem. O que me diz de hoje à noite, Harry? Faz tempo que não temos um churrasco... Não vai ser tão divertido, porque seu avô não estará aqui com os comentários inconvenientes dele, mas...
- Me parece ótimo. – Harry sorriu. – Mas é realmente uma pena que vovô não esteja aqui, eu mal posso esperar pra apresenta-lo a Daisy.
- Oh Deus. – Kate jogou a cabeça pra trás e sorriu. – Daisy, quando isso acontecer, eu te sugiro que vá preparada.
- Meu pai é um caso sério. – Confirmou Charles sorrindo. – Eu me sinto constrangido, pela pessoa que é submetida conhecê-lo. Nós já estamos habituados com aquele jeito dele, mas as pessoas de fora... Ah coitadas, eu sinto por elas.
- Nunca vou me esquecer do comentário que ele fez do fascinator de Eugenie e Beatrice, no casamento de Kate e Willis. – Camilla reforçou, rindo. – Ah Philip, é sempre a alma da família.
- Olha, vão me desculpar... – Harry disse rindo. – Mas o fascinator que minhas queridas primas escolheram para o casamento de Kate e Will, é que é um caso sério, não o meu avô!
Era realmente uma pena que as pessoas não tinham a oportunidade de conhecer aquele lado, da Família Real. Daisy, como alguém de fora, estava encantada pela forma que eles agiam entre si, como eles brincavam entre si e faziam piada do outro entre quatro paredes.
Ela conheceu o senso de humor do Príncipe, que era sempre lembrado com um pouco de amargura por causa de erros do passado. Daisy conhecera Camilla, que igualmente, sempre seria lembrada como alguém ruim, como uma pessoa que destruiu o protótipo de ‘Família Perfeita’.
A verdade é que não poderiam ser mais comuns, não poderiam ser mais amáveis e acolhedores, e Daisy entendeu mais do que imediatamente, porque era tão fácil se esquecer de que Harry era um Príncipe: Porque era exatamente como eles.
À mesa, eles não eram Suas Altezas Reais, e sim, apenas Camilla, Charles, Kate e Will. E claro, havia o doce Georgie.
- Bem... – Suspirou Camilla, após eles saborearem a sobremesa que ela mesma havia preparado. – Vocês vão mesmo fazer o churrasco meninos?
- Ok, então eu vou providenciar tudo. Vocês me deem licença, mas eu jamais vou deixar um churrasco completamente por conta de vocês. – Camilla disse enquanto se erguia da mesa.
- Ah querida, já faz uns dois anos isso... – Charles sorriu, pegando a mão dela e a beijando. Daisy praticamente viu Harry, naquele ato do pai de seu namorado.
- Bem, você pode ter certeza que nunca mais deixo um churrasco por sua conta, Charles. Com licença. – Ela disse por fim e saiu para resolver o que era necessário, para o churrasco de mais tarde.
Foi um momento um pouco estranho, porque Charles estava chamando os dois filhos para fumarem em seu gabinete e conversarem a sós sobre ‘alguns assuntos mais sérios’. Então, ao que parecia, Daisy ficaria ou sozinha ou na companhia de...
- Você quer dar uma volta no jardim comigo e Georgie, Daisy? Eu quero leva-lo ao playground e você pode aproveitar para conhecer onde esses dois viviam as aventuras deles. – Disse Kate, com um sorriso amigável.
- Ah claro, eu adoraria. – Respondeu prontamente.
- Obrigado minha querida Kate. – Disse Charles, enquanto afastava sua cadeira para se levantar. – Daisy, eu devolverei Harry o mais rápido possível.
- Não tenha pressa, senhor. – Ela assegurou, enquanto via o namorado sorrir.
William estava mimando George um pouquinho, antes de se retirar com o pai e com o irmão caçula, e ao que parece, aquela havia sido a deixa para Harry se aproximar dela e colocar a boca no pé de sua orelha.
- Você é maravilhosa... Eu te vejo em breve. – E então, beijou seu rosto.