bluebell boo tem vinte anos de idade e é filha da fada madrinha. sentindo-se sempre medíocre em comparação aos irmãos, ela acabou desenvolvendo um completo de inferioridade. dessa forma, não há o que você pense que a boo não seja boa por conta de seus esforços, ela precisa saber de tudo e ser boa em tudo, mas é claro que ser boa não é o suficiente e então precisa ser perfeita dos fios de cabelo até a pontinha dos pés. a fada madrinha adora que sua filha seja tão esforçada e está sempre se gabando dela por aí! afinal, não são todas as crianças de storydom que são exímias em tudo — ou quase tudo. contra as expectativas e para o desgosto da mãe, bluebell recusou ocupar um cargo na bibbidi news e trabalho na equipe de apoio da briar productions com sua melhor amiga maravlha adormecida até decidir o que quer fazer da vida. sua habilidade mágica é transformismo físico, o que a permite se transformar em qualquer pessoa, desde que tenha tido algum tipo de contato físico com ela uma vez.
SAIBA MAIS:
sobre a história e a habilidade de bluebell abaixo !
HABILIDADE:
transmorfismo corporal — quando a excalibur cortou a mão de bluebell e lhe abençoou com uma habilidade mágica, ela não sabia ao certo o que sentir, apenas tinha uma sensação estranha de estar autoconsciente demais de seu próprio corpo e aparência, o que era bem desconfortável já que, bom, ela nunca gostou muito de si mesma. de forma resumida, seu poder lhe permite alterar seu corpo em formas de seres vivos humanóides existentes. suas habilidades incluem alterar suas cordas vocais perfeitamente para reproduzir a voz de quem se transforma, limitando-se a apenas isso. bluebell não pode mascarar ou bloquear seu cheiro ou imitar retina e impressão digital de quem se transforma, ela também não pode replicar poderes e habilidades mágicas. além dessas limitações, ela também não pode se transformar em uma pessoa que nunca viu ou tocou, é de extrema importância que ela tenha algum tipo de contato físico com quem se transforma, caso contrário não pode fazê-lo.
SOBRE:
com três filhos já gerados de forma misteriosa, ninguém esperava, de fato, que a fada madrinha trouxesse outra criança ao mundo, até porque no fim das contas se um é pouco, dois é muito e três é demais, o que seriam quatro? há quem diga que quatro é o número da sorte e bluebell boba do jeito que é também o achava bonito, ela sempre gostou de números pares, sendo assim se sente até sortuda por ser o último filhote da ninhada. foi com um bibbidi-bobbidi-boo ou quaisquer que sejam as palavras mágicas que a fada tenha recitado, que em uma tarde ensolarada, a quarta criança boo nasceu no mesmo instante em que o primeiro jacinto selvagem da primavera floresceu, dando assim origem ao seu nome. com cabelos e olhos da cor do mel, bluebell tinha mais semelhanças com a segunda filha do que com o primeiro com seus característicos cabelos loiros e olhos clarinhos que por muito tempo foram motivos de ciúmes e até inveja da garotinha, que queria ser tão bonita quanto o irmã, vez ou outra até insistindo para que a mãe mudasse os seus traços. ela merecia isso, não é? afinal, foi ela quem errou da primeira vez fazendo-a daquele jeito! diante dos irmãos, a boo se sentia imperfeita demais, até mesmo um pouco defeituosa, quebrada.
foi inevitável para a pequena bluebell boo crescer com um sentimento de inferioridade, tentando de todas as formas compensar os defeitos que enxergava em si mesma. ela queria ser perfeita em cada mínimo aspecto da sua vida, tentando suprimir o vazio que a sensação constante de insuficiência causava em seu peito. ainda muito nova, começou a entrar em mil e uma atividades extracurriculares, mal tinha tempo em sua agenda para respirar. tinha aulas de ballet à noite, tênis pela tarde, violino em dois dias da semana e sempre reservava um tempo para praticar antes de dormir. tinha aulas de caligrafia também, para ter uma letra bonita e redondinha, porque até nisso ela pensava que as pessoas reparavam por achá-la a boo fracassada. tais sentimentos negativos, no entanto, nunca afetaram sua personalidade, que era naturalmente agradável. estava sempre sorrindo, ainda que estivesse machucada por dentro. prestava favores sem sequer pensar duas vezes e no final do dia, tinha algumas dúvidas se aquilo realmente fazia parte dela ou se ela só queria que gostassem de sua persona.
de natureza crítica, a fada madrinha nunca foi de muita ajuda quando se tratava dos problemas da filha, na verdade, ela até gostava de vê-la se esforçando tanto, afinal, já prole realmente deveria ser perfeita, não havia opção. para a mãe, a boo tinha que ser tão boa — lê-se superior — quanto os membros da realeza, algo que ainda que tentasse ao máximo, nunca ia conseguir, porque ainda que fossem mais ricos do que podem até saber, reis e rainhas, príncipes e princesas ainda tinham um padrão inalcançável.
quando fez o juramento para a excalibur e descobriu seus poderes na academia dos legados, pensou que todos os seus problemas seriam resolvidos: ela finalmente poderia moldar sua fisionomia para a que quisesse, sendo assim foi um baque descobrir que não era bem dessa forma. bluebell podia se transformar em outras pessoas, só isso. mas, pensando bem, para alguém que só não queria ser ele mesmo, era uma habilidade bastante útil, não é?
tola o bastante para enxergar o mundo sob lentes cor de rosa, bluebell é bastante desatenta às problemáticas sociais da capital de storydom, arthurian, para ela todos os castigados filhos de vilões tem as mesmas oportunidades que os legados dos mocinhos. pode até ser que a vida deles não seja tão boa no castigo, mas arthurian definitivamente era a terra das oportunidades em sua percepção. e é claro, não surpreendendo ninguém, a quarta boo não é nada apegada ao jornal da mãe e suas notícias cheias de mentiras dissimuladas e exageros, para ela o jornalismo não devia ser dessa forma, mas é claro que nem todo mundo pensa assim! estão focados demais nas fofocas interessantíssimas divulgadas na bibbidi news, afinal, quem não gosta de estar a par do que está acontecendo no momento? sendo isso sensacionalismo ou não, no fim do dia, as pessoas acreditam no que querem acreditar.
CURIOSIDADES:
idealmente, bluebell tem que usar óculos por conta de um grau alto de miopia, mas sua mãe diz que usar óculos a deixa muito feia, forçando-a a usar lentes de contato. vez ou outra ela coloca os óculos, principalmente quando está no conforto de seu quarto no dormitório ou na frente de alguém muito próximo.
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a pose de bem resolvido que havia tentando fazer para bluebell parecia querer puni-lo, colocando-a bem na sua frente na hora em que o relógio bateu às 23:33. era impossível tentar encontrar alguém diferente tão em cima da hora, e timothée admitiria que se tivesse um segundo a mais para pensar, preferiria ser expulso do baile. contra o seu bom senso, ele pôs as mãos em bluebell; uma em sua cintura e outra em sua mão, e nem ela poderia reclamar porque parecia também não estar provida de companhia. “foi completamente acidental,” ele reclamou, imaginando que ela o acusaria de algo. “eu não conseguiria ser tão sortudo propositalmente,” foi sarcástico, iniciando a dança ao soar da música.
aquela história de maldições já estava começando a irritar bluebell, considerado a infinidade de coisas que teve que fazer naquela noite para não correr o risco de ficar presa no mundo non-maj ou qualquer que seja a maldição lançada pela bruxa durante o baile. sua mente trabalhou duro para imaginar uma sequência de coisas terríveis que poderiam lhe ocorrer e entre as piores estava ficar com o cabelo feio para sempre. por mais que não quisesse pensar tanto naquela possibilidade, flagrava-se imaginando que se escova mágica poderia consertar uma maldição. em todo caso já tinha se livrado desta, mas vez lá estava ela agora lutando para não sair da festa com um fantasma que a deixaria insana. por alguns alguns minutos ficou perdida no meio da pista de dança, recebendo um convite de uma gosma verde para dançar. o convite pareceu tentador até se virar e encontrar timothée, encarando-o com certo constrangimento, preparando-se para girar os calcanhares novamente, correr em direção ao monstro e rezar para dar tempo. o toque familiar do lefou em sua cintura causou um formigamento em todo o seu corpo, fazendo-a morder o lábio inferior involuntariamente para usar o resto de autocontrole que ainda havia lhe sobrado na noite de halloween. “eu acredito em você.” falou sem muito entusiasmo. ela não queria admitir, porém a ideia de que ele já havia a superado lhe partia o coração quando sabia que vira e mexe se via pensando no e se. “não precisa se preocupar timothée, assim que a música acabar você pode voltar pro seu canto e eu pro meu.” disse friamente, unindo sua mão a dele para começar a dançar no ritmo sombrio da valsa fantasmagórica. “você não precisa me tratar assim, sabe? parece até rancoroso demais pra alguém que já me superou.”
Sebastian estava ansioso para dizer o mínimo. Maldições de bruxas eram bem comuns em Arthurian, mas não de onde ele vinha. O máximo que tinha visto de perto eram fadas ciumentas puxarem o cabelo de alguém ou sereias tentando afogar alguém mais bela do que elas. Não tinha noção de quão longe algo como aquilo poderia ir, afinal, havia prestado pouquíssima atenção nas aulas de magia. Por sorte, a Boo era bem mais inteligente e sensata do que ele. Por isso, pensou que a amiga seria uma ótima escolha. — É… acho que acabei com todo meu charme. — Disse com bom humor, enquanto passava a mão pelos fios curtos. — Mas acho que até valeu a pena porque fiquei por um tempo com uma cara de bad boy, não acha? — Arqueou levemente as sobrancelhas com um sorriso no rosto. Sebastian sempre quis ter uma imagem mais forte e intimidadora para que fosse respeitado como os filhos de vilões, porém a verdade era que ele era um rapaz sensível e mesmo que mudasse seu visual, o interior continuaria o mesmo. — Eu sei. Corte na mão um do outro, falar aquela frase esquisita e o beijo. — Falou, só então se dando conta de que talvez Bluebell não estivesse tão confortável com a ideia de beijá-lo. Na verdade, talvez até ele estivesse levando aquilo com leveza demais. Nunca havia rolado nenhum clima daquele tipo entre eles, muito pelo contrário, Bash sempre viu a mais nova como alguém que queria cuidar e proteger. — Olha Bell, é só um beijo para quebrar uma maldição… Podemos fingir que isso nem aconteceu se você preferir. — Sugeriu. Apenas um beijo para quebrar uma maldição. Quantas vezes aquela exata cena não tinha se repetido na história de Storydom? Talvez realmente não fosse uma boa ideia, não queria estragar aquele momento para ela, já que poderia estar guardando para outra pessoa. — Quer saber? Acho que não precisamos fazer isso se você não quiser. Talvez nem seja uma maldição horrível, né? — Riu sem graça, sem saber como agir diante daquela situação.
como filha de uma fada boazinha, bluebell não tinha lá muito conhecimento acerca de bruxas e maldições, até porque nenhuma estava envolvida na história de seu conto para ocupar a posição de antagonista. a falta desse conhecimento também era dada pela falta de vontade da fada madrinha de contar mais sobre para a filha, dizendo querer protegê-la da crueldade das maldades do mundo. como uma aluna do módulo i também, ela não tinha aulas sobre magia das trevas. no fim das contas, tudo colaborava para que ela não soubesse absolutamente nada desse assunto e pela expressão aflita de sebastian ele também não sabia, e pior ainda! contava com ela para isso. “você ainda é muito charmoso, bash… só é um charme diferente.” tentou parecer o mais indiferente possível enquanto dizia aquilo, seguindo a sua razão. seu coração palpitava em seu peito com uma mensagem completamente diferente, ele queria dizer o quanto achava o darling lindo. apesar de estar totalmente ciente de que o coração não passa de um órgão bombeador de sangue, bluebell gostava dessa romantização e dessa dita separação entre mente e coração. “ah é? algumas garotas da academia gostam bastante de bad boys, então acho que foi um visual bem vantajoso.” sorriu, sentindo uma ponta de ciúmes quando disse aquilo. ciúmes por saber que ela não era a única que enxergava o quanto bash era atraente, ciúmes por saber que elas tinham uma chance enquanto ele sequer olhava para ela. assentiu ao ouvir o garoto descrever os passos para quebrar a maldição. “ugh… cortar a mão parece mais um pacto do que qualquer outra coisa.” disse sentindo um arrepio. a forma que o moreno disse só um beijo a fez murchar, fazendo-a abaixar o olhar para o chão timidamente como se houvesse algo muito interessante ali. bluebell sentiu os olhos arderem, forçando-se a piscar qualquer ameaça de lágrimas. não tem como ele saber o que aquilo significava para mim, pensou para se consolar. “eu já beijei antes.” murmurou, arrependendo-se imediatamente de suas palavras quase dando um tapinha de repreensão em sua própria testa. por que diabos tinha dito aquilo? é claro que ela não queria que ele pensasse que era boba e inexperiente e que estava tornando aquilo algo maior do que realmente era, mas não havia necessidade nenhuma de ter dito o que disse. “tudo bem, como você falou é só um beijo.” deu de ombros, dando a ele um sorriso brilhante que não chegou aos seus olhos.
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Sempre havia a chance de que todos aqueles cenários pertencessem às memórias do anfitrião. Vasculhar o castelo, então, seria como fazer um tour pela mente de Drácula, e isso até seria atrativo, se o vampiro não tivesse passado por cenários em que humanos comuns não deviam se meter, nem mesmo humanos com poderes, como era o caso dos legados. ‘ Pode ser que tenha propriedades hipnóticas ’ ele não diria bonitinha, mas certamente atrativo o suficiente para fazer com que entrasse ali, contrariando o bom senso. Era evidente que atravessar portas naquele castelo não era uma escolha inteligente, porém, aparentemente, seu cérebro não estava levando isso em consideração. Era por isso que Bora só podia concluir que havia muita magia envolvida. Tentou não esboçar desânimo assim que Bluebell disse que não sabia como sair dali, até porque a Boo não tinha a obrigação de saber – estavam no mesmo barco. ‘ Uh, não sei exatamente o que é The Vampire Letters ’ começou, olhando para a rua escura mais a frente ‘ mas não acho que se continuarmos aqui vamos ter tanta sorte quanto essa tal Carina ’ franziu o cenho, iniciando uma caminhada de passos cautelosos, esperando que a filha da Fada Madrinha o seguisse. Havia um quê de tensão no ar, e os pontos cegos mais adiante faziam com que os pelos da nuca do Hunter se eriçassem. ‘ Ainda não esqueceu essa história de monge? ’ sorriso mínimo surgiu em seus lábios, a fim de disfarçar a timidez. Por mais que não quisesse ser visto como celibatário, não gostaria de ser visto como o oposto também. ‘ Você veio de quê? Mulher-gato versão adolescente? ’
quanto mais bluebell olhava para o ambiente que estava atrás daquela porta, mais crente ficava de que ele refletia imagens de um passado distante de drácula. apesar de ter muita beleza, havia algo sombrio ali. “oh, você acha? bem, talvez isso justifique o porquê de eu ter ficado tão curiosa.” é claro que não justificava, estava ciente de que ela era naturalmente curiosa, uma das desvantagens de ser filha de quem era. a boo tinha certeza havia herdado aquela veia curiosa e investigativa da mãe. de qualquer forma, estava orgulhosa de si mesma por ter se proposto a passear pelo castelo mórbido — que ironicamente estava muito festivo àquela noite — de drácula, já que mesmo que fosse bastante curiosa, a morena também era muito medrosa. “como assim não sabe o que é the vampire letters?” ceticismo ganhou espaço em suas feições enquanto encarava o mais velho com uma expressão atônita. “bom, é uma série sobre vampiros. tem no lampfly, você deveria assistir! é bem interessante.” de alguma forma, bluebell sentia que o que ela achava interessante não era exatamente o que bora devia achar também. seguiu o rapaz com grande confiança, já que se era pra estar em um cenário macabro, pelo menos estava acompanhada de um defensor. ocasionalmente olhava para de um lado para o outro, atenta para qualquer mal que estivesse ali à espreita. certamente aquela porta não estava ali à toa. “claro que não! uma história não deixa de ser mais engraçada só porque você não acredita mais nela.” sorriu dando de ombros. novamente uma expressão abismada tomou conta das feições de bluebell. “é essa a impressão que a minha fantasia está passando?” respondeu frustrada, sentindo as bochechas queimarem. “de qualquer forma, não! estou fantasiada de nico robin, ela é personagem de um anime non-maj.”
Pitoresca. Não fazia a menor ideia do que aquilo significava mas ela não queria parecer burra então apenas optou por ignorar a palavra, sorrir e acenar com a cabeça, concordando com o que quer que fosse aquela característica - elogio ou não, não importava muito para a auto estima de Cecile. “Obrigada!” ela agradeceu para o possível elogio e a possível ofensa “Como de quê? Você não me reconhece?” ela levantou os braços como se fosse óbvio e em seguida pegou seu cilindro meio cônico de papel e levou até a boca, como se fosse impossível não a reconhecer “Eu tô fantasiada de maconha, óbvio. Quer um pouco? Eu tenho magiweed aqui comigo” falou com uma piscadela exagerada na direção de bluebell, dando risada logo em seguida. “Você tá a maior gata também, viu. Não sei o que é essa roupa, mas couro sempre fica muito bem, você tá bem gostosa” falava as coisas com ainda menos filtro do que o normal, uma vez que sentia-se completamente chapada. “Eu achei absurdo também! Isso e esse duelo ridículo que ele tá falando. Porra, por que é que ele quer acabar com o Halloween? Eu achei que o Drácula fosse pró diversão quando falaram que a festa era no castelo dele, mas… óbvio que não é, maior palhaçada né? Mas pelo menos a comida,” ela pegou um docinho que tinha um besouro em cima “é gostosa”
sorriu diante da resposta de cecile, fazendo uma pequena carranca e dando de ombros quando ela pareceu surpresa pela falta de reconhecimento de sua fantasia. podia ser qualquer coisa, oras! ia até dar um palpite de que ela estava fantasiada de flora, mas não quis parecer deselegante e mal educada errando a fantasia da marmoreal. dada a sua reação, entretanto, era melhor bluebell ter chutado e não acertado invés de ter perguntado. sempre tinha a opção de não falar nada também, mas aí ela seria igualmente mal educada. não pôde evitar arregalar os olhos quando ouviu a palavra maconha, ficando incrédula com a naturalidade que a mais velha a pronunciou. “por merlin, ceci!” falou de forma exasperada, não contendo o próprio choque. sentia-se um pouco careta por ter uma reação tão exagerada, contudo, dada a sua criação não era de se surpreender que reagisse de tal maneira. “não, obrigada! minha mãe ficaria muito zangada se descobrisse que eu usei… alucinógenos? maconha é um alucinógeno?” apesar de se considerar sábia acerca de uma infinidade de assuntos, drogas definitivamente não era um deles! os elogios de cecile foram o suficiente para que um sorriso de orelha a orelha fosse visto nos lábios da boo, que quase brilhou ao ouvir aquilo. “muito obrigada! eu estou fantasia de uma personagem de um anime non-maj, a nico robin. ela é incrível! você deveria considerar assistir.” falou ainda sorrindo. sabia que nem todo mundo tinha a disposição para assistir mais de mil episódios de um anime, ainda assim não evitava tentar convencer as pessoas a fazê-lo. bluebell sempre sentia falta de pessoas para acompanhá-la em seus hobbies não muito convencionais. “a maioria das princesas gostam de ser rainhas dos bailes… mas acho que ninguém tá’ muito empolgado pra ser rei ou rainha dessa daqui.” ironizou. “você já bebeu aquele vinho de sangue horroroso? juro que tem gosto de morte!” era notável que ela não estava lá muito satisfeita com as habilidades de anfitrião do rei dos monstros. “realmente, eles não poupam esforços aqui quando o assunto é doces.”
A lembrança de que @misticadoxmen via a todos os defensores da Távola Redonda como monges virgens ainda fazia com que Bora tivesse o impulso de rir, mesmo que a conversa anterior que tiveram não tivesse se focado estritamente nisso. A garota havia feito com que refletisse mais a fundo a respeito das consequências da nomeação de seu pai como Conselheiro, mesmo que possivelmente não tivesse se dado conta disso. Desde então, não haviam trocado palavra, até porque não era comum que frequentassem os mesmos espaços. Mesmo no Castelo de Drácula, ele não esperava encontrá-la justo depois de ter cruzado aquela porta, que, diferente do esperado, o transportara para uma versão mágica da Londres vitoriana. ‘ Eu deveria ter desconfiado daquela luz estranha em torno da porta ’ comentou, olhando em volta. ‘ Faz alguma ideia de como sair daqui? Tinha esquecido como detesto o HALLOWEEN ’ àquela altura, vivendo no mundo em que vivia, já estava acostumado com aqueles buracos de minhoca que o levavam para cantos desconhecidos.
bluebell foi surpreendida pela visão do cenário bonito que encontrou atrás daquela porta. os lábios ficaram entreabertos por alguns instantes antes que pudesse pensar em esboçar uma reação. às vezes ela estranhava a forma que mesmo pertencendo a um mundo mágico como aquele, vira e mexe ainda era pega de surpresa. era tudo tão bonito que parecia ter vindo diretamente de um filme ou fruto de uma imaginação muito fértil. a boo se perguntava se aquela porta não revelava o cenário do passado distante do rei monstro drácula, que até onde todos sabiam era um vampiro bem vivido. não muito tempo após a sua entrada, a porta sendo aberta atrás de si lhe chamou a atenção, sua curiosidade a forçando a se virar para ver de quem se tratava a sua companhia. ambas as sobrancelhas foram erguidas quando o reconheceu, de todas as pessoas que poderia entrar ali, bora definitivamente era a que menos esperava. “ah, vamos! era uma luz tão bonitinha.” sorriu, afinal, foi a tal luz que lhe despertou a curiosidade de descobrir o que estava atrás daquela porta. a pergunta do mais velho a chocou, porque até então ela não tinha sequer pensado naquilo e a porta que estava atrás de bora segundos atrás já tinha desaparecido. “bom... não!” o sorriso largo se transformou em um sorriso de constrangimento, que logo deu espaço a uma careta. “mas você não está curioso pra ver o que tem por aí? tudo aqui é tão lindo! parece um cenário daquela série the vampire letters, sabe? naquelas cenas de flashback da katarina.” falou retomando a animação inicial, virando-se para apontar pra ruazinha que estava na frente deles. “aliás, bela fantasia! de monge à um padre.” uma risadinha lhe escapou ao se recordar do diálogo que eles haviam tido há algum tempo atrás que naquele momento parecia ter sido a uma eternidade.
Não bastasse todas as esquisitices daquele baile, Sebastian tinha acabado de ficar sabendo que havia uma bruxa solta por aí. Até então tudo bem, estava acostumado com isso, afinal muitos dos castigados também eram filhos do que podia chamar de bruxos. No entanto, o problema era que logo ele, que nada tinha a ver com isso, estava correndo o risco de uma maldição. Sinceramente aquela festa estava cada vez mais se parecendo com um jogo de sobrevivência. Ao ouvir alguém comentar sobre os passos do ritual, o Darling começou caminhar para fora do castelo em passos apressados, procurando naquele meio tempo por alguém que estivesse disposto a passar por aquilo com ele. Foi então que seus olhos brilharam ao avistar Bluebell do outro lado do salão. Correu em direção a amiga com uma taça de bebida nas mãos e de tanta ansiedade, chegou ofegante na frente da garota. — Bell, preciso de você agora. É muito importante. — Disse e logo pegou na mão feminina, conduzindo a Boo para o jardim de estátuas. — Ok, eu não sei se você está sabendo do que está rolando, mas tem uma maldição por aqui. Eu não faço ideia do que é e nem quero pagar para ver. Vai que é uma maldição para me deixar careca para sempre? Já raspei o cabelo e me arrependo disso. — Tagarelou enquanto gesticulava com as mãos. — Enfim, a pergunta é: topa fazer um ritual comigo? — Perguntou, com os olhos levemente arregalados de preocupação.
com a quantidade nada modesta de maldições e rituais bizarros daquela noite, bluebell se perguntava se os habitantes de halloween town estavam realmente felizes com o fluxo turístico dos arthurianos, porque aquilo parecia uma mensagem silenciosa de fora daqui. a tradição das noivas do drácula era a que mais assustava a boo, que tentava ficar o menos evidente possível. o ritual da bruxa, entretanto, parecia bem digno de storydom a, afinal, o que é mais característico de contos de fadas do que um beijo para escapar de uma maldição? era preocupante para a morena, que não tinha uma vida romântica muito agitada ultimamente. talvez até o fim da noite pudesse convencer maravilha a realizar o ritual com ela, já que — graças a merlin! — não havia nenhuma regra dizendo que não podia beijar um amigo. bem, de qualquer forma, ainda tinha tempo de arranjar alguém para fazer aquilo com ela. ocupou-se com o banquete por alguns minutos, analisando criticamente as comidas para monstros, vampiros e fantasma (aquilo era sangue de verdade?), quando foi surpreendida pela presença repentina de sebastian. “o quê? pra quê?” perguntou franzindo a testa em uma expressão confusa, ficando ainda mais chocada quando ele segurou a sua mão. não era tão incomum assim que ele segurasse a sua mão, eles eram amigos, mas bluebell sempre acabava ficando chocada com o contato. certo ceticismo ocupou as suas feições enquanto ouvia a explicação do darling, indagando a si mesma uma ou duas vezes se estava interpretando direito o que ele dizia ou se finalmente tinha enlouquecido. “seu cabelo era mesmo muito bonito… não que não esteja agora!” foi a única coisa que ela conseguiu dizer por um tempo, antes de ouvir a frase seguinte do rapaz e concluir que ela estava totalmente sã e que de fato havia interpretado aquilo de maneira correta. custou a esboçar alguma reação diante da proposta, questionando se ele sabia que ao final do ritual eles tinham que se beijar. ai, meu merlin! ela teria que beijar bash? porque definitivamente não estava preparada pra isso. tinha pensado demais nisso desde que tinha 12 anos de idade, quando se apaixonou pela primeiríssima vez, mas isso não significava que estava pronta porque nunca pensou que aquilo pudesse realmente acontecer. “eu…” bluebell engoliu em seco, respirando fundo antes de continuar. “você sabe os passos desse ritual… não sabe?”
o salto das botas de bluebell batiam de forma audível demais contra o concreto frio do asfalto das ruas de new york, no mundo dos non-maj. não era a primeira vez que a boo estava no mundo deles, ou a segunda, no ano anterior ela tinha dado uma passadinha na semana de moda em paris, apesar de não ser nenhuma celebridade convidada como era na semana da moda de arthuriana, já que não era conhecida naquele mundo e no mesmo ano, tinha passado as férias em malibu, na califórnia. não era tão incomum assim entre os membros da alta sociedade arthuriana passearem pelo mundo dos non-maj, seja para fazer compras ou passar as férias. naquela ocasião, sua intenção era diferente das demais: tinha que seguir a tradução de halloween town e assustar um humano para não acabar presa no mundo deles sem condições de retornar para storydom. estava acompanhada de sua irmã mais velha, chrissy, de quem entre todos os irmãos era menos próxima. albus e ela tinham muito em comum, compartilhavam de mesmos pensamentos e opiniões, enquanto ela e maple tinham a pouquíssima diferença de idade à seu favor, eles haviam crescido juntos. “você acha que as regras da academia se aplicam aqui também?” perguntou com curiosidade, apesar da timidez. ela não devia estar tímida na frente da própria irmã! “acho que meus poderes seriam bastante úteis na hora de assustar um humano. eu poderia tentar fazer outros braços crescerem em mim que nem a robin!” falou com a empolgação sumindo a cada palavrinha que dizia, nunca havia testado o limite de seus poderes antes para descobrir até onde eles poderiam ir, talvez ela conseguisse fazer aquilo e talvez não. todavia, era improvável que conseguisse fazê-lo naquela noite, estava muito assustada com a possibilidade de ser punida pelos professores da academia dos legados para tentar utilizar seus poderes fora o território imposto a pessoas do seu módulo.
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bluebell não fazia ideia do que era aquele líquido que ela havia acabado de beber, apenas estava ciente de seu teor alcoólico pelo sabor e pelo efeito da terceira — ou quarta — taça que a acertou em cheio. do outro lado do corredor estreito em que estava, provavelmente já perdida na imensidão da moradia do rei de halloween town, viu a figura conhecida de cecile marmoreal, oferecendo-lhe um largo sorriso antes de cambalear até onde estava. “ceci, oi! que fantasia... pitoresca!” tinha acabado de redescobrir essa palavra, tendo repetido-a com uma certa frequência no decorrer da noite. “você está fantasiada do quê, aliás?” perguntou, juntando as sobrancelhas. não sabia se tinha bebido demais, afinal, três taças de bebida alcoólica — independentemente de qual fosse — estava totalmente fora do seu ladrão, de uma forma geral, a boo até mesmo evitava o contato com o álcool. “bom, de qualquer maneira, você está muito bonita! te aconselharia até a se esconder um pouco por aqui pra não ser escolhida como noiva do drácula. ouvi falar que essa tradição é bastante nobre por aqui e que você tem uma morte honrosa através dela. mas, veja bem... quem quer morrer em pleno halloween? eu acho isso um absurdo!” pronunciou as últimas palavras baixinho, temendo que algum monstro passasse ali por perto, a ouvisse e pensasse que ela estava desmerecendo suas tradições.
poucos sabem que bluebell boo é extremamente ligada na cultura geek, consumindo todos os animes possíveis do mundo non-maj. seu favorito, é claro, é one piece, um anime com um milhão de episódios e que ela jura que já assistiu todos! no halloween desse ano, ao invés de se vestir como uma figura fofa e sem personalidade, a filha da fada madrinha decidiu inovar e se fantasiar da sua personagem preferida do anime: nico robin em water 7. apesar de nesse arco robin não estar mais usando, bluebell está com um chapéu de vaqueira na cabeça parar complementar o look.
❛ you scared me. ❜ + avenida transylvania + @misticadoxmen
timothée arqueou uma sobrancelha e fingiu não ligar pro susto de bluebell. estava encostado em um dos postes da avenida tentando recarregar a bateria de chip, seu robozinho, que pelo ambiente diferente havia ficado extasiado e perdido toda a sua energia. “’tá tão distraída assim? é um perigo uma garota bonita não prestar atenção por onde anda,” ele disse, como quem não queria nada. usaria do próprio remédio de blue, como se nada tivesse acontecido entre eles; não era isso que ela queria? “se bem que você parece estar confortável demais para alguém que não aceita o diferente. o que será que aconteceu?”
com seu senso de direção deplorável, não era de se espantar que bluebell estivesse perdida nas ruas de halloween town. a placa indicando a avenida transylvania começou a fazer sentido pelo fato de ter perdido mr. bates por ali, afinal, ele era um morcego. estava distraída olhando pro céu escurecido pela noite quando voltou a olhar para os lados e encontrou a silhueta masculina debaixo do poste, dando um gritinho estridente por puro reflexo, sentindo o coração acelerar. demorou alguns instantes até que percebesse que se tratava de timothée, revirando os olhos em resposta às suas palavras. “eu não estou distraída! estou procurando meu bichinho de estimação, você por acaso não viu um morceguinho por aí? ele é estranho, tem asas de mariposa.” perguntou, sem ter muitas expectativas quanto ao que ele responderia, provavelmente seria alguma coisa ácida. “ah, e muito obrigada! fico feliz em saber que você ainda me acha bonita.” sorriu levemente, se aproximando para observá-lo melhor. “o que você está fazendo? não é nada proibido, é?” franziu a testa, não sabia como eram as leis em halloween town, mas definitivamente não queria ser presa por lá por ser cúmplice de alguma coisa ilegal. “essa história de novo, timothée? você já está começando a ficar cansativo! eu aceito o diferente sim, pare de agir como se soubesse tudo o que se passa na minha mente se baseando no que quer que seja que você está pensado aí.”
Ele não tinha percebido que tinha dado a entender que entendia muito de mulheres, e a fala irônica fez com que desviasse o olhar, sem graça, sem responder a pergunta - a resposta seria ainda mais vergonhosa que a cena. ‘ Wow, isso é… Bem, é uma informação que vou ter que desmentir ’ disse, talvez enfático demais, elevando as sobrancelhas em surpresa. Era possível que todos tivessem essa ideia por conta da carga de trabalho extenuante dos defensores, que impossibilitava que cultivassem vidas pessoais; ou que assim pensassem por conta da postura do chefe dos defensores, uma vez que Humbert achava que a viuvez lhe vestia muito bem. Bora sempre tinha priorizado o trabalho, era verdade. Também era verdade que há muito não mantinha um relacionamento sério. Mas esta era uma opção pessoal e nada tinha a ver com a Távola Redonda. ‘ É essa a impressão que estamos passando? ’ ele se conteve para que não risse da própria pergunta. Quando Bluebell mencionou o próprio emprego, o Hunter se deu conta que ela devia viver num mundo bem diferente do dele em termos de preferências e gostos pessoais. ‘ As pessoas estão muito mais interessadas nas fofocas sobre o seu trabalho do que nas do meu ’ deu de ombros, sem se incomodar com esse fato em específico. Aparentemente, todos em Arthurian eram fissurados por fofocas - a mãe dela inclusiva, a julgar pelas matérias que publicava - e isso nunca tinha sido atrativo para o Yazar. ‘ Por quê? ’ repetiu a pergunta, surpreso. ‘ Do jeito que fala, faz parecer que é impensável alguém gostar dela ’ riso breve escapou de seus lábios, ao mesmo tempo em que ele negava com a cabeça. ‘ Se as pessoas não levassem tão a sério o que ela diz e escreve, não ficariam tão incomodados com ela. Além disso, soube que ela foi uma mulher bastante generosa. Antes das maldição e do Castigo, quero dizer. As circunstâncias a tornaram cautelosa, e eu entendo isso ’ justificou, não para agradar a outra, mas porque essa era de fato sua posição. ‘ Uh, é claro. Se foi a Excalibur que escolheu então é porque ele é digno ’
rir foi uma atitude inevitável diante da reação do mais velho ao que falou, o que em sua própria percepção pareceu muito atrevimento de sua parte, fazendo com que a risada cessasse assim que chegou a essa conclusão. as palavras que seguiram não arrancaram nenhuma reação excepcional da boo, que apenas encolheu os ombros. “então quer dizer que vocês não vivem como monges?” novamente lá estava a ironia. bluebell não queria parecer mal-educada ou insensível, já que bora havia sido muito solícito com ela, ainda assim não podia se opor ao divertimento da situação. talvez humbert hunter fosse a maior motivação para o início do boato de sua mãe, já que ela jamais o flagrou com companhia feminina — ou qualquer companhia — o que era frustrante demais para a fada madrinha, já que a vida do homem parecia monótona demais, certinha demais, o que tornava muito complicado o trabalho de tê-lo como objeto de suas fofocas. “de qualquer forma isso seria decepcionante! alguns de vocês são muito bonitos.” apesar de considerar bora um deles, não houve tom de flerte algum em suas palavras, era apenas um comentário. “que impressão? de que são virgens?” perguntou, juntando as sobrancelhas. “talvez… mas, se serve de algum consolo, isso não é uma coisa negativa! você sabe… se guardar pro seu verdadeiro amor, coisa e tal.” questionou se sua resposta havia sido séria demais, porém tinha sido sincera, aquilo realmente era uma coisa entre os arthurianos mais tradicionais. “tem certeza? as coisas têm sido meio agitadas por aqui, e com seu pai fazendo parte do conselho, definitivamente as pessoas vão ficar mais interessadas nos defensores e seus agregados.” fazer parte do conselho era sinônimo de prestígio e importância. a pergunta dele fez com que mordesse a parte interior da bochecha, uma expressão pensativa tomando conta de sua face como se tivesse que refletir bastante para poder respondê-la. “você não tem uma conta no wishee?” riu meio sem graça, recordando-se da porção de wishees negativos falando de sua mãe, que até ficou satisfeita de ver que no final da noite estava nos trendings topics independente do porquê. “não é que seja impossível… ela apenas não é uma pessoa fácil.” falou levemente. “as pessoas costumam gostar das fofocas quando elas as entretêm, mas não quando as afetam e digamos que várias pessoas já foram afetadas com alguns rumores. aliás, não diga isso pra ela! ela acha que o jornalismo da bibbidi news é bem sério.” o tom da última oração foi brincalhão. “ela ainda é generosa.” pelo menos era o que achava, a fada madrinha jamais poupou agrados para as amigas de bluebell, principalmente para aylin fantastic, de quem ela era muito próxima. “acredito que sim… você acha que isso vai mudar alguma coisa? na sua vida, quero dizer, agora vocês dois estão em uma posição completamente diferente e bem alta, aliás... não que não estivessem antes!”
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“Seria um grande plot twist. Mas ela provavelmente só não tinha vontade de participar mesmo. Estranho é o marido dela acabar substituindo… Não faz muita diferença no final, não é?” Se parou antes que começasse a teorizar demais. Os Hofferson e os Adormecidos tinham uma certa rixa familiar, e apesar de não ligar muito (ou pelo menos era isso que diria se lhe perguntassem), Maravilha sempre preferia evitar falar muito daquela família específica. “Então salve Arthurian e fale pra ela fazer ioga, alguma coisa assim! Não quero nem ver o que ela vai falar agora, com tanto tempo livre.” Riu para demonstrar que estava apenas brincando. Cada louco com sua loucura, e cada uma tinha suas próprias encrencas familiares para lidar com. “Mas, com todo respeito, amiga, acho que vai acabar acontecendo algo que vão fazer David e sua mãe voltarem pro Conselho de novo, ou algo parecido. Nem consigo imaginar eles de fora.”
bluebell deu de ombros, a empolgação se esvaindo a cada frase pronunciada pela melhor amiga. não tinha teorizado tanto acerca da saída de astrid do conselho, ao contrário de sua mãe, que poderia facilmente escrever uma lista dos porquês dos hofferson não estarem aptos a ocupar uma cadeira no conselho. no final do dia, ela não se importava muito com aquilo, não tinha grandes ambições sobre fazer parte do conselho um dia, então não fazia diferença alguma se sua mãe fazia parte dele ou não. tal consciência não fazia, porém, que encarasse a situação de forma menos humilhante. “por que você acha isso? não é como se o hiccup também estivesse super animado por fazer parte do conselho, ele sempre me pareceu tão… relaxado.” não conhecia o homem muito bem, ele não era um de seus professores, mas hiccup era uma voz conhecida nos anúncios da academia dos legados. “aposto que não será nada muito pior do que a do rei ser um bananão.” a boo ainda não sabia onde a matriarca estava com a cabeça quando escreveu uma matéria daquelas, ficando extremamente cética quando a leu pela primeira vez. “eu concordo… de qualquer forma, não acredito que nenhum dos dois vá se dar por vencido até ter recuperado o lugar deles no conselho. sei que minha mãe tem lá seus defeitos, mas ela e david charming parecem ser as únicas pessoas que realmente agem invés de apenas falar e falar.”
umas das coisas que bai deveria admitir sobre sua vida é que não era um bom namorado. ele tinha plena consciência disso, sempre pensava no quanto bluebell merecia algo melhor que si, algo mais especial e no nível da garota, mas o que ele poderia fazer, afinal? mudar seus hábitos da noite pro dia não era uma missão fácil e, sinceramente, nem sabia se era capaz mesmo com muito esforço. a sua visão dos sentimentos e relacionamentos divergia demais das demais pessoas, isso se tornou ainda mais evidente quando as discussões entre eles começaram e, se não fosse pela boo, já teria desistido a muito tempo. o ponto é que gostava de bluebell mais do que já gostou de qualquer outra namorada e, bom, esse era o principal problema.
gostava tanto dela que não sabia como não decepcioná-la, não era bom em se abrir ou entender quando as conversas sobre sentimentos eram sérias. gostava tanto dela que parecia uma opção melhor, em sua mente quebrada e errada, dizer o que ela parecia querer ouvir ao invés de ser sincero sobre tudo o que acontecia. agradá-la amenizaria as coisas e impediria que ela ficasse magoada consigo, não é? ao menos era a intensão e era o que o long pensava na maior ingenuidade possível.
aquele dia não parecia muito diferente, haviam brigado na semana anterior sobre o fato de bai nunca ser sincero sobre algumas questões pessoais e não compartilhar fatos importantes de sua vida, mesmo eles já tendo um relacionamento sério havia um tempo. “me desculpa…” o chinês pediu baixinho, se aproximando da mais nova com um bico e a voz manhosa. “eu odeio te magoar…” era a verdade, uma das poucas que conseguia dizer. um suspiro pesado lhe escapou os lábios, o homem se movendo devagar até mais perto da (até então) namorada, o olhar triste e uma pequena caixinha na mão. “eu juro que eu só sou burro e desatento, não estou escondendo nada… eu não… eu não teria motivos pra isso. só é complicado pra mim quando eu me vejo perto de você, tipo, olha pra você. você é incrível e merece tudo de melhor.” e não era mentira para a agradar, realmente pensava assim. mas, bom, quando se vacila demais é difícil que acreditem em suas palavras sinceras sem cogitar que sejam desculpas vagas.
“bell…” ele chamou baixo, aproximando-se ainda mais dela, que estava de costas para si. ao chegar próximo o suficiente, abraçou sua cintura com delicadeza e recostou o rosto em seu ombro, deixando mais um suspiro escapar. “me perdoa…” murmurou, fechando os olhos e apertando a caixinha entre os dedos, as mãos apoiadas sobre a barriga feminina na intensão que ela percebesse o objeto ali sem ele dizer nada.
de certa forma, relações românticas sempre pareceram muito simples e previsíveis para bluebell. era como antes mesmo de engatar um relacionamento sério ela soubesse o que estava por mim. às vezes imaginava se a fórmula para suas relações amorosas estava errada, visto que todas elas terminavam igualmente caóticas. o namoro com long bai começou com o alívio efêmero de que a fada madrinha não se intrometeria em seu namoro de novo, o que se provou ser uma crença tola com o passar dos dias. bai não era bom o suficiente para ela e a mãe fazia questão de trazer isso a sua memória todas às vezes em que encontrava a filha cabisbaixa por alguma coisa que o rapaz tinha feito. ocasionalmente ela o culpava por isso, o culpava por não se esforçar o suficiente, por não ser o suficiente e acabava sempre arrependida, retrocedendo em cada uma de suas palavras. a verdade é que pela primeira vez em algum tempo a boo se sentia feliz e satisfeita — apesar das frequentes adversidades que vira e mexe balançavam a sua relação — e isso se dava a presença meio inconstante do namorado. no fim das contas, bai era uma das poucas pessoas que a fazia sorrir genuinamente, já que apesar de manter um sorriso nos lábios o tempo inteiro, ao ponto de suas bochechas doerem no final do dia, seus risos mais alegres e verdadeiros eram destinados a ele.
parece eufemismo definir o relacionamento de bluebell e bai como instável, eles estavam bem na maior parte do tempo, é claro, então vinha a tempestade em meio a calmaria. ela se irritava por ele fazer alguma gracinha em algum momento inadequado, por ser irresponsável enquanto ela era careta demais. irritava-se também porque ele não falava sério, porque omitia coisas dela, apesar de negar. irritava-se até pela frequente oposição de bai a todas as frivolidades arthurianas quando ela era o perfeito exemplo de tudo o que uma dama da alta sociedade devia ser. as irritações, no entanto, não faziam com que gostasse menos do long, pois todas eram esquecidas quando se sentia desgastada pelas inúmeras atividades extracurriculares e ela se tornava ciente demais que a presença de bai apaziguaria o cansaço, já que ele era energético demais enquanto ela era de menos.
mais uma vez eles tinham tido aquela discussão, sentia-se cansada por bater naquela mesma tecla, fazer as mesmas perguntas e receber respostas vagas. eles estavam juntos há algum tempo e bluebell jurava que não existia nada sobre ela que bai não soubesse, enquanto ela parecia saber cada vez menos sobre ele. perguntava a si mesma se isso levaria a um eventual afastamento entre eles e ficava temerosa, na defensiva, enquanto não sabia se ele temia a mesma coisa ou sequer se importava. não tinha mandado mensagens daquela vez como costumava fazer, tinha se distraído ocupando suas horas com mais aulas, mais treinos para evitar pensar demais e sentir saudade. ouvir a voz de bai após esse breve período de afastamento provou um arrepio bem-vindo em sua espinha, fazendo também o coração disparar em seu peito, com suas palavras a aquecendo inteiramente. não disse nada, porém, ao ouvir o seu pedido de desculpas, franzindo apenas a testa em uma pequena carrancas. não cederia tão fácil daquela vez. “não acho que isso seja verdade, long bai.” murmurou, falando o sobrenome completo do mais alto para enfatizar o que dizia, talvez assim ele percebesse a seriedade do problema. “ei, não tente me driblar com elogios! não vou cair nessa de novo.” cruzou os braços, sem fazer nenhum movimento para afastá-lo. “não sei se acredito nisso, dumpling… acho que você está me fazendo de boba.” sua mãe sempre dizia que sua ingenuidade um dia seria sua perdição, apesar disso não está relacionado a bai e sim aos castigados que a fada madrinha julgava serem pessoas ardilosas e enganadoras que se aproveitavam da bondade da boo, imaginava ser o mesmo caso. seria ingênua de achar que o rapaz não escondia nada dela, pensando às vezes que talvez fosse melhor deixar pra lá e seguir em frente, cega ao que quer que fosse que ele fazia.
ouvir a pronúncia carinhosa de seu apelido a fez suspirar, tendo que sacudir a cabeça para lembrar estar zangada com o garoto e que não iria perdoá-lo tão facilmente. pôs tudo aquilo a perder quando sentiu os braços em sua cintura e a respiração quente dele contra o seu ombro. a presença da caixinha não passou despercebida pela morena, era atenta demais a tudo que pudesse lhe despertar curiosidade. “o que é isso?” perguntou curiosa, não se atrevendo a pegá-la para ver o que tinha dentro. “não fique pensando que você pode me dar presentes toda vez que eu estiver zangada.” falou, percebendo então, que era tarde demais e que já estava com um sorriso bobo estampado nos lábios.