margwret:
as sobrancelhas se arquearam com a sugestão do outro, não conseguindo evitar a surpresa por tê-la feito. certamente que adoraria aproveitar uma oportunidade de encontrá-lo em outro local - mesmo que não houvesse a questão dos livros -, mas não fazia ideia de como expressar aquilo, bom, sem soar como uma idiota. “com toda a certeza, seria um enorme desperdício da sua parte guardar somente para você suas opiniões…” murmurou, tentando pensar em como prosseguir aquilo. “talvez… poderíamos combinar de nos encontrarmos em algum lugar.” sugeriu, comprimindo os lábios brevemente. realmente não fazia ideia de qual seria uma boa maneira de realizarem aquilo, e não queria acabar dando ideias ruins. “alguma ideia?” ela perguntou, esperançosa. “ah, por onde posso começar?” as palavras saíram mais para meg que para o mais alto, antes de prosseguir: “se acha que é um péssimo dançarino, é porque não viu os cavalheiros no primeiro baile. foi um desastre. e não é muito agradável ser levada de um lado para o outro pela minha mãe, para conhecer quem claramente está querendo sair correndo ainda mais do que eu.” o resumo de seus dramas com o começo da temporada eram acompanhados de um suspiro dramático, sincero. acompanhou com atenção a explicação que ele lhe dava, não evitando a surpresa por terem opiniões consideravelmente semelhantes. “para falar a verdade, eu entendo o que quer dizer. o meu grande problema é que não entendo como essas dinâmicas em que a temporada está envolvida realmente já funcionaram para tantos. não sei se o problema sou eu, por estar bem longe de ser uma expert no assunto além de um pouco que li nos livros, mas…” pausou, não acreditando que estaria fazendo muito sentido na tentativa de explicar seu ponto de vista. “não me parece a melhor fórmula para achar alguém com quem se queira casar.” completou, acrescentando em brincadeira: “embora eu devesse agradecer porque minha mãe não botou medo suficiente em ninguém ainda, para ficar tão constrangida.” finalizou com certo humor. a loira assentiu conforme ele se pronunciava, o cenho acabando por franzir-se de leve. imaginava que talvez, somente talvez, estivesse relacionado com a menção anterior de uma educação estritamente militar, porém, guardaria para si mesma a opinião. “mesmo com a questão de não saber quem eu sou tendo ajudado, não vejo motivo para tirar o seu mérito de ter conseguido sair da sua zona de conforto. posso te garantir que está bem longe de ser horrível nisso. foi uma companhia muito agradável nesse meio tempo, e eu realmente não sou de falar isso sempre.” abriu um sorriso doce. “é um passo de cada vez que falam, não? seja na dança, seja na vida. é tudo questão de ir aos poucos.”
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ manteve-se em silêncio diante das palavras da loira, embora já tivesse uma ideia permeando sua mente de antemão. as sobrancelhas arquearam-se levemente diante da sugestão alheia, em uma surpresa que não lhe era nenhum pouco devida, vendo que era justamente alguma brecha como aquela que esperava. “talvez possamos marcar de nos encontrarmos no kew garden daqui a... três semanas? parece um tempo bom para você?” sugeriu, acompanhando suas reações para saber se a ideia lhe agradava. “acho que é tempo suficiente para eu conseguir ler o que você me sugeriu.” complementou, com um meio sorriso. “e para nos acharmos, podemos combinar um sinal singelo, mas que ambos reconheceríamos com facilidade...” olhou em volta rapidamente, tentando pescar alguma ideia de última hora, e achou-a há pouco centímetros, ao que a atenção recaiu sobre as mãos de ambos juntas. aumentou alguns centímetros do sorriso, deixando que um dos dedos longos escorregasse por uma das pétalas que adornavam o pulso da jovem. “como uma flor.” completou, encarando-a mais uma vez. “acha que estaríamos trapaceando no pareamento?” a pergunta veio com bom humor, sendo até mesmo acompanhada por uma risadinha baixa, porque, de fato, não se importaria se estivessem. calou-se para se atentar a suas próximas palavras, abrandando o sorriso contido na expressão aos poucos e assentindo de tempos em tempos, para demonstrar que prestava atenção e concordava com muitas das queixas que a menor compartilhava. “se me permite a pergunta... foi por isso que debutou? por conta da sua mãe, da sua família?” era uma curiosidade genuína, apesar de temer acabar sendo invasivo demais. sabia que muitas das damas tinham realmente o sonho do casamento, mas também havia a parcela que só se colocavam naquela situação por serem compelidas pela tradição. a preocupação com a interpretação da própria pergunta, porém, logo se esvaiu e ele voltara a relaxar diante daquela sequência de palavras da loira, que teve uma facilidade ímpar em arrancar do dankworth outro sorriso contido — que ficava cada vez menos contido, se fosse ser sincero. “bem, talvez isso seja motivado pelo fato de que as suas outras companhias foram desagradáveis demais e acabaram deixando as coisas mais fáceis para mim...” murmurou, com um tom divertido enquanto involuntariamente escorregava a mão alocada na cintura da jovem, movendo-a poucos centímetros até que se acostasse mais a base de suas costas. “mas eu vou aceitar o elogio, de qualquer forma.” complementou, deixando escapar uma risadinha. “eu não pisei nos seus pés ainda, o que eu considero uma vitória pessoal, principalmente se formos considerar que eu mal consigo prestar atenção em qualquer outra coisa que não sejam os seus olhos.” o elogio escapou com tanta naturalidade que ele mal teve tempo de analisar se ele era totalmente apropriado, mas conteve o instinto de se desculpar por aquilo. não queria se desculpar por tal fala, realmente. “você acha que nos conhecemos? sabe... no mundo real.” resolveu perguntar, ainda com toques de diversão ao escolher as palavras, embora a curiosidade fosse real.
















