ㅤ 𝗒𝗈𝗎 ㅤ𝗆𝖺𝗒 ㅤ𝒍𝒂𝒖𝒈𝒉 ㅤ𝖺𝗍 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝖉𝖆𝖓𝖈𝖊ㅤ𝗈𝖿 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝓙𝐄𝐒𝐓𝐄𝓡 ㅤ 𝖻𝗎𝗍 ㅤ𝒲𝐻𝒪 ㅤ𝗂𝗌 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤᴿᴱᴬᴸ ㅤ𝒇𝒐𝒐𝒍ㅤ ͟.ᐣ
ㅤ 𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝑜𝓃𝑒 ㅤ𝗐𝗁𝗈 ㅤ𝗞𝗡𝗢𝗪𝗦 ㅤ𝗍𝗈 ㅤ𝒑𝒍𝒂𝔂 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝙿𝙰𝚁𝚃 ㅤ 𝗈𝗋 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝐨𝐧𝐞 ㅤ𝗐𝗁𝗈 ㅤ𝓑𝐋𝐈𝐍𝐃𝐋𝓨 ㅤ𝑓𝑜𝑙𝑙𝑜𝑤𝑠ㅤ ͟.ᐣ
𓅂 ⸻ há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por 𝐫𝐡𝔂𝐬𝐚𝐧𝐝 𝐦𝐚𝐫𝒎𝐨𝐫𝐞𝐚𝐥. aos vinte e oito anos, ele carrega o legado de 𝖒𝖎𝖗𝖆𝖓𝖆 𝖒𝖆𝖗𝖒𝖔𝖗𝖊𝖆𝖑 ( 𝑎𝑙𝑖𝑐𝑒 𝑛𝑜 𝑝𝑎𝜄́𝑠 𝑑𝑎𝑠 𝑚𝑎𝑟𝑎𝑣𝑖𝑙𝘩𝑎𝑠 ) em cada aspecto de sua narrativa. ligado a casa 𝒃𝒆𝒍𝒂𝒅𝒐𝒏𝒂, tornou-se conhecido entre outros alunos por sua reputação de 𝐨𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐧𝐢𝐬𝐭𝐚 e 𝐢𝐧𝐯𝐚𝐬𝐢𝐯𝐨 — qualidades extremamente valorizadas em 𝗺𝘆𝘁𝒉𝗯𝗼𝗿𝗻𝗲 — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza 𝑎𝑑𝑎𝑝𝑡𝑎́𝑣𝑒𝑙 e 𝑐𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎𝑛𝑡𝑒 escondida sob toda essa deturpada perfeição.
ㅤ🃏︎ 𓏏 𝓥𝐈𝐋𝐋𝐀𝐈𝐍ㅤᴱ͟ᴿ͟ᴬ ⠀ ꒰ 𝘁𝗮𝗴𝘀. 𝗽𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘁. 𝘄𝗮𝗻𝘁𝗲𝗱. 𝗲𝘃𝗲𝗿𝗮𝗳𝘁𝗲𝗿𝗵𝗾. ꒱
ㅤ𓅂ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐫𝐞𝒘𝐫𝐢𝐭𝐭𝐞𝒏 ⠀𓄼 após a reescrita e a vitória definitiva de iracebeth, mirana foi derrotada e exilada, reduzida a uma sombra distante da rainha branca que um dia havia sido. ainda assim, nem todos a abandonaram. alguns antigos súditos permaneceram secretamente leais à sua bondade e ao mundo que ela representava, arriscando suas próprias vidas para protegê-la. mesmo que valete fosse general de iracebeth, isso não o impediu de se envolver momentaneamente com mirana.
dessa relação nasceu o primeiro filho de mirana. a existência da criança, porém, foi recebida por iracebeth como uma afronta pessoal. movida por rancor, inveja e desejo de controle, a rainha vermelha raptou o próprio sobrinho — filho de sua irmã e rival com o homem que considerava sua propriedade. o sequestro desestabilizou profundamente mirana, que já se encontrava fragilizada pelo exílio, pela derrota e pela destruição de tudo que havia tentado preservar.
durante anos, a rainha branca tentou recuperar o filho, mas todas as tentativas foram frustradas. a perda, somada à impotência diante do novo regime, agravou seu estado emocional. mirana tornou-se cada vez mais instável, oscilando entre surtos de esperança, culpa, desespero e períodos de completo isolamento.
ㅤ𓅂ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐬𝐭𝐨𝐫𝒚𝐭𝐢𝐦𝒆 ⠀𓄼 a reescrita mudou muita coisa em mythborne, mas nunca conseguiu acabar com a obsessão doentia entre mirana e iracebeth. mesmo depois da queda da rainha branca, mesmo depois de wonderland ter sido tomado pelas cartas vermelhas, pelas execuções públicas e pelos decretos insuportavelmente histéricos da rainha de copas, as duas continuavam presas naquela rivalidade ridícula que já havia destruído metade do reino antes mesmo dos vilões vencerem. iracebeth tinha o trono, o exército, o controle narrativo e uma corte inteira disposta a aplaudir cada surto temperamental seu. ainda assim, mirana continuava sendo a única pessoa em wonderland capaz de irritá-la de verdade. e ela fazia isso de propósito. mirana jamais aceitou a derrota. não aceitava o exílio, não aceitava ver o próprio reino decorado com rosas vermelhas e muito menos suportava assistir iracebeth no poder. enquanto a irmã distribuía ameaças, mirana sobrevivia escondida entre antigos aliados que ainda permaneciam leais à antiga rainha. rumores contra a coroa vermelha surgiam de repente. carregamentos desapareciam. um símbolo antigo reaparecia pintado nos jardins reais antes do amanhecer. sempre havia um detalhe pequeno, irritante e impossível de controlar, lembrando iracebeth de que mirana ainda existia.
até que, depois de mais uma intriga, mirana decidiu atingir a irmã da maneira mais pessoal possível. o valete de copas podia ser general do exército, braço direito da coroa e cão obediente diante do trono, mas continuava sendo um homem. um homem bonito, bajulado e tratado por iracebeth como seu éclair de morango favorito da vitrine. e qualquer pessoa minimamente lúcida enlouquecia convivendo com a rainha de copas por tempo demais. o valete já vivia cercado pelos gritos dela, pelas crises dela, pelas ordens absurdas dela e pela necessidade constante de concordar com qualquer insanidade que saísse de sua boca. então mirana abriu a porta certa no momento certo. não foi difícil atraí-lo para sua cama. o caso não nasceu de romance, paixão proibida ou qualquer bobagem melosa dos antigos contos de fadas. mirana queria atingir iracebeth. o valete queria escapar dela por algumas horas. e os dois sabiam exatamente o tipo de problema que aquilo causaria caso viesse à tona. o problema é que mirana esperava apenas mais um escândalo. não uma gravidez. se a rainha branca já imaginava que a irmã ficasse possessa ao descobrir que ela havia se envolvido com seu precioso cheesecake de frutas vermelhas, a reação real foi muito pior. iracebeth perdeu qualquer resquício de racionalidade no instante em que soube da existência da criança.
a rainha de copas nunca foi famosa por sua estabilidade emocional, mas havia algo particularmente doentio naquela situação. não era apenas ciúme. não era apenas humilhação. era o ódio insuportável de perceber que mirana, mesmo derrotada, ainda conseguia tocar em coisas que ela considerava suas. sua paciência. seu controle. seu homem. então ela decidiu arrancar algo em troca. o menino nasceu em segredo, cercado por paranoia, medo e tentativas desesperadas de mantê-lo longe da corte vermelha. durante algum tempo, mirana realmente acreditou que conseguiria protegê-lo. foi uma ilusão curta. iracebeth mandou arrancar o sobrinho dos braços da irmã na primeira oportunidade que teve. ela não mandou matar a criança — e talvez isso fosse a parte mais cruel. a morte teria sido misericórdia. mandou levá-lo embora, escondê-lo e apagar qualquer rastro que pudesse levar até ele, apenas para assistir mirana definhar lentamente sem saber onde o filho estava, se estava vivo ou o que haviam feito com ele.
rhysand cresceu dentro do palácio como uma consequência inconveniente da obsessão doentia entre mirana e iracebeth. a rainha de copas nunca soube exatamente o que fazer com o sobrinho depois de arrancá-lo da mãe, então ela simplesmente o manteve. nos primeiros anos de vida, rhysand passou a maior parte do tempo preso dentro das alas internas do castelo, longe dos jardins, longe das festas e longe até mesmo da luz do sol. iracebeth estava ocupada demais com o próprio filho para se preocupar com a criação do sobrinho sequestrado. alimentá-lo, vesti-lo e mantê-lo vivo virou responsabilidade dos funcionários do palácio, o que não significava cuidado. algumas pessoas sentiam pena da criança. nenhuma sentia coragem suficiente para demonstrar isso. quando iracebeth lembrava de sua existência, quase nunca era por um motivo bom. rhysand aprendeu cedo que o humor da rainha de copas funcionava como o clima em wonderland: instável, exagerado e imprevisível. havia dias em que ela simplesmente o ignorava, como se ele fosse parte da decoração grotesca do palácio. em outros, decidia transformá-lo em cobaia nos seus jogos sádicos. ela gostava de humilhá-lo, basicamente. havia algo particularmente divertido em assistir o filho de mirana se tornando motivo de entretenimento da própria corte que um dia pertenceu à rainha branca. quanto mais rhysand crescia, mais iracebeth refinava aquele papel para ele. até oficializá-lo. foi assim que se tornou o bobo da corte da rainha de copas.
rhysand passou a existir como propriedade particular do entretenimento da rainha. o título vinha carregado de roupas extravagantes e aplausos forçados da nobreza, mas no fim continuava sendo uma coleira. era treinado para cantar, dançar, atuar, improvisar histórias e manter banquetes inteiros funcionando enquanto iracebeth alternava entre gargalhadas e ameaças de execução. precisava saber exatamente quando falar, quando se calar e quando fazer piadas suficientes para impedir que o humor da rainha piorasse ao ponto de alguém perder a cabeça no salão principal. e frequentemente alguém perdia mesmo assim. rhysand era naturalmente cativante. tinha respostas rápidas, um humor afiado e uma facilidade para prender a atenção das pessoas. a corte o adorava quase tanto quanto adorava vê-lo humilhado, e iracebeth achava aquilo maravilhoso.
enquanto todos enxergavam um bobo da corte perfeitamente domesticado, rhysand fazia o possível para manter a própria mente intacta dentro daquele lugar. porque enlouquecer era exatamente o que iracebeth queria dele. mas sobreviver à corte vermelha também o transformou em alguém sorrateiro. as pessoas tendiam a ignorar bobos da corte depois de algum tempo. falavam demais perto deles. revelavam segredos. subestimavam sua inteligência porque era mais confortável acreditar que ele existia apenas para fazer piadas. enquanto entretinha a corte durante o dia, começou a buscar silenciosamente qualquer possibilidade de escapar daquela vida. passou a circular por áreas menos vigiadas do castelo, ouvir rumores proibidos e se aproximar de funcionários antigos que ainda demonstravam desconforto quando o nome de mirana era mencionado. aos poucos, descobriu que wonderland ainda guardava pequenos focos de resistência escondidos sob o domínio sufocante de iracebeth. rhysand deveria ter ignorado. qualquer ligação com a resistência significava execução imediata. mas, pela primeira vez na vida, encontrou algo que nunca realmente teve dentro daquele castelo: uma saída.
durante muito tempo, iracebeth manteve rhysand preso dentro de wonderland como se pudesse controlar completamente o que ele se tornaria apenas limitando o tamanho do mundo ao redor dele. e teria continuado assim se dependesse exclusivamente dela. a rainha de copas gostava de controle demais para permitir que o sobrinho tivesse contato com o restante de mythborne sem supervisão constante. mas nem mesmo ela podia ignorar completamente o conselho da reescrita. havia algo nele que incomodava certas figuras do conselho que a própria iracebeth fazia parte. talvez fosse o sangue de mirana. por isso, decidiram enviá-lo para everafter com a justificativa que rhysand precisava receber uma formação adequada dentro da academia, aprender a servir à nova ordem narrativa e se tornar útil ao sistema criado após a reescrita. everafter existia justamente para isso. foi dentro da academia que seus contatos com a resistência cresceram de verdade. longe da vigilância constante da rainha de copas, rhysand finalmente conseguiu explorar os rumores que ouviu durante anos dentro do castelo. a resistência não estava restrita apenas aos cantos esquecidos de wonderland. ecos narrativos começavam a surgir em diferentes reinos, rumores circulavam pelos corredores da academia e cada vez mais pessoas questionavam silenciosamente se os vilões realmente deveriam ter vencido.
ㅤ𓅂ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐦𝐚𝒈𝐢𝐜𝐚𝐥 𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐭𝒚 ⠀𓄼 ilusionismo — rhysand consegue manipular a percepção dos outros, criando ilusões extremamente realistas que afetam visão, audição, tato e, em casos mais avançados, até a noção espacial do alvo. pode criar desde pequenas distorções até ilusões complexas capazes de prender alguém em cenários inteiros fabricados por ele. quanto maior a ilusão, maior o esforço mental necessário para mantê-la. criar pequenas alterações visuais exige pouco desgaste, mas ilusões elaboradas envolvendo múltiplas pessoas ou ambientes inteiros consomem energia rapidamente. se ultrapassar seus limites, rhysand começa a sofrer sintomas como dores de cabeça intensas, visão turva, lapsos de memória, desorientação e dificuldade para distinguir suas próprias ilusões da realidade por alguns períodos. seu poder também possui limitações importantes. as ilusões não causam dano físico direto. rhysand pode fazer alguém acreditar que está sendo queimado, afogado ou ferido, mas a ilusão em si não cria machucados reais.









