𝐵𝑖𝑏𝑏𝑖𝑑𝑖-𝐵𝑜𝑏𝑏𝑖𝑑𝑖-𝐵𝑜𝑜.ᐟ✨
Há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por NINA PEVERELL. Aos VINTE E SEIS anos, ela carrega o legado de FADA MADRINHA (CINDERELLA) em cada aspecto de sua narrativa. Ligada a Casa MANDRÁGORA, tornou-se conhecida entre outros alunos por sua reputação de DESCONFIADA e INSTÁVEL — qualidades extremamente valorizadas em Mythborne — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza PRAGMÁTICA e EMPÁTICA escondida sob toda essa deturpada perfeição. Ela tem a habilidade de FEITIÇARIA, precisando sempre de um canalizador (grimório, varinha) para que os feitiços saem melhores, mas não é tão habilidosa. Para bancar sua vida em Everafter, ela também trabalha como GARÇONETE NO RAVEN ROOM.
traits ˖ wanted connection ˖ mais connections ˖ tasks ˖ desenvolvimento
𝑓𝑎𝑖𝑟𝑦 𝑔𝑜𝑑𝑚𝑜𝑡𝘩𝑒𝑟
"A Fada Madrinha corrompia o destino dos jovens, incentivando sonhos impossíveis e expectativas irreais."
Esperança é uma coisa curiosa. Histórias sempre a trataram como algo belo; delicado como vidro iluminado pelo sol, puro o suficiente para transformar criadas em princesas e noites miseráveis em finais felizes. Mas existe algo profundamente perigoso em ensinar pessoas a acreditarem que podem desejar mais do que lhes foi entregue. Talvez tenha sido esse o verdadeiro erro da Fada Madrinha. Não a magia e os encantamentos, mas fazer gerações inteiras acreditarem que o destino não precisava permanecer imóvel.
Antes da Reescrita, ela era conhecida em todos os reinos como uma figura quase sagrada; a mulher que surgia nos momentos mais desesperadores para oferecer não apenas auxílio, mas possibilidade. Porque sua magia jamais esteve ligada apenas à transformação material. A Fada Madrinha alterava probabilidades. Onde outros viam finais inevitáveis, ela enxergava escolhas. E talvez tenha sido exatamente isso que chamou a atenção do Conselho quando o mundo começou a ruir sob o colapso das antigas narrativas. Enquanto vilões conquistavam reinos e heróis desapareciam lentamente dos registros oficiais, tornou-se perigosamente evidente que a magia da Fada Madrinha possuía potencial suficiente para ameaçar a própria Reescrita, já que ela fazia algo ruim: fazia outros lembrarem do antes.
Foi capturada uma década após o desaparecimento do Senhor Tempo. Acusaram-na de corrupção, manipulação indevida do destino e incentivo à instabilidade emocional coletiva — termos elegantes para descrever alguém que ainda insistia em acreditar que histórias não deveriam pertencer ao medo. Tentaram remover seus poderes, mas falharam. A magia resistiu como se possuísse vontade própria, recusando-se a abandonar a mulher que a carregava há séculos. Alguns dizem que ela enlouqueceu durante o processo; outros afirmam que já estava enlouquecida antes mesmo de ser presa, consumida por ecos narrativos violentos deixados pela guerra silenciosa entre as antigas histórias e a nova ordem de Mythborne.
Foi exilada para as regiões remotas de Wonderland, mais precisamente na prisão criada lá. Foi reduzida oficialmente a uma mulher quebrada pela própria insanidade. Sim, ela está louquinha da silva. Ainda assim, mesmo décadas depois, o Conselho jamais ousou executá-la. Porque algumas magias não desaparecem quando o corpo morre. E porque existe algo profundamente aterrador na possibilidade de que, apesar de tudo, ela ainda faça algo. Então preferem mantê-la em cativeiro.
𝑏𝑎𝑐𝑘𝑠𝑡𝑜𝑟𝑦
Existem pessoas que nascem destinadas a tornarem-se símbolos. Não porque desejam, mas porque o mundo decide observá-las com atenção desde cedo. A Peverell jamais compreendeu completamente em qual momento sua mãe deixou de ser apenas a Fada Madrinha para tornar-se algo que fazia adultos sussurrarem atrás de portas fechadas. Durante a infância, Dillamond parecia pequeno demais para carregar qualquer ameaça real. O reino, governado por Tremaine, ainda preservava parte da delicadeza superficial herdada dos antigos contos: jardins impecáveis, salões iluminados por lustres dourados e uma obsessão sufocante por aparências bem organizadas. E, por muitos anos, Nina acreditou que sua vida também fosse assim. Organizada. Simples. Sua mãe ainda sorria naquela época. Ainda fazia pequenas mágicas distraídas enquanto cozinhava, ainda tocava-lhe os cabelos antes de dormir e dizia coisas estranhas sobre bondade como se aquilo ainda significasse alguma coisa em Mythborne.
Mas crianças percebem mais do que adultos gostam de acreditar.
Nina lembrava das reuniões tarde da noite. Capuzes escuros entrando discretamente pela porta dos fundos da casa. Vozes baixas demais para serem compreendidas completamente, embora certas palavras permanecessem presas em sua memória mesmo anos depois: finais felizes. Escolha. Destino. Às vezes acordava durante a madrugada e encontrava a mãe sentada sozinha à mesa, cercada por papéis queimados parcialmente nas bordas, como alguém tentando desesperadamente impedir que certas histórias desaparecessem por completo. Quando perguntava o que estava acontecendo, a Fada Madrinha apenas sorria daquela maneira cansada que Nina aprenderia a odiar mais tarde. “Existem coisas que o mundo não deveria esquecer”, dizia. E então mudava de assunto.
Até a noite em que o Conselho bateu à porta.
Não houve anúncio elegante ou julgamento público. Apenas violência. Guardas invadiram a casa antes do amanhecer como criaturas famintas demais para esperar pela luz do dia. Nina recorda-se do som de móveis quebrando, do cheiro de magia queimando no ar e da própria mãe sendo arrastada pelo chão enquanto tentava alcançar a varinha. Ou seria a filha? Tentaram remover seus poderes ali mesmo. Nina não compreendia completamente o que estava acontecendo, apenas que alguma coisa parecia profundamente errada na maneira como a magia reagia; as paredes tremiam, objetos explodiam ao redor da pequena casa e por alguns instantes teve a impressão de que o próprio mundo estava tentando resistir junto da Fada Madrinha. Foi então que aconteceu. Antes que conseguissem levá-la embora, a mulher segurou o rosto da filha entre as mãos pela última vez e transferiu parte da própria magia para dentro dela. Como alguém escondendo uma chama antes que o mundo pudesse apagá-la completamente.
Depois disso, Wonderland tornou-se a sentença da Fada Madrinha.
Os anos seguintes passaram como versões distorcidas de um pesadelo repetitivo demais para continuar assustando da mesma maneira. Nina cresceu visitando a mãe nas regiões mais isoladas do reino-prisão, observando lentamente a mulher que um dia parecia capaz de iluminar qualquer ambiente transformar-se em alguém consumida pela própria mente. Às vezes a Fada Madrinha falava sozinha durante horas; outras, agarrava as mãos da filha com força suficiente para machucar enquanto murmurava coisas desconexas. Havia dias bons. Dias em que ainda parecia sua mãe, mesmo que não se lembrasse disso. Mas também existiam os ruins — aqueles em que olhava para Nina sem reconhecê-la completamente, como se parte de si já tivesse se perdido em algum lugar impossível de alcançar novamente. E talvez tenha sido justamente ali que Nina aprendeu a ter medo do próprio poder.
Porque a magia dentro dela nunca permaneceu quieta.
Quanto mais crescia, mais difícil tornava-se controlar aquilo que herdara. Emoções fortes deformavam o ambiente ao redor involuntariamente; raiva fazia vidros estilhaçarem, medo provocava oscilações violentas de energia mágica e tristeza parecia sufocar o ar até que respirar se tornasse desconfortável para todos próximos demais. Diferente de feitiços tradicionais, a habilidade de Nina não exige palavras elaboradas ou movimentos precisos. Sua magia responde diretamente às emoções da Peverell, manifestando-se de maneira instável, poderosa e frequentemente impossível de conter completamente. Professores descrevem seu dom como algo bruto demais, quase selvagem. Nina prefere descrevê-lo apenas como perigoso. Talvez porque tenha passado a vida inteira observando o que acontece com pessoas que carregam magia demais dentro de si. Talvez porque ainda consiga ouvir a voz da mãe em seus piores dias, repetindo entre risos quebrados que algumas coisas no mundo nunca deveriam ser entregues ao medo.
E talvez tenha sido justamente ali que o Conselho começou a observar Nina com atenção demais.
Sua admissão na Casa Mandrágora apenas agravou aquilo que já parecia inevitável. Filhos de vilões costumam ser treinados para controlar poder. Filhos de heroínas perigosas costumam ser vigiados. Então, antes mesmo que Nina pudesse compreender completamente o que aquilo significava, foi oficialmente convocada para tornar-se aprendiz supervisionada de um descendente vilanesco escolhido pelo próprio Conselho. A justificativa era simples: alguém precisava ensiná-la a controlar magia antes que ela se tornasse uma ameaça semelhante à mãe. Entretanto, todos compreendiam o verdadeiro propósito daquilo. Nina Peverell não recebeu um mentor. Recebeu vigilância.















