a risada que estoura imprevisível do fundo da sua garganta sai latida, rouca e alta. aquilo é divertido.
“pelo visto, esse é o único clima que você sabe esquentar entre nós,” uisoo oferece de bom humor, como se eles estivessem discutindo uma banalidade como o tempo, e não disputando quem consegue assassinar o outro primeiro só com a força de um olhar (ele perderia fácil). “pra alguém com o seu tipo de habilidade, você até que é bem morna.”
não é exatamente uma verdade, mas uisoo não vai dar o braço a torcer tão fácil. é o que eles geralmente fazem: se insultam até palavras não serem mais o suficiente antes de partir direto para a violência. ele não conseguiria contar nos dedos das mãos e dos pés juntos por quantas altercações sem sentido eles passam nesses últimos anos, muito menos quantas cicatrizes diferentes haewon deixa para trás de recordação. sem saber, uisoo está fazendo uma extensa coleção que, pelo visto, a ex-namorada tem a total intenção de aumentar.
mais bolas de fogo são atiradas na sua direção, efetivamente cortando qualquer monólogo que uisoo esteja planejando discursar. ele não tem tempo para pará-las dessa vez, mais preocupado em sair da linha de tiro do que gastar o pouco que resta do seu poder de uma vez só, o joelho lesionado o atrasando consideravelmente. a última o acerta no antebraço que protege o rosto, derretendo o tecido do uniforme numa nuvem de poeira. a pele debaixo dela efervesce com a recém-queimadura.
uisoo trava a mandíbula para não gritar e dar esse prazer à haewon, mas o chute mirado no pescoço que o pega desprevenido logo em seguida arranca muito mais que isso. mesmo com o braço erguido, ela o acerta no queixo com um barulho oco de osso com osso, que faz os seus dentes se chocarem doloridos para efetivamente calar a sua boca, superando de alguma maneira os seus 192 cm de altura com uma facilidade assustadora. o lábio machucado no round anterior estoura aberto de novo e volta a sangrar sem parar.
“ok, retiro o que eu disse,” uisoo consegue falar sem fôlego, numa voz restringida depois de tomar um chute na cara. ele gira o braço para segurar haewon pelo tornozelo ainda no alto, e então um pouco mais para puxá-la para baixo e fazê-la cair, na melhor das hipóteses. “a sua mira não é tão merda assim.”
ele cospe no chão o sangue acumulado para provar um ponto.
sentiu seu tornozelo ser agarrado com força e já sabia o que estava por vir, aceitou a queda sem relutar, precisava poupar energia para os ataques, segurou o grito com uma mordida forte no lábio inferior, mas a careta que fez já denunciava a dor que sentiu quando as costas entraram em contato com o chão. fez a única coisa plausível no momento, um jato de fogo mirado no braço de uisoo ao mesmo tempo que puxava sua perna para que ele soltasse.
já haviam discutido diversas vezes, discussões em que seus poderes estavam fortemente presentes, já havia socado uisoo mais de uma vez, sabia de fato que a probabilidade de ter quebrado o nariz do mais alto mais de uma vez era alta, isso sem contar os bens materiais perdidos em anos de inimizade pós término definitivo e também durante o namoro, mas nunca haviam realmente lutado.
um fiapo de lucidez passa por sua mente, talvez isso seja demais, talvez eles já tenham exagerado o suficiente, talvez era o momento de deixar o passado para trás e não se tornarem adolescentes birrentos sempre que se vissem.
mas faz a única coisa sensata em meio à tanta insensatez, se levantou em um salto e sacudiu a cabeça como forma de se livrar de tais pensamentos que poderiam a atrapalhar. observa o sangue cuspido no chão e instantaneamente retorna ao seu eixo, “pelo menos não foi o nariz dessa vez. ainda.” comenta sarcasticamente, já se posicionando para outro ataque, ainda sentindo os efeitos do impacto anterior em seus músculos.
pensou seriamente, mesmo que por um milésimo de segundo, que talvez repetir o mesmo exato golpe seria a melhor forma de agir, mas agora ele já sabia qual era sua estratégia principal, teria de mudar pelo menos um pouco. agacha e toca o chão com as duas mãos da forma mais ágil que conseguiu, lançando duas rajadas de fogo pelo chão, começando juntas e se separando ao se aproximar de uisoo, formando um círculo ao seu redor.
tudo em uma situação como aquela deve ser feito com rapidez, se levantou e fez com que as chamas lhe acompanhassem, esperando que a parede de chamas que havia criado impedisse uisoo de vê-la se aproximar, e então parte novamente para o combate corpo a corpo.
mirou um soco onde esperava ser o nariz do rapaz, mas sem a total certeza devido ao que havia criado com seu poder antes do golpe, “e agora? morna ainda?”