há sempre este momento em que nada é suficiente e que o vazio é tanto que transborda. é sempre o momento em que eu sinto sozinho e isso parece me destruir inteiro. eu vivi isso por várias vezes e parece que o que eu aprendi foi que eu sempre vou sentir dor no momento em que eu começar a amar inteiramente uma pessoa.
em certo momento foi mais fácil me acostumar com a ausência, mas dessa vez eu pensei que ela nunca viria, até que veio.
eu nĂŁo posso e nĂŁo devo empurrar esse sentimento em alguĂ©m atĂ© que ele doa, porque eu nĂŁo tenho algo em mim que Ă© necessário para se amar o outro e deixá-lo livre para nĂŁo me amar. porque eu sou egoĂsta.
talvez por isso o silĂŞncio passou a fazer muito sentido, porque no silĂŞncio eu me compreendo sem outrem. mas as coisas deixaram de ser silenciosas e ela veio cheia de cores e sons e eu desaprendi a viver do meu silĂŞncio.
entĂŁo o silĂŞncio que vem dela dĂłi.
talvez seja melhor assim. talvez seja melhor permanecer sĂł.
há sempre esse zumbido nas palavras silêncio ausência e solidão, e elas tem me acompanhado desde que me lembro.
nĂŁo Ă© justo sentir raiva porque os sibilantes se tornaram sons nefastos.
será esse o momento que eu vou embora, já que eu não posso contar com ela nem com ninguém?
assim como as demais palavras, a palavra sempre também tem essa carga de silêncio ausência e solidão.
eu deixarei, novamente, de amar os teus olhos que são doces, porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
voltar no tempo parece algo impossĂvel, embora eu sinta que voltei ao mesmo ponto. sou diferente daquela pessoa que vocĂŞ conheceu no começo, assim como vocĂŞ tambĂ©m o Ă©. e isso vai te frustrar tanto quanto a mim.
sinto muito por te amar tão de repente. você não merecia esse peso, você não merecia isso, e eu não te mereço mais.













